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16. HAYVAN BESLEME

16.4. MĠNERAL EK YEMLERĠ

Diante da perspectiva crítica do desenvolvimento do capitalismo na agricultura, expõem-se as ideias defendidas por Vladimir Lênin (1870-1924), com a obra O desenvolvimento do capitalismo na Rússia e Karl Kautsky (1854-1938), com a obra A questão agrária, ambos publicados em 1899, os quais defenderam a tese da eliminação social do campesinato com o avanço do capitalismo; porém, ressalta- se que as teses destes marxistas devem ser compreendidas no quadro das lutas políticas em que se inseriam, em vez de serem consideradas como leis universais e objetivas do desenvolvimento do capitalismo no campo.

Os autores mencionados desenvolveram suas teorias mais especificamente em meados do século XIX na Rússia4, no que tange à condição camponesa no modelo de desenvolvimento capitalista na agricultura.

Inicialmente, serão apresentadas as principais ideias de Lênin, que consistem na importância do trabalho assalariado, no contexto do campesinato russo para a compreensão do desenvolvimento da exploração agrícola capitalista. Lênin e os teóricos da Social-Democracia defenderam a estratégia política baseada na transição direta da estrutura comunitária do campesinato para o socialismo, que seria materializada a partir da tendência dominante de dissolução do campesinato, nas duas classes básicas da sociedade capitalista. Estas proposições diferem completamente das argumentações apresentadas por Alexandre Chayanov e os populistas que se limitaram à teorização da lógica não capitalista sobre a família camponesa.

Lênin (1985), afirmou que o camponês era definido pela tragédia de seu destino social e seria extinto pela própria dinâmica capitalista de diferenciação entre os produtores, quando o camponês é considerado apenas como pequeno patrão ou futuro proletário. Lênin também demonstrou que a desintegração do campesinato já era um fato e o desenvolvimento das contradições presentes resultavam em uma nova classe social.

Nesta lógica, o processo de proletarização seria total ou parcial, uma vez que as pequenas propriedades abarcavam uma massa de indivíduos paupérrimos, os quais ao possuírem um lote de terra, eram obrigados a assalariarem-se para viver, não totalmente expropriados. Mas deixavam de ser camponeses; isto referenda a destruição radical do antigo campesinato patriarcal e a criação de novos tipos de população rural.

O campesinato antigo não se ‘diferencia’ apenas: ele deixa de existir, se destrói, é inteiramente substituído por novos tipos de população rural que constituem a base de uma sociedade dominada pela economia mercantil e pela produção capitalista. Esses novos tipos são a burguesia rural (sobretudo, a pequena burguesia) e o proletariado rural – a classe dos produtores de mercadorias na agricultura e a classe dos operários agrícolas assalariados. (LÊNIN, 1985, p. 114).

4 Lênin em seu estudo sobre o desenvolvimento do capitalismo na Rússia e a formação de um

mercado interno para a grande indústria, apresenta um contexto inteiramente distinto da Europa, onde a produção capitalista já se consolidara, como sustenta Iamamoto (2008).

Todavia, o empobrecimento do campesinato não foi um obstáculo para a expansão capitalista. Segundo o autor, o importante para o desenvolvimento capitalista é a demanda originada pelos próprios capitalistas, ou seja, a crescente transformação da mais-valia em capital constante, com um rápido crescimento do setor de bens de capital.

Lênin entende que a “economia natural” ao se abrir para a produção mercantil tende a se dissolver nas fileiras do proletariado rural, restando uma pequena fração para a transformação em produtores capitalistas. Para ele, o processo de expansão do capitalismo foi, concomitantemente à criação do mercado para a produção capitalista, um processo de destruição de estruturas socioeconômicas velhas e a criação de novas.

Assim, a comunidade camponesa desintegra-se e originam as “novas” classes sociais: três segmentos nitidamente diferenciados e com interesses conflitantes: “os camponeses ricos (que vão compor a burguesia rural), o campesinato médio (grupo menos desenvolvido que seria eliminado) e os camponeses pobres (que vão formar o proletariado camponês).” (LÊNIN, 1985, p. 17).

Lênin classifica os camponeses em ricos, de médias posses e pobres, utilizando como critério principal a compra e venda da força de trabalho. Um camponês rico compra força de trabalho adicional; um de médias posses se baseia na sua e na de sua família, e um pobre é obrigado a vender durante um ano a sua força de trabalho para poder subsistir. (PONTES, 2005, p. 38).

