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(3) ÇOCUK HİZMETLERİ Koruyucu ve Önleyici Faaliyetler
Foto 13: Cemitério do Convento das irmãs Dominicanas, em Speyer.
Fonte: Arquivo pessoal da autora.
Em nossa visita à Speyer, fomos monitorados por uma Irmã dominicana que nos apresentou os lugares principais do Convento que tiveram relevância na
passagem de Edith Stein por aquele local. Visitamos a sala de aula, a capela, o quarto, os jardins, os corredores, o acervo, entre outros; mas uma informação, dita dentre as demais, ressoou de modo particular naquela visita. Embora não tenha dado ênfase àquela informação, a irmã dominicana nos disse que o local preferido de Edith Stein naquele lugar era o cemitério, onde costumava sentar-se com frequência e permanecer por longos períodos. É comum em ordens religiosas, em especial nas que vivem em regime de clausura, a existência de um cemitério, onde os religiosos que ali residem são enterrados. Mas como um cemitério poderia ser o local preferido para uma pessoa estar? O que aquele local tinha de tão especial para Stein?
Grün (1998) diz que São Bento, em sua regra, aconselha os monges a manterem a morte diariamente diante dos olhos pois, para ele, o pensar na morte liberta-os de todo medo: “O pensar na morte tira de nós o medo porque paramos de depender do mundo, de nossa saúde, de nossa vida. O pensar na morte também nos possibilita viver e experimentar conscientemente cada momento como dádiva e saboreá-la dia a dia” (GRÜN, 1998, p. 109). Por ter sempre a morte diante dos olhos, o monge torna-se livre das preocupações mundanas, do julgamento e das expectativas dos homens, a grande expectativa para a qual deve voltar-se é para a vinda do Senhor, ou sua parusia: “A serenidade jovial, a liberdade, a confiança e a sinceridade para o momento presente forjam o monge que anseia pelo Senhor” (GRÜN, 1998, p. 110).
Não podemos afirmar com precisão, mas acreditamos que esse ensinamento foi apresentado a Stein pelo seu diretor espiritual, o beneditino Rafael Walzer, que conheceu durante o tempo em que morou em Speyer, por quem nutria forte apreço. Desenvolveu tamanha afinidade com a espiritualidade beneditina que, ao ingressar no Carmelo, incluiu “Benedita” em seu nome, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz.
Grün prossege dizendo que em muitas sentenças monásticas recomenda-se que é necessário primeiro morrer para o mundo, a fim de estar à altura das tarefas que o mundo apresenta:
Quando me identifico plenamente com minha tarefa ou faço com que minha auto-estima dependa de eu ser ou não capaz de realizá-la, não poderei realmente dominá-la. A fixação em minha tarefa me bloqueia. Eu não sou livre para empreendê-la, porque preciso de qualquer forma executá-la corretamente. O medo de poder vir a fracassar atrapalha a boa execução da tarefa. Morrer significa abandonar a identificação com a tarefa. Somente então eu me torno livre para realizá-la bem. Pois já não depende tudo do fato de como eu a executo [...] olho para minhas tarefas que tenho a realizar, mas não sou estas tarefas. Tenho raiva, mas não sou minha raiva. (GRÜN, 1998, p. 111)
A identificação e a lembrança da própria morte quer lembrar também que o ser humano torna-se tanto mais livre quanto mais deixar de depender da aprovação dos outros, uma vez que se constantemente depender do elogio dos outros continuará sempre insatisfeito, pois nesse aspecto, o ser humano é insaciável.
O que devemos experimentar é que em nós há uma dignidade divina cuja existência independe de as pessoas nos elogiarem ou nos repreenderem. Somente a experiência desta dignidade divina em nós nos torna livres diante do elogio e da repreensão. Não se trata de uma renúncia que nos impomos a duras penas, mas é expressão de nossa experiência interior. (GRÜN, 1998, p. 113)
Grün finaliza sua exposição sobre a importância que tem para os monges manterem a morte diante dos olhos, afirmando ser também necessário o desprendimento em relação aos outros, o que chama “estar-morto perante os
outros” como condição previa para uma boa convivência.
Precisamos desprender-nos de nós mesmos e de nossas ideias sobre a vida, pois assim há de abrir-se um novo espaço para novas possibilidades para nós. Precisamos desprender-nos do outro, pois assim será possível um verdadeiro relacionamento. Quando, numa amizade, uma pessoa se prende demais à outra, com o passar do tempo o relacionamento se tornará impossível. Uma amizade só poderá subsistir enquanto um se desprende do outro, enquanto um deixa o outro livre e vice-versa. (GRÜN, 1998, p. 116)
Ao ler esta citação, lembramos de um momento em que Stein, em sua autobiografia, fala sobre sua saída de Breslau, sua cidade natal, onde cursou quatro
semestres na universidade e mudou-se, em seguida, para a Universidade de Gotinga. Assim ela se remete a esse fato:
Durante quatro semestres estudei na Universidade de Breslau. Participei da vida dessa “alma mater” como poucos estudantes o faziam, e me parecia que estava enxertada nela de tal modo que não poderia separar-me voluntariamente. No entanto, nessa, como mais tarde em tantas outras vezes na vida, pude romper os laços tão aparentemente fortes com um simples movimento, e voar livre como um pássaro que rompe sua atadura. (STEIN, 1964/2002, p. 325)
Esse movimento de desprendimento que Stein afirma ter feito tantas vezes ao longo da vida, vai se aprimorando cada vez mais, em um processo de amadurecimento humano e espiritual. Esse desprendimento vai pouco a pouco tornando-se uma vivência consciente e intencional. Desprende-se de pessoas, de coisas, das visões de mundo e até mesmo de sua própria vida, realizando em sua existência a Palavra que tantas vezes a confrontou: “Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (Jo, 12, 24-25).
A aparente dureza dessas palavras, não intimidam Edith Stein, pois aí residia o segredo da verdadeira liberdade: perder para ganhar. Estar livre dos medos, das posses, das expectativas humanas para acolher o segredo de Deus sobre a sua vida e o modo particular que tinha para lhe revelar, na intimidade, a verdade sobre ela mesma. Acolheu em sua vida a Vontade de Deus, como a única capaz de realizar todas as suas expectativas e a via da plenitude, pois era Ela a plena realização de si mesma.
Os momentos passados ao lado dos túmulos das irmãs dominicanas, lembravam-na que sua vida era finita, que um dia ela também passaria. Ajudavam- na a superar sua estreiteza humana e a lançar o olhar para o infinito, pois como afirmava São Paulo: “se é só para essa vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (I Cor. 15, 19).
A proposta pedagógica e formativa de Edith Stein bebe diretamente dessa fonte, nas raízes do cristianismo, uma proposta que começa aqui, mas que não tem
um fim terreno: o transcende. O sentido de formação em Edith Stein tem, pois, como fim último a vida eterna.