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MARKA DEĞERĠ VE MARKA DEĞERLEME METOTLAR

3.3 Marka Değerleme Metotları

3.3.4 Marka Değerleme Metotları Ġle Ġlgili Genel Değerlendirme

Os recursos digitais, que cresceram a partir do final dos anos 1990, e o que se faz com eles em termos narrativos no cinema, são o foco da tese de Gerbase. Ele traz um mix de autores que antes se complementam do que se excluem. Transita entre a Grécia Antiga (Aristóteles) e a cultura pós-moderna (Maffesoli), passando por nomes de diversas áreas, como o do semiólogo Umberto Eco, do lingüista Roman Jakobson, dos filósofos Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger, do ensaísta Vilém Flusser e do biólogo Humberto Maturana. Trata-se de uma tese pluridisciplinar. E que tese é esta? O próprio Gerbase responde: “A de que não haveria mudanças substanciais nas formas narrativas do cinema, desde seu nascimento até os nossos dias, em que reinam as tecnologias digitais” (2003, p.163). O autor clássico, por sua vez, teria sofrido alguma mudança substancial com o advento da pós-modernidade? Partimos do pressuposto de que a idéia de autoria permanece, e permanece como expressão da personalidade de um cineasta mais sensível do que sensorial, e não pelo rótulo do filme de arte. Como se dá essa transição ou esse caminho? Uma das hipóteses é a de que o sentimento de um novo paradigma social esteja influenciando o autor, que não mais se vê isolado nos labirintos de suas idéias, como outro-eu, ou um eu que só faz sentido na

relação com o outro. Maffesoli foi buscar na obra de Rimbaud a sustentação teórica para falar do eu e do outro, e vice-versa. Conforme Maffesoli, a frase o “eu é um outro”, de Rimbaud, salienta que o indivíduo não está sozinho e que só existe e cresce ”quando assume um papel em um ambiente de comunhão” (1995, p.79).

Quem representa esse papel é Dionísio, considerado o deus da versatilidade, do jogo, do trágico e do desperdício. Em Dionísio reina a ambigüidade e o prazer, dois elementos que, para o celestial e luminoso Apolo, são intoleráveis. A ambigüidade e o prazer não se isolam da materialidade, que, por sua vez, poderia ser traduzida por técnica. O filósofo alemão Martin Heidegger reflete sobre o papel da técnica na sociedade, assunto que inspirou o professor Francisco Rüdiger, do PPGCOM-PUCRS, a escrever o livro intitulado “Martin Heidegger e a questão da técnica”. O livro de Rüdiger não é uma simples interpretação de Heidegger, vai além. Rüdiger cria uma nova filosofia ao se debruçar sobre os pressupostos heideggerianos. Conforme Rüdiger, Heidegger não fala diretamente de pós-modernidade. São intérpretes dele que encontram, na sua obra, sinais de pós-modernidade. Para compreendermos a aproximação de Heidegger com a pós-modernidade, teremos de retomar o livro de Rüdiger, que aponta para uma leitura da filosofia de Heidegger e também a dele próprio, Rüdiger. Começamos com a seguinte indagação: o que é a técnica? Um primeiro aspecto a salientar, e que diz respeito diretamente ao nosso tema, é o de que, ensina Rüdiger, a técnica está associada a algo que não é técnico: o elemento poético ou o imaginário. Assim, na opinião dele, os regimes técnicos e simbólicos são duas dimensões de uma coisa só. Aqui, salientamos que se tratam, analogamente, das polaridades do “trajeto antropológico” durandiano.

Heidegger, segundo Rüdiger, deixou como legado filosófico a reflexão sobre a questão da técnica, a partir do seguinte pressuposto: o estudioso da Comunicação, por exemplo, não está interessado no computador como aparato técnico, mas lida com ele através de mediações. O mesmo poderíamos dizer do pós-autor cinematográfico. Essas mediações não são tecnológicas; são de natureza humana. São, portanto, mediações humanas, raciocina Rüdiger. A comunicação (poderíamos extrapolar para o cinema) é um processo que apresenta dois tipos de mediações: uma é o aparato tecnocientífico, a outra é o elemento humano, com suas diversas facetas. Claro que isso se junta em uma coisa só, tanto no que diz respeito ao seu aspecto tecnológico (tecnologia) quanto no que diz respeito ao seu aspecto humano (humanidade). Rüdiger pergunta, então: “A técnica é humana?”. Para ele, é uma questão de cunho filosófico. Mas por que filosofia?

Por que não se fala em teoria da técnica? Porque a palavra teoria, de acordo com Rüdiger, já está embutida na expressão tecnologia. A Filosofia da Técnica surgiu no mundo grego do século VI A.C. A tese de Rüdiger é a de que o gregos não criaram uma Filosofia da Técnica, mas uma filosofia e uma técnica. Muito tempo mais tarde, só no século XIX, depois dos gregos, é que surge a Filosofia da Técnica, a fim de esclarecer as circunstâncias e o conceito de técnica. Quem primeiro tenta sistematizar uma doutrina da técnica e como ela se estrutura foi Ernst Kapp, por volta de 1880, com

Fundamentos de uma filosofia da técnica, diz Rüdiger.

