3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.2 Yöntem
3.2.3 Kimyasal analizler
3.2.3.4 Şeker miktarının belirlenmesi
Roberto Cardoso de Oliveira é um dos antropólogos que também produziu estudos e discussões importantes sobre o fenômeno do contato, o autor coloca que a maioria dos estudos sobre o contato entre índios e brancos segue uma orientação aculturativa, não se observando preocupação sobre tal contato como elemento de um sistema interétnico, ele mesmo como foco da mudança. Em “O índio e o mundo do branco” onde estuda as relações entre índios e “brancos” no alto Solimões, os Tukuna.
O autor pondera que sua crítica não visa reduzir a cultura a um epifenômeno, sem significado, de maneira contraria, ele a enxerga como uma relevante dimensão do real, mas restringe sua crítica a sua pouca penetração nas estruturas cruciais do fenômeno do contato interétnico. A focalização na cultura como objeto de estudo seria impeditivo para o estudo do sistema intercultural uma vez que se torna perigoso identificar um sistema “sincrético” que significaria a integração de duas ou mais culturas.
Em sua análise os o sistemas tribal e nacional têm entre si e entre o sistema interétnico a mesma lógica que seguem as classes sociais e a sociedade global brasileira e denomina seu estudo como um ensaio de “etnologia fenomenológica” sustentada na sociologia estrutural e dinâmica.
“Do mesmo modo que, por exemplo, a sociedade nacional é um sistema social suscetível de ser analisado através de sua estrutura de classes, a situação de contato, graças ao sistema de relações que lhe é inerente, pode ser analisada mediante o que denominei fricção interétnica- o que seria o equivalente lógico (mas não ontológico) do que os sociólogos chamam de “luta de classes”. São a estrutura desse sistema e sua dinâmica que cabem ao analista deslindar para um diagnóstico e tentar um prognóstico da situação de contato” Para o estudo das relações entre a sociedade tribal e a nacional, ele propõe algumas diretrizes que considera fecundas. Primeiro deve-se levar em conta que a sociedade envolvente e a sociedade tribal mantêm relações de oposição, de contraditoriedade onde há mútua negação. Como exemplo dessa fricção ou contradição, exemplifica a situação dos seringueiros que são obrigados a enfrentar grupos hostis, o que os coloca entre o índio e o seringalista.
Em segundo lugar determinar dimensões da realidade que servissem para melhor explicar a dinâmica do contato como, por exemplo, a dimensão política. Por último a dimensão econômica através da relação monetária distinta, de um lado a relação mercantil e de outro a subsistência e sistema de trocas, o sistema, portanto, teria três níveis distintos de operação o econômico social e político.
Faz uma diferenciação ainda entre os índios que mantêm contato com a sociedade nacional e aqueles que ainda não foram contatados e não se transformaram em consumidores dos produtos da industrialização, os primeiros
seriam assim aqueles que compõem as áreas das quais chama de “áreas de fricção interétnica.
Uma questão importante também do esquema teórico do autor sobre a situação de contato e o sistema de dominação cuja estrutura coloca a manipulação do poder e da autoridade pelos brancos sobre os índios e de parte destes últimos uma reação contra esse domínio cuja manipulação e realizada pelos agentes interculturais representados na figura dos administradores, comerciantes, missionários, estado dentre outros que são os mais simples elementos do sistema interétnico, mas que podem representar componentes de poder e liderança.
O que torna interessante no conceito de fricção interétnica é a questão do contato que é visto como um atrito onde tanto uma quanto a outra parte sofrem o impacto do contato. Primeiro porque a história e a realidade atual mostram que os índios sempre apresentaram reações e resistência, muitas vezes armada contra aqueles que empreenderam tomar seus territórios e arrancá-los de seus modos de vida (Gagliardi, 1989, Gomes, 1988 dentre outros) e segundo porque por outro lado, a sociedade nacional também sofreu os impactos desse enfrentamento, ao preço de muitas vidas por decisão de invadir o território dos índios e o mais importante, aprendeu a reformular suas praticas e retroceder quando percebera sua relativa incapacidade de alcance de suas malfadadas metas e objetivos de tornar o índio “assimilado” ou “integrado” à sociedade nacional “civilizada” quando no fundo o que estava praticando estava longe dessa tão propalada civilização.
Seguindo essa linha de investigação sobre o contato, o trabalho de Melatti (1967) junto aos índios Craôs teve por objetivo examinar as relações de contato entre os índios, que constituem o grupo mais meridional dos timbiras e os “civilizados” dentro da área de fronteira entre os estados do Maranhão e Goiás, onde hoje se encontra o estado do Tocantins.
Melatti (2009) identifica que a rigor, estes indígenas já não se encontram mais em contacto com uma frente. A frente pastoril que no século 19 penetrou em seu território ocupou-o e ultrapassou-o. Os sertanejos que vivem junto aos Craôs não mais estão à margem de uma área desconhecida que devem conquistar. Isso significa que os Craôs já não vivem empurrados pelos bordos da área pastoril, mas estão dentro dela, completamente envolvidos por ela. As modificações sofridas por este segmento da sociedade nacional parecem ter tomado mais o sentido de uma
modernização do que realmente de uma transformação da estrutura sócio- econômica.
