ESERLERİN DEĞERLENDİRİLMESİ
7. AYDIN’DA ZENCİR KIRAN; YENİ DOĞAN TÜRK
7.6 Kahramanlar .1 Aydın Eşrafı
7.6.3 Kadınlar Zuhal Hanım
O acesso à internet por parte dos jovens vem se tornando mais comum. É o que se observa na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD (BRASIL, 2007; 2013), e se confirma também na pesquisa Juventudes e Mídia. Em atividade da primeira restituição feita na Escola, em que se debateram dados quantitativos de 2011 em relação ao tema3, ficou claro que os jovens têm acesso à internet com mais facilidade hoje, comparativamente ao período estudado. Os estudantes afirmaram que a opção preferida no lazer atualmente é navegar na internet, com destaque para o Facebook. Este parece reunir diversos recursos em um único site, exercendo funções de publicação de diário, bate papo, jogos, downloads, e também servindo para realizar trabalhos escolares.
A TV ainda pareceu estar presente no cotidiano de muitos jovens, mas já não era a preferida pela maioria, como observado nos resultados de 2011. Alguns deles afirmaram assistir programas de televisão na internet. Além disso, demonstraram certa visão crítica dessa mídia, o que pode ser, em parte, consequência da maior conectividade no cotidiano dos jovens. Ao se indagar sobre a contribuição da TV brasileira para a educação, o estudante afirmou:
Renato: Depende do que nós assiste né, porque tem muitas coisas que levam pra baixo. [...] Assim, assistir todo dia 1904 mostra pra gente que nós não pode entrar nesse mundo. Mas todo dia passar a mesma coisa, a mesma morte, as mesmas conversas, leva a gente a levar essas coisas, a gerar na nossa mente que isso é normal, que todo dia vai acontecer.
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Na ocasião, perguntavam-se aos estudantes quais os resultados que eles esperavam para os itens do questionário, para depois apresentarem-se os dados e debater. Todas as turmas do primeiro ano participaram dessa atividade, que foi anterior à oficina de vídeo.
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(Oficina de vídeo, 1º encontro. Fortaleza, 29.03.2014).
Quanto ao local de acesso, a lanhouse apareceu como sendo a mais respondida na ocasião da pesquisa quantitativa, sendo que, das opções, os jovens da escola pesquisada disseram utilizar a internet mais a partir de casa. Muitos afirmaram acessar a partir do celular, o que não indica um local preciso para a conexão. A partir da Escola, o acesso à internet se mostrou baixo em relação à média geral. Ao perguntar aos alunos se o cenário havia mudado, afirmaram que não. Um aluno disse que a situação havia piorado, enfatizando que ninguém conectava da Escola. Outro estudante disse que o acesso à internet a partir da Escola só não era nulo devido ao fato de alguns alunos possuírem o serviço 3G. Não foi exatamente isso o observado ao longo da pesquisa. No entanto, observou-se que a apropriação do Laboratório Educacional de Informática realmente não era intensa. Poucos professores (geralmente os mesmos) utilizavam o espaço e os recursos para incrementar as aulas. E, na maioria das vezes, tinham como intuito a apresentação de vídeos. O uso dos computadores para navegar praticamente se restringia a alguns poucos estudantes (também normalmente os mesmos) que costumavam pesquisar e fazer trabalhos escolares no contraturno – com a autorização da professora responsável pelo espaço –, bem como aos integrantes da Rádio Conexão Escola, que se apropriavam do local nos horários do recreio5.
A frequência e o tempo de utilização da internet se mostrou maior na ocasião da restituição inicial. Os dados foram coerentes com a crescente facilidade de acesso à internet e a equipamentos eletrônicos capazes de se conectar a rede. Muitos já possuíam computador e acesso à internet em casa, diferentemente de dois anos e meio antes, aproximadamente. Alguns possuíam também acesso 3G, utilizavam na Escola e ainda compartilhavam com os colegas. Para isso, afirmaram utilizar uma espécie de roteador para celular, em que uma conexão poderia ser a via de acesso de vários aparelhos.
Em relação ao tempo de utilização, observou-se alterações, inclusive de parâmetro, como observado no tópico 2.4 (Nas redes da Instituição). Enquanto em 2011 os jovens afirmaram utilizar a internet por tempo determinado (até meia hora, de duas a três horas e de três a cinco horas), a fala dos estudantes na ocasião da restituição mostrou não fazer sentido tal mensuração, já que muitos dos jovens afirmaram ficar constantemente conectados, mesmo quando não estavam efetivamente operando na rede. Pôde-se observar
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A partir do início do ano letivo de 2014 a Rádio começou a utilizar caixas de som para disponibilizar músicas no pátio da Escola durante o recreio. Nesses horários, a porta do Laboratório Educacional de Informática ficava fechada. Era permitida a entrada apenas a quem fosse integrante da Rádio.
com isso uma clara mudança de contexto, ao ponto de se perceber que, se o questionário fosse aplicado na ocasião da pesquisa qualitativa, necessitaria adaptações em diversos itens relacionados à internet: “Pesquisadora: Não tinha o dia inteiro, hoje em dia teria que botar o
dia inteiro, né?! – Aluna: 24 horas.” (1ª restituição, turma 2. Fortaleza, 20.11.2013).
