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Marka Değerinin Bilançoda Gösterilmes

MARKA DEĞERĠ VE MARKA DEĞERLEME METOTLAR

3.5 Marka Değerinin Bilançoda Gösterilmes

Heidegger, continua Rüdiger, esclarece que o ser não é o ente: “O mundo é o conjunto de todos os entes. O que é o mundo? É o conjunto ou a totalidade do existente. O ser não é o existencial. Cada existente tem o seu ser”. O mundo ocidental, e aqui não nos furtamos de pensar que estamos aprisionados por uma técnica, que é a técnica ocidentalizada, é um ente que tem o seu ser. O ser, explica Rüdiger, se projeta para além da identidade. O professor faz referência a Philippe Arriès, um historiador francês, segundo o qual a idéia de que a criança pertence ao mundo dos adultos só passou a existir a partir do século XVII. O homem, dessa forma, raciocina o professor, também não existia antes do ser humano: “Havia outros entes, mas que não eram seres humanos”. Segundo Rüdiger, a história é uma criação do nosso mundo, e as categorias do pensamento são formas de identificação do que existe. O conjunto de recortes é remetido ao princípio fundador de mundo. O “tao”, por exemplo, diz Rüdiger, é o princípio de mundo que se irradia da China. “Heidegger relaciona a tecnologia com um novo princípio de mundo, que nasce e se projeta: esse princípio ainda não foi pensado. É ele, Heidegger, que se arrisca e dá um nome a um princípio instituidor de um novo mundo, a partir da técnica”. É a “armação”: forma de vida ordenada, uniforme,

calculável e automática. O conceito de “armação” é uma das principais idéias de Heidegger, conforme Rüdiger; ou seja, a de que o ser é um princípio misterioso. Nosso modo de ser é baseado na errância (nomadismo). “Nós não temos o poder para acertar completamente. Quem filosofa conclui que é inútil nosso esforço para nos tirar do erro”, reflete Rüdiger. Todo o esforço para acertar é uma catástrofe por causa do princípio de identidade. Aí acontecem os desatinos, diz ele.

Estaríamos destinados à errância, diz Heidegger. O problema é querer acertar. O que é a técnica para Heidegger? Nós identificamos a técnica com a máquina. É possível ver a tecnologia ou ela é aquilo com que se vê? Ela é uma coisa ou é algo com que moldamos as coisas? O conhecimento é mais amplo do que a técnica e do que a tecnologia, de acordo com Rüdiger. Há acontecimentos que não são (e são) técnicos. Rüdiger diz que, para Heidegger, conhecimento e técnica remetem à dimensão metafísica do mundo. Técnica é o conhecimento operacional eficiente, causal. Onde a técnica intervém em primeiro lugar? Técnica não é o próprio corpo humano? Ninguém sabe e ninguém vai saber dizer de onde vem a técnica. O pensar não é sempre e necessariamente técnico. Técnica é uma forma de pensar. Posso não ter consciência do pensamento que é a técnica. Há um princípio misterioso que nos faz objetos da técnica. “Apropriação” é o termo que ele buscou para definir um chamado que nos é feito, diz Rüdiger. As coisas estão investidas de técnica. A técnica vem do processo de socialização e é ela que o define. Na Grécia antiga, nos socializamos por meio da técnica. O corpo é o primeiro utensílio. Depois, vêm os que prolongam o corpo e os formados pelas extensões dos corpos. A máquina é um artefato técnico. “Antes, o que estava só no homem, agora está fora dele. A máquina é a técnica totalmente objetivada. A máquina objetiva um pensamento, mas ela não pensa. O robô depende de nós porque nós podemos desligá-lo.” O sistema maquinístico automatizado já existe de forma modesta, mas as ambições são grandes, conforme Rüdiger.

Rüdiger pergunta, e ele mesmo responde: “Por que o homem inventa esses mecanismos? Para facilitar nossa vida? Em relação a quê? A técnica é o elemento do combate do homem consigo mesmo, porque o homem não é só técnica, é mais do que técnica”. Há outras formas de conhecimento: intuitivo, espiritual, estético, político, filosófico. Em relação ao conhecimento estético, até os impressionistas a pintura respeitou o princípio da perspectiva (a percepção dos sentidos), recorda Rüdiger. Ele observa que, para Heidegger, a criação estética é um insight: “Posso pintar o que me vem à cabeça. Devaneio, impressão não são técnicas. Poesia é mexer irracionalmente

