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Medya görüntüleri, Video Bilgisayar Oyunları ve Şiddet

1.1. Şiddet Olgusunun Kökeni

1.1.2. Medya görüntüleri, Video Bilgisayar Oyunları ve Şiddet

115 Idem, p. 18. “Belisqueme e Beliscovocê estão em um barco. Belisqueme cai na água. O que sobra?

Manderre. E todo mundo ri. Mas Manderre enrubesce. Mais um pouco, e ele começaria a chorar. Todo mundo fica um pouco constrangido. Vale a pena ver a cena. É de morrer de rir...” O trecho é uma referência a uma poesia infantil francesa. Informação fornecida pelo professor Goulet no dia 13 de agosto de 2012.

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“Lembro-me de que, no dia seguinte à morte de Gide, Mauriac recebeu o seguinte telegrama: ‘Inferno não existe. Pode cair na esbórnia. Stop. Gide.’”

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“Lembro-me de que André Gide foi prefeito de uma cidadezinha na Normandia e que ele se orgulhava de ser pomólogo.” PEREC, G. Je me souviens. Paris : Hachette, 1978. p. 51 e 61 respectivamente.

56 Tal como no caso de Paludes117, as perguntas começam antes mesmo da leitura. Bellos aventa, em um primeiro momento, a hipótese de uma alusão a Der Mann (“o homem”), e isso nos levou a pensar no Homem sem qualidades de Robert Musil (cujo título original é Der Mann ohne Eigenschaften). Como Perec tinha conhecimentos de alemão, a pista parecia interessante. Mas no mesmo texto o biógrafo afirma que Perec teria sido “apresentado” ao livro de Musil apenas em 1959, por intermédio de Roger Kléman.118

Outra teoria para a razão de um título tão enigmático pode ser formulada a partir de um comentário de P. Lachasse sobre as relações entre a obra de Gide e de um dos autores mais importantes para a formação do escritor Perec, Raymond Queneau:

l’onomastique quenienne, fondée sur le jeu de mots, est un auxiliaire majeur de la disqualification du personnage dont l’identité renvoie au langage et ne connote aucun statut socio-psychologique précis.119

Talvez Manderre deva seu nome à mesma lógica, que denota sua existência meramente literária, manifestada também através de outros aspectos. Assim sendo, o nome do personagem e o título do livro não teriam um significado específico além de chamar a atenção do leitor quanto ao que o espera durante a leitura. A falta de clareza leva o leitor a se questionar sobre o texto e as perguntas, tal como em Paludes, começam já no título, e perseguirão o leitor durante toda a obra.

O estranhamento causado pelo nome do protagonista, em comparação com os dos outros personagens (Martin, Nicole, Geneviève etc.) aumenta seu caráter de pura criação. Por não ter nenhuma fonte absolutamente segura para sua origem, Manderre impede que o associemos a qualquer contexto de modo absoluto. Tal como sua personalidade, sua origem é indefinida e potencial.

117 Um bom exemplo desses questionamentos está no texto de F. CANOVAS, (“En déclinant Paludes: sur

les traces de Virgile et de Dante”. In Essays in French literature, nº 29, November 1992) que sugere algumas hipóteses sobre o título da sotie.

118 Essa informação é confirmada por Perec em uma carta a Jacques Lederer, datada de 16 de novembro

de 1959: “P.S. Musil a une intelligence et un esprit stupéfiants – Un peu longuet parfois, non?” (“Musil tem uma inteligência e um espírito impressionantes – Um pouco comprido por vezes, não?”) PEREC, Cher, très cher... op. cit., p. 544.

119 “A onomástica de Queneau, baseada no jogo de palavras, é um auxiliar importante na desqualificação

do personagem cuja identidade remete à linguagem e não conota nenhum estatuto sócio-psicológico preciso.” LACHASSE, P. “Une histoire modele: Queneau lecteur de Gide” In CABIOC’H, S. & MASSON, P. (orgs.) Gide aux miroirs : le roman du XXe siècle. Caen: Université de Caen Basse- Normandie, 2002. p. 137.

57 O verbo latino mandere120, origem do verbo “mander” em francês (que significa “dar uma ordem”, “chamar”) serviu como base para a palavra “mandataire”, pessoa encarregada de agir no lugar de alguém e defender seus interesses.121 Esses significados reforçam a ideia de Manderre “obedecer às

ordens” do narrador, ou melhor, ser uma marionete, cujas palavras e ações são pura construção.