Mas Heidegger, falecido em 1976, trata a técnica de maneira diferenciada, conforme Rüdiger, pois ele não é estudioso da Comunicação. Baudrillard, por exemplo, também não é da Comunicação, mas acabou sendo apropriado pelos comunicadores, o que provoca uma má apropriação desses autores, segundo Rüdiger. “Vem da Grécia a nossa maneira ocidental de pensar. Há várias maneiras de pensar, e uma delas é a maneira ocidental de fazê-lo.” Rüdiger considera que Heidegger abala e questiona esse pensamento ocidental herdado. Por isso, Heidegger pode ser considerado um “destruidor das evidências”. Para ele, Heidegger, “somos criaturas pensantes dominadas por um tipo de pensamento sem o saber. Isso nos domina”. Em uma das fases de sua obra, Heidegger se propõe a destruir ou, melhor, a desconstruir o pensamento ocidental. O filósofo influenciou muitos outros autores. A Filosofia da Diferença, na França pós- estruturalista, é herdada de Heidegger e da leitura que ele faz de Nietzsche, de acordo com Rüdiger. “Depois de Nietzsche, o pensamento ocidental repete o que fora dito, só que com outro invólucro. Baudrillard, por exemplo, é o teórico do simulacro, mas quem foi o primeiro teórico do simulacro? Platão.” Nietzsche explica Baudrillard: o eterno retorno do mesmo. Entre Nietzsche e Heidegger se estabelece uma nova forma de pensar: Filosofia da Diferença, Pensamento Débil, diz o professor.

Este novo pensamento é chamado por Heidegger de História do Ser e/ou Pensamento Rememorativo, ensina Rüdiger. “Heidegger, assim, promove a desconstrução do pensamento ocidental.” Também submete à crítica o mundo ocidental. Uma variável é onde intervém a técnica, que vai chamar “questão da técnica”. Qual é o papel da técnica nesse movimento? Qual é a questão que está em jogo por meio da técnica? Onde somos lançados por meio da técnica? Qual é a relação entre o homem e a técnica? Heidegger quer questionar a técnica, quer ver o que está dentro da técnica, não quer fazer uma filosofia da técnica, mas o que ela traz para nós como pessoas intelectualizadas, explica Rüdiger. Não é o filósofo que quer nos chamar atenção da

técnica, mas sim chamar atenção para as questões que a técnica nos coloca. Esta é uma maneira, também, de analisar a tecnologia cinematográfica. O que ela nos coloca? O que ela traz de novo ou de potencial cinematográfico? O que muda para os realizadores e espectadores? Uma primeira conclusão, segundo Rüdiger, continuando a reflexão sobre Heidegger, é a de que ele, pois, não é um filósofo da técnica, mas da questão da

técnica. Ele nos faz pensar a respeito do paradoxo entre as idéias e as coisas. Inspirado

por Nietzsche, Heidegger, conforme Rüdiger, entende que o homem não seja senhor do seu pensamento ou das suas idéias, e sim uma circunstância que corre o risco de desaparecer e sumir por causa da técnica. A política de Heidegger, segundo Rüdiger, é a de “responsabilidade intelectual”. Para Rüdiger,o que interessa em Heidegger, em suma, é a sua filosofia. É seu legado filosófico.

Em se tratando disso, do seu legado filosófico, vejamos, na fonte, o que Heidegger quis dizer sobre a técnica. Primeiro, um esclarecimento: ao que se sabe - como já tivemos a oportunidade de salientar - Heidegger não escreveu uma obra específica sobre a questão da técnica, tema que foi tratado, isto sim, em uma conferência do dia 18 de novembro de 1953, na Escola Técnica Superior de Munique, dentro da série intitulada As Artes na Idade Técnica e que foi promovida pela Academia de Belas Artes da Baviera. Esta conferência pode ser lida, na íntegra, no livro “Ensaios e conferências”, que já está na quinta edição (Vozes, 2008). Também consta no terceiro volume do Anuário da Academia, para quem tiver o interesse de procurá-la no original, em alemão. Nesta conferência, Heidegger começa destacando, em itálico, o fato de que a sua posição é a de questionar a técnica, e este sinal (no duplo sentido da palavra) é importante, porque não o vemos julgar ou criticar, de forma judicativa, a técnica. É da

questão dela que o filósofo se limita a falar. E, para fazer esse questionamento,

Heidegger usa uma visão de cunho filosófico, a única capaz, de acordo com ele, de alcançar um pensamento livre, mais voltado para um caminho do que para sentenças (o que nós, nesta tese, entenderíamos por conceitos). A filosofia é o modo que Heidegger encontrou de responder à essência - outra palavra importante no seu vocabulário - e aos limites de tudo o que é técnico. E faz, de imediato, um esclarecimento: a técnica não é o mesmo que a sua essência, assim como uma árvore, o que a “rege”, não é ela.

