4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA
4.11 İncelenen Parametrelerin Birbirleri ve Esmerleşme Değerleri
Refletir antropologicamente a realidade é substantivamente importante para o campo da saúde em especial quando se trata de saúde para os povos indígenas. A Antropologia, com seus estudos de sistemas de classificação, de simbolismo e representação contribuiu sobremaneira para entendermos a relação sociedade
Segundo Lévi-Strauss (1989), o objeto primeiro de toda ciência não é de ordem prática, mas responde às exigências intelectuais. Conhecer o mundo, portanto, é parte inexorável da experiência humana no mundo, e apesar dessa experiência ser vivida de maneira diferente e particular em tempo e lugares diversos, os mecanismos lógicos que nos permitem conhecer o mundo e atribuir-lhe um sentido são os mesmos, pois como afirma Lévi-Strauss, a mente humana opera em todo lugar, segundo os mesmos princípios, o que torna possível o aprendizado de novos significados e o diálogo entre culturas diferentes.
Uma importante contribuição de Lévi-Strauss, na perspectiva de Roué (2000), é que ele não se restringe aos sistemas classificatórios, pois o que ele chama de “ciência do concreto” são todos os saberes (indígenas) sobre a saúde, a natureza, entre outros, muitos especialistas da área médica reconhecem que por ocasião da chegada dos portugueses, os povos indígenas já conheciam mais de duas mil espécies de plantas e ervas medicinais e que eram capazes de realizar cirurgias e cuidar de fraturas (SANTOS-LUCIANO, 2006).
Ianni (2011), ao colocar a necessidade de reposicionar o limiar crítico das relações do homem com a natureza, do biológico com o social, vincula saúde, homem e ambiente, natureza e sociedade. Para ela a diversidade biológica contempla a variabilidade dos organismos vivos e a complexidade ecológica onde eles ocorrem, representa também a variedade funcional e estrutural das diferentes formas de vidas genéticas, das populações, das espécies, das comunidades e dos diferentes níveis ecossistêmicos. Na saúde essa interação tem sido objeto de problematização posto que os processos saúde-doença são processos dinâmicos, implica variações e adaptações contínuas que se transformam de acordo com a realidade histórica, concreta e condições de vida.
Segundo Laplantine (2004) a leitura antropológica que se faz da história da medicina é um paradoxo onde por um lado a relação entre sociedade e doença foi oculta e de outro revela nossos comportamentos na atualidade. A compreensão da doença é mais vivenciada que pensada e os modelos construídos são produzidos por diferentes culturas.
O trabalho da Antropologia médica consiste em revelar o que deveria permanecer oculto em termos sociais. Ela não poderia, particularmente, dispor-se a abandonar a reflexão sobre a doença aos cuidados das pretensões da filosofia, das ideologias, das religiões,
bem como do discurso oficial da (bio)medicina”. (LAPLANTINE, 2004, p.33-34).
O autor afirma que a história da medicina é cruzada por correntes antinômicas como representações mágico-religiosas da doença por um lado e representações naturalistas de outro; sistematismo de um lado e empirismo de outro etc e os modelos antropológicos procuram explicar a diversidade desses saberes e habilidades..
“O campo da antropologia da medicina iniciou-se com a constatação do elo inexorável entre doença, medicina, cultura e sociedade humana. Teorias da doença (científica ou religiosa), envolvendo etiologia, diagnóstico, prognóstico, tratamento e cura são partes do repertório cultural de grupos humanos e variam no tempo e no espaço em consonância com a variação cultural”. (Queiroz e Canesqui, 1986:152).
O campo da antropologia da medicina tem se desenvolvido através de princípios teóricos e metodológicos das Ciências Sociais que tem influenciado inúmeros pesquisadores dando lugar a investigações empíricas no campo da saúde. O funcionalismo, por exemplo, permite a interpretação de que a sociedade é um todo harmonioso e que se algo está fora dos eixos, colocar em ordem o que está fora do lugar é o papel da medicina.
Apesar da visão totalitária e sistêmica da sociedade, a teoria parsoniana foi muito importante nos estudos sociológicos e antropológicos da medicina influenciando um grande número de trabalhos e posturas teóricas passando a concentrar-se no comportamento social em relação à doença.
Na visão dos autores os campos tanto da Sociologia quanto da Antropologia da medicina passaram a concentrar-se no comportamento social em frente à doença e a maioria das investigações sociológicas e antropológicas adotou uma postura empírica em contraposição à grande teoria, permitindo que minorias como grupos de migrantes, indígenas e as classes sociais mais pobres, fossem estudadas de forma mais ampla.
Minayo (2006) ao refletir sobre as contribuições da Antropologia para a saúde coloca que a maior delas é a tradição de compreensão da cultura demarcando um espaço radical posto que o fenômeno cultural não é apenas um lugar subjetivo, mas tem a objetividade que tem a espessura da vida, onde passa o econômico, o político, o religioso, o simbólico e o imaginário. Ela descreve as principais contribuições da Antropologia clássica para pensar a Saúde e Doença.
1- Relativização dos conceitos biomédicos: Para a autora as principais contribuições da antropologia para a saúde vieram de Levi-Straus e Mauss em estudos empíricos, inclusive nas sociedades indígenas brasileiras e evidenciam o que já se sabe por meio do senso comum, de que as doenças não podem ser reduzidas a evidência orgânica e objetiva, mas é uma configuração biológica e uma realidade social e que devemos valorizar as diversas formas de interpretá-las e esta tem sido uma de suas contribuições, ou seja, valorizar o conhecimento que nasce das vivências.
