2.5. ÖDEME EMRİNİN TEBLİĞİ
2.5.3. Ödeme Emrinin Tebliğ Edileceği Kişiler
O uso da informática nas aulas das escolas municipais de Belo Horizonte não é uma prática comum de muito tempo. Encontramos algumas pesquisas recentes que tiveram como foco as TIC nessa rede pública de educação. É provável que isso se deva a só existir uma maior quantidade de instituições escolares dessa rede utilizando os computadores em sua prática pedagógica a partir do início deste século XXI, o que levou a despertar interesses de se investigar sobre esse assunto. Contudo, uma das escolas de EJA da região administrativa de Venda Nova já utilizava o computador desde a década de 1990. Porém, nessa época quase não havia escolas da RME-BH que usufruíam dessa tecnologia com seus educandos.
Uma pesquisa feita por Brasileiro (2003), com jovens entre 20 e 24 anos de idade que estudavam a noite em uma escola municipal da RME-BH, focalizou: o acesso desses educandos às TIC, as possibilidades de inclusão ou exclusão deles aos meios digitais, suas percepções e seus sentimentos frente a questões relativas ao uso dessas tecnologias. A pesquisadora apontou que esses jovens sofriam influências das TIC, mas não as utilizavam em sua prática social, pois seu uso era eventual.
Em sua pesquisa, Schulman (2004) tratou da formação continuada de professores de uma escola municipal de Belo Horizonte. Eles tinham a função de serem multiplicadores de sua formação para o uso de tecnologias digitais na educação. O enfoque dessa investigação foi a formação do corpo docente por intermédio do uso das tecnologias e a sua consequente utilização junto ao corpo discente:
“Os professores multiplicadores atuam, em geral, diretamente com os
alunos. A concepção de informática na educação está vinculada ao projeto pedagógico da escola. Num primeiro momento, o ProInfo prevê que os multiplicadores atuem junto aos professores da escola para que os mesmos possam ter conhecimento do equipamento e dos programas para, posteriormente, utilizá-los em suas aulas. Num segundo momento, prevê a utilização das atividades pedagogicas. Portanto, o foco do trabalho é a informática em educação e não aulas de informática, embora ao trabalhar as atividades, também se instrumentalizam alunos e professores paralelamente, pois é impossível manejar a máquina sem conhecer seu funcionamento.” (SCHULMAN, 2004, p. 61).
Laranjo (2008) analisou o impacto causado pelas TIC sobre o trabalho docente na EJA da RME-BH e o modo pelo qual os docentes incorporam essa tecnologia em sua prática pedagógica. Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de se discutir, de maneira mais profunda e coletiva, a estrutura organizacional das escolas municipais de modo a possibilitar que seus tempos e espaços sejam mais flexíveis e acessíveis à incorporação das tecnologias.
Recentemente, Pedroso (2008) pesquisou sobre as possibilidades e desafios no contexto da EJA, a partir da informação e da prática pedagógica de professoras atuantes no contexto do EJA-BH, implementado pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. A investigação teve como objetivo discutir a relação que há entre informação e prática pedagógica dos educadores do EJA-BH e a pesquisadora pode constatar que a informação para esses docentes é elemento primordial para que eles tenham um melhor desenvolvimento de sua prática pedagógica. A autora relata que as professoras entrevistadas “recorrem a fontes variadas de informações para subsidiá-las na elaboração das atividades a serem desenvolvidas em sala de aula, dentre as quais: livros, jornais e revistas, Internet, rádio e televisão” (PEDROSO, 2008, p. 117), além de outros materiais do cotidiano dos educandos.
Outra recente investigação, produzida por Loyola (2009), que tratou sobre o ensino de Arte, as tecnologias contemporâneas e a escola pública, também foi realizada em escolas públicas da RME-BH. O autor apresenta as dificuldades em se trabalhar o conteúdo de Arte, que é a sua área de atuação, mas que estende a outros componentes do plano curricular. Loyola (2009) percebeu que não basta à escola que tenha somente os computadores instalados, é necessário que haja condições adequadas à sua utilização, pois:
“O uso das tecnologias contemporâneas pelos professores e alunos nas
atividades na escola depende de outros fatores, imprescindíveis para a sua efetivação, além do conhecimento dos equipamentos e de uma atitude crítica em relação ao uso dos mesmos. A quantidade de computadores instalados no laboratório de informática, a qualidade e especificidades técnicas e operacionais dos equipamentos e suporte técnico e pedagógico paras as atividades são alguns deles. Os defeitos nos computadores, a proporção inadequada de computadores por aluno e a conexão lenta com a Internet prejudicam o desenvolvimento das atividades, na opinião dos professores. Torna-se quase impraticável o gerenciamento de turmas com trinta alunos ou mais em atividades no laboratório de informática com dez ou doze máquinas em funcionamento e disponíveis para o uso.” (LOYOLA,
Na escola em que realizei a investigação, alguns das dificuldades apontadas por Loyola (2009) estavam superadas, outras não. A quantidade de computadores instalados era relativamente adequada, pois havia 20 equipamentos destinados a menos de 30 educandos por turma, mais um computador para o educador, o que possibilitava trabalhar com duplas ou individualmente, em determinados momentos. Os defeitos dos computadores eram raros, pois havia uma boa conservação por parte dos educandos e educadores. Contudo, em algumas vezes havia demora quando se necessitava de atendimento técnico de manutenção, que era terceirizado pela PBH, chegando, às vezes, até em torno de 30 dias, além de defeitos reincidentes que eram aparentemente consertados, mas retornavam frequentemente, mesmo em equipamentos novos. A maior dificuldade era a baixíssima velocidade de comunicação pela intranet e Internet, como foi apontado pela entrevistada Letícia quando ela faz um apelo à PBH para resolver esse problema, descrito no capítulo 5.