1.6.1. Ainda sobre o título

Em Paludes, os gestos cotidianos e ações contingentes cujo desenrolar não diz muito sobre o caráter dos personagens são dominantes. E, de acordo com W. W. Holdheim, essa presença do comum teria uma ligação direta com a análise feita por Heidegger sobre a existência humana, o Dasein, que se definiria como “ser-no-mundo”, “ser-aí” ou “ser-no-tempo”: “Au lieu de se saisir à travers un monde qu’il s’est approprié, il s’est aliéné dans l’être public et neutre de l’ ‘on dit’, de l’ ‘on fait’, du Man.” 122

De modo muito superficial podemos dizer que, de acordo com Heidegger o Eu é, de fato, o Outro. Isso porque a ideia de Eu é uma construção feita pelo homem já que todo ente inserido em uma esfera social não consegue ser verdadeiramente autêntico, sendo obrigado a certos comportamentos e ações. A noção de individualidade deve então ser deixada de lado para dar lugar à de existência impessoal, que Heidegger chama das Man, expressão derivada de der Mann. Assim sendo, é possível dizer que o filósofo via todo ser humano como terceira pessoa, cujas distinções com relação às outras são de ordem puramente imaginária:

O aspecto normativo presente implica uma dimensão coercitiva na padronização, ou seja, as habilidades sustentadas são reguladas de um modo prescritivo delimitado. O ponto decisivo é que em princípio as habilidades podem ser exercitadas por qualquer um. Ou seja, os papéis recebem uma estabilização impessoal e interpessoal. Assim

120 O verbo mandere tem em latim vários sentidos como “confiar a tarefa a alguém”, “gravar na memória”

e “conservar algo por escrito”. Cf Dictionnaire Latin Français Gaffiot. Paris: Hachette, 2000.

121 Le Petit Robert 2012. Paris : Dictionnaires Le Robert-Sejer, 2012.

122“Ao invés de tomar posse de si mesmo através de um mundo que lhe é apropriado, [o homem] se

aliena no ser público e neutro do ‘diz-se’ ou ‘faz-se’ do Man.” HOLDHEIM, W.W. “Re-évaluation de

Paludes”. In André Gide 6 : perspectives contemporaines. Textes réunis par J. Cotnam, A. Oliver et C.D.E. Tolton. Paris : Lettres Modernes Minard, 1979. p. 132.

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sendo, dominar normas significa guiar-se por regras de caráter público, significa pertencer a um contexto no qual outros também seguem ou são capazes de acatar a norma. Trata-se de regras públicas partilhadas praticamente em um mundo comum, de modo que o existente que nelas está lançado é uma unidade de responsabilização em termos ativos e passivos.123

Todos são, portanto, seres inautênticos por conta das normas às quais somos obrigados a nos submeter vivendo em sociedade. A fim de se tornar individual, o Dasein precisa mudar sua relação com a norma, criando novas regras possíveis. Ser autêntico não significa se isolar da sociedade e sim estabelecer uma atitude diferente em face da mesma, “capaz de reconhecer a autoridade da regra impessoalmente padronizada, ou propor novas formações regulares, capazes de explicitação autorizadora”.124

Tal como enfatiza Holdheim, tanto a questão da inautenticidade como a forma de superá-la parecem bastante próximas às ideias desenvolvidas em Paludes. E essa terceira pessoa seria perfeitamente representada pela figura de Títiro. Deixando de lado a falsa agitação, sua estória revela o marasmo da existência cotidiana em geral servindo-se da tradição poética das bucólicas para denunciar a falta absoluta de poesia dos eventos da vida comum.

Parece-nos difícil não relacionar a noção de das Man ao título do datiloscrito de Perec. Entre tantas possibilidades de interpretação do título, essa parece ser aceitável se pensarmos no questionamento da representação e da noção de realismo presentes no texto. A inautenticidade é exposta através justamente do fato de o protagonista construir grande parte de seu discurso a partir de frases de outros discursos. Além disso, Manderre é a terceira pessoa por excelência, por nós observada e que é “agida” pelo narrador, adaptável às circunstâncias que bem aprouverem a quem conta a estória.125

Benzer Belgeler