3 MARİNA ÇEVRE İLİŞKİSİ
3.4 Kamusal Mekânda Marinaların Konumu
3.4.1 Marina – Mimari Çevre İlişkisi
CORPUS: HOMERO. Odisséia. Tradução de Carlos Alberto Nunes. 2. ed. São Paulo: Ediouro, 2009.
7.8.1 Síntese da narrativa
A Odisséia, de Homero, é um dos mais importantes poemas épicos do ocidente. Relata o retorno de Odisseu, rei de Ítaca, que lutou na Guerra de Tróia. Ao partir para a guerra, convocado por Agamenon, deixou em Ítaca a esposa Penélope e o filho Telêmaco.
A obra é dividida em 6 livros e 24 cantos. O começo, como nos épicos em geral, se dá com o in media res, ou seja, a narração começa pelo meio.
A narrativa começa com a história de Telêmaco, que vive em Ítaca com a mãe, Penélope, assediada por muitos pretendentes. Como Odisseu partiu há muitos anos e não deu sinal de vida, os pretendentes querem tomar seu lugar, mas Penélope, mulher honesta e fiel ao seu marido, resiste aos ataques. Os pretendentes, alheios ao drama de Odisseu, fazem festa na sua casa, e consomem seus bens, enquanto Penélope não se decide por um deles.
18. Todas as considerações feita no íten 7.8 são fundamentadas na seguinte obra: ARISTÓTELES. Poética. Tradução COCCO, V. São Paulo: Abril Cultural, 1979. HOMERO. Odisséia. Tradução NUNES, C. A. 2 ed. São Paulo: Ediouro, 2009. OBATA, R. O livro dos nomes. 13 ed. São Paulo: Nobel, 1994.
166 ― Os pretendentes imediatamente percebem, que estavam
a jogar pedra, alegrando os espíritos, junto da porta,
todos sentados em couros de bois, que eles próprios mataram. Servos atentos, assim como arautos, de todos cuidavam. Estes, o vinho de jeito misturava nos copos, enquanto Outros esfregavam nas mesas esponjas de inúmeros furos, Põem-nas logo de pé e os assados em postas retalham‖ . (HOMERO, 2009, p. 30-31)
Neste ínterim, aparece a deusa Atena, disfarçada, e fala a Telêmaco, filho de Odisseu. Aconselha-o a ir à procura do pai, que não está morto. Ele, então, convoca a assembléia, pede um barco e parte. Vai numa nau até Pilos, a casa do rei Nestor, que lhe conta histórias da guerra de Tróia e da morte de Agamenon. De lá segue para Esparta, onde encontra Menelau, que também estivera na guerra e já retornara e lhe conta mais histórias da guerra.
Enquanto Telêmaco procura Odisseu, este estava preso na Ilha da ninfa Calipso. Esta recebe ordens de Zeus para deixá-lo partir e ele faz uma jangada e parte. Em alto mar, sofre uma tempestade e vai para a terra dos Feaces, onde encontra a princesa Nausícaa, que lhe ajuda a obter favores de seu pai. Hospedado, Odisseu conta ao rei Alcínoo suas peripécias, desde que deixou Tróia. Ao deixar Tróia, passou por vários lugares. Primeiro passou pela ilha dos ciclopes, onde cegou o filho de Poseidon, Polifemo, o gigante. Depois atracou na ilha da feiticeira Circe, que transformou seus homens em animais. Em seguida foi até o Hades, o mundo dos mortos, onde interrogou Tirésias sobre seu futuro. No Hades ele reencontra a mãe, que morrera de saudades. Andou também pela ilha das sereias, ultrapassou os monstros Cila e Caríbdis, que matam todos os seus companheiros, deixando-o só. Ele então vai para a ilha de Ogígia, onde ficou preso por Calipso durante sete anos.
Na ilha dos Feaces, Odisseu era hóspede do rei Alcínoo. Este, sentido com seu drama, resolveu ajudá-lo. Deu-lhe um barco e este o levou até Ítaca, deixando-o desfalecido na praia. Assim, Depois de 20 anos, Odisseu retorna ao seu reino. Estava agora velho, mas ainda forte como sempre.
O canto XIII retrata a chegada de Odisseu a Ítaca. Graças ao barco dos Feaces, Odisseu chegou a Ítaca. Mas, no retorno, Poseidon transformou o navio de Odisseu em uma ilha, castigando os Feaces por ajudarem-no. Atena, que sempre protegera Odisseu, aconselha- o sobre a morte dos pretendentes de Penélope. Atena esconde os objetos de Odisseu numa caverna e o transforma em um velho, para que não fosse reconhecido e pudesse vingar-se dos pretendentes.
