3. İNŞAAT SEKTÖRÜ VE İNŞAAT PROJE YÖNETİMİ
3.5 Proje Yönetim Standartları
3.5.7 Ön tasarım evresi
3.5.7.2 Maliyet yönetimi
Com a situação de dor e violência vivida pelos povos pós Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), e as transformações sociais ocorridas nas diversas partes do mundo, a Igreja Católica se viu forçada a questionar a sua própria postura. Diante dos problemas contemporâneos, era necessário buscar soluções imediatas para as mazelas que assolavam a vida dos pobres, sobretudo nos países menos desenvolvidos.
Como iniciativa de organização da Igreja no Brasil, em 1952 foi criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e, em 1954, é fundada a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).
Na América Latina, os grandes marcos de transformação da Igreja foram as Conferências Episcopais Latino-Americanas (CELAM), objetos de nossa análise no último capítulo deste trabalho. A primeira foi realizada no Rio de Janeiro (1955)166, não trouxe novidades significativas com relação às questões de gênero e tudo permanecia como antes. A marcante e cotidiana presença das mulheres nas Igrejas sempre demonstrava um lado eclesiástico incongruente. Nas esferas institucionais e decisórias, elas sempre se mantiveram ausentes ou, pelo menos, silenciadas pela palavra e pelos escritos dos homens nos documentos eclesiásticos. Sabe-se que os poucos e ousados homens, que estiveram dispostos a inserir leigos167 e mulheres em algumas esferas decisivas da Igreja, nem sempre foram vistos com bons olhos pelas autoridades episcopais168.
Alguns documentos que antecederam ao Concílio Vaticano II tornaram-se fundamentais para a recepção169 e mudanças na vida da Igreja naquele momento: a encíclica do Papa João XXIII, Mater et Magistra (1961), ao abordar de forma ampla os problemas que afetavam o mundo, destacando a justiça para todos os povos e o avanço e reaproximação da
166 Na análise textual desta Conferência a autora não constatou sinais que favorecessem mudanças significativas para a práxis das mulheres na Igreja latino-americana. As poucas transformações que puderam ser notadas ocorreram no âmbito da teologia dogmática, o que bem pouco beneficiou o conteúdo do objeto desta pesquisa. Fica evidente o clericalismo na redação do texto final, no qual o laicato, as mulheres e os homens, são substituídos por colaboradores ou auxiliares del clero. 167 BEOZZO, J.O. A Igreja do Brasil no Concílio Vaticano II – 1959-1965. p. 329-331
168 Levantamos dados sobre da presença das mulheres no Concílio Vaticano II o que pode ser constatado pelas fotos no final deste capítulo.
169CONGAR, Ives Marie-Joseph (1904-1995):Teólogo dominicano francês, conhecido por sua participação no Concílio Vaticano II. Ele foi duramente perseguido pelo Vaticano, antes do Concílio, por seu trabalho teológico. Congar define recepção de um acontecimento como: “o processo pelo qual um corpo torna sua uma verdade, uma determinação, que não se deu a si mesmo, reconhecendo que a medida promulgada é uma regra que convém a sua vida.” A isso se refere o seu confrade Teillard quando fala dos seus “exílios”. Sobre Congar a IHU On-Line publicou um artigo escrito por Rosino Gibellini, originalmente no site da Editora Queriniana, na editoria Memória da edição 150, de 8 de agosto de 2005, lembrando os dez anos de sua morte, completados em 22 de junho de 1995. Também a editoria Memória da 102ª edição da IHU On-Line, de 24 de maio de 2004, à comemoração do centenário de nascimento de Congar (Nota da IHU On-Line).
Igreja-Mundo, defende mais diálogo entre todas as nações. A Encíclica intitulada Pacem in
Terris (1963) tratou da paz, dos direitos humanos e reforçou a necessidade da abertura da
Igreja para o mundo, apostando numa nova era da comunicação social com a história contemporânea.
Com esses e outros momentos, a recepção do Concílio Vaticano II já sinalizava a sua relevância, seja pelos momentos que o antecediam, como também pela expectativa que gerava no interior da Igreja. Já denotava mais que uma obediência ou sinal de um dever eclesial, era uma contribuição própria de consentimento e de decisão. Claro que, ocasionalmente, era juízo de alguns, mas no todo significava a expressão da vida e do espírito de um corpo, homens e mulheres, que exerciam suas capacidades espirituais em favor da história da Igreja e do mundo.
