5. ESKİ KÜLTÜRLERDE MASKENİN YERİ
5.1 Kara Afrika
5.1.2 Kara Afrika’da Fetişler ve Maske
O termo tecnologia começou a ser introduzido no Brasil com a criação dos cursos de engenharia e arquitetura nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, embora a terminologia já
34 fosse utilizada em outros países (CARVÃO, 2006). Tecnologia pode ser de forma simples definida como “a ciência da técnica”. A diferença entre tecnologia e técnica está no fato de que a primeira representa uma meta-técnica, mais ampla e menos momentânea. A tecnologia pressupõe então a sistematização do conhecimento da técnica com um outro conhecimento, por exemplo, de materiais e/ou outros métodos (CARVÃO, 2006)
Para Norman (1993), compreender o que significa tecnologia requer o entendimento de outros conceitos. Dentre eles, o de artefato, que este autor define como qualquer coisa inventada por humanos com o propósito de melhorar o pensamento ou ação, conceito similar ao apresentado por Béguin e Rabardel (2000). Sob esta ótica, tecnologia diz respeito ao conhecimento empregado na criação dos artefatos e reproduzido durante sua utilização. No entanto, apesar de aparentemente simples, para estudar tecnologias é necessário compreender o termo sob dimensões distintas: técnica, psicológica e social.
A dimensão técnica da tecnologia, segundo Norman (1993) está relacionada à função que esta assume nas atividades dos sujeitos, geralmente ligadas ao auxílio ou substituição de uma capacidade humana. Ressalta, entretanto, que historicamente os seres humanos têm conseguido com sucesso conceber tecnologias para auxílio ou substituição daquelas capacidades em que são ruins, mas em contrapartida têm encontrado muitas dificuldades em conceber tecnologias que auxiliem ou substituam aquelas capacidades em que são melhores – como, por exemplo, o pensamento criativo. Esta dimensão técnica, no entanto, acompanha desde a era pré-histórica as dimensões psicológicas e sociais da tecnologia, de forma indissociável, embora tenham existido momentos em que uma dimensão era tomada como mais importante do que a outra, e assim, tornava-se foco central dos estudos e pesquisas científicas (NORMAN, 1993).
A tecnologia, no contexto da atividade mediada, faz parte da mediação, direta ou indiretamente, conforme o recorte de análise. Dessa maneira, a tecnologia está inserida na atividade, possibilitando variados níveis de mediação. Seria, portanto, a representação do desenvolvimento da humanidade no que tange às mediações físicas e cognitivas, e através de seu uso, as potencialidades humanas foram e continuam sendo constantemente ampliadas (NORMAN, 1993). No entanto, é preciso ter cuidado nesta discussão. Isso porque, ao se considerar o ser humano como social e histórico, e que as atividades são resultados diretos destas caraterísticas, é necessário compreender as tecnologias também como uma construção social e histórica (BIFANO, 2012; CARVÃO, 2006; SILVA 1998a, 1998b).
35 Para um determinado grupo de autores5, as tecnologias estão intimamente relacionadas com o mundo da produção, principalmente no contexto das sociedades capitalistas ocidentais. A explicação estaria dada no fato de que o conhecimento tem se desenvolvido mais em função de melhorias da produção e paralelo a este movimento os avanços conquistados acabam sendo aplicados em outras esferas da vida social, como por exemplo, na vida doméstica. A concepção das tecnologias estaria então relacionada a uma determinada ideologia que reflete o conhecimento empregado em sua construção (BIFANO, 2012; CARVÃO, 2006). Assim considerando, conhecimento científico, perceptivo, social, cotidiano, técnico, político e filosófico se fundem no processo de construção das tecnologias, gerando um resultado que se distancia da neutralidade (CARVÃO, 2006). As tecnologias, como, por exemplo, os eletrodomésticos presentes nas atividades cotidianas, podem trazer uma carga ideológica que muitas vezes representam os interesses e a visão de mundo de um grupo específico da sociedade, geralmente aquele classificado como dominante (SILVA, 1998a, 1998b, 1998c, 1998d).
A tecnologia também ganha sentido no contexto social a que se insere, podendo assumir muitos significados distintos. É o caso da discussão cada vez mais frequente das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (nTICs) e sua contribuição para a inclusão de parcelas da população consideradas excluídas, como aqueles das classes mais baixas e os idosos (UNESCO, 2008). Em contraposição, destaca-se a discussão da força igualmente excludente que estas mesmas tecnologias podem exercer sobre estes grupos quando não são bem compreendidas e estudadas nos contextos em que estão inseridas (PEIXOTO e CLAVAIROLLE, 2005). Esta dimensão de análise leva à reflexão de que, além do conhecimento e significado impresso por aqueles que a concebem, a dinâmica existente na vida em sociedade e no caráter ativo dos sujeitos durante sua utilização pode modificar e recriar os significados de uma tecnologia.
Compreender as tecnologias como uma construção social auxilia a entender o lugar que esta ocupa nas atividades dos sujeitos. Também demonstra como o estudo do desenvolvimento e inserção de determinada tecnologia na vida dos sujeitos pode auxiliar na compreensão da dimensão social de determinado artefato. Dessa maneira, o presente estudo define como tecnologia os artefatos socialmente construídos que, na aplicação do conhecimento humano, têm a finalidade de assumir no curso da atividade o status de instrumento, com o objetivo de modificar ou auxiliar na modificação do objeto da atividade.
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36 A proposta deste trabalho trata ainda de uma categoria específica de tecnologias, as tecnologias domésticas, e como tais, precisam de considerações à parte. O termo tecnologias domésticas refere-se às tecnologias que dão suporte à vida e às atividades domésticas (SILVA, 1998a). Esta autora subdivide as tecnologias domésticas em três grupos distintos, sob a ótica da divisão sexual do trabalho, a constar: tecnologias de infraestrutura, mercadorias e eletrodomésticos.
As tecnologias de infraestrutura são aquelas que, como o próprio nome se refere, fornecem uma estrutura para funcionamento de outras tecnologias. Estas tecnologias geram um grande impacto no universo doméstico, visto que modificam as condições das atividades realizadas e permitem a introdução de novas tecnologias – e neste movimento transformador modificam a própria vida em sociedade, gerando novas possibilidades e também novos problemas (AMARAL JUNIOR e BIFANO, 2011). Muitas vezes, é por causa da introdução deste tipo de tecnologia doméstica que se torna possível trazer ao universo doméstico tecnologias de outra natureza, como os eletrodomésticos e as mercadorias.
Os eletrodomésticos são aquelas tecnologias que foram criadas para o auxílio ou execução de uma atividade doméstica (SILVA, 1998a). Vale ressaltar que esta execução nunca é total, de forma que dispense a participação humana – primeiro, porque sem sujeito não há atividade (LEONTIÉV, 1978; BIFANO, 1999; BÉGUIN e RABARDEL, 2000); e segundo porque mesmo nos casos onde há grande nível de automatização das tarefas, a presença dos sujeitos é fundamental para as tomadas de decisão e supervisão do curso da atividade (NORMAN, 2010). O desenvolvimento dos eletrodomésticos, em uma visão holística, só é possível com o advento de outras tecnologias que possibilitam sua criação como, por exemplo, a tecnologia dos motores, da prensa em plástico e etc. Sua utilização doméstica também só é possível graças ao desenvolvimento de algum tipo de infraestrutura, como por exemplo, água encanada e energia elétrica (AMARAL JUNIOR e BIFANO, 2011).
Por último, têm-se as tecnologias definidas como mercadorias, que representam bens processados e serviços (SILVA, 1998a). Estas mercadorias representam um grupo mais diversificado, que vão desde os alimentos minimamente processados aos produtos de limpeza. Para Bifano (2012), esta classificação é confusa visto que os eletrodomésticos podem também assumir valor de mercadoria. Segundo esta autora, ao serem adquiridos, uma gama de outros fatores são considerados, como por exemplo, seu valor social e o status que estes carregam. Estas características estão refletidas, por exemplo, nas propagandas em que os atributos técnicos ganham mais destaque do que a capacidade de “trabalho”. Este aspecto demonstra
37 porque as tecnologias domésticas devem ser compreendidas como distintas daquelas tecnologias de uso produtivo ou público: há uma lógica de utilização e aquisição própria ao universo doméstico e que se diferencia das demais tecnologias, sendo a multiplicidade de significados de uma tecnologia – ora eletrodoméstico, ora produto mercadológico – um exemplo dessa complexidade (BIFANO, 2012).
Outro ponto a se considerar é que a forma como a vida doméstica e as atividades cotidianas dos sujeitos estão organizadas influenciam nas maneiras como estes significam as tecnologias domésticas que estão inseridas em seu dia a dia (BIFANO, 2012). Isso porque não é somente a utilidade técnica da tecnologia que importa, mas seu lugar alternado na vida dos sujeitos como produto e mercadoria (BIFANO, 2012), sua aparência e significado social (BIFANO, 2012; NORMAN, 2008) e também o significado pessoal que cada sujeito atribui ao seu uso (BIFANO, 2012; PEIXOTO e CLAVAIROLLE, 2005).
Assim, as dimensões técnicas, psicológicas e sociais das tecnologias domésticas possuem uma complexidade própria, que deve ser considerada ao se estudar o processo interativo dos sujeitos com este tipo de artefato tecnológico. O estudo deste processo interativo, de natureza complexa, é abordado na seção a seguir.