“O caráter aparentemente brando, pelo menos na atualidade, das relações entre índios e brancos, não implica na ausência de fricção. Para que haja fricção interétnica não há necessidade da existência de conflito armado ou da iminência do mesmo: basta que os sistemas socioeconômicos das duas sociedades sejam contraditórios e antagônicos; basta que divirjam quanto ao problema do que explorar economicamente na área que ocupam, como explorar e o destino a dar à produção”(Melatti, 2009:05).
O autor explica que as divergências também se refletirão em outros níveis, a exemplo do sistema de valores, nas representações produzidas pelos integrantes de um dos sistemas com relação aos integrantes do sistema oposto, dente outros.
Nesse esquema mais relativista sobre o estudo da realidade do contato entre sociedades indígenas e sociedade nacional e os estudos aculturativos trazem consigo discussões em torno dos conceitos e esquemas teóricos antropológicos. No esquema culturalista a cultura e um todo integrado no qual tudo podem ser relativizado e Geertz redefine esse conceito elaborando uma definição diferente da cultura a partir do qual ela é uma teia de significados tecida pelo próprio homem num esforço intelectual maior que exige pensar o pensamento. O autor é culturalista, porém com uma nova proposta, a de ser interpretativa da realidade.
Para o autor o etnocentrismo jamais desaparecera por completo e talvez nem seja bom que isso aconteça, pois não existe nada de ofensivo em colocar o estilo de vida ou modos de pensar acima dos outros ou de sentir pouca atração pelos valores alheios, porém deixa claro, que este fato não autoriza ninguém a reprimir ou destruir os dos outros ou daqueles que os possuem e refuta a impermeabilidade recomendada por Levi-Strauss onde cada qual no seu lugar porque é mais fácil do que abraçar o relativismo e nem o absolutismo.
Sua tradição é seguir o estudo da diversidade cultural e na sua interpretação é muito cômodo sermos apenas nós mesmos agradecidos por não termos nascidos pessoas diferentes, vândalos por exemplo. Para ele uma antropologia muito temerosa de destruir a criatividade cultural de uns e outros e de si mesma, conversar com outras pessoas busca de compreensão de seus valores, de suas diferenças,
esta fadada a perder os movimentos vitais por inanição que impossibilita a compensação pelos dados objetivados.
Os usos da diversidade cultural, de seu estudo, sua descrição, sua analise e compreensão, têm menos sentido de nos separarmos dos outros e separarmos os outros de nós, a fim de defender a integridade grupal e manter a lealdade do grupo, do que o sentido de definir o campo que a razão precisa atravessar, para que suas modestas recompensas sejam alcançadas e se concretizem” (Geertz 1926: 81). O propósito de Geertz é mostrar que se chega a um ponto da história em que somos obrigados a pensar de um modo diferente a respeito da diversidade do que como pensávamos antes. Antes as realidades se separavam em unidades emolduradas, em espaços bem definidos, porém, isso hoje é cada vez difícil, tudo é muito mal definido, os espaços sociais, não tem fixidez, são de difíceis de localizar e lidar, “fitar paisagens e naturezas-mortas é uma coisa; observar panoramas e
colagens é outra muito diferente” (p83).
É muito difícil etnocentricamente enxergar a realidade centrando-a numa imensa montagem de diferenças justapostas ou como diz o autor num mix onde os tipos de etnocentrismo não coincidem. Para ele para vivermos essa nova realidade imperiosa e moralmente desafiadora é necessário nos tornarmos capazes de discernir seus elementos, determinar quais são, de onde vieram e porque estão la e como se relacionam uns com os outros compreendendo o sentido do discernimento, da percepção e não no sentido da discordância ou concordância, mas “aprender a
apreender o que não podemos abraçar” apreender o que se apresenta diante de nós
é onde reside os usos da diversidade e do estudo da diversidade.
Em interpretação das culturas Geertz defende o conceito de cultura como semiótico a partir da visão de Max Weber que entende o homem como um ser amarrado a teias de significados tecidas por ele mesmo, sendo a cultura apenas uma dessas teias e a entende como uma ciência interpretativa em busca do significado.
“Se a interpretação antropológica esta construindo uma leitura do que acontece, então divorciá-la do que acontece, então divorciá-la do que acontece- do que nessa ocasião ou naquele lugar, pessoas específicas dizem, o que elas fazem, o que é feito a elas, a partir de todo o vasto negócio do mundo- é divorciá-la das suas aplicações e torná-la vazia. Uma boa interpretação de qualquer coisa- um poema,
uma pessoa, uma estória, um ritual, uma instituição, uma sociedade- leva-nos ao cerne do que nos propomos interpretar. Quando isso não ocorre e nos conduz, ao contrario, a outra coisa- a uma admiração da sua própria elegância, da inteligência do seu autor ou das belezas da ordem euclidiana-, isso pode ter encantos intrínsecos, mas é algo muito diferente do que a tarefa que temos- exige descobrir o que significa toda a trama com os carneiros. (Geertz 2008:13).
Para o autor há quatro características da descrição etnográfica: ela é interpretativa que flui do discurso social cujo objetivo é salvar o “dito” de sua possibilidade de extinguir-se e fixá-lo em formas pesquisáveis e por último ela é microscópica, mas não significa ausência de interpretações em grande escala, a sociedades inteiras, mas se faz isso por extensão a contextos mais amplos associada às implicações teóricas.
4 A política indigenista no Brasil: Colonização, o Estado e as missões