A insatisfação quanto à qualidade do atendimento técnico aos equipamentos da Sala de informática, usada pelos educandos de outra escola da RME-BH, também é encontrada na investigação de Gontijo (2008):
“De acordo com um dos professores, a Empresa de Informática e
Informação do Município de Belo Horizonte (PRODABEL) - empresa responsável pela assessoria técnica nessa área, em escolas municipais de BH - tem dificuldades para atender as demandas dessas escolas, pois o número de escolas municipais com LI cresceu bastante desde 2001.”
(GONTIJO, 2008, p. 115).
Costa (2004) escreveu um artigo sobre a utilização das TIC em contexto educativo e as razões mais frequentes para justificar o seu fraco uso. Nesse trabalho ele trata da necessidade de investimentos para que seja feita a introdução das tecnologias nas escolas, de maneira que se tenha o seu funcionamento com as necessárias despesas com telecomunicações, manutenção dos sistemas e formação de pessoal. Se não há investimento financeiro suficiente para se equipar as escolas com padrões desejáveis e com apoio de uma forma sustentada ao processo, serão “inevitáveis as diferenças de apetrechamento e consequente desigualdade em termos de oportunidades de acesso à informação e ao conhecimento que elas
proporcionam” (COSTA, 2004, p. 20), o que, segundo o autor, alguns chamam de “info-exclusão”.
Gontijo (2008) procurou saber qual seria a natureza da formação para o uso das TIC na EJA. Ela analisou as suas condições de utilização, seus objetivos e quais contribuições trariam aos educandos e educadores. Os estudos empíricos, que foram realizados em uma escola da rede pública municipal de Belo Horizonte, que oferta exclusivamente a modalidade de EJA, procuraram conhecer as condições em que se desenvolvem as práticas de uso das TIC na Escola e as vozes dos sujeitos que as utilizam nesse espaço. Em suas análises, Gontijo (2008) apontou que educadores e educandos consideram as TIC como inovações na realidade de EJA, adotam posturas diferentes frente a essas tecnologias e consideram que o uso das TIC contribui para o aumento da autoestima dos educandos e para uma maior frequência à escola. Contudo, algumas das dificuldades quanto ao uso das TIC na escola municipal pesquisada, que foram percebidas a partir de suas entrevistas, são destacadas pela autora: o pouco acesso da instituição aos recursos financeiros e físicos, como equipamentos, por exemplo, e “a falta de suporte técnico por parte do Programa e da SMED-BH. [...] essas dificuldades vêm sendo superadas, em parte, através da pressão política de um grupo de professores [...] que efetivamente se envolvem com o trabalho” (GONTIJO, 2008, p. 105). Em outra de suas entrevista, Gontijo (2008) nos conta que
“a política de governo orienta a implementação do laboratório, em alguns
casos oferece cursos para os professores utilizarem determinados softwares, mas não há uma proposta de formação e acompanhamento contínuo do trabalho com as TICs nas escolas, o que minimiza o interesse da maioria em participar, pois, além do ‘medo da máquina’, convivem com a insuficiência de formação para o seu uso, algo que não se resolve a curto prazo” (GONTIJO, 2008, p. 113).
A partir das entrevistas que fez com sete professores, que “na maioria das vezes, utilizam a televisão e o vídeo para apresentação de filmes e a NET para orientar seus alunos em pesquisas solicitadas em sala de aula” (GONTIJO, 2008, p. 119), identificou que, “apesar das condições consideradas ‘inadequadas’ em termos de infraestrutura e suporte técnico, entre outras, cinco deles buscam utilizar as TICs no processo ensino-aprendizagem desenvolvidos em suas disciplinas.” (GONTIJO, 2008, p. 118).
Na relação do educador com o educando da EJA, por meio da intermediação pedagógica proporcionada pelas TIC, Gontijo (2008) destaca: alguns profissionais utilizam os equipamentos para ilustrar e exemplificar os conteúdos trabalhados em sala de aula; outros, por entenderem que o aprendizado dessas tecnologias favorece a (re)afirmação de direitos dos sujeitos, enquanto experiência da cidadania, além de contribuir com o aumento da autoestima dos educandos, ao construir algumas habilidades com as diversas tecnologias demandadas pelo mundo do trabalho. A autora afirma que todos os educadores entrevistados consideram que a escola deve propiciar a formação de seus educandos da EJA “para o uso das TICs, especialmente o uso do computador, a fim de que usufruam o seu direito social à apropriação do patrimonial cultural da humanidade e ampliem o seu repertório informacional.” (GONTJO, 2008, p. 124).
Para iniciar esta investigação, que agora venho apresentar, fiz um breve levantamento em 2009 sobre o uso da informática nas seis escolas de EJA da regional Venda Nova108, por meio de um pequeno questionário respondido por e- mail e telefone. Apurei que todas essas seis instituições escolares possuem uma sala de aula com equipamentos de informática, a quantidade de equipamentos em cada uma varia entre 12 e 18 em cada sala. Esses dados serão trabalhados adiante, no capítulo 5.
108Enquanto havia 6 escolas de EJA em Venda Nova em 2009, neste ano de 2011 elas são em um total de 14.