O campesinato médio se distingue pelo menor desenvolvimento da produção mercantil e sob o impacto do desenvolvimento capitalista deve dissolver em trabalho assalariado ou ser transformado em exploração capitalista, conforme salienta Stoffel (2004). O camponês médio, ao contrário dos camponeses pobres, não se tornou proletário e também não se tornou burguês, mas guarda em si os germes das duas tendências. É uma classe vacilante, com influências do feudalismo, mas não foge à tendência universal do desenvolvimento capitalista. O camponês sobrevive e contrai dívidas a serem pagas pelo trabalho; procura rendas suplementares que advêm da venda da força de trabalho e a cada colheita ruim, sabe-se que massas de camponeses são lançadas nas fileiras do proletariado. “Ocorre um fenômeno próprio

da economia capitalista: a eliminação dos componentes médios e a intensificação dos extremos – a descamponização.” (LÊNIN, 1985, p. 118).

Argumenta que o velho campesinato não apenas se diferencia, mas está sendo totalmente dissolvido, deixando de existir e sendo deslocado por tipos de população rural totalmente novos, por tipos que constituem a base da sociedade, na qual domina a economia mercantil e a produção capitalista. Sob estes dois tipos, o autor denomina de burguesia rural e proletariado rural, ou seja, a classe dos produtores de mercadorias na agricultura e a classe dos trabalhadores agrícolas, assalariados.

Com essa desintegração põe-se fim à natureza do estatuto da casta do campesinato, sendo este um processo determinado pelas relações agrárias na direção do capitalismo em que os camponeses estão permeados por contradições inerentes à economia mercantil e capitalista. Segundo Lênin, a situação econômica e social em que se insere o campesinato russo é a da economia mercantil em que “o camponês está inteiramente subordinado ao mercado, depende dele tanto para seu consumo pessoal como para sua atividade, sem falar dos impostos”. (1985, p. 112-

113).

Além dos aspectos da desintegração do campesinato, Lênin também estava interessado em mostrar que o desenvolvimento capitalista na Rússia se tornaria irreversível, tanto no campo da indústria como na esfera da agricultura. A separação entre as indústrias transformativas e as extrativas, a separação entre a manufatura e a agricultura, transforma a própria agricultura em uma indústria, ou seja, num ramo econômico que produz mercadorias.

O desenvolvimento da produção mercantil e do capitalismo é decorrente da divisão social do trabalho que;

Consiste em diferentes tipos de transformação de matérias-primas e de diferentes operações que se realizam nesta transformação se separando sucessivamente da agricultura e constituem ramos independentes da indústria, trocando seus produtos convertidos em mercadorias pelos produtos agrícolas. Desse modo, a própria agricultura torna-se indústria, isto é, passa a produzir mercadorias e fazendo que nela o mesmo processo de especialização se efetive. (LÊNIN, 1985, p. 32).

Em síntese, Lênin (1985), argumenta que o crescimento da produção mercantil põe fim às pequenas unidades econômicas, próprias da economia natural e reúne os mercados locais em um grande mercado nacional e, depois mundial. A

produção para si converte-se em produção para toda a sociedade e quanto mais alto é o desenvolvimento do capitalismo, mais intensa se torna a contradição entre o caráter social da produção e o caráter privado de apropriação. Assim, o capitalismo substitui a antiga dispersão da produção por uma concentração sem precedentes, quer na agricultura, quer na indústria, cria assim, a dependência pessoal do produtor não apenas na agricultura, mas também na indústria de transformação.

Não só Lênin, mas também Karl Kautsky, no âmbito teórico marxista, consideravam as leis do capitalismo como tendências gerais válidas para todos os setores produtivos, inclusive a agricultura. Não havia razão para supor que a forma de produção camponesa ficasse livre, inatingível e/ou apresentasse qualidade ou atributos econômicos e sociais superiores no processo de expansão do capital, conforme aponta Stoffel (2004).

