DOĞU TÜRKÇESİNE AİT BİR BOTANİK LÜGATÇESİ
3. Eleştirel Söylem Analizi ve Edebî Metin
4.8. Metnin Duygusal Bir Biçimde İfade Edilmesi
As fontes de receita do FS previsto no texto original do PL n.o 5.940/2009 incluíam: (i) parcela do valor do bônus de assinatura que lhe fosse destinada pelos contratos de partilha de produção; (ii) parcela dos royalties que couber à União, deduzidas aquelas destinadas aos seu órgãos específicos; (iii) receita advinda de comercialização de hidrocarbonetos; (iv) os resultados de suas próprias aplicações; e, (v) outros recursos que lhe fossem destinados em lei.
Todavia, na redação final do PL, que resultou na Lei no 12.351/2010, foram incluídos como fontes de receitas do FS os royalties e a participação especial direcionados aos órgãos da administração direta da União76 sob o regime de concessão da Lei do Petróleo e resultantes da produção nas áreas localizadas no pré-sal.77 Assim, segue a disposição da Lei no 12.351/2010:
Art. 49. Constituem recursos do FS:
I – parcela do valor do bônus de assinatura destinada ao FS pelos contratos de partilha de produção;
II – parcela dos royalties que cabe à União, deduzidas aquelas destinadas aos seus órgãos específicos, conforme estabelecido nos contratos de partilha de produção, na forma de regulamento;
III - receita advinda da comercialização de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos da União, conforme definido em lei;
IV - os royalties e a participação especial das áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de concessão destinados à administração direta da União, observado o disposto nos §§ 1o e 2o deste artigo;
V - os resultados de aplicações financeiras sobre suas disponibilidades; e VI - outros recursos destinados ao FS por lei.
Como se vê, a partir do novo texto legal, os órgãos da administração direta da União, com fins de atender a destinações previstas na Lei do Petróleo, contam apenas com os recursos já existentes na área exploratória e produtora do Pós-sal, do que se infere que suas receitas ficariam no patamar das atuais com uma tendência de queda a partir da exaustão das reservas, considerando um cenário de não favorecimento da expansão de blocos exploratórios e produtores nessas áreas.
76 Os órgãos da Administração Pública direta, que foram citados na Lei do Petróleo: Ministério de Minas e
Energia (MME), Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Comando da Marinha.
77 No parágrafo segundo do artigo 49 da Lei no 12.351/2010 existe a menção à regra de transição, a critério do
Dessa maneira, supondo-se que o governo federal proceda à assinatura de contratos de concessão na área do Pré-sal, os percentuais de participação especial de 40% e de 10% da produção destinados, respectivamente, ao MME e ao MMA, seriam direcionados para o FS. Com isso, dentro de uma análise de políticas desses ministérios e de programas e projetos vinculados ao FS caberia averiguar quais cenários seriam mais favoráveis para o princípio da justiça intra e intergeracional.
No tocante ao MME, conforme salientado, as maiores porcentagens de recursos visam à continuidade da indústria de hidrocarbonetos, com um espaço diminuto para aplicações de receitas em políticas que visam ao cumprimento do PJI&IG, tais como o planejamento da expansão do sistema energético através do estímulo ao investimento em fontes alternativas de geração de energia.
Por outro lado, pode-se perceber que dentre as áreas prioritárias do artigo 47 da Lei no 12.351/2010 não se encontra, diretamente, o desenvolvimento de fontes alternativas de energia dentro da matriz energética nacional. Apesar de tais investimentos poderem ser encaixados nas áreas de ciência e tecnologia, bem como de meio ambiente e de mitigação e adaptação a mudanças climáticas.
Diferentemente, constatou-se que o MMA possui em sua agenda inúmeras destinações pautadas nesse princípio, inclusive semelhantes ao disposto no artigo 47 da Lei no 12.351/2010, por exemplo, projetos de mitigação e adaptação a mudanças climáticas. Contudo, restou claro que as destinações do MMA na Lei do Petróleo são bem mais amplas do que as previstas na Lei no 12.351/2010.
