TÜRKİYE’DE ULUSALCI SOL HAREKETLER: 1932 –
2.3. MİLLİ DEMOKRATİK DEVRİM
NORTE LEGENDA REGIÕES ADMINISTRATIVAS LESTE SUL OESTE Mapa 1 – Brasil/Nordeste/RN/Natal
Fonte: Almanaque Abril (2002); PMN/SEMURBb (2003).
Nos últimos 60 anos, foi registrado um intenso incremento populacional em Natal, contrastante com a lenta evolução da cidade ao longo dos seus primeiros três séculos de existência. A partir de meados do século XX, Natal iniciou um acelerado processo de urbanização. À expansão horizontal, associou-se, ao longo das últimas duas décadas (1980-2000), também uma intensa verticalização de algumas áreas. Esse crescimento seguiu padrões de segregação visíveis, similares aos identificados na maioria das cidades brasileiras (ver Mapa 2).
dividiu a cidade em área urbana e de expansão urbana, e, em 1994, a Lei Complementar n.º 07 (atual Plano Diretor) apresenta todo a sua superfície como área urbana.
Mapa 2 – Natal – No início do século XX e em 2003.
Fonte: Miranda (2000); PMN/SEMURB (2000).
Não obstante ter sido objeto de sete planos (urbanísticos e diretores)70 desde o
início do século, observa-se que o crescimento de Natal, ao longo do século XX, deu-se
prioritariamente por meio de parcelamentos sucessivos do solo, na maioria das vezes longe das orientações legais naqueles contidas. Contribui com este argumento a afirmação de Lima (1998) sobre a não aplicação (pelo menos na sua totalidade) ou ineficácia dos instrumentos legais elaborados para a cidade entre 1929 e 1984:
70 Plano Cidade Nova (1901), Plano Palumbo (1929), Plano de Saturnino de Brito (1935), Plano
Serete (1967), Lei 2.211 (1974), Plano Diretor Lei n.º 3.175 (1984), Plano Diretor Lei Complementar n.º 07 (1994). Esse último, ainda em vigor, sofreu alterações em 1999 e 2000, através das Leis Complementares n.º 022 e 028, respectivamente.
Ao longo deste século, o processo de urbanização de Natal confirmou a predominância do Plano Polidrelli na estruturação da cidade situada à margem direita do rio Potengi – a Zona Sul. Os planos de urbanismo de 1929 e 1935, e os planos diretores de 1968, 1974 e 1984 não foram capazes de estruturar a cidade, através de regras claras voltadas para o acompanhamento e controle de seu crescimento físico e demográfico. Eles apenas, de um modo geral, se restringiram a obedecer e regulamentar as tendências de configuração decorrentes do processo de urbanização, mantendo a forma e o direcionamento dos eixos viários implantados a partir de 1901, os quais também são ratifIcados pelo Plano Diretor de 1994 (LIMA, 1998, p. 222).
O Plano Polidrelli, o qual data do ano de 1901, foi na verdade “um plano de arruamento/parcelamento do solo com uma trama xadrez e sem qualquer preocupação funcional” (LIMA, 1997, p. 40). Foi o único totalmente implantado e resultou na criação do então chamado bairro Cidade Nova, área hoje definida pelos bairros: Tirol e Petrópolis na Região Leste da cidade (ver Figura 2). Este plano foi responsável por introduzir o urbanismo moderno em Natal. Definiu, através de uma malha ortogonal em quadrícula de vias largas, os principais corredores da maior porção territorial da cidade (localizada à margem direita do rio Potengi) que iriam se consolidar após a década de 1940 através dos parcelamentos urbanos (LIMA, 1997).