Apesar de Kautsky não dedicar atenção especial ao trabalho assalariado, propriamente dito, como fez Lênin, sua obra decorre da teorização da exploração familiar no contexto da subordinação agroindustrial e não deriva de qualquer teorização da dinâmica contraditória do processo de trabalho na exploração familiar. A questão principal do seu debate consiste na ênfase da dependência da agricultura em relação à indústria, na qual o camponês estaria reduzido à condição de um trabalhador disfarçado, isto é, exerce o mesmo papel de proletário, não desaparecendo como defendeu Lênin (WILKINSON, 1986).

Karl Kautsky, adepto de um marxismo científico e objetivista5, demonstra em sua obra, a superioridade da grande exploração capitalista sobre a propriedade familiar e a inutilidade de qualquer trabalho político de frear o movimento inelutável que o capitalismo promove de expropriação camponesa. Procura provar em suas reflexões “que onde os camponeses sobrevivem não é sinônimo de eficiência, mas de superexploração pelo fato de venderem seus produtos a preços que não cobrem sequer a sua própria subsistência.” (ABRAMOVAY, 1998, p. 46).

Para o autor Kautsky, os aspectos acima são demonstrados quando há superioridade técnica e econômica da grande produção e a inferioridade da pequena produção em que a proletarização do camponês era a tendência universal de

5 O materialismo objetivista concebe a evolução social como a arma mais favorável em favor da

transformação socialista da sociedade. A compreensão de Kautsky decorre de que a iniciativa revolucionária não vem de uma posição de classe nas lutas sociais, mas do lugar ocupado no processo de produção, considera a evolução uma “lei” de inevitabilidade física, exterior e material que só faz assegurar a mudança social, como assinala Amin e Vergapoulos (1977).

desenvolvimento capitalista; isto se traduz à medida em que foram criadas condições técnicas e científicas da agricultura racional e moderna, a qual surgiu com o emprego de máquinas e deu-lhes, pois, a superioridade da grande exploração capitalista sobre a pequena exploração camponesa.

A superioridade técnica da grande exploração era evidente, dado o maior potencial da sua divisão interna de trabalho e, portanto, dos ganhos de sua especialização produtiva. As causas desta superioridade, conforme Kautsky (1986) derivavam também do tipo de organização dessas propriedades, onde não havia o desperdício de trabalho e meios de produção que ocorriam na pequena exploração; da possibilidade de uso mais intensivo de instrumentos e máquinas modernas; do trabalho humano especializado empregado; dos animais especializados que possuem para cada tarefa; da possibilidade de desenvolvimento das forças produtivas; a união entre indústria e agricultura; o acesso a créditos institucionalizados e a possibilidade de compra e venda em grande quantidade e menores preços.

Nas relações entre agricultura e indústria, na ideia de ‘industrialização da agricultura’, há impossibilidade de o pequeno estabelecimento agrícola incorporar as conquistas técnicas, organizacionais e econômicas à disposição dos capitalistas e, portanto, a tendência é que o grande e não o pequeno produtor se integre com a indústria.” (ABRAMOVAY, 1998, p. 46). Assim, o campesinato não desaparecerá, principalmente porque a sua existência é funcional para o desenvolvimento capitalista no campo, pela reserva de mão-de-obra que representa. Logo, o camponês persiste, mas está sempre subordinado à empresa capitalista e na atualidade pode-se referir à empresa capitalista por excelência, a representada pela agroindústria.

Kautsky dá ênfase à subordinação da agricultura à indústria, em que há uma articulação entre a exploração familiar e a agroindústria que reduz o camponês à condição de um trabalhador disfarçado, como já citado.

Desta forma, o camponês de dono de sua própria produção agrícola, converte-se, ele próprio, em um apêndice da produção industrial tendo de submeter-se às demandas desta última, onde se transforma em parte, em um operário. (KAUTSKY, 1986, p. 286).

Observa-se que isso contrasta com a análise leninista da agroindústria, que focaliza o papel dela como estímulo adicional à consolidação das explorações rurais

capitalistas de larga escala, particularmente em consequência das novas demandas impostas pela qualidade da produção.

O sistema de produção capitalista, geralmente se desenvolve primeiro nas cidades, mais especificamente na indústria. A agricultura neste primeiro momento, foge da sua influência mais direta, mas aos poucos a evolução da indústria consegue modificar o caráter de produção rural e a agricultura passa a ser um ramo da indústria, subordinando a natureza ao capital.