BEOZZO (2005) enfoca o processo de recepção do Vaticano II na realidade eclesial brasileira fazendo ver como o documento chamado Plano de Emergência, lançado em 1963 pela CNBB, foi importante instrumento que possibilitou um adequado princípio hermenêutico para a implementação das doutrinas do Concílio Vaticano II à Igreja do Brasil, e condensou uma visão apurada da realidade brasileira, em seus níveis diversos. Com isso, um pouco mais tarde, tornou-se possível a elaboração de um Plano de Pastoral de Conjunto, verdadeiro marco do processo evangelizador da Igreja no Brasil, reunindo um verdadeiro acervo de reflexões pré e pós-conciliares.
Quanto às categorias e aos desempenhos dos participantes para a preparação e recepção desse Concílio, BEOZZO (2005) diz:
Durante toda a fase preparatória, nenhum leigo fora formalmente nomeado para alguma comissão, todas elas, portanto, sendo constituídas exclusivamente por eclesiásticos. Surge assim, no regulamento, uma nova categoria de participantes, que acabarão muitas vezes desempenhando papel de consultores das comissões, a dos auditores”, ou seja, ouvintes leigos, habilitados às Sessões públicas, às Congregações gerais e às Comissões, sem, contudo gozarem do direito a voz, a não ser que, na qualidade de peritos, fossem convidados, pelo moderador da Congregação ou pelo presidente da Comissão, a exporem as suas opiniões170
Esse significativo evento da Igreja Católica marcou além dessa recepção, também, o exercício do poder masculino por meio de suas autoridades hierárquicas que demonstraram momentos decisivos, arbitrários e, muitas vezes, incoerentes, mas nem por isso, deixados de viver intensamente pelos presentes que, de certa forma, presenciaram instantes conflitivos.
Um deles, como nos relata BEOZZO, foi o do não consentimento da presença de mulheres auditoras171 nos primeiros períodos conciliares. Ele afirma:
A nova categoria de participantes foi criada por Paulo VI a partir do II Período Conciliar quando foram nomeados 13 “auditores”, todos eles homens. A incongruência em admitir leigos, mas somente homens, excluindo as mulheres, tornou insustentável, gerando de imediato pressões para que fossem admitidas mulheres, o que aconteceu só no seguinte período conciliar172
Em relação ao Brasil, verifica-se que a situação política em que vivia o país, as constantes ameaças e assassinatos de lideranças católicas ocorridas a partir da década de 50, contribuiu para significativas mudanças no interior da Igreja Católica no Brasil. É o que podemos observar nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil173:
No campo social, nos anos 50 se assistiu uma mudança qualitativa da presença da Igreja. No mundo rural e operário, a igreja evoluiu de uma atuação marcadamente assistencial, para uma presença conscientizadora e fortalecedora das reivindicações sociais.
A atenção aos novos desafios, principalmente em nível cultural e eclesial, é o ponto destacado por BEOZZO, sendo visível a influência de boa parte dos documentos conciliares, o que fez ver o dinamismo de um novo modelo de Igreja presente no Brasil, marcado pelas comunidades eclesiais de base (CEB’s), nas quais a atividade laical e nela a das mulheres ganhava uma nova feição. Elas se articulariam politicamente nos trabalhos eclesiais e demonstrariam as suas forças através dos trabalhos nessas comunidades eclesiais. As CEBs surgiram no Brasil sob o impulso dos movimentos político-sociológicos das bases da sociedade brasileira e em diversos países latino-americanos, sobretudo nos da América Central. Oriundas da organização popular em torno de eixos fundamentalmente políticos, mas de motivação e inspiração colhidas da fé cristã, as CEBs possuem raízes históricas, elementos advindos da organização da Juventude Operária Católica, da Juventude Universitária Católica e da Juventude Estudantil Católica. Estes movimentos de caráter essencialmente religioso- pastoral surgiram da denominada Ação Católica e conforme BEOZZO (2005), o seu alcance e os seus desdobramentos alcançaram grandes espaços e alteraram profundamente o perfil da ação da Igreja desde o início da década de 1950. Nesses espaços de atuação as mulheres conseguiram demonstrar o seu poder político, pois surgiam de suas forças advindas de atuações externas. Até os dias atuais essa forma de atuação continua a refletir na constituição
171 A lista completa das auditoras presentes nos momentos e sessões conciliares autorizadas se encontram publicadas na AS
Appendix Altera,IV – Index Auditorum et Auditricium, p. 221-227
