KONULARINA GÖRE SÖZ VARLIĞI KARŞILAŞTIRMASI VE DEĞERLENDİRMELER
2.3. Madenler, Mineraller, Kimyevi Maddeler Maddeler
A partir dos anos 2000, o debate acerca do papel do Estado como agente indutor do desenvolvimento retorna. Entretanto, coloca em questão a tese defendida
pelos antigos desenvolvimentistas cepalinos que propunham que a “industrialização apoiada pela ação do Estado seria a forma básica de superação do subdesenvolvimento latino-americano” (COLISTETE, 2001, p.21). Erber (2008; 2011) indica que existiram, a partir de 2002, duas convenções hegemônicas em operação: a ortodoxa liberal e a neodesenvolvimentista. Ambas compartilhariam a preocupação com o controle rígido da política macroeconômica em busca de estabilização econômica, mas difeririam quanto ao conteúdo social de seus programas.
Mas o que seria este neodesenvolvimentismo? Uma referência, além de ações concretas do governo a partir de 2000, pode ser o documento produzido por uma série de economistas, dentre eles Bresser-Pereira (2010) e Bielschowsky (2010), chamado “Dez Teses sobre o Novo Desenvolvimentismo13”. Este documento apresenta as
seguintes teses para que se tenha uma estratégia do “nacional desenvolvimentismo”: a) O desenvolvimento deve ser entendido como estrutural;
b) O Estado deve ter um papel estratégico em relação à regulação das instituições financeiras, investimento produtivo e competitividade internacional;
c) O planejamento estratégico deve ser essencial ao desenvolvimento;
d) As noções de crescimento dos salários abaixo da produtividade, da sobrevalorização da taxa de câmbio e de criação de poupança doméstica devem ser centrais nas estratégias do governo;
e) O projeto de desenvolvimento deve priorizar também a recuperação da noção de pleno emprego e da estabilidade de preços e financeira como metas primordiais da política econômica, para dar sustentação ao projeto.
Arruda Junior (2012) tece várias críticas tanto ao desenvolvimentismo quanto ao neodesenvolvimentismo, ao relacionar o significado teórico e as consequências práticas dessas duas expressões do pensamento econômico a seus respectivos contextos históricos. O autor considera o desenvolvimentismo como:
[...] um termo vago utilizado para designar o pensamento crítico sobre os dilemas e os desafios do desenvolvimento nacional nas economias latino- americanas enredadas no círculo vicioso da dependência e do subdesenvolvimento. O centro dessa reflexão consiste no esforço de equacionar os nós que devem ser desatados para que a expansão das forças produtivas possa ser associada à solução dos problemas fundamentais da
13 Dez Teses sobre o Novo Desenvolvimentismo. Disponível em: http://cemacro.fgv.br/link-de-
interesse, acessado em 14/07/2014. Os principais signatários desse documento são intelectuais e políticos com atuação significante no meio acadêmico, intelectual e político.
população. Nessa perspectiva, acumulação de capital, avanço das forças produtivas e integração nacional constituem aspectos indissolúveis de um mesmo problema: criar as bases materiais, sociais e culturais de uma sociedade nacional capaz de controlar o sentido, o ritmo e a intensidade do desenvolvimento capitalista. O desenvolvimentismo foi, portanto, uma arma ideológica das forças econômicas e sociais que, no momento decisivo de cristalização das estruturas da economia e da sociedade burguesa, se batiam pela utopia de um capitalismo domesticado, subordinado aos desígnios da sociedade nacional [...]. (ARRUDA JUNIOR, 2012, p.674).
O autor discorda de Bresser-Pereira e dos economistas citados acima ao afirmar que o neodesenvolvimentismo não é uma estratégia coerente, justamente por partir do suposto de que o crescimento é a chave para o enfrentamento das desigualdades sociais, confundindo, assim, desenvolvimento e crescimento como fenômenos não distintos. “As controvérsias dizem respeito às formas de superar os aspectos “negativos” e ao modo de combinar os aspectos positivos” (ARRUDA JUNIOR, 2012).
Ou seja, para o autor, ao ignorar as contradições estruturais que regem o movimento da economia brasileira, o neodesenvolvimentismo incorre num vulgar reducionismo economicista e simplesmente renuncia a problemática do desenvolvimento capitalista que não considera os aspectos sociais, pois:
[...] o impacto devastador da ordem global sobre o processo de formação da economia brasileira não é considerado. Tampouco são examinados a fundo os efeitos de longo prazo da crise econômica mundial sobre a posição do Brasil na divisão internacional do trabalho. A discussão não ultrapassa o horizonte da conjuntura imediata. (ARRUDA JUNIOR, 2012, p. 679).
