3.4. ÖDEME EMRİNE KARŞI İTİRAZ İMKÂNI (DAVA AÇILMASI)
3.4.6. Dava Açma Nedenleri
3.4.6.7. Madde 58’de Sayılan Hukuka Aykırılıkların Ayrıca
Apolônia estuda na EJA há dois anos; tem contato com computador, mesmo sem usá-lo, há cerca de seis a sete anos; porém, usa o computador há apenas um ano, “mais frequentemente do ano passado pra cá, aqui na escola. Lá em casa mesmo eu tenho e não utilizo”; o uso ou utilidade do computador que mais lhe desperta o interesse é a ajuda em fazer compras e acha que as aulas de Informática na escola lhe ajudam nisso, ela fala “olha, eu utilizo muito... é... poder olhar um site pra poder comprar, sabe? Na... n’alguma loja, alguma coisa. Mas pra Orkut, e-mail, esses negócios, eu não utilizo não. Eu nem tenho. É mais é pra compra... aí... pra utilizar mesmo”; utilizava o computador antes das aulas de Informática na escola somente com o e-mail; diz que se sentiu mais estimulada e encorajada a usar o
computador depois das aulas de Informática na escola; acha que passou a usar melhor o computador depois que teve aulas de Informática na escola “porque o pouco que eu tô aprendendo aqui dentro eu sirvo como... utilizar o computador na minha casa”; acha que passou a usar melhor outras tecnologias depois que teve aulas de Informática na escola e ressalta “até comprei meu MP14”; ao ser perguntada se acha que as aulas de Informática trouxeram algum impacto na sua vida, fala “eu acho que sim, eu acho que está tendo”; ao ser indagada sobre sua experiência com o computador antes e depois da escola, relata:
“Eu acho que tenho dificuldade, entendeu? Pra tá mexendo, né, na máquina, no computador, porque eu ainda não tive a oportunidade de fazer um curso, entendeu? Na minha casa eu não tenho, as irmãs, a minha mãe também não tem, não tem conhecimento nenhum, eu sou a única pessoa com minha mãe. Então, não tenho, não tive oportunidade... nem financeira, entendeu? Nem de comprar... ou então de tá fazendo um curso... agora que eu tô podendo, vou ver se eu faço um curso, né, ou alguma coisa.”
Em seu questionário, Apolônia havia escrito que “foi aqui que eu tive a primeira noção de como usar um computador”. Então, pedi que ela me falasse um pouco mais sobre isso e ela relata:
“eu não sabia nem ligar um computador. Entendeu? Aonde que... apagava,
que é... que mudava as teclas para maiúsculo e minúsculo, eu não tinha noção de nada, de nada mesmo. Aí, no ano passado, foi... meu namorado me deu um note book, comecei a ter as aulas aqui, então eu tô mexendo lá...”
Eu perguntei a ela se agora já usa o computador com mais facilidade. Apolônia responde que sim e que “hoje em dia eu sei até entrar a Internet, utilizar o Google, né? pra poder pesquisar”.
Tanto a entrevistada Aparecida quanto a Apolônia, além de outros que serão mostrados adiante, falam do interesse em utilizar o computador com acesso à Internet para fazer pesquisa, seja sobre saúde, para cotar um preço ou conhecer um produto antes de comprar algo, para se informar melhor sobre algum tema trabalhado na escola ou sobre conhecimentos gerais.
Encontramos no trabalho de Eduardo Dias, Madalena Naves e Maria Aparecida Moura (2001), que, na década de 1990, tanto o aumento da disponibilidade de textos em formato digitalizados quanto os poderosos mecanismos de buscas pela Internet pareciam ser a solução para o problema da falta de acesso
e à pesquisa de informações. Contudo, a comunidade científica tinha dificuldades em encontrar dados que fossem relevantes às suas pesquisas, devido à variedade de informações encontradas e destinadas a diferentes perfis dos seus usuários, que fugia à especificidade desejada a certa investigação.
Nas entrevistas com os educandos pesquisados na E. M. Venda Nova, o interesse pelo uso da Internet para a realização de pesquisas aparece por diversas vezes. Nas observações realizadas durante as aulas de Informática dessa escola, foi possível verificar que, mesmo passados mais de dez anos dos dados da pesquisa de Dias, Naves e Moura (2001) e que hoje os sistemas de busca estarem bem mais aperfeiçoados, as esperanças dos educandos da EJA em encontrarem facilidades na busca das informações desejadas também esbarram nas mesmas dificuldades apontadas pelos pesquisadores de localizarem o que procuram, devido ao pouco e recente contato que eles têm com as TIC.
Algumas das formas de pesquisa observadas nesses educandos da EJA também se assemelham com a pesquisa de Dias, Naves e Moura (2001) com os docentes pesquisadores na década de 1990, já que o uso da biblioteca e o contato com os auxiliares de biblioteca da escola ou com bibliotecários de outras bibliotecas são raros, mesmo com a biblioteca aberta durante o dia e à noite. Eles criam métodos próprios de pesquisa a partir da Internet, dos livros que possuem em casa (muitas vezes dos filhos e outros parentes) ou ainda por meio de canais informais, como no contato com colegas.
Ao terminar a entrevista, Apolônia fala do seu interesse em melhorar no uso das TIC, inclusive de fazer agora algum curso de informática e que não pensava nisso antes:
“Eu acho que tenho dificuldade, entendeu? Pra tá mexendo... né? Na
máquina, no computador, porque eu ainda não tive a oportunidade de fazer um curso, entendeu? Na minha casa eu não tenho, as irmãs, a minha mãe também não tem, não tem conhecimento nenhum, eu sou a única pessoa com minha mãe. Então, não tenho, não tive oportunidade... nem financeira, entendeu? Nem de comprar... ou então de tá fazendo um curso... Agora que eu tô podendo, vou ver se eu faço um curso, né, ou alguma coisa.”
Apolônia não foi a única entrevistada que manifestou o desejo em fazer um curso de informática, fora da escola, para aperfeiçoar a utilização de computadores, como veremos mais adiante. Pelo que podemos verificar, foi a iniciação à informática
através da escola que incentivou os educandos a quererem buscar essa especialização.