172 BEOZZO, José .O. p. 330
do pensamento e da doutrina social da Igreja Católica. No Brasil, um dos desdobramentos da Ação Católica em sua chamada fase especializada, foi a origem do Movimento de Educação de Base (MEB) e do Partido dos Trabalhadores, e nos anos 1970, além de inúmeros movimentos sociais, cresceram ainda mais em articulação com sindicatos e outras instituições comunitárias. Nesse período as mulheres aperfeiçoam ainda mais as suas articulações políticas nas pastorais das Igrejas. Nas CEBs elas cresceram nas compreensões de estratégias organizacionais e ajudaram nas criações de coordenações locais, em nível e municípios, e Estado e até uma organização nacional vinculada à estrutura pastoral da Igreja Católica, por intermédio da CNBB. As mulheres começaram a participar de encontros nacionais e até internacionais de natureza intereclesial, consolidando uma prática ecumênica presente nas CEBs, não obstante sua clara identidade católica. Não raras vezes essas práticas se tornaram alvos de críticas e incompreensões no meio da pastoral e da própria hierarquia católica da Igreja no Brasil. Dos anos 1990 diante se assiste uma decadência e uma crise nos modelos institucionais que as CEBs traziam em si e atualmente até instalou-se uma mutação paradigmática em muitas comunidades. Experiências frutuosas ainda persistem desse modelo eclesial, mas hoje estão mais restritas às comunidades situadas na região norte e nordeste do país, além de estarem nas periferias de algumas metrópoles. Nelas as mulheres também constituem maioria e qua se sempre muito bem articulada politicamente nas coordenações das pastorais e nas lutas populares.
Nessas experiências, a leitura popular da Bíblia e a conscientização em torno de problemas estruturais na Igreja e na sociedade são os elementos determinantes. Paralelamente a esse momento, ocorria a descentralização da CNBB e o desenvolvimento da Teologia da Libertação, em que a interação entre ciências sociais, teologia e pastoral constituía um paradigma amplo e enraizado nos problemas da realidade latino-americana e brasileira. Em sentido conclusivo, BEOZZO (2005) aponta o significativo avanço para a teologia pastoral na América Latina, cujo planejamento estratégico entrelaçou de forma construtiva, dinâmica e perceptível para o crescimento do modelo eclesiológico libertador. Neste, as mulheres se inseriam, veladamente, com “ações silenciosas” e “negociações” com o clero.
Conclusão
A recepção do Concílio no Brasil foi marcada, na Igreja brasileira, pelo fortalecimento da dimensão social na qual a relação da Igreja com o mundo foi o elemento fundamental, tendo ressaltado o realismo humanístico e o ecumenismo como expressões do revigorado
espírito eclesial. Por isso, esse Concílio foi para nós, uma referência histórica e marco referencial deste trabalho.
No momento da sua realização, o método ver-julgar-agir, oriundo da Ação Católica, permitiu a elaboração do Plano de Pastoral de Conjunto, e uma abertura da Igreja, no Brasil, à plural realidade brasileira capaz de contemplar suas dimensões essenciais: família, cultura, economia, gênero, sociedade e política. A CELAM também contribuiu para a definição de novas condições para o seguimento de Cristo, onde se assume a realidade da pobreza em três sentidos básicos: material, espiritual e compromisso. Nesse processo, a existência de mártires na América Latina é sinal da ação profética no contexto de opressão política (as ditaduras militares, em vários países). A vivência mais efetiva da mensagem evangélica deu-se nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil, onde a evangelização é entendida na linha do serviço e da participação na transformação da sociedade pelo bem dos pobres, com dois desafios principais: a luta contra a pobreza e uma proposta de ética pública.
As lutas sociais presentes no país também tiveram relação com a Igreja, devido ao anseio comum de transformação social e combate à pobreza presentes na militância pela igualdade no campo (CPT) e entre os indígenas (CIMI). A revolução no poder dentro da Igreja teve dois acentos básicos, que são a ação católica e as CEB’s, com repercussões dentro e fora da Igreja: o combate ao clericalismo (ad intra) e à ditadura militar (ad extra).
Esse período mostrou, também, uma evolução teórico-científica através das temáticas desenvolvidas pela Teologia da Libertação, que passou a pensar Deus e a fé nas causas estruturais da opressão: a)Opressão pela ditadura; b) Pela pobreza econômica; c)Pela exclusão do sistema.