O exemplo da árvore nos faz pensar que ela, a árvore, se originou, na verdade, de algo anterior e interior a ela: a semente. E a semente, enquanto semente, não é a árvore. O mesmo Heidegger diz da técnica. O homem, ao se relacionar com ela, procura antes uma resposta instrumental ou um meio para alcançar determinado fim. Heidegger,

a partir desse raciocínio, afirma que essa forma de pensar até é correta, mas não é a verdadeira, e só uma forma verdadeira, e não apenas correta, “é que nos leva a uma atitude livre com aquilo que, a partir de sua própria essência, nos concerne (2008, p. 13). Heidegger quer saber, portanto, o que a técnica é em si. Para tanto, retoma da Filosofia suas quatro causas ou modos de pensar: materialis, formalis, finalis e efficiens. Os termos falam por si próprios, O que Heidegger destaca é o fato de haver, naquele quadrante, uma unidade na diferença: pensar na causa, aquilo que “cai” num resultado. Percebemos que Heidegger procura cercar a questão da técnica com argumentos que nos remetem à essência dessa mesma técnica, conforme um pensamento da civilização ocidental, que o filósofo nunca deixa de ignorar. Assim, Heidegger explica que as quatro causas mencionadas anteriormente são modos de responder e dever e que esses modos levam a alguma coisa que apareça e advenha, o “deixar-viger”. Isto significa a essência grega da causalidade, aquilo que cresce e se produz. Mas Heidegger pergunta: o que é produzir? É aquilo, segundo ele, que se “des-encobre”, e esta noção é fundamental para compreendermos o raciocínio heideggeriano.

Heidegger lembra que, para os romanos, “des-encobrir-se” é o equivalente ao “veritas”, à verdade, como aquilo que é correto de uma representação. Chegamos, assim, à relação de “des-encobrimento” com a essência da técnica, pois é lá, no “des- encobrimento” que se funda, de acordo com Heidegger, a produção, que, por sua vez, “rege” os quatro modos causais da Filosofia vistos anteriormente. Logo, para Heidegger, “a técnica não é, portanto, um simples meio. A técnica é uma forma de des-

encobrimento” (2008, p.17). O “des-encobrimento” técnico, porém, teria se

transformado, conforme Heidegger, em usura, no máximo de produtividade com o mínimo de gasto. “Des-encobrir” é explorar, na técnica moderna, que procura, porém, ter controle desse “des-encobrimento”. E controlar é dispor. Segundo Heidegger, de nada adianta o conhecimento técnico se dele não pudermos dispor. Para Heidegger, é na “composição” que repousa a essência da técnica, e esta “composição não é nada de técnico, nem nada de maquinal: é o modo em que o real se des-encobre como disponibilidade” (2008, p.26). Composição, para ele, é o destino do desenvolvimento, e não uma fatalidade, uma coisa que não podemos evitar, porque o homem está empenhado na busca do que a composição provoca, afastando-se da sua essência. Com isso, só consegue se expor ao perigo, que é o abandono do homem da sua essência. Heidegger lembra o verso conhecido do poeta Hölderlin: “Onde mora o perigo é lá que também cresce o que salva”. A proposta de Heidegger é a de se voltar à essência da

técnica, caso contrário, ficaremos “estarrecidos” diante do que é técnico, e mais: “(...) ficaremos presos à vontade de querer dominá-la” (2008, p.35).

Para Heidegger, depois de desvendar o mistério da questão da técnica, fica a ambigüidade. Para ele, a essência da técnica - ao invés de buscarmos uma resposta unidimensional ou monovalente - tem esse traço ou essa característica de ambigüidade, por ser um mistério, apesar de todas as considerações lógicas feitas anteriormente. É ambígua, ainda, “porque a questão da técnica é a questão da constelação em que acontece, em sua propriedade, em des-encobrimento e envolvimento” (2008, p.35). Salientamos, desse raciocínio da questão da técnica, a capacidade do filósofo alemão em não se aprisionar ao conceito da “questão da técnica”. O raciocínio é filosófico, e sabemos que a Filosofia procura, mesmo diante das incertezas, uma resposta satisfatória para as questões da vida. O próprio Heidegger escreveu um livro sobre o tema: “O que é isto, Filosofia?”, procurando entender, a partir de uma perspectiva pessoal, o papel da filosofia na sociedade, e esse papel, como vimos acima, não pode ser único ou estático; é, acima de tudo, plural e dinâmico. Mas continuemos com Heidegger e Rüdiger.