Erber (2008) também critica as estratégias de desenvolvimento no Brasil nos anos 1990, os projetos de desenvolvimento do governo a partir de 2000 e a evolução do que denomina “convenções desenvolvimentistas”. Para o autor, esses projetos do governo também tinham como objetivo uma política “focalizada” de redistribuição de renda, como a do Programa Bolsa Família. Havia uma tensão entre as exigências técnicas de controle inflacionário e de estabilidade cambial e as políticas de expansão de crédito e redistribuição de renda, o que fez com que o governo, segundo o autor, restringisse a agenda institucionalista à estabilização de preços e deixasse o Banco Central no epicentro da política macroeconômica.
Erber (2011) e Arruda Junior (2012) concordam que a centralidade dada ao Ministério da Fazenda, durante esse período, perdurou nos governos seguintes e contribuiu para colocar em execução projetos políticos distintos, mas com forte teor economicista, isto é, marcados por ortodoxia macroeconômica.
Atualmente, existem estudos, que indicam a necessidade de uma nova concepção, particularmente no Brasil, defendendo o Estado como agente indutor do desenvolvimento. No entanto, não nos moldes das teses defendidas pela primeira geração desenvolvimentistas e neodesenvolvimentista, mas buscando uma análise que incorpore o político e o social ao econômico.
Ambas não conseguiram traduzir-se em diminuição das diferenças sociais, pois as realidades vêm apresentando anomalias sociais ou estruturais locais e globais. É necessário que se reavalie o papel do Estado como alternativa para buscar um desenvolvimento não apenas econômico. Hoje, a discussão está polarizada em duas concepções: a primeira, dentro da esfera da economia, incorporando a natureza na cadeia de produção, que passa a ser um bem de capital; a segunda, em quebrar a hegemonia do discurso pautado apenas no crescimento econômico, ou seja, para além de uma visão instrumental acerca do desenvolvimento.
Para Arruda Junior (2012), o desenvolvimentismo (ou estratégia nacional de desenvolvimento) e o neodesenvolvimentismo são duas expressões do pensamento puramente econômico (ARRUDA JUNIOR, 2012, p.663). Ao concordarmos com o autor, consideramos, ainda, que existe a necessidade de consolidar tal afirmação e de entender primeiro, no caso do Brasil, alguns motivos institucionais que não contribuem nem mesmo com essas duas estratégias.
Buscaremos ampliar o debate acerca das abordagens apresentadas acima, mostrando que o desenvolvimento econômico não será possível caso o papel do estado como indutor deste for entendido apenas como consolidador de instituições financeiras. O Estado deve ser capaz de entender e dinamizar também as relações verticais e horizontais no processo de busca de desenvolvimento, seja ele econômico ou social. Portanto, toda a contextualização a respeito da discussão sobre estratégias, origem e teorias sobre o desenvolvimento se faz necessária, para demonstrar as raízes dos pensamentos e a necessidade de refletir acerca do desenvolvimento a partir de outros atores que compõem a estratégia, relacionando-as com ações do Estado, para produzir efetivamente um desenvolvimento coordenado por ele.
O enfrentamento do desafio de desenvolvimento regional, como é o caso analisado, tende a ocorrer de forma desigual no país e até mesmo entre municípios de um mesmo estado. Neste sentido, é necessário criar um patamar inicial de instrumentos que coloque os governos minimamente em condições de implantação e execução das políticas de iniciativas regionais. Paralelo a isso, os governos estaduais
têm de encontrar o seu nicho de atuação, pois a indefinição de suas funções é um dos maiores problemas do federalismo brasileiro (ABRÚCIO; FERENZE, 2011).
Fischer (2012), em recente estudo, afirma que os espaços locais a partir de seus governos subnacionais devem torna-se um instrumento capaz de contribuir para o desenvolvimento do país. Mas isso só acontecerá quando existir, de fato, um aperfeiçoamento do pacto federativo brasileiro, para que este se torne um instrumento de articulação entre o desenvolvimento nacional com o desenvolvimento regional. Segundo o autor, existe no Brasil a necessidade de uma inovação institucional e de procedimento, para que sejam concebidos instrumentos de intervenção pública descentralizada, ancorados em uma forte cooperação entre o governo e as suas regiões, para o estabelecimento de objetivos comuns de maneira conjunta e para a escolha dos setores do desenvolvimento local a serem estimulados.