com os dados do mundo. Poetizar é criar para fazer surgir algo novo”. E isso Heidegger levou em consideração. A bomba atômica é um artefato tecnológico. Pressupõe o conhecimento da estrutura técnica. É produto, também, de uma fantasia absoluta, que é a de acabar completamente com o outro. “A máquina tecnológica vem acompanhada de um delírio fantasioso”, afirma Rüdiger. A filosofia da técnica do tipo materialista considera o meio técnico como extensão do organismo. É como uma prótese. É esse o entedimento de Marx, depois desenvolvido por Engels, em um texto sobre a humanização dos macacos, lembra Rüdiger. De acordo com ele, entre 1918 e 1922, Spengler publica “O declínio do Ocidente”, um sucesso editorial mencionado até hoje, no qual aparecem várias idéias que, mais tarde, seriam retomadas por Heidegger, mesmo que ele não dê crédito a Spengler. Se a técnica começa na Grécia, por que a filosofia dela só aparece no século XIX? Conforme Rudiger, apoiando-se em Heidegger, uma das razões é que os gregos inventaram a técnica, mas não a tecnologia.

Voltando à Grécia, Rüdiger afirma que os gregos não conheceram a tecnologia, pois ela só aparece no mundo moderno. Se há técnica, é porque ela está relacionada ao homem. Se o “logos” tem um caráter cósmico, ele é perfeito: remete à ciência (termo latino para episteme, o saber rigoroso e da perfeição). Tudo o que era humano para os gregos também era considerado monstruoso: assim foi que eles se instituíram, conforme Rüdiger. “De ´antropos` se passou a ´homo`, uma espécie entre outras. A técnica diminui as nossas imperfeições. Os deuses são elementos de transição entre o humano e o cósmico.” A técnica pode nos colocar no caminho da perfeição, mas não é perfeita, diz Rüdiger, e complementa: “No período medieval, houve a junção entre a cultura grega e a oriental. A época grega transmite a idéia de uma técnica, mas não de uma técnica só. Não há pensamento tecnológico para o grego”. Isso, de acordo com Rüdiger, só irá nascer na modernidade, como uma ciência da técnica. O homem, explica o professor, era a contínua perdição do diferente, um ser monstruoso (porque era imperfeito por definição): “Em última análise, o homem é um caso perdido, que, nem por isso deixa de evoluir. Ele pode ser aprimorado, mas de forma terrena e mundana, nunca de forma perfeita, apenas próxima da perfeição”. Rüdiger afirma que, para os filósofos, o máximo da perfeição é o máximo da sabedoria, e que a recompensa do guerreiro não é a vitória: ela é conseqüência da perfeição na arte de lutar. “A forma de vida agonística é aquela na qual o que importa não é o resultado, mas saber jogar bem”.

No âmbito agonístico, ainda segundo Rüdiger, há técnica, pois é preciso se aperfeiçoar, mas sabendo-se que a perfeição é inalcançável. “Até o século XVII, técnica

era sinônimo de artes. Em tudo o que o homem fazia como humano era possível lançar mão da arte. Há uma arte da guerra, uma arte política, uma arte doméstica.” Não é que tudo isso seja arte, ressalva o professor, mas pode ser objeto de... “E cada uma dessas artes obedece a critérios específicos. Os gregos e os romanos falavam a arte do amor, e não de uma sexologia (ciência do sexo). A arte do amor não é uma ciência.”. Segundo Rüdiger, para Ovídio, o assunto é tão monstruoso que só podemos sugerir algumas prescrições artísticas. “O ponto de partida entre antigos e modernos é diferente. Há quem veja a técnica como uma função genética. É a exacerbação da corrente materialista. Cada elemento da cultura aparece memeticamente (memória do código genético).” Rüdiger diz que o sentido grego, por oposição, não assevera o resultado. Todos esses gurus da cibercultura, segundo Rüdiger, afirmam que o pós-humano está inscrito no código genético. “A própria filosofia da técnica se dissolve, pois todo humano seria explicado geneticamente.” Qual é o problema dessa teoria? Rüdiger aponta que é a explicação “ad hoc”. Por essa fórmula, eu posso explicar tudo, pois parte de uma história que eu invento (explicação mitológica). A faculdade de criação do ser humano é valorizada nos trabalhos de Ortega y Gasset, Erich Fromm e Lewis Munford. Eles integram a corrente culturalista (ou humana). “Nós somos, em parte, humanos e, em parte, animal. Até a Idade Média, não éramos privilegiados em relação às plantas e aos animais. E isso não acabou completamente”, afirma Rüdiger.