II. BÖLÜM: MİLLİ MÜCADELE DÖNEMİNDE RAUF BEY
2.8. Sivas Kongresi ve Rauf Bey
2.8.3. Manda Meselesi ile İlgili Düşünceleri
Também em âmbito internacional, a organização da formação em odontologia – ou das profissões equivalentes – acompanham o contexto das reformas universitárias e das práticas e Sistemas de Saúde de cada país. Para clarificar e gerar elementos potencializadores da discussão, optou-se por explanar a formação em odontologia nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. Frisa-se, entretanto, que de maneira geral, no cenário mundial, o dentista atua predominantemente no setor privado (Reis et al., 2015). Por exemplo, dos países da União Europeia, apenas cerca de 11% dos profissionais desenvolvem práticas ligadas aos serviços públicos de saúde (Kravtiz et al., 2014). Faz-se esse destaque para que se tenha cautela ao realizar comparações ou buscar inspirações visto que, a PNSB é única no mundo e o contexto da organização da saúde no Brasil requer que a formação seja coerente com seus pressupostos.
Nos Estados Unidos, uma série de trabalhos aponta a necessidade de se promover mudanças nos currículos das escolas de odontologia com a expectativa de responder melhor aos problemas da população e avançar em relação aos pressupostos do Relatório Gies (Hendricson; Cohen, 2001; Bertolami, 2001; Kassenbaum et al., 2004; Haden et al., 2010).
Em 1995, foi publicado – pelo Instituto de Medicina norte-americano – o relatório "Dental Education at the Crossroads: Challenges and Change", com vistas a estimular mudanças curriculares relacionadas ao conteúdo e à modernização dos métodos de ensino e aprendizagem, gerando repercussões significativas nas escolas odontológicas (Marilyn, 1995).
Em consonância, o documento que define o perfil e as competências do dentista generalista americano foi revisado em 2008 e publicado em 2011. Desde
então, essas são as diretrizes para a realização das mudanças nas faculdades de odontologia do país (ADEA, 2011).
O dentista generalista, nos Estados Unidos, é o responsável por promover cuidados de saúde bucal em nível primário, contando com o apoio dos especialistas e outros profissionais de saúde. Um profissional que se ocupa das questões de saúde, além dos tradicionais cuidados de saúde bucal, que deve ser capaz de praticar uma odontologia abrangente, baseada em evidências, sempre com o objetivo final de melhorar a saúde da população. Deve apresentar comportamento profissional pautado na ética, ser capaz de se comunicar e demonstrar habilidades interpessoais. Precisa, ainda, estar atento às tecnologias emergentes, ser eficaz na resolução dos problemas e comportar-se criticamente diante das necessidades em saúde, atuais e futuras. O documento americano define seis domínios – pensamento crítico, profissionalismo, comunicação e habilidades interpessoais, promoção de saúde, gestão e práticas de informática, assistência à saúde6 – sendo que cada um deles comporta algumas competências desejáveis para o futuro profissional (ADEA, 2011).
É indispensável ressaltar que o sistema de saúde norte-americano é conceituado como plural, com espaço para a participação de grande variedade de instituições públicas e privadas, sendo a esfera estatal responsável por ações de controle (vigilância epidemiológica e sanitária) e pela provisão – e não a prestação direta – de serviços médico-hospitalares destinados a segmentos populacionais específicos. Ao setor privado compete a predominância na assistência direta à saúde da população (Noronha; Ugá, 1995), o que direciona os interesses de formação do dentista americano para uma lógica de trabalho no setor privado7.
Na Europa, desde a assinatura da Declaração de Bolonha em 1999 – desdobramento de um amplo processo que busca potencializar a união entre os países europeus –, as IES dos países que assinaram o documento vêm se
6 Os domínios aparecem no documento da seguinte forma: 1. Critical Thinking; 2. Professionalism; 3.
Communication and Interpersonal Skills; 4. Health Promotion; 5. Practice Management and Informatics; 6. Patient Care: A. Assessment, Diagnosis, and Treatment Planning B. Establishment and Maintenance of Oral Health.