Essa ampliação no acesso de modo geral contrastou com a realidade da Escola. Os estudantes alegaram ter dificuldades em utilizar a internet da Instituição, como visto ainda no tópico 2.4 (Nas redes da Instituição) acerca da subutilização do LEI, ilustrando a baixa qualidade do serviço de internet oferecido e a falta de infraestrutura para atender a demanda local. A professora do LEI, que participou da oficina de vídeo, ao justificar a infraestrutura insuficiente para atender a demanda da Escola, falou também brevemente sobre sua função no exercício do cargo:
Sônia: No caso, nós não somos professoras de informática, nós somos o suporte pedagógico e estamos aqui pra ensinar o beabá ao aluno sobre informática. Nós estamos aqui pra receber alunos para a pesquisa. Mas, no momento nós não estamos com internet que possa, realmente, atender uma demanda grande de aluno nessa sala. Nós atendemos, sim, salas, quando o professor manda. Não a sala toda. Atendemos sala pela metade, sim, vem vinte, vem dez. Nós atendemos também extracurricular, quero dizer fora do expediente curricular. Horários extras. O aluno tem acesso à sala, eu atendo qualquer necessidade do aluno; imprimo documentos para o aluno, ele entra em pesquisa. Então o aluno não pode dizer que não tem acesso à sala. É que não tem a capacidade por uma condição de ar condicionado, por questão de internet mesmo; a nossa nova gestão vai ver isso, vai viabilizar uma melhor internet pra vocês. Mas no momento, é um número grande de aluno e a sala não comporta um número grande de aluno pra internet.
(1ª restituição, turma 1. Fortaleza, 20.11.2013).
Durante uma discussão com os jovens na ocasião do segundo encontro da oficina de vídeo, apresentou-se uma situação hipotética – disparada pelo vídeo O mundo sem
internet6, retirada do canal do Parafernália no YouTube – em que a Escola ficaria
definitivamente sem internet, indagando-se de que forma isso repercutiria no cotidiano dos estudantes. Afirmaram que a hipótese não mudaria o dia a dia deles na Instituição, sugerindo que a Escola, ao menos no que se refere ao ensino, não dependia tanto da internet. Seus recursos eram pouco utilizados em sala de aula, apesar de alguns professores terem o costume de acessar para planejar suas aulas:
Colaborador: Se caísse a internet, pessoal. Pronto, caiu a internet. Não tem mais. Se aquele filme lá [O mundo sem internet] fosse na Escola. Caiu a
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internet aqui na escola. Iria mudar muito o dia a dia de vocês? Né..., curricular mesmo, as aulas, as atividades pedagógicas, iriam mudar muito? Regina: Não.
André: Não.
Pesquisadora: E fora da Escola, iria mudar?
Regina: Muito. Mas aqui na Escola, acho que também iria mudar, porque os professores chegam na nossa aula dizendo: “ah, eu demorei porque eu tava fazendo essa pesquisa pra vocês”. Aí iria mudar. Como é que a gente iria ter temas de aulas? Assim, eu acho que iria mudar.
(Oficina de vídeo, 2º encontro. Fortaleza, 05.04.2014).
Observa-se com isso a presença das mídias e das novas tecnologias na vida dos jovens, afetando seu dia a dia e sua relação com o mundo dentro e fora da Escola. No entanto, as novas tecnologias não estão presentes apenas na vida dos jovens. O desenvolvimento da tecnologia digital tem afetado as relações sociais de forma ampla, de modo que a conectividade é uma marca da sociedade atual. Regina, em sua fala, apontou que, se a falta de
internet na Escola poderia trazer consequências, estas seriam indiretas, já que alguns professores utilizam os recursos da internet para elaborar suas aulas. Contudo, nota-se com a fala dos alunos que o ensino em si pouco se afetaria com uma possível queda permanente nas conexões em redes de informática.
Ora, percebe-se aqui uma clara disparidade entre juventude e escola, sinalizando tensões no seio dessa união que compreende a educação contemporânea. Essa defasagem é então sintetizada por Paula Sibilia (2012):
[...] enquanto os alunos de hoje vivem fundidos com diversos dispositivos eletrônicos e digitais, a escola continua obstinadamente arraigada em seus métodos e linguagens analógicos; isso talvez explique porque os dois não se entendem e as coisas já não funcionam como se esperaria. (SIBILIA, 2012, p. 181).
O acesso à internet através da tecnologia 3G, compartilhado com diversos aparelhos celulares, pareceu ser determinante para a conectividade dos jovens na Escola, estando presente até mesmo em sala de aula. Os estudantes afirmaram manusear seus equipamentos com frequência durante as aulas, na presença do professor e sem a sua autorização. Disseram que a maioria dos professores não permitia a utilização do celular em sala de aula e que, por isso, davam seu jeito, colocando o equipamento dentro da mochila para escondê-lo, e acessando-o por baixo dos livros e sob as carteiras:
Regina: É, a aula tá besta. Aí, tá lá, de baixo da carteira...