Legais ou ilegais, os parcelamentos constituem-se numa forma importante de
produção do espaço na formação das cidades brasileiras71, intensificada principalmente a
partir da década de trinta. Sua presença é determinante, destacando-se em relação a outras formas de produção do espaço urbano (como: planos urbanísticos ou condomínios verticais), diferindo quanto ao agente promotor (pessoa física ou empresa, público ou privado), tipo de produção realizada (loteamentos, conjuntos habitacionais, condomínios, cooperativas), número de unidades produzidas, área da gleba e dos lotes, existência ou
não de áreas públicas, intensidade e extensão ocupada e grau de legalidade72.
No Brasil, a dissociação do parcelamento do solo da ação da construção teve papel decisivo no desenho das cidades. Para alguns autores, o marco inicial deste processo data do ano de 1850 com a aprovação da Lei de Terras (ROLNIK, 1999; MARX,
1991). Esta legislação transformou o regime de posse de terras devolutas73, amplamente
71Ferreira (2000) argumenta que esta realidade faz parte de um quadro mais abrangente, onde se
inserem as cidades capitalistas ocidentais como um todo (FERREIRA, 2000, p. 18).
72 Os graus de legalidade englobam as dimensões urbanística, jurídica e cartorial; perpassam
desde a existência de documento jurídico legal (título de propriedade registrado), à obediência às normas urbanísticas de uso e ocupação do solo, à aprovação aos órgãos públicos competentes; e ainda, diz respeito ao parcelamento e também à edificação em si.
73 Ver sobre terras devolutas em LIMA, Ruy Cirne. Pequena história territorial do Brasil. Sesmarias
praticado e que havia virado regra após a extinção das sesmarias74, ao estabelecer que a única forma legal de posse da terra seria a “compra devidamente registrada” (ROLNIK, 1999, p. 23). A terra assume assim o caráter permanente de mercadoria, deixando de ter valor exclusivamente de uso para ter também valor de troca (HARVEY, 1980). Rolnik (1999) acrescenta que a riqueza antes investida em escravos passa às propriedades imobiliárias, o que vem a acontecer com mais vigor a partir do advento da abolição da escravatura. Inicia-se, a partir daí, a demarcação das terras, a definição exata dos lotes e dos arruamentos, passando o solo a constituir-se num agente independente na construção e expansão das cidades, não mais necessariamente vinculado à sua edificação.
Además de las cuestiones sócio-económico-jurídicas que este processo implica es relevante señalar que desde el punto de la estrutura física de la ciudade, las parcelaciones tiene um papel fundamental. Ellas delinean e consolidan el trazado urbano, plazas y calles, que una vez implantados son de difícil alteración. Del ambiente construido, la parte que sufre menos cambios a lo largo de la historia es aquella realizada em relación con la parcelación, sea ésta espontánea o planeada, legal e clandestina, hecha de forma paulatina o de una vez (FERREIRA, 2000, p. 3).
Importante notar que, enquanto as edificações sobrevivem em média 25 a 30 anos no Brasil, quando são demolidas pela “deteorização do habitat que reduz a zero o valor de uso para o qual haviam sido concebidas” (BOLAFFI, 1982, p. 61), os parcelamentos tendem a se manter inalterados. Segundo Villaça (apud FERREIRA, 2000, p. 03), isso decorre, na maioria das vezes, por implicar em altos custos de desapropriação.
O estudo de Ferreira (2000), sobre a produção imobiliária através dos parcelamentos formais privados do solo em Natal, confirmou a importância destes na expansão da cidade após meados de 1940, quando tornaram-se responsáveis por consolidar a trama viária e delinear a sua morfologia de hoje. A autora acrescenta que mais de 50% do solo urbano atualmente edificável na cidade resulta de parcelamentos registrados entre os anos de 1946 (ano quando se registrou o primeiro parcelamento dentro da área urbana de Natal) e 1989. O surgimento destes parcelamentos foi favorecido por vários fatos que eclodiram com a Segunda Grande Guerra, período no qual Natal ficou conhecida mundialmente pela instalação de uma base aeronaval norte- americana no seu território, dentre os quais: (1) registro de um incremento populacional
74 O Regime de sesmarias foi transplantado de Portugal para o Brasil em 1553, adaptando o texto
das Ordenações Filipinas. Diferindo do objetivo original no qual as sesmarias seriam para o cultivo da terra durante prazo determinado, no Brasil, tiveram como função principal povoar as terras virgens brasileiras (WAINER, Ann Helen; LIMA, Cirne apud BENTES SOBRINHA, 2003).
