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3. MATERYAL ve YÖNTEM

3.2 Yöntem

3.2.1 Materyalin hazırlanması

A questão indígena no Brasil é tão antiga quanto à própria conquista do território brasileiro pelos portugueses em 1500. Os estudos apontam que nessa época o número de índios que habitavam as terras brasileiras chegava a cinco milhões de indivíduos (Gomes,1988, Loebbens e Carvalho, 2005 dentre outros). Os primeiros contatos entre europeus e os povos habitantes do Brasil foram amistosos e o início da exploração das riquezas existentes muitas vezes foi realizado com o consentimento e ajuda dos povos indígenas, sem que pudessem imaginar que estariam lançando as bases para um holocausto nas palavras de Gomes e em muitos casos, o seu próprio extermínio.

A questão indígena nasceu com o descobrimento do Brasil, da América em geral e continuara a existir enquanto houver um índio vivo. Diz respeito ao índio e suas relações com o mundo que se criou ao seu redor e a sua revelia, compungindo-o a condição de estranho na sua própria terra, forçando-o até a morte ou desaparecimento cultural (Gomes, 1988:18).

Segundo o autor a permanência da questão indígena diz respeito não apenas à memória e histórica lembrança dos sobreviventes, mas sobretudo à continuidade de sua estrutura, mas, sobretudo pela influência ideológica na formação nacional

brasileira e à influência do positivismo sobre as ações dos republicanos e a conseqüente institucionalização da política indigenista que é uma das poucas contribuições à filosofia do humanismo, fundamental para compreender os problemas que perduram até os dias atuais sobre a questão indígena.

A posse da terra, da autodeterminação, saúde educação e direitos territoriais, dente outros expressam a chamada questão indígena que não esta limitada aos meandros do país, mas é posta em âmbito internacional na base da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas aprovada recentemente. Toda a questão indígena gira em torno de uma “civilização” que nunca respeitou seus modos de vida, suas crenças, sua religiosidade e sua maneira de enxergar o mundo e nele desenvolver sua estratégia de relacionamento e dinamizar sua existência.

A forma destrutiva e depredatória com que o homem mantém seu relacionamento com o ambiente em que vive e se reproduz é totalmente avessa ao modo com que o índio o faz e a ideologia capitalista, onde predomina a propriedade privada é o motor que acelerou e continua até os dias atuais a destruir e a desconsiderar os povos indígenas como atores nacionais que merecem viver sua alteridade.

Destaca-se aqui basicamente dois pólos de interpretação do contato entre sociedades indígenas e a sociedade nacional presentes na literatura brasileira a partir da leitura de dois clássicos que se dedicaram ao estudo dos povos indígenas, além das experiências empíricas, pois tiveram seus pés fincados na história da política indigenista como membros do Serviço de Proteção ao Índio - SPI e puderam presenciar de perto e vivenciar a história das nações indígenas brasileiras. Nas palavras do próprio Roberto Cardoso de Oliveira em entrevista ao Museu Nacional e a Revista “Ciência hoje” em 1993.

“O que eu realmente aprendi no Rio foi sobre a realidade indígena brasileira, que me veio mais por uma prática indigenista do que por uma prática teórica. Eu comecei a ter, pela primeira vez — para um aluno de filosofia, cuja referência maior era a Europa, sobretudo a França, e que não sabia nada de Brasil — uma visão do país através das populações indígenas espalhadas pelo território nacional e que me chegavam através dos relatórios das inspetorias regionais. Eu tinha a sensação de ter o Brasil nas mãos, porque tinha informação de todas as regiões, sobretudo sobre situação de contato entre índios e brancos. (Oliveira, 1993)

Darcy Ribeiro como etnólogo do SPI realizou trabalhos de enorme abrangência histórico-antropológica e serviu de base para inúmeros outros trabalhos

resultando na construção do conceito de transfiguração étnica, seu engajamento na realidade brasileira e na história da política indigenista é evidenciado em sua extensa literatura e refletido em seu prefacio de sua sexta edição de Os índios e a

civilização: “Confiamos que tanto as analises como as denúncias aqui contidas ajudem a definir formas justas e adequadas de relações com os índios, capazes de abrir-lhes perspectivas de sobrevivência e um destino melhor” (Ribeiro, 1996:15).

No decorrer da história do Brasil o indígena sempre foi vítima da sociedade nacional que tentou de todas as maneiras destruir seu modo de viver e incluí-lo num modo totalmente alheio que levou à dizimação de diversos povos e nações que não conseguiu sobreviver a tamanha violência, não sem luta e resistência evidentemente, porém, atacados por doenças trazidas pelo europeu muitos não resistiram.

Toda a forma de relacionamento imposta aos indígenas foi efetivada através do prisma de interpretação paradigmática que conduzia as ações, quer dos Jesuítas, dos salesianos, do Estado ou dos militares que poucas vezes conseguiram fazer algo positivo pelos indígenas como foi o caso de Rondon3.

O problema indígena não pode ser compreendido fora dos quadros da sociedade brasileira, mesmo por que só existe onde e quando os índios e não índios entram em contato. É, pois, um problema de interação entre etnias tribais e a sociedade nacional, cuja compreensão é dificultada pelas atitudes emocionais que se tende a assumir diante dele” (Ribeiro, 1996: 213).

Desde a chegada dos europeus nas terras brasileiras, os índios são vistos como atrasados, sem educação, vivendo como ateus, selvagens desprovidos de religião, de “deus” cujo modo de vida deveria ser mudado de maneira a se adaptarem à sociedade “desenvolvida”, aprender um ofício e ajudar a sociedade brasileira a chegar ao tão sonhado “progresso”.

“A população regional mantém uma série de preconceitos com relação aos indígenas. Alguns desses preconceitos possuem uma base empírica real, pois se apóiam no comportamento observável dos indígenas. Constituem, entretanto, preconceitos por se manifestarem como julgamentos desse comportamento segundo os valores da sociedade envolvente. Além disso, tais julgamentos têm por função manter segregados os indígenas e justificar a cobiça por seu território”. (Melatti, 2009: 62)

3Coronel Candido Mariano Rondon, militar positivista que trabalhou na instalação de redes

Esse foi o paradigma que norteou todo o contato com a sociedade indígena desde a conquista e, diga-se de passagem, ainda não é uma interpretação totalmente erradicada, pois ainda há muito dessa interpretação no imaginário popular até os dias atuais.

O paradigma assimilacionista via a extinção total do modo de viver indígena como uma das formas de erradicar o atraso do Brasil e colocá-lo no patamar de desenvolvido, mesmo porque a forma de viver deles em nada contribuía para o pretenso progresso, uma mão-de-obra completamente desperdiçada e que nada trazia de benefício aos objetivos desenvolvimentistas e que se bem utilizada, traria significativos benefícios.

O enfrentamento entre povos indígenas e sociedade nacional na visão desta última levaria ao desaparecimento do modo tribalista de viver e sua absoluta assimilação à sociedade nacional na forma de uma aculturação progressiva tornando-a homogênea, desenvolvida e plena.