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A análise do documento Americano revela que o mesmo exerceu grande influência na elaboração das DCN para os cursos de odontologia no Brasil.
mobilizando com vistas a alcançar as propostas contidas na declaração (Bolonha, 1999; Bianchetti; Magalhães, 2015).
O objetivo do processo de Bolonha é favorecer a mobilidade dos estudantes no território europeu, no sentido de viabilizar a circulação de pessoas e conhecimentos, por meio da criação de um sistema de equivalências reconhecidas entre as diversas instituições universitárias, baseado em unidades de crédito, o European Credit Transfer System (ECTS). Essa característica seria a responsável por favorecer o reconhecimento dos estudos entre os países membros e o exercício das profissões para além das fronteiras (Borges, 2013; Moíta, 2009).
Destacam-se, na Declaração e no consequente Tratado de Bolonha, a concepção de que a atividade universitária deveria centrar-se na aprendizagem e não mais no processo de ensino, ou seja, o foco foi deslocado do professor para o estudante. Até então, o que determinava o estilo, o ritmo e os conteúdos de formação era a transmissão de teorias de modo unidirecional, do professor para o aluno. Nessa conjuntura, o estudante passou a ter maior autonomia na definição do seu percurso acadêmico, sendo protagonista na elaboração dos objetivos a alcançar, assumindo um papel ativo e interativo no estudo, na investigação e na aquisição de competências. O foco na construção de competências permite que professores e estudantes tenham consciência dos conhecimentos teóricos e práticos que deverão desenvolver, o que viabiliza a articulação entre o saber e o saber-fazer (Moíta, 2009).
A Declaração de Bolonha propõe, ainda, o acompanhamento do percurso de aprendizagem do aluno de modo individualizado por um professor – sistema de tutoria – e uma avalição contínua, abandonando as avaliações tradicionais, abrindo espaço para um maior comprometimento por parte dos estudantes e desenvolvendo uma cultura de avaliação, em todos os âmbitos, por todos os atores envolvidos (Moíta, 2009).
Além disso, os graus acadêmicos das universidades foram reorganizados em três: licenciatura (03 anos), mestrado (02 anos) e doutoramento (03 a 04 anos), tornando o mestrado muito mais necessário devido ao curto limite para conclusão da licenciatura (três anos), que permitiria uma qualificação mais elevada de recursos humanos, tendendo a generalizar níveis superiores de formação (Moíta, 2009).
Algumas faculdades criaram cursos que conjugam a Licenciatura e o Mestrado – os chamados Mestrados Integrados (05 anos).
Inseridas nessa conjuntura, as Faculdades de Medicina Dentária da Comunidade Europeia vem sendo transformadas desde a assinatura da Declaração de Bolonha. Um documento que se sobressai – aprovado para nortear as mudanças – é o “Profile and competence for the European Dentist”, publicado em 20048. Ele se converteu em um conjunto de diretrizes curriculares para as Faculdades de Medicina Dentária da Europa (Plasschaert et al., 2005).
A intenção era uniformizar os cursos de medicina dentária, propondo 07 domínios – profissionalismo, comunicação e habilidades interpessoais, conhecimento de base, tratamento da informação e pensamento crítico, recolha da informação clínica, diagnóstico e plano de tratamento, estabelecimento e manutenção da saúde bucal e promoção de saúde9 – e 17 competências principais que deveriam ser alcançados por todos os cursos, além de outras competências de apoio que poderiam variar de acordo com a realidade local (Plasschaert et al., 2004).
O documento passou por um processo de revisão em 2009, tendo alguns acréscimos incorporados ou modificações realizadas com base em sugestões feitas pelas Escolas de Medicina Dentária Europeias, pelo Ministério da Saúde, Associações Dentárias Nacionais e Associações de Especialidades Odontológicas ou Sociedades da Europa (Cowpe et al., 2010). A intenção é continuar revisando o documento a cada cinco anos, com a participação dos atores envolvidos no processo com a premissa de melhorar a qualidade dos currículos.