Kautsky (1986) argumenta que só a indústria capitalista se reveste de grande superioridade de modo a eliminar rapidamente a indústria doméstica do camponês que produz para seu próprio uso e sustento. O quanto mais determinado processo avança, mais se desagrega a indústria doméstica e mais aumenta sua necessidade de dinheiro, não apenas para comprar coisas dispensáveis e supérfluas, mas também para coisas necessárias, ou seja, não se pode mais lavrar a terra e nem prover a sua manutenção sem dinheiro.

Neste sentido, constata-se que o capitalismo ao expandir-se até o campo provoca a concentração de riqueza, a exemplo da indústria. As grandes propriedades absorvem as pequenas propriedades camponesas e ocorre a proletarização das camadas mais pobres do campesinato. Assim, a tendência lógica é a proletarização do campesinato, em que a indústria subjuga a agricultura e fica evidente a industrialização da agricultura.

Para Kautsky, a concorrência capitalista impunha que a pequena produção camponesa não poderia existir isoladamente e que não haveria espaço para os proletários permanecerem no meio rural, devendo empregar-se nas indústrias, onde a pequena produção agrícola familiar podia subsistir, mas na condição de subordinação à indústria.

Em síntese, o autor afirma que não se deve pensar que a pequena propriedade se encontra em fase de desaparecimento da sociedade ou que será desalojada completamente pelo latifúndio, mas sim o pequeno estabelecimento agrícola se mantém porque não é considerado um concorrente deste último mas, porque deixa de ser um vendedor e passa à condição de comprador do produto que o grande estabelecimento ‘produz em excesso’. “A mercadoria que ele mesmo produz em abundância é precisamente o meio de produção de que o grande estabelecimento agrícola tanto necessita, ou seja, a mão-de-obra.” (KAUTSKY, 1986, p. 147).

Do ponto de vista oposto, Alexandre Chayanov (1888-1939), defende que o campesinato não é simplesmente uma forma ocasional e transitória fadada ao desaparecimento, mas ao contrário, mais que um setor social trata-se de um sistema econômico, sobre cuja existência é possível encontrar as leis de reprodução e de desenvolvimento. Diferentemente do trabalhador assalariado, o camponês é um “sujeito criando sua própria existência.” (CHAYANOV, apud ABRAMOVAY, 1998, p. 59).

Alexandre Chayanov, agrônomo, economista e membro da Escola de Organização e Produção Agrícola na Rússia, desenvolveu uma nova visão sobre a agricultura camponesa que rompe com alguns postulados marxistas. O referido autor inova na análise da racionalidade específica do camponês que difere da racionalidade empresarial, o que não ficou evidenciado nos teóricos marxistas.

A corrente de pensamento econômico russo que foi denominada “Escola de Organização e Produção”6 nasceu antes da guerra e adquiriu notoriedade em face das profundas mudanças sociais e econômicas ocorridas na Rússia, após a revolução de 1905. Antes deste período, o estudo da exploração camponesa era encarado do ponto de vista do desenvolvimento econômico nacional, ou seja, interessava apenas como fonte de coleta de impostos, como mercado interno para os produtos da indústria urbana ou como fonte de força de trabalho barata para as cidades. (PONTES, 2005).

No entanto, esta situação começou a se modificar gradualmente na agricultura e em toda a economia no início do século XX. Na Rússia, formou-se um mercado interno à agricultura devido ao desenvolvimento das indústrias, com isso as relações de mercado e a natureza mercantil da exploração agrícola se ampliaram; o movimento cooperativo cresceu sem restrições e aumentavam os organismos de ajuda à agricultura, assim como os grupos ofereciam assessoramento. Assim, em diversas regiões do país vários autores começaram a discutir os diferentes problemas de organização e de produção agrícola, sustenta Pontes (2005).

6 A referida Escola, da qual Chayanov era o principal porta-voz, teve maior evidência depois da

publicação de O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia, de Lênin, e sua oposição a este apenas tomou a forma indireta de uma luta contra os “Marxistas Agrários” no contexto do período da Nova Economia Política, na Rússia pós-revolucionária. Enquanto Lênin defendia uma estratégia política baseada na transição direta da estrutura comunitária do campesinato para o socialismo, Chayanov e seus coautores se limitaram à teorização da lógica não capitalista da família camponesa. (WILKINSON, 1986).