de 88,2% entre os anos de 1940 e 1950 e conseqüente elevação da demanda por habitação; (2) elevação do nível de renda dos habitantes pelo desenvolvimento da economia local; (3) criação de uma infra-estrutura viária. Aparecimento dos dois principais eixos viários da cidade, que ligavam o centro portuário, onde estavam concentradas as atividades comerciais e financeiras, às bases naval e aérea americanas; (4) existência de terras improdutivas na periferia, e (5) a indefinição de um perímetro
urbano75. O conjunto dessas causas provocou a transferência do capital rural para a
cidade, onde o mercado imobiliário apresentava-se como excelente opção de investimento. Com o aquecimento do mercado imobiliário, os loteamentos proliferaram orientados principalmente pelo novo eixo viário entre Natal e Parnamirim. A configuração espacial de Natal, delineada até final da década de 1950, orientou o crescimento e segregação socioespacial que será reforçada nas décadas de 70 e 80 (FERREIRA, 2000, p.6-7).
Ferreira (2000) reforça o argumento acima ao apresentar que, de um total de 222 loteamentos registrados no intervalo entre 1946 e 1989, 50% tiveram seus registros na década de 1950 (54,5%), o que comprova a intensa mercantilização do solo que se deu neste período. A autora destaca a contribuição do poder público nesse processo, atuando como proprietário original de grande parte destas terras, repassando-as às mãos de terceiros, direta ou indiretamente, em jogos explícitos de interesses políticos e econômicos.
Em 2003, dados oficiais registram um total de 392 loteamentos em Natal (PMN/SEMURB, 2003), destes 41,68% (163 loteamentos) estariam compondo os
números da cidade ilegal76. Os outros duzentos e vinte e nove (229) são citados como
devidamente registrados nos cartórios competentes, portanto parte integrante da produção formal da cidade (Gráficos 1 e Quadros 3).
75 A indefinição do perímetro urbano, associada a uma indefinição de atividades
caracteristicamente agrárias ou urbanas, permitiu a definição de lotes em rurais ou urbanos de acordo com a conveniência dos parceladores. A fragilidade dessa definição traz, até hoje, conflitos entre Natal e os municípios vizinhos. Um exemplo disso é a recente aprovação da Lei Estadual nº. 8.246 de 03 de dezembro de 2002, alterando os limites ao norte, transferindo parte do distrito industrial de Natal para o município de São Gonçalo. Essa questão provocou uma disputa jurídica, ainda em andamento entre Natal e o Governo do Estado. Atualmente o município de Natal enviou novo Projeto de Lei, que além de solicitar a reversão à situação anterior, requer a transformação em base legal do acordo existente desde o início da década de 1990, fixando os limites ao sul da cidade, divisa com o município de Parnamirim.
76 Faz-se necessário esclarecer que: (1) os dados da Região Administrativa Norte são os únicos
que foram objeto de atualização recente, disponibilizados na pesquisa de Silva, A. (2003); (2) o mesmo autor considera dentro do enfoque de sua pesquisa alguns loteamentos registrados no município vizinho de São Gonçalo do Amarante legais, entretanto, os dados aqui apresentados seguem o critério da SEMURB, somente considerando legais aqueles loteamentos com registros efetuados nos cartórios devidamente competentes dentro do município de Natal.
Décadas Lot. Reg. Lot. Não Reg. 40 8 0 50 47 2 60 25 2 70 3 3 80 10 1 NR s/d 43