A formação europeia buscar gerar um médico dentista generalista, com capacidade para o exercício da profissão no seu extenso domínio técnico e científico, com habilidade para trabalhar em parceria com os demais profissionais da saúde bucal ou da equipe de saúde dos variados países. Aparece, ainda, a importância de garantir o desenvolvimento das habilidades de comunicação, de
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O documento europeu foi publicado posteriormente às DCN brasileiras, o que comprova a baixa influência exercida pela Europa no Brasil nesse período de reformulação curricular das escolas de odontologia, apesar do sistema de saúde do Brasil ser mais próximo, em temos ideológicos, à alguns dos sistemas de saúde europeus.
9 Os domínios aparecem listados da seguinte forma no documento: I Professionalism; II
Communication and interpersonal skills; III Knowledge base, information handling and critical; Thinking; IV Clinical information gathering; V Diagnosis and treatment planning; VI Establishment and maintenance of oral health and VII Health promotion.
estimular o processo de formação de modo contínuo e viabilizar uma prática pautada pela evidência científica (Plasschaert et al., 2004; Cowpe et al., 2010).
Há um estímulo para que ocorra maior fusão das disciplinas de modo a proporcionar o desenvolvimento de uma abordagem holística do sujeito, colocando-o em primeiro lugar, o que beneficiaria, além dele, o futuro profissional. Dessa forma, o documento impulsiona reformas curriculares e prevê melhorias dos processos de avaliação, do processo de aprendizagem e dos cursos (Cowpe et al., 2010).
Sob grande influência do movimento europeu – desencadeado pela Declaração de Bolonha – e acreditando que a integração intercontinental de universidades será a próxima fase do processo de globalização, os países da América Latina, após aprofundadas discussões, constituíram o Projeto Latino Americano de Convergência em Educação Odontológica (PLACEO)10 (Alonso; Antoniazzi, 2010).
O PLACEO começou a ser esboçado no 1º Encontro Latino Americano de Equivalência Curricular (ENLEC), ocorrido durante o 25º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP), em 2007, com a participação de um grande número de autoridades acadêmicas de diferentes países da América Latina. Essas discussões se estenderam e, anualmente, novos ENLEC acontecem para dar seguimento à elaboração do documento (Alonso; Antoniazzi, 2010).
O principal objetivo do PLACEO é desenvolver diretrizes que norteiem as IES e as autoridades governamentais e acadêmicas no sentido de realizar as mudanças necessárias que permitam adaptar os sistemas educacionais existentes em odontologia e, consequentemente, alcançar o padrão de formação adequado às necessidades sociais (Alonso; Antoniazzi, 2010).
O documento propõe o seguinte perfil profissional:
[...] dentista clínico geral, com conhecimento e compreensão das ciências básicas e biomédicas e uma sólida formação técnico-científica em odontologia; com competências para resolver a maior parte dos problemas de saúde bucal, tanto em nível individual como comunitário, atuando com ética e profissionalismo. Deve possuir formação humanística; consciente de sua responsabilidade social na promoção, prevenção, tratamento e manutenção da saúde bucal da população, apoiado na evidência científica; com capacidade de comunicação, gestão e liderança, capaz de integrar de
10 “O PLACEO tomou a definição de convergência entendida como um movimento global para
padrões mais elevados, principalmente através do intercâmbio de recursos intelectuais, como também compartilhando as inovações e as boas práticas em currículos e avaliações, que possam promover a educação baseada em evidências” (Alonso; Antoniazzi, 2010, p. xxi).
forma eficiente e responsável por uma equipe interdisciplinar de saúde, com espírito crítico para investigar e socializar seu conhecimento, conhecedor de seu papel como agente de transformação da realidade social e responsabilidade com o meio ambiente; consciente da necessidade de atualização permanente de seus conhecimentos, motivado no processo de aprendizagem contínua e no desenvolvimento de ações que contribuam para seu crescimento pessoal e profissional (Alonso; Antoniazzi, 2010, p. 65).
Apesar das diferenças entre os sistemas de saúde de cada país, percebe-se uma convergência nos objetivos da formação em odontologia em distintas partes do mundo. O sujeito paciente assume um papel de destaque na relação terapêutica e há uma preocupação com a melhoria da saúde da população. Frisa-se, ainda, a imprescindibilidade de desenvolver competências no âmbito da comunicação e do trabalho em equipe.
2.2 Bucalidade e Saúde Bucal Coletiva: ampliando as fronteiras da formação