1- Desvendar estrutura de mecanismos terapêuticos:
Para a autora a principal contribuição para o desvendamento do funcionamento psicossocial dos mecanismos terapêuticos foi dada por Levi-Strauss que evidencia a semelhança entre o científico e o mítico. Os processos de cura têm esquemas mentais semelhantes e sua eficácia depende em muito da confiança mútua, em outras palavras, a racionalidade biomédica depende do ambiente cultural e histórico em que é exercido.
3- Mostrar relações entre saúde-doença e realidade social
A autora resgata de Marcel Mauss o conceito de Fato social total que permite estudar o impacto da ocorrência de acontecimentos saturados de sentido como as doenças, referindo-se ao texto Idée de la Mort Minayo comenta que para compreender o por que as pessoas adoecem por feitiço, encantamento ou pecado, é necessário compreender o que significa saúde e doença para as respectivas sociedades em que eles estão inseridos.
4- Contextualização dos sujeitos:
A antropologia mostra que saúde e doença enquanto questões humanas e existenciais são compartilhadas por todos os segmentos sociais, porém é necessário trabalhar com categorias históricas, como saúde, qualidade de vida, perfil epidemiológico dentre outros e diferenças internas nas abordagens da realidade social, diferenças estas que dependem, sobretudo do seu passado, presente e sua configuração econômica, social e política.
5- Formas de abordagem dos processos saúde e doença:
A última forma de contribuição da Antropologia se dá em nível metodológico, o modelo científico do ponto de vista antropológico segue os princípios de
intersubjetividade onde estamos sempre em relação com os outros, e segundo a
autora, esta é a categoria central da relação e das análises realizadas na clínica e nos processos de prevenção e promoção da saúde; compreensão a partir da qual devemos entender as realidades sociais como significativas e por fim a racionalidade
e internacionalidade em que devemos entender que o mundo social se constitui de
ações, e interações que obedecem a usos, costumes e regras.
Quando trazemos o método antropológico para a área da saúde, entendemos que ele nos serve para compreendermos: a) valores culturais e representações, opiniões e crenças sobre a saúde e enfermidades, tanto biomédicas como tradicionais; b) relações entre os componentes das equipes de saúde, os pacientes e os familiares; lógicas de instituições de saúde e de movimentos sociais específicos; e c) avaliação de políticas, práticas, propostas, sistemas e modelos de atenção, desde o sentido de sua formulação, aplicação técnica, como a significância que os vários sujeitos lhe atribuem (Minayo, 200, p.211).
É importante assinalar também o que traz o texto de Minayo para a reflexão das práticas dos profissionais de saúde, pois metodologicamente estes precisam ouvir como os indivíduos definem sua situação, como se situa, pensa e age no mundo da vida e que carrega uma bagagem de conhecimentos que influencia sobremaneira sua situação de saúde.
A antropologia da Saúde no Brasil segundo a autora surgiu dentro do movimento sanitário no contexto de mudanças conceituais e políticas quanto ao direito à saúde, o acesso e os serviços. Helman (2010) pondera que apesar da antropologia médica seja um ramo da antropologia social e cultural, ela também tem os pés fincados dentro da medicina e de outras Ciências naturais, ou seja, se encontra na sobreposição das duas e delas retira seus insights.
Como a importância da antropologia reside na compreensão da cultura, o conceito de cultura também é significativamente importante para a visão antropológica da saúde.
“Cultura pode ser definida como um conjunto de elementos que mediam e qualificam qualquer atividade física ou mental, que não seja determinada pela biologia, e que seja compartilhada por diferentes membros de um grupo social. Trata-se de elementos sobre os quais os atores sociais constroem significados para as ações e interações sociais concretas e temporais, assim como sustentam as formas sociais vigentes, as instituições e seus modelos operativos. A cultura inclui valores, símbolos, normas e práticas” (Langdon e Wiik, 2010:175).
O conceito de cultura recebeu várias definições de antropólogos e sociológos como Taylor 1871 que definiu como complexo integral de conhecimentos adquiridos
pelos indivíduos em uma sociedade ao longo de sua existência, dentre várias concepções que refutam, discordam, acrescentam e formulam novos conceitos.
Para Helman 2009 ela é o conjunto de orientações herdadas pelo indivíduo dentro de uma dada sociedade. Ela fornece esse arsenal de orientações para outras gerações perpetuando a maneira como concebe, explica e vê as coisas e o mundo através da língua, dos símbolos, da arte, dentre outros. A cultura é um conceito cada
vez mais fluido que, na maioria das sociedades, está sofrendo um processo constante de mudança e adaptação” (Helman 2009: 13).
O arsenal de conhecimentos, percepções e cognições usadas para definir e explicar o que é doença compõe o sistema cultural de saúde. Cada cultura possui seus próprios fundamentos e conceitos que é ser doente ou saudável, a classificação das doenças e os meios inclusive de como enfrentá-las.
Muitas das classificações de doenças não são reconhecidas pela biomedicina e menos ainda tratadas, porém, muitas populações Brasil adentro consideram o quebranto e o mal olhado como tais e sabem como evitar e ou curar.
CAPÍTULO IV
POLÍTICA DE SAÚDE NO BRASIL E O SUBSISTEMA DE ATENCAO À SAÚDE