Em sentido conclusivo, GODOY aponta o crescimento da profecia e do protagonismo da ação na Igreja e que deve ser caracterizada por uma pedagogia da proximidade aos pobres. A Igreja deverá dar ênfase à luta pela libertação integral da pessoa humana diante do contexto de injustiças já instaurado, muito mais nas populações excluídas como é o caso da Região Norte do país. Podemos exemplificar três aspectos básicos propostos pelo autor, ou seja, prioridades que a Igreja deve ter para que uma eclesiologia de libertação aconteça: caridade, serviço e libertação. Com base nesses fundamentos, podemos dizer que o texto de GODOY coloca os fatos decorridos nessa história recente, como avaliação daquilo que, teoricamente, está definido no plano de pastoral na Igreja do Brasil e que se torna emergência no momento também às lutas das mulheres. Ainda mais se falarmos da posse das ações masculinas sobre as femininas e da má qualidade pastoral a qual a Igreja patriarcal tem conservado para com as atividades das mulheres, principalmente as que vivem junto à pobreza.
Ainda nesse ponto, identificamos textos de conotação positiva da Teologia da Libertação, emergente na época da elaboração desse plano de pastoral, e efetiva para a caminhada pastoral da Igreja subseqüente: a importância do Plano de Emergência como momento privilegiado de reflexão e articulação que abriu o horizonte para o Plano de Pastoral de Conjunto; a leitura entusiasta do fenômeno de surgimento das CEB’s, como processo dinâmico de vivência eclesial; a descentralização da CNBB; e a pertinência de uma Igreja aberta ao mundo e consciente da sua missão ad gentes. Devem ser apontadas, contudo, algumas diferenças entre textos, sobretudo pela clara redução dos conteúdos e orientações do plano de pastoral, ocorrida quando da sua implantação na prática. Isso porque as linhas de ação do plano não foram implantadas de forma orgânica, mas houve quase que uma supervalorização da dimensão da transformação em detrimento de outras.
Dessa forma, para que possamos, em parte, tentar estudar essa problemática da influência do patriarcalismo nas instituições religiosas devemos lembrar que existem sistemas em todo o mundo configurados por essa dicotomia, que semelhante a castas sexuais, não só configuram a identidade, mas exerce um poder sobre ideologias, mitos, símbolos e, ainda mais, interferem na liberdade das pessoas.
A resposta de uma mulher ao ser questionada se havia expectativa de possíveis mudanças nessa configuração foi a seguinte: Sim vai, mas a evolução será pelas comunidades
de base, as mudanças de cima serão sempre mais difíceis.
As linguagens, tanto podem demonstrar a liberdade e a autonomia das mulheres, quanto legitimar o patriarcado em cultos populares, públicos ou privados. Assim, o poder e a pertença de homens e mulheres no meio eclesial e num locus patriarcal podem conceder expressões objetivas de dominação e desvantagens oriundas do sexismo, tanto para o masculino quanto para o feminino. E isso é detectado nas relações e nas tomadas de decisões de ambos os sexos. Aí, se torna necessário buscar os limites das instituições patriarcais e, nesses meios mais desfavorecidos, descobrir traços matriarcais para que, em novo tempo e novos espaços, as mulheres consigam quebrar preconceitos e ganhar autonomia do exercício pleno da sua liberdade. Articular estratégias feministas de libertação pode ser uma ótima saída tanto para o exercício pleno da liberdade das mulheres quanto dos homens que querem, também, desmistificar o poder patriarcal ainda presente na história da Igreja.
Assim, sem essa breve história de funções, de ações pastorais e da presença das mulheres na Igreja ficaria mais difícil o entendimento da importância e do significado da hermenêutica de gênero para a análise da eclesialidade das mulheres, assunto que norteará as pesquisas de campo no capítulo final. A transformação radical e o feminismo consciente
devem levar os seres humanos para a descoberta da liberdade, dos valores e dos poderes distintos que emergem das relações, em todas as suas formas e teorias, e nas quais as mulheres têm que, em muitos lugares, exigir inovações que estejam além do patriarcado e de formulações sexistas que teorizam nossas bases epistemológicas.
CAPÍTULO V - MULHERES: ENTRE A PERSISTÊNCIA E A AUSÊNCIA.