2.3. Marka Sadakati
2.3.7. Marka Sadakatinin Tarihsel Gelişimi
No Brasil, mais de 80 % da energia elétrica é gerada em usinas hidrelétricas (Figura 1). O país apresenta um dos maiores potencias mundiais para este tipo de geração de energia, graças ao seu grande território e à existência de muitos rios com potencial de serem barrados para a construção de usinas hidrelétricas. Atualmente, mais de 800 usinas hidroelétricas estão em funcionamento no país, utilizando apenas cerca de 30% do potencial existente. Este número tende a aumentar, pois centenas de usinas hidroelétricas estão em construção e/ou em planejamento pra atender às demandas de energia que garantam o crescimento econômico do país (mais informações disponíveis em: http://www.mme.gov.br/mme).
Figura 1. Principais fontes de geração de energia elétrica no Brasil em 2011. Fonte: Balanço
Energético Nacional 2012 – Ministério de Minas e Energia
As usinas hidrelétricas resultam do barramento dos rios para formação de reservatórios, que acumulam a água para ser turbinada e gerar energia elétrica. A água abundante no período de chuvas é então armazenada e garante a geração constante de energia também no período de estiagem. Desta forma, os reservatórios geralmente reduzem e estabilizam a vazão nos trechos
de rio a jusante das barragens, isto é, nos trechos de tio localizados abaixo das barragens, minimizando os problemas sócio-econômicos enfrentados pelas cidades em períodos de enchentes e secas extremas. Além disso, os reservatórios são ainda utilizados para abastecimento humano e atividades esportivas, de lazer, pesca e turismo. Portanto, são importantes para a economia e o desenvolvimento regional.
Na contramão dos benefícios sócio-econômicos descritos acima, a construção de reservatórios representa uma forte ameaça à biodiversidade aquática. Os reservatórios funcionam como um “filtro”, que retém partículas orgânicas e sedimentos transportados pelos rios, originados da erosão natural do leito dos rios e do solo de suas bacias hidrográficas. Todo este material é retido no fundo dos reservatórios. Além disso, o barramento do rio e a formação do reservatório alteram as características naturais, importantes para os organismos aquáticos nativos (p. ex. peixes, insetos aquáticos, plantas aquáticas, algas e micro- organismos). Assim, observam-se modificações na qualidade de água e sedimento, nos períodos de cheias e secas e na disponibilidade de locais para abrigo, alimentação e reprodução de organismos aquáticos, levando à simplificação do ambiente e, consequentemente, à perda de biodiversidade aquática, o que favorece a invasão, estabelecimento e reprodução de espécies exóticas, que pode causar a extinção de espécies nativas.
As oscilações naturais de vazão são comuns em bacias hidrografias brasileiras, apresentando uma grande variação principalmente entre os períodos de cheias (no verão) e seca. Após a construção das barragens e o início da operação dos reservatórios, para geração de energia, estas oscilações naturais do rio são suprimidas por vazões estáveis, com poucas variações ao longo do ciclo hidrológico anual, alterando a dinâmica natural destes ecossistemas. Podem ainda ocorrer flutuações diárias de vazão, causadas pelo aumento na
produção de energia durante o horário de pico, geralmente nas primeiras horas da noite, onde o consumo de energia elétrica é maior. Atualmente, o manejo adequado de reservatórios é um desafio global que visa equilibrar os benefícios e os prejuízos gerados pelos barramentos hidrelétricos.
Atualmente, a quantidade de água liberada pelos reservatórios no trecho a jusante é denominada “Vazão Ecológica ou Vazão Ambiental” e vem sendo vendo intensivamente discutidas, pois incorporam necessidades ecológicas dos ecossistemas aquáticos aos cálculos de geração de energia, visando atender às necessidades humanas, garantindo também as condições básicas para a manutenção dos organismos aquáticos e do funcionamento dos ecossistemas. É importante que a “vazão ambiental” não seja um valor único, e sim, um hidrograma ambiental, ou seja, um conjunto de valores ao longo do ano, que se aproximem ao máximo dos valores naturais que existiam antes do barramento do rio, favorecendo as necessidades para conservação das espécies aquáticas.
Na grande maioria dos reservatórios de países em desenvolvimento a “Vazão Ambiental” não é calculada de maneira adequada, pois não consideram as necessidades dos organismos aquáticos. O foco principal nestes empreendimentos é apenas a geração de energia elétrica para atender à demanda voltada à manutenção do crescimento econômico e os métodos para calcular a “Vazão Ambiental” são baseados em características hidrológicas, sem considerar as comunidades biológicas que ali vivem.
Nesse sentido, observa-se a tendência em associar os métodos hidrológicos às respostas das comunidades biológicas, incluindo características biológicas dos organismos, tais como: riqueza taxonômica (número de diferentes espécies), abundância relativa (percentual de cada espécie para o total de espécies), densidade (quantidade de organismos em um metro quadrado), tamanho dos organismos, hábitos de alimentares, entre outros. Assim, a
quantidade de água liberada pelos reservatórios pode ser manejada ao longo do ciclo hidrológico de maneira a atender às necessidades mínimas dos organismos aquáticos (incluindo quantidade e qualidade de habitats), às necessidades de geração de energia, além dos demais usos diretos e indiretos da sociedade humana.
OS DETETIVES: MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS COMO BIOINDICADORES
Vários grupos de organismos são utilizados para avaliar impactos em ecossistemas aquáticos, podendo ser utilizados como “detetives” da qualidade das águas, pois atuam como bioindicadores. Dentre eles, os macroinvertebrados bentônicos (invertebrados visíveis a olho nu que vivem no fundo dos rios) vêm se destacando por possuírem características ecológicas típicas, como: pouca mobilidade; ciclos de vida longos (vivem de meses até anos); são facilmente coletados e identificados; além de apresentarem conhecida sensibilidade à presença de poluentes. Através da avaliação das características destas comunidades é possível avaliar o grau de impacto causado por alterações de vazão devido à construção de barramentos hidrelétricos (Figura 2).
Figura 2. Macroinvertebrados bentônicos como bioindicadores (detetives). Gradiente conceitual de
sensibilidade aos impactos humanos em ecossistemas aquáticos. Os diferentes grupos de organismos apresentam diferentes graus de sensibilidade.