Nesse sentido, a escolha realizada pela lei de destinação dos recursos desses órgãos para o FS pode significar o atendimento ao PJI&IG, desde que esteja clara a criação de condições para uma sociedade menos dependente de hidrocarbonetos e capacitada para o alcance da sustentabilidade integral. Isso inclui soluções inteligentes para a crescente demanda de recursos naturais, com políticas energéticas substitutivas baseadas em energias provenientes de fontes alternativas, bem como em programas e projetos que primem pelo ideal de eficiência e conservação de energia.
Não basta a existência de recursos financeiros e o seu respectivo direcionamento, as instâncias competentes em termos legais devem se munir de um arcabouço conceitual e metodológico de um efetivo desenvolvimento do ser humano, baseados no conhecimento da região, nas
características locais, nas vocações, na cultura de cada municipalidade, na sustentabilidade integral e na efetivação de direitos fundamentais.
Tais pontuações surgem de forma propositiva e servem como reflexão, por que não bastam existência e direcionamento de recursos, é preciso que haja aplicação dentro de uma metodologia que consubstancie a efetivação do PJI&IG, bem como a avaliação de resultados dentro do que foi proposto enquanto objetivo de programas e de projetos.
3.5 Considerações finais do capítulo
O objetivo do presente capítulo foi possibilitar a percepção da nítida correlação entre distribuição e destinação das rendas de hidrocarbonetos, bem como apontar de que a regra de vinculação dos royalties e da participação especial se dirige, especificamente, aos órgãos integrantes da União, bem como ao Fundo Social nos termos da Lei no 12.351/2010.
Em relação aos estados e municípios não existem normas federais específicas de vinculação da utilização do percentual de royalties excedente a 5% da produção. Contudo, no percentual de até 5% da produção, vigoram as regras da Lei no 7.990/89, que proíbem o uso dessas receitas para remuneração de pessoal e pagamento de dívidas, exceto as contraídas com a União. No tocante a participações especiais distribuídas a estados e municípios, não há regra de vinculação ou de limitação de destinação da receita.
Esse cenário legal permite que o gestor público estadual e municipal tenha ampla liberdade de gestão e utilização desses recursos, que deveria ser relativizada tanto pela interpretação e aplicação da Constituição Federal, através do PJI&IG, quanto pela existência de regras federais e locais.
Dentro da análise da destinação do Fundo Social (FS), coube ressaltar a importância de se resguardar o equilíbrio entre o gasto presente nas áreas do artigo 47 da Lei no 12.351/2010 e a constituição de poupança pública, que visa resguardar o futuro. Ainda, para o êxito das funções institucionais do FS, argumentou-se que o Conselho Deliberativo do Fundo Social (CDFS) deverá entender o sentido do porquê de sua criação e se sua prática corresponderá ao que se propôs em termos de alcance de objetivos previstos na lei. Também, outros fatores, como criação de mecanismos de participação popular direta, passam a ser de crucial importância para o adequado desempenho institucional do FS, bem como para o êxito das
suas propostas, em termos de efetivação do PJI&IG.
Contudo, em todo o processo de formatação do modelo do CDFS, que inclui o âmbito de suas decisões, está claro o controle detido pelo Executivo, amenizado apenas pela previsão da coerência dos programas e dos projetos com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Ainda, não é possível saber o percentual de royalties da produção da área do pré-sal ou de outras de interesse estratégico, que se destinará ao FS. Contudo, com a atual tramitação do Projeto de Lei no 8.051/2010 no Congresso Nacional, o texto original que previa valores correspondentes a 19% produção offshore foi substituído pela Emenda no 4, o qual prescreve a alíquota de 10,5% da produção na plataforma continental. A produção onshore continua com o mesmo valor, 15% da produção.
Portanto, o que se pretendeu, nesse capítulo, foi contribuir com o debate e com a construção de uma participação democrática ao disponibilizar para o leitor uma sistematização das principais discussões empreendidas, recentemente, no cenário político brasileiro no tocante à configuração legal da distribuição e destinação das rendas de hidrocarbonetos.
CAPÍTULO 4 FUNDOS SOBERANOS NA INDÚSTRIA DE HIDROCARBONETOS E