Chayanov não era um formalista, mas tinha a preocupação em encontrar as leis de uma ciência geral; considerava que cada modo de produção necessitava de teorias regionais diferentes. A preocupação do autor era que não se podia compreender o campesinato ao imputar-lhe categorias que não respondessem às suas formas de vida. “Embora a unidade de produção camponesa lide com trabalho, bens de produção e terra, disso não decorre a presunção de que ela gera salário, lucro e renda da terra.” (ABRAMOVAY, 1998, p. 59).

Mesmo que houvesse muitas críticas a este autor, as quais alegavam que sua teoria era estática7 e não analisava a inserção da economia camponesa na sociedade nacional e no contexto internacional, construiu uma teoria que objetivava analisar a unidade familiar camponesa internamente, através de sua morfologia, isto é, dos processos organizacionais que são construídos a partir do comportamento dos membros da família, como salienta Pontes (2005).

Argumenta o autor acima, que Chayanov ao analisar a unidade econômica camponesa não se referia sob que destino tomaria e nem de sua concepção histórica e nacional, mas simplesmente compreender o que é a unidade econômica camponesa do ponto de vista da sua organização interna. Interessava saber a natureza proporcional das partes, como se obtém o equilíbrio orgânico, quais os mecanismos de circulação e a recuperação do capital no âmbito da economia privada, quais os métodos que determinam o grau de satisfação e de proveito e como reagem diante das influências dos fatores externos, naturais e econômicos que são aceitos como dados (PONTES, 2005).

Conforme Chayanov, estudar a unidade familiar camponesa é necessário para compreender a equação da relação existente no seio da família, entre os que trabalham e os que não trabalham. O que vai determinar o comportamento do camponês não é o interesse de cada um dos indivíduos que compõem a família, mas sim as necessidades decorrentes da reprodução do conjunto familiar.

7 Chayanov em resposta às críticas sobre uma teoria estática alega que no setor agrícola e da

organização da unidade camponesa é necessário esta teoria, tanto a nível da economia nacional e sua dinamicidade, como no âmbito do desenvolvimento histórico da economia. Acrescenta o autor que no sistema de Marx que não se descuida da dinâmica, podem ser encontrados vários elementos estáticos e técnicas de análise estática, sendo: a teoria do valor, a morfologia da circulação do capital, os processo de reprodução simples e da acumulação do capital, que são estáticos e construídos mediante análise lógica para em seguida serem utilizados na análise histórica e dinâmica da realidade. Assim, Chayanov alerta que está elaborando os elementos morfológicos estáticos da ciência das unidades econômicas camponesas. (PONTES, 2005).

Chayanov (1976), enfaticamente diz que o trabalho da família é a única condição possível para obtenção de recursos para um camponês, porque não existe o fenômeno social dos salários e por este motivo também está ausente o cálculo capitalista do lucro. O trabalho do camponês tem como finalidade a satisfação de suas necessidades tendo como balanço o consumo familiar e a exploração da sua força de trabalho.

Neste sentido, alega que não é o estudo da inserção na divisão social do trabalho e o papel que desempenha que explica o comportamento camponês, mas ao contrário, é pelo “estudo de seu comportamento que se pode compreender a maneira como ele enquanto “unidade subjetiva teleológica "se insere socialmente.” (ABRAMOVAY, 1998, p. 60). Pode-se dizer em outras palavras que o mercado, a disponibilidade de terras e o padrão tecnológico disponível são fatores dos quais o camponês se serve na montagem de seu objetivo econômico fundamental, mas não explicam por si só este objetivo e, portanto a conduta do camponês.

Contrariamente a uma empresa capitalista, no estabelecimento camponês, o critério de maximização da utilidade não é a obtenção da maior lucratividade possível em determinadas condições. O uso do trabalho camponês é limitado pelo objetivo fundamental de satisfazer as necessidades familiares e estas não se confundem forçosamente com as necessidades de uma empresa.

De acordo com Chayanov (1976), os princípios que definem a organização da unidade de produção camponesa são a inter-relação entre a organização da produção e as necessidades de consumo; a importância do trabalho familiar que não pode ser avaliado em termos de salário, pois o custo objetivo não é quantificável; e os objetivos e sentido da produção que são os de produzir valores de uso e não valores de troca.

Benzer Belgeler