7. İKİ BOYUTLU MASKELEMELER: VÜCUT SÜSLEMELERİ
7.1 Makyaj ve Yüz Boyama
Após selecionar as participantes do estudo, considera-se importante apresentar de forma breve um pouco da história de vida de cada uma delas, para que seja mais fácil compreender as diferenças existentes entre estas idosas. Nomes fictícios foram utilizados para designar cada uma das três participantes, apresentadas a seguir.
54 3.6.1 Vilma
Vilma possuía 61 anos, era casada e residia em um condomínio fechado com o marido no bairro Acamari. Ocupava o cargo de Técnica de Nível Superior na UFV, e possuía formação em dois cursos superiores: Nutrição e Economia Doméstica. A participante também possuía o título de Mestre em Nutrição.
O marido, que ocupava o cargo de professor na UFV, era o único coabitante, visto que os filhos já eram casados e residiam em cidades diferentes dos pais. A participante morou por cinco anos nos EUA, junto com toda a família, em um período cujos filhos ainda eram crianças. Essa residência foi motivada pelo doutoramento do marido, e durante este período foi que a participante se dedicou a cursar uma segunda graduação. Segundo Vilma, foi também neste período que ela aprendeu a cozinhar utilizando o forno de microondas, uma vez que seu cotidiano exigia uma forma alternativa de preparar as refeições, que levasse em consideração o menor gasto de tempo e os padrões culturais alimentícios americanos.
Uma vez de volta ao Brasil, a participante permaneceu com o marido em Viçosa, ambos servidores da UFV, somando juntos a maior renda familiar identificada no estudo piloto. Outro fato interessante foi o de que, após o retorno dos EUA, a participante continuou a utilizar o forno de microondas para cozinhar de forma geral, chegando a ministrar cursos de extensão que ensinavam a utilizar o forno de microondas para diversos preparos, e escrevendo um livro de receitas exclusivo para utilização do forno de microondas em parceria com uma colega de trabalho. No momento da pesquisa, a participante estava em processo de aposentadoria, pois segundo ela “agora queria fazer coisas que planejou por muito tempo”, como viajar e visitar os filhos com mais frequência.
3.6.2 Eliete
Eliete possuía 68 anos, era solteira, e residia com mais quatro irmãos no bairro Fuad Chequer. Ocupava o cargo de Assistente Administrativo na UFV e possuía o ensino médio completo. Era a mais velha de um total de sete irmãos.
Eliete não cursou o ensino superior, e segundo seus relatos, começou a trabalhar muito cedo por exigência dos pais, uma vez que era a mais velha de seus irmãos e precisava ajudar nas despesas familiares. No momento da pesquisa, ainda era a responsável pela maior parte da
55 renda familiar, contribuindo com metade do valor mensal, enquanto os irmãos contribuíam juntos com a outra metade. A participante relatou, em diversos momentos da pesquisa, que sempre se dedicou muito à família e a cuidar dos seus irmãos, e no decorrer de sua vida se tornou uma pessoa “muito família”, dependendo da decisão coletiva para diversos assuntos cotidianos.
Possuía uma filha de sete anos, adotada “coletivamente” com seus irmãos. Tanto as atividades de cuidado com a filha quanto as atividades domésticas eram divididas entre todos os irmãos. A participante descrevia-se como membro de uma família extensa, que tomava decisões coletivamente e planejavam suas atividades cotidianas igualmente de forma coletiva. Por isso, relatou que apesar de caseira, tinha dificuldades em lidar com “tecnologias”, uma vez que sempre havia algum irmão mais novo para auxiliar quando necessitava e isso havia a colocado em uma situação “cômoda”. A exceção ocorria apenas para aquelas tecnologias mais tradicionais, cujo aprendizado se deu com os próprios pais, como o fogão, a geladeira, o freezer, ferro de passar roupas, rádio e televisão.
No momento da pesquisa, a participante estava em processo de aposentadoria, uma vez que sua idade se aproximava do limite máximo permitido para exercício em cargo público – 70 anos. Relatou que aquele era, portanto, um momento difícil em sua vida, uma vez que o trabalho remunerado desde cedo possuía um papel central em sua vida e ausência dele modificaria seu cotidiano – que segundo ela, talvez começasse a envolver maiores participações nos grupos religiosos dos quais fazia parte e nas atividades domésticas.
3.6.3 Luzia
Luzia possuía 61 anos, era divorciada e no momento da pesquisa residia com o filho recém-divorciado e a neta de sete anos de idade no Centro. Apesar da presença do filho e da neta, a participante relatou que residia sozinha e que aquela era uma situação temporária. Luzia ocupava o cargo de Assistente Administrativo na UFV e possuía o ensino médio completo.
A participante relatou ser uma mulher extremamente independente e que por toda a vida procurou agir dessa forma. Em seus relatos, procurou demonstrar que os filhos dela recorrem mais à sua ajuda do que o contrário. Esta participante era a única provedora financeira da sua residência, mesmo com a presença do filho, que na ocasião estava desempregado.
56 Relatou também que tinha certa aversão às atividades domésticas, sobretudo porque sempre lhe faltou tempo para executá-las, uma vez que ela trabalhava fora há muito tempo. Dessa forma, a participante não fazia refeições em casa, uma vez que os fatos de “ser sozinha” e “não gostar de cozinhar” tornavam mais fácil pagar pelas refeições em restaurantes. No entanto, outras atividades domésticas eram realizadas pela participante, como limpar a casa e lavar as roupas, uma vez que sua renda não era suficiente para contratar uma empregada.
Esta participante revelou em diversos momentos uma aversão ao título de “idosa”, sobretudo porque ao se considerar uma pessoa independente financeiramente, vivendo sozinha, divorciada e sem a ajuda dos filhos, enxergava-se como o oposto ao que ela considerava como ser idosa, que pressupunha dependência e senilidade.