André: Ou na frente do professor mesmo, ficam lá... [gesticula com as mãos como se estivesse mexendo no celular].
Antônio: Existem várias manhas pro professor não perceber. Tem gente que fica assim [movimenta as mãos embaixo da mesa], tem gente que pega a mochila pra abrir e colocar o celular dentro. Tem vários tipos.
Cristina: Mas, querendo ou não, o professor presta atenção, porque eles ficam [abaixa a cabeça e gesticula as mãos, representando o manuseio do celular].
Renato: Ou então, tem gente na cara de pau, que fica na cara do professor. André: Tem gente que fica na cara de pau mesmo.
Cristina: O livro fica na mesa e o celular em cima. (Oficina de vídeo, 1º encontro. Fortaleza, 29.03.2014).
O celular se tornou amplamente presente dentro de sala de aula, e se mostrou ser o equipamento preferido pelos jovens. São equipamentos “hiper-pessoais”, por realmente serem utilizados por uma única pessoa, o que não necessariamente acontece com o computador pessoal (PELLANDA, 2009). Por assumirem múltiplas funções7 em um só aparelho,
smartphones têm substituído tablets e notebooks.Não à toa, o celular foi o tema principal do vídeo produzido pelos jovens na oficina realizada durante a pesquisa, aparecendo em todas as histórias e também no título do vídeo:
Pesquisadora: Gente, porque que as cinco histórias que foram contadas nos vídeos giravam em torno do celular?
André: Porque o celular é dominante.
Dina: Eu acho que o vício maior é no celular, porque fica no Facebook, fica no Whatsapp...
Antônio: Influencia muito porque entra em Facebook, em sites. Isso influencia muito, já que o celular está se modernizando mais.
Renato: Como a cada dia se produz um celular diferente, o celular está tomando o lugar de todo equipamento.
Pesquisadora: É a fusão, né? Todas as mídias estão dentro do celular.
Renato: Muitos celulares têm televisão, servem como computador e você pode levar pra todo lugar. Aí, por isso que o celular é mais usado.
Pesquisadora: Então, se eu for apresentar um trabalho pra um congresso e disser que todo mundo da segunda escola que a gente pesquisou falou sobre celular porque eles disseram que, hoje em dia, é a mídia mais presente na vida deles, é a que mais influencia, eu tô falando certo?
[O grupo concorda]
André: A maioria do pessoal aqui tá com celular. A senhora tá o seu, tá com um ali, eu tô com o meu aqui.
(Oficina de vídeo, avaliação interna. Fortaleza, 13.05.2014).
Observou-se que o celular e outras mídias móveis acompanhavam os estudantes nos diversos espaços da Escola8, estando presentes em sala de aula, no pátio – onde muitos se
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Estudantes afirmaram utilizar o celular para se comunicar, escutar música, jogar, entre outras funções.
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A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coletou dados em 2008 e em 2011 referente à posse de telefone celular móvel para uso pessoal, considerando pessoas com 10 anos ou mais idade. A pesquisa mostrou que, enquanto em 2008 38,4% dos
reuniam no horário do recreio escolar – e em outros ambientes, como o Laboratório Educacional de Informática. Esses equipamentos, sobretudo os celulares do tipo smartphone, conectados à internet, sustentavam a presença de um ambiente virtual, paralelo ao espaço físico da Escola. Em certas situações, o virtual pareceu se sobrepor. Foi essa a impressão que os pesquisadores tiveram ao verificar que grande parte dos jovens permanecia em sala de aula mesmo nos horários livres, muitos deles manuseando seus equipamentos. Os jovens afirmaram conversar virtualmente mesmo quando estão próximos fisicamente.
A conectividade pareceu ser um aspecto marcante no dia a dia dos estudantes na escola pesquisada. Num espaço de ensino em que ainda existiam traços de confinamento, a realidade virtual surgiu como possibilidade de ampliação do espaço, bem como de diluição do tempo no contexto escolar. Conectar-se a outro mundo, ainda que de corpo presente em ambiente institucional, era uma forma de se ausentar daquele contexto, e pareceu atrair o interesse dos jovens. Estes buscavam se manter conectados, acessando novas realidades, publicizando intimidades e compartilhando experiências em redes virtuais. Com isso, a atenção ao professor e àquilo que se propõem em sala de aula diminuia aceleradamente, gerando conflito entre estudantes e educadores.
O ambiente virtual dentro da Instituição pereceu existir paralelamente à proposta educativa da Escola, gerando divergência e insatisfação por parte de muitos educadores. Havia uma tensão entre conexão e desconexão no ambiente de ensino. Os jovens queriam estar conectados entre si, bem como com o mundo fora da Instituição. Já os educadores buscavam controlar essa conexão, temendo que os estudantes se desconectassem dos conteúdos didáticos e do propósito pedagógico-educativo.