1. AHMET SAKİ (DERİN)
1.2. Ahmet Saki (DERİN) Bey’in Faaliyetleri
1.2.3. Maarif ve Kültür
As funções sociais do ensino relacionadas à construção da cidadania ao longo dos anos foram atribuídas também à Universidade, e é preciso considerar que a formação acadêmica também ganha desdobramentos transformadores – novas funções sociais e dimensões políticas. Num momento inicial, o primeiro a transformar-se é o indivíduo, o graduando, que se encontra num espaço privilegiado para isso:
[...] a universidade, com todas as suas contradições, tem sido um lugar privilegiado para a construção do conhecimento com a finalidade de oferecer ao ser humano, historicamente situado, condições de reconhecer a sua própria condição humana e de desenvolver competências para construir, individual e socialmente, um viver melhor (MELO NETO, 2002, p. 28).
Para Síveres (2013), a Extensão Universitária pode ser considerada uma diretriz institucional, entre a variedade de entendimentos. É um processo mediador de construção do conhecimento, uma atividade que, no percurso da aprendizagem, considera valores éticos, políticos e epistemológicos da instituição vivenciados no cotidiano dos sujeitos, nos processos instituídos entre acadêmicos e comunidade e nos resultados individuais e coletivos.
A realização dessas atividades, portanto, deve ter como principal objetivo a formação do cidadão e a construção de melhores condições de cidadania, considerada como um processo educacional (CHAUÍ, 2003).
No contexto citado por Síveres (2013), esse princípio deve estar vinculado também ao projeto social da instituição, que se torna a razão do acolhimento de milhares de jovens, formando-os intelectual e profissionalmente, com o objetivo de atuar de modo profissional competente e de maneira cidadã consciente.
Partindo do pressuposto de que as universidades têm por objetivo zelar pelo aprendizado e pela construção do conhecimento em um indivíduo consciente de seu papel na sociedade, são necessárias pesquisas que apresentem de forma mais concreta a contribuição dessas instituições para o aprimoramento pessoal de seus educandos, pelo menos quanto às atividades de extensão universitária.
Segundo Alvarez (1996), ao participar de um projeto o aluno está envolvido em uma experiência em que o processo de construção do conhecimento está integrado às práticas vivenciadas. Esse aluno deixa de ser, nessa perspectiva, um aprendiz do conteúdo de uma área
de conhecimento qualquer. É um ser humano que está desenvolvendo uma atividade complexa e que, nesse processo, está se apropriando, ao mesmo tempo, de um determinado objeto de conhecimento cultural e se formando como sujeito cidadão, corresponsável pelo lugar em que atua.
Tavares e Freitas (2012) realizaram uma pesquisa de estudo de caso na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus IX – Barreiras, em 2010 e 2012, com os docentes e discentes dos cursos de licenciatura. O objetivo principal foi compreender o funcionamento da Extensão Universitária na formação dos profissionais que atuarão na educação básica. Os cursos tinham como objetivo a formação dos sujeitos das comunidades de forma diversa, e deixavam claro que o professor também fazia parte do público-alvo das ações. Em função da regionalização da extensão, houve ênfase em ações voltadas às comunidades rurais.
A investigação permitiu aos autores a percepção de que: a extensão é responsável pela construção de um conhecimento significativo; esse conhecimento é resultante do processo de interação entre universidade e sociedade; a formação deve ser integral, de modo que possa acompanhar as transformações do contexto social; o professor deve passar por essa experiência na formação, pois ela lhe permitirá relação mais íntima com o contexto educacional.
Em sua dissertação de mestrado em Serviço Social, Villar (2011) teve como objetivo apreender como é vista a Extensão Universitária na UFRN, avaliando a importância dessa atividade na formação acadêmica cidadã por meio da observação das ações realizadas pelo corpo docente, discente e técnico-administrativo da instituição e da comunidade externa, na área temática de direitos humanos e justiça. Foi realizada uma entrevista no período delimitado: 2008-2010. A extensão universitária, em relação à formação cidadã, foi considerada pelos entrevistados uma ferramenta para qualificar o envolvimento, principalmente dos discentes, nas ações, bem como para promover a articulação da universidade com as comunidades. Buscou-se, na interação dialógica, na troca de saberes e na convivência acadêmica e popular, informar, apoiar e prestar assessoria na perspectiva das transformações sociais. Nesse enfoque, a dimensão cidadã da extensão se dá a partir da participação do aluno durante sua formação, na ação refletida na comunidade e também nas parcerias com os movimentos sociais e órgãos governamentais, tanto quanto com a população.
Com base nessas reflexões, pode-se dizer que as iniciativas e avanços obtidos na universidade apontam a extensão universitária como atividade imprescindível para a formação cidadã e como espaço privilegiado de compromisso social da universidade. No entanto, o caminho ainda é longo para materializar uma extensão universitária que responda às demandas sociais com resultados e impactos favoráveis.
3 MÉTODO
Propôs-se a realização de uma pesquisa de natureza qualitativa, com caráter exploratório. Conforme apontado por Minayo (2008, p. 57),
O método qualitativo é o que se aplica ao estudo da história, das relações, das crenças, das representações, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam. [...] Se conforma melhor a investigações de grupos e segmentos delimitados e focalizados, de histórias sociais sob a ótica dos atores [...] Permite desvelar processos sociais ainda pouco conhecidos e propicia a construção de novas abordagens, revisão e criação de novos conceitos e categorias durante a investigação. Caracteriza-se pela empiria e sistematização progressiva do conhecimento até a compreensão da lógica interna do grupo estudado.
Às ideias de Minayo pode ser acrescentado o que Oliveira (2007, p. 35) avalia: “[...] permite a pesquisa qualitativa um processo de reflexão e análise da realidade através da utilização de métodos e técnicas para compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico e/ou segundo sua estruturação”.
Minayo e Sanches (1993, p. 239) consideram que “Um bom método sempre será aquele que, permitindo uma construção correta dos dados, ajude a refletir sobre a dinâmica da teoria”.
Optou-se pela pesquisa qualitativa devido ao seu caráter exploratório, pois abre espaço para a interpretação dos discursos dos sujeitos e permite livre pensamento a propósito do tema. Além disso, esse tipo de pesquisa favorece o aprofundamento da coleta de dados do ponto de vista qualitativo, pois permite contrapor percepções e promover a reflexão por parte dos componentes do grupo, que fazem exposição dessas percepções e reflexões no decorrer da realização da discussão do grupo.
Nesse sentido, esta pesquisa caracteriza-se como dedutiva, porque se procura compreender como se desenvolvem ideias e entendimentos a partir de padrões encontrados nos dados, e da análise documental, no que se refere à Legislação fundamentada junto às Leis de Diretrizes da Educação, em vez de simplesmente coletar dados para comprovar hipóteses e teorias pré-concebidas.