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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.5. Mülakatların Analizi

Ao tratarmos do tema da violência contra LGBT somos levados a pensar os conceitos de preconceito, estereótipo, discriminação e estigma. Aspectos que demarca o quanto este segmento da sociedade sofre para se inserir plenamente no contexto social. Conceitos que se intercambiam no interior do fenômeno em tela, entretanto, as pessoas visualizam mais rápido e com força a noção de preconceito e os atos de discriminação, por serem mais visíveis, entretanto, os estereótipos e estigmas estão plenamente sinalizados em nossa cultura quando se apontam e diferencia as pessoas por seus trejeitos, modo de falar, enfim como elas se apresentam na cena pública. Na concepção de Santos (2004, p. 4), o preconceito e a discriminação “partem de ideias, sentimentos e atitudes negativas com relação a um grupo social e positivas em relação a outro grupo social (geralmente o grupo discriminador”).

A discriminação ocorre quando um grupo ou indivíduo age contra outro grupo ou indivíduo a partir de seus parâmetros, desconsiderando as especificidades do outro. A ação decorre de crenças prévias (preconceitos) sobre as qualidades do outro, quer seja física, financeira, intelectual, entre outras, através de atitude hostil ou negativa, baseadas em generalização deformada da realidade (ARONSON, 1999). Se considerarmos a questão da visibilidade que adquiriu os LGBT nas duas últimas décadas iremos notar que as lésbicas, por exemplo, sofrem mais com a invisibilidade social41. Este aspecto aparece no texto de Edward

MacRae (2005), que explora desde o quantitativo inferior de espaços voltados para o público lésbico, quanto à divergência que se desenvolve em relação às lideranças gays e lésbicas.

O preconceito e a discriminação produzem os estereótipos42 e os estigmas. Os

estereótipos aparecem como generalizações de aspectos negativos que alguns indivíduos

portam em relação à maioria, ou seja, como observa Henrique Pereira e Isabel Leal (2002),

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O psicólogo Fernando Braga da Costa pesquisou o fenômeno da invisibilidade social, quando estudou a situação dos garis que atuam no campus da Universidade de São Paulo (USP), para produzir sua dissertação de mestrado. O resultado foi publicado em livro, sob a denominação de “Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social!”, pela Editora Globo em 2004.

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Para o historiador Francisco José Alves, o aumento da violência contra LGBT em terras sergipanas criaria a “[...] oportunidade para vir à tona um componente perverso da sociedade: os estereótipos. No teatro destes dramas sangrentos vem a cena o ‘lugar’ que se destina àqueles cujos hábitos sexuais estão na contramão dos ‘bons costumes’. Os adeptos do homoerotismo devem vegetar no ‘folclore’, na clandestinidade ou no inferno da culpa, à mercê de assassinatos, tácita ou explicitamente aprovados pela opinião corrente” (ALVES, 1998, p. 2).

para que o homossexual se insira melhor na sociedade precisa ser menos homossexual, ou como apregoa a Teoria Queer, é necessário desfazer os estereótipos tradicionais, para que as diferenças que marcam a fronteira entre os heterossexuais sejam desfeitas (PEREIRA, 2002). Enquanto que o estigma se materializa através de um traço, de uma marca43, que tem a

capacidade de hierarquizar e desqualificar o indivíduo em relação ao grupo a que pertence. É um elemento de diferenciação, de exclusão (GOFFMAN, 1975).

A atenção dispensada aos estigmatizados, em geral, é o desdém, o desprezo. Atitudes que reforçam ainda mais a condição de isolamento e a constituição de linguagem e espaços de convivência específicos, favorecendo a formação de guetos44, onde os estigmatizados tendem a construir redes específicas de socialização capazes de minimizar os efeitos da reprovação social. Isso servia de alívio quanto à força dos estereótipos que carregam45. Mas, o advento da Aids rasgou o véu de muitos destes espaços, a exemplo das saunas e cinemas gays, que passaram a ser acusados de propagarem a enfermidade (HIV – vírus da imunodeficiência humana). O resultado foi o colapso destes espaços, que tiveram o fluxo de clientes dirimido