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9. MODERN SANATDAKİ YANSIMALAR

9.1 Modernizmin Çıkış Dinamikleri: Primitivistler, İlkeller ve Maske

9.1.4 Amedeo Modiglian

Quanto à quantidade de eletrodomésticos que as participantes possuíam em suas residências, houve certa discrepância que acompanhou, até certo ponto, as diferenças encontradas nas distribuições de renda: Vilma era a participante que possuía o maior número de eletrodomésticos, incluindo produtos como faca elétrica, máquina de waffer, multiprocessador e adega. Com um número intermediário de eletrodomésticos apareceu Eliete, que possuía em sua residência além dos eletrodomésticos que apareceram em todos os casos (geladeira, fogão, máquina de lavar roupas, ferro de passar roupas e liquidificador) outros produtos, como freezer, multiprocessador e forno de microondas. Já Luzia, possuía em sua residência apenas aqueles eletrodomésticos que aparecem em todos os casos e estão supracitados.

Esta diferença traz a reflexão de dois pontos importantes: o primeiro deles, sobre o poder aquisitivo das três famílias, que viabiliza ou não a compra de eletrodomésticos considerados “dispensáveis”. Neste caso, Luzia relatou que não possuía um forno de microondas em sua residência porque tinha outras prioridades:

73 Quando questionada sobre suas prioridades:

“(...) são reformas na minha casa que eu preciso de fazer, como colocar uma grade numa janela, eu estou precisando terminar de colocar a grade numa janela, acho que na minha casa tem coisas de mais prioridades...tem coisas lá dentro da minha casa que preciso mais, e ele (microondas) tem como eu substituir, o forno a gás, por exemplo, e uma grade na janela não

tem como eu substituir né?” (Luzia, Entrevista Final).

Dessa forma, Luzia também ilustra bem o segundo ponto de reflexão levantado, que trata da proposição de que os eletrodomésticos são, na maioria das vezes, essenciais às mulheres das classes mais baixas que vivem a realidade da dupla jornada de trabalho, e que para estas, estes são priorizados mais pelas suas funções diante da atividade do que por outros atributos (SILVA, 1998a, 1998b). O contrário é visto com Vilma, que prioriza nos eletrodomésticos a inserção destes em suas atividades de lazer e não necessariamente a sua capacidade de substituir e/ou executar uma parte da atividade doméstica, visto que as atividades domésticas cotidianas não são de fato sua responsabilidade. Dessa forma, esta participante adquire suas tecnologias domésticas mais pelo valor simbólico da atividade de cozinhar como lazer, do que pela sua “praticidade” cotidiana, o que pode explicar, por exemplo, o elevado número de portáteis que esta participante possui, como máquina de waffer, fritadeira elétrica, adega de vinhos, multiprocessador, faca elétrica e etc. Esta diferença, como aponta Silva (1998d) mostra que as tecnologias domésticas têm significados diferentes para mulheres de classes distintas, fator que pode causar análises errôneas sobre o impacto destas tecnologias na diminuição da carga de trabalho doméstico. Para Vilma, por exemplo, não há carga de trabalho a ser diminuída, visto que a utilização das tecnologias domésticas ocorre em atividades de lazer e dessa maneira, estas tecnologias são sempre avaliadas por esta participante dentro deste contexto. Para Luzia, cujas tecnologias domésticas possuem outro significado – o de diminuir os efeitos da dupla jornada de trabalho – as tecnologias são assim avaliadas e por este critério adquiridas, como pode-se verificar em seus relatos sobre “prioridades”. Estas considerações ajudam a compreender os distintos significados simbólicos que as participantes atribuem à atividade de cozinhar, o que influencia diretamente na qualidade da interação com as tecnologias domésticas e nas prioridades de uso destas (BIFANO, 2012).

Eliete, por sua vez, está localizada no grupo intermediário em número de eletrodomésticos, e a explicação para tal segue os dois pontos levantados: primeiro, porque

74 possui uma renda mensal familiar mais elevada que Luzia e segundo, porque prioriza a capacidade prática dos eletrodomésticos em “facilitar” as atividades domésticas cotidianas e assim, diminuir a dupla jornada de trabalho a que ela e suas irmãs estão submetidas. Esta é, segundo Silva (1998d) uma das principais linhas de abordagem das tecnologias em relação com o trabalho doméstico: para aquelas mulheres de classes mais baixas que vivem a condição da dupla jornada de trabalho, as tecnologias têm demonstrado potencial em diminuir a carga de trabalho doméstico.

Pensando na condição de idosas das participantes e no potencial de contribuição das tecnologias domésticas na promoção da autonomia, observa-se que as mulheres das classes mais baixas encontram-se em uma situação maior de desigualdade (AMARAL JUNIOR e BIFANO, 2012). Segundo estes autores, aquelas mulheres com menor renda familiar mensal têm menos poder aquisitivo e consequentemente, um número menor de tecnologias domésticas em suas residências, realidade que pode ser verificada com a caracterização das três participantes do estudo. Luzia, com menor renda, era a que tinha também o menor número de eletrodomésticos, embora fosse, de antemão, a participante mais envolvida com atividades domésticas cotidianas. Estes dados são coerentes, uma vez que um eletrodoméstico de linha branca de categoria popular pode chegar a custar13 mais de um terço da renda mensal desta participante, e exige, dessa maneira, planejamento mais detalhado em sua compra, que Luzia relatou fazer por uma ordem de “prioridades”. Esta privação no acesso às tecnologias domésticas pelas idosas de classe mais baixa, aliada à incapacidade de arcar com a terceirização dos serviços, colocam estas idosas em uma situação de exclusão maior do que aquelas pertencentes às classes mais elevadas (AMARAL JUNIOR e BIFANO, 2012).

Quanto à tecnologia doméstica do estudo, Luzia era a única das participantes que não possuía forno de microondas em sua residência, e relatou no início do estudo não possuir nenhum interesse em comprar um. Já Vilma e Eliete, apesar de possuírem forno de microondas em suas residências, apresentaram um quadro de distinção: Eliete possuía um forno de microondas da marca Sanyo, que a família adquiriu acerca de 20 anos, e relatou ser utilizado para aquecer e descongelar alimentos. Já Vilma possuía um microondas da marca Panasonic, comprado a cerca de 10 anos, que já era o segundo modelo que a família possuía. O primeiro, trazido dos Estados Unidos era “muito grande e pesado” e por isso foi substituído. Vilma também relatou um quadro de utilização do forno de microondas bastante

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Pesquisa feita em 18/04/2013, cujo preço médio de uma geladeira era R$1.100,00 e de uma máquina de lavar roupas automática era de R$ 990,00.

75 distinto do descrito por Eliete: além de utilizar o produto para aquecer e descongelar alimentos, a participante disse fazer diversas receitas no forno de microondas, como carnes, massas, vegetais, dentre outras.