ASPB Taşra Teşkilatı Cinsiyet Dağılımı
MAHALLİ İDARELERDE SOSYAL YARDIMLAR
A pessoa inteira é alma e corpo e, por ser uma unidade, em sua constituição implica um processo formativo. A força do interior trabalha para formar o corpo e a alma segundo um arquétipo próprio. O corpo necessita de material estrutural do mundo material e a alma necessita também de material estrutural, mas de outro tipo, o espiritual132. Os órgãos que procuram e recebem a matéria necessária são os sentidos e o intelecto. Ambos possuem uma força interior profunda, que na língua alemã chama-se Gemüt (sentimento), que sente que provisões têm ou não valor constitutivo para si. Reconhece o que convém ou não para si. O que convém é assimilado no mais profundo da alma e cresce com ela. Assim, a alma cresce, se enriquece e se amplia, mas ao mesmo tempo também cresce o mundo, no qual pode atuar, configurando-o (STEIN, 1932/2003).
O órgão da alma que lhe abre ao mundo é o intelecto. Ele é ao mesmo tempo ativo e passivo. Ativo na medida em que elabora a própria riqueza intelectual pelo instrumento da vontade. Passivo na medida em que recebe algo de fora, mas não o torna próprio. Os bens culturais têm uma participação importante nesse processo.
Os bens culturais são concebidos por ela como produtos do espírito humano, suscitados por sua atividade criativa, mas que têm uma existência autônoma, desvinculada de seu autor. No entanto, uma parte da vida espiritual está misteriosamente impregnada neles e podem ser assimilados pela alma que tem
132 O termo espiritual, nesse aspecto, não tem nenhuma ligação com o aspecto religioso, mas diz
respeito ao material produzido apenas pelos seres humanos, a partir do uso livre de suas capacidades intelectivas e volitivas.
contato com eles. Os bens culturais, dessa forma, tornam-se bens de formação, à medida que são elaborados pelo intelecto, de modo ativo. Tratando dessa questão, Stein afirma:
A formação não é uma posse externa de conhecimentos e, sim, a forma que a personalidade humana assume sob a influencia de múltiplas forças vindas de fora, ou então o processo dessa moldagem. O material a ser moldado é constituído de um lado pelas aptidões físicas e psíquicas com que o ser humano nasce, pelo material que lhe é constantemente acrescentado de fora e que deve ser assimilado pelo organismo. O corpo retira esse material do mundo físico, a alma do ambiente espiritual, do mundo das pessoas e dos bens de que deve alimentar-se. (STEIN, 1999a, p. 137)
Para Stein, no ser humano, o material a ser formado não é uma material inerte, como argila na mão do artista ou rocha que sofre a ação das intempéries, mas uma raiz viva em formação que, semelhante a uma planta, possui em si mesma uma força invisível, uma força germinativa que tende a uma determinada direção, que amadurece a partir desse germe, até assumir uma personalidade madura e bem desenvolvida, com características individuais claramente definidas. Acrescenta ainda que mesmo as plantas não dependem apenas de fatores internos para seu desenvolvimento, mas de fatores externos, como o tipo do solo, o clima etc.
A criança humana, com suas aptidões físicas e psíquicas e suas tendências internas, se vê colocada nas mãos de formadores humanos. Para que possa cumprir o seu destino, a criança depende dos nutrientes que devem ser fornecidos ao seu corpo e à sua alma para que possa desenvolver-se, de alimentos que podem ser digestos ou indigestos, saudáveis ou tóxicos. Uma parte essencial de todo o processo de desenvolvimento refere-se à formação dos órgãos de que tanto o corpo como a alma necessitam para absorver e assimilar sua alimentação. (STEIN, 1999a, p. 137)
Stein considera de suma importância no processo formativo que sejam despertadas as potências existentes na alma, mas diz que uma das peculiaridades dos órgãos da alma é porque nela as forças só podem ser despertadas quando impulsionadas por um material correspondente:
[...] os sentidos por meio da atenção, da distinção e comparação de cores e formas, sons e ruídos, etc., a inteligência por meio da tarefa de pensar e conhecer, a vontade por atos volitivos (opção, decisão, renúncia, etc.), a afetividade pelas emoções, etc. É, portanto, a atribuição de tarefas, que vêm de fora, que contribui para a formação das forças (STEIN, 1999a, p. 137).