167 Até este momento, Odisseu tem dúvidas da fidelidade de Penélope e precisa, primeiro, verificar se ela o esperou todos estes vinte anos ou se se entregou ao deleite com os pretendentes.
Chegando à ilha, Odisseu foi à casa do porqueiro Eumeu. Este contou ao mendigo os prejuízos que os pretendentes têm causado ao seu antigo amo e fez muitos elogios a ele. Fez também considerações sobre a justiça dos homens. Odisseu, então, revelou-se, e contou sua história a Eumeu.
Por esta ocasião, Atena pediu a Telêmaco que retornasse da casa de Menelau, onde se encontrava. Penélope estava sendo pressionada pelos pretendentes a casar-se. A deusa previne Telêmaco de uma possível emboscada que lhe foi planejada pelos pretendentes, caso ele voltasse da viagem e disse-lhe por fim que ele, ao desembarcar, deveria visitar primeiro o porqueiro Eumeu, que levaria a notícia do seu regresso à Penélope, sua mãe. Ao visitar o porqueiro, Telêmaco reencontra seu pai e, juntos, combinam vingar-se dos pretendentes.
Mas por enquanto, Telêmaco não devia revelar nada sobre o retorno de seu pai. Este, ainda disfarçado de mendigo, vai ao palácio e se faz ver por Penélope, que não o reconhece como seu esposo. Contudo, seu cão o reconhece. Os pretendentes estão bebendo e fazendo festa na casa de Odisseu, e consumindo seus mantimentos e sua riqueza. Dão presentes para Penélope, que ainda não escolheu nenhum deles.
Odisseu pediu a Telêmaco que escondesse as armas todas. Diz a Penélope, com quem conversa, que é de Creta. Mas é reconhecido pela criada, Euricléia, em função de uma cicatriz que ele tinha na perna, que foi mordida por um javali, quando caçava no monte Parnaso há muitos anos atrás.
―[...] Odisseu, entretanto,
Longe do lar se assentou, procurando ficar mais na sombra, Pois receou que Euricléia, ao tocar-lhe na perna, pudesse A cicatriz conhecer e, assim, tudo ficar descoberto. Aproximando-se dele, a ama pôs-se a lavá-lo; mas logo A marca viu, conhecendo-a, quem um porco-do-mato causara, Quando ele e Autólico e aos filhos outrora visita fizera,
La no Parnaso. Era o pai de sua mãe, conhecido entre os homens Pelos perjúrios e roubos, a que Hermes atreito o fizera,
Hermes a quem sacrifícios mui gratos fazia de coxas De cordeirinhos e cabras‖. (HOMERO, 2009, p. 330-331).
168 Prosseguindo em seu plano de vingança, Odisseu pensa em matar as escravas, que se uniram aos pretendentes, mas muda de opinião e as preserva. Eis que chega a hora em que Penélope lança um desafio aos pretendentes: quem conseguisse armar o arco de Odisseu seria o seu escolhido. Todos tentam, mas ninguém consegue envergar o arco e armá-lo. O mendigo, contudo, se oferece para tentar. Mas os pretendentes consideram que, acaso um mendigo e estrangeiro conseguisse tal façanha, que eles não conseguiram, poderia lançar a todos na indignidade, no opróbrio, na condenação pública. Após discussões e arrazoados, o mendigo finalmente tenta armar o arco, consegue-o, atira por entre uns machados e ganha a luta. Então, sendo vencedor da prova, mostra-se aos pretendentes como o rei de Ítaca. Juntamente com Telémaco, com o porqueiro e com o vaqueiro mata todos os pretendentes. Mais tarde, revela- se a Penélope que o testa e comprova que é mesmo o seu marido.
Penélope finalmente reconheceu Odisseu, seu esposo amado e esperado. Sua longa espera, com honra e fidelidade de vinte anos, chegava ao fim.
―Logo para ele, direita, correu, lacrimosa, e lhe disse: Não te enraiveças comigo, Odisseu, visto seres dos homens O mais sensato. Infortúnios bastantes os deuses nos deram, Não consentindo que, juntos, viver aqui sempre pudéssemos E a juventude gozar, te nãos era velhice chegada.
Não fiques, pois, agastado, nem faças nenhuma censura Por não te haver, no primeiro momento, corrido a abraçar-te. O coração no imo peito se achava em constante receio De que pudesse alguém vir enganar-me com ditos falazes, Pois muitos homens, realmente, meditam maldosos desígnios‖. (HOMERO, 2009, p. 387)
Depois de tudo entendido, com as pazes feitas, Odisseu e Penélope vão para a cama. Odisseu conta resumidamente a Penélope tudo o que passou. Neste dia, amanheceu mais tarde, porque os deuses permitiram que eles ficassem mais tempo juntos no leito. Por fim, Odisseu, levando consigo Telêmaco e o porqueiro, foi visitar o pai, Laertes, que vivia só e triste. Convence-o de que é seu filho pela cicatriz na perna e pela descrição do pomar de Laerte. Ocorre o reconhecimento e ambos festejam.
169 7.8.2 Análise Literária
Considerando as obras de Homero como exemplares que contém os principais valores da cultura grega de seu tempo, importa procurar, nestas obras, quais são esses valores que, no fim último, eram os valores do homem grego daquele tempo.
Os personagens de Homero são melhores do que a média dos homens. São, portanto, seres grandiosos, capazes de fazer grandes feitos e de demonstrar grande coragem. Como o disse Aristóteles (1979), ao imitar os homens, Homero os imitou melhor do que são. E assim, os fez heróis. E desta forma, os personagens homéricos veiculam valores de uma comunidade, de um povo ou de uma nação como um todo, sem espaços para individualidades ou personalidades.
É neste sentido que se compreende o papel de Penélope, protagonista feminina da obra
Odisséia, de Homero. Esposa de Odisseu, a quem lhe é fiel, quando este parte para a Guerra
de Tróia, espera-o por vinte anos, sendo assediada constantemente por pretendentes audaciosos. Mas Penélope era uma fortaleza moral, e como tal, devia mostrar ao povo grego este valor.
Penélope, esposa de Odisseu, era filha de Icaius e Periboea. Quando Odisseu partiu para a guerra de Tróia, ela lhe jurou fidelidade. Mas, como a guerra se prolongou, apareceram pretendentes. E, mesmo ao fim da guerra, quando muitos dos guerreiros já estavam em suas casas, Odisseu ainda não retornara ao seu reino. Ela, contudo, nunca duvidou do seu esposo e nunca perdeu a esperança no seu retorno. Para ela Odisseu um dia voltaria. Mas os pretendentes tinham pressa, exigiam que ela esquecesse o esposo e tomasse um deles como seu novo marido. Seu pai pediu a ela que se casasse novamente. Ela, então, como queria continuar esperando o esposo, disse que se casaria quando terminasse de tecer uma colcha para seu sogro, Laertes. Então, durante o dia ela tecia, à noite, destecia. Assim fez até o dia em que foi descoberta por um dos pretendentes e teve que terminar a colcha. Ela então teve a idéia de propor que se casaria com um pretendente que atirasse uma flecha tal qual Odisseu fazia. Todos tentaram, mas nenhum conseguiu. Até o dia em que Odisseu, após ter retornada a Itaca, disfarçado de mendigo, atira a flecha. Em seguida ele mata os pretendentes e retoma sua esposa e seu reino.
170 Segundo Regina Obata (1994), o termo penélope vem do grego pene-lopia e quer dizer ―a que desfia‖ ou ―a que tece, a fiandeira‖. Como se sabe, na Odisséia, Odisseu, que combateu em Ítaca, retorna ao seu reino e, nesta viagem, consumiu anos a fio. Neste curso, surgiram várias pretendentes à sua esposa, e ela os entreteve tecendo uma mortalha para o sogro. Durante o dia Penélope tecia, durante a noite, destecia, e, assim, ganhava tempo, esperançosa que era no retorno de seu amado.
Assim, Penélope evoca a tradição das mulheres que fiam e tecem, enquanto aguardam seus maridos. Torna-se, desta maneira, o símbolo maior da fidelidade na cultura grega dos tempos homéricos. Desta maneira, ela se torna o símbolo de uma civilização cuja cultura de funda no mito, nas lendas e nas tradições do passado da nação, da raça e do povo para se construir. A antiguidade clássica, tempo de Homero, a valorização dos mitos do passado, a noção de totalidade organizacional da sociedade, o equilíbrio e a simetria, tendia para a busca dos chamados valores universais.
Os personagens homéricos são símbolos. E Penélope, como personagem feminina mais marcante e encantadora, é o símbolo da fidelidade , do amor verdadeiro e da integridade moral.
171