Dito de outra forma, mas com o mesmo sentido:
[...] os sentidos operam com as impressões que recebem e processam, a razão com os pensamentos, a vontade pelas potências que lhe são características, o ânimo pela variedade de emoções, disposições e posicionamentos. Para tudo isso são necessárias determinadas motivações que ponham as forças em ação. (STEIN, 1999a, p. 117)
Torna-se, portanto, primordial, para Stein, que as potências existentes na alma sejam ativadas em vista de sua formação. Mas como fazer para ativá-las?
Stein afirma que para certos movimentos basta um mero contato com o mundo exterior, com as coisas, as pessoas, situações para ativar as forças formadoras existentes na alma. A isso ela chama de influências espontâneas ou aleatórias.
Além dos fatores aleatórios, existem também as intervenções sistemáticas, planejadas, e esse é o lugar da educação, pois como Stein acredita:
O espírito humano está direcionado à criação, à compreensão e ao gozo da cultura. Ele não é capaz de desenvolver-se plenamente se não tiver contato com a diversidade dos campos da cultura, e o indivíduo não poderá alcançar a meta de sua vocação se não chegar a conhecer o campo que lhe é indicado por seu talento natural. [...] por isso é missão especifica da escola introduzir [as crianças] nos campos da cultura e ativar suas forças formadoras. (STEIN, 1999a, p. 240)
A condição prévia para todo e qualquer trabalho de formação é essa: “existe a possibilidade de ajudar de fora as forças formadoras que vêm de dentro” (STEIN, 1999a, p. 143). Dessa forma, o trabalho formativo deve proporcionar intervenções sistemáticas para ativar as forças naturais.
Sua tarefa consiste, essencialmente, na obtenção das matérias de formação necessárias à alma para acionar suas forças: dar tarefas ao intelecto e à vontade, colocar o ânimo em contato com aquilo que é capaz de motivá-lo e de preencher a alma internamente. Esse é o mundo dos valores: o bem, o belo, o nobre, o sagrado, os valores específicos próprios de cada alma como tal e de sua qualidade individual. (STEIN, 1999a, p. 118)
Seria desastroso no processo formativo deixar a pessoa entregue a si mesma, contando apenas com suas aptidões naturais; isso poderia inclusive atrapalhar o processo de desenvolvimento previsto internamente, não chegando à sua plena realização: “A mão formadora que intervém de fora para aparar os rebentos nocivos ou para cortar-lhes a nutrição está a serviço dessa formação” (STEIN, 1999a, p. 138). Dessa forma, o processo formativo exige “orientação e direção [...] para a instrução e educação consciente e livre, eventualmente de acordo com um plano” (STEIN, 1999a, p.118).
Assim como no reino vegetal e no reino animal, no ser humano também ocorre a atrofia. Aquilo que não se desenvolve de modo adequado, que não recebe a atenção devida, permanece atrofiado, não se concretiza. Em relação aos seres humanos, considera que “tudo o que a alma não consegue assimilar e processar em seu interior deixa de ser formativo, deixa de ser um valor, transformando-se um peso morto ou até prejudicial” (STEIN, 1999a, p. 252).
Chama atenção a preocupação de Edith Stein de despertar os ouvintes de suas conferências e cursos, em geral formados por professores e futuros professores, para a necessidade de que todas as dimensões do ser humano serem devidamente formadas para não se atrofiarem. Como a formação da mulher ocupou lugar central em sua atuação pedagógica, chamou-nos atenção suas colocações sobre a importância da educação formal da língua e da afetividade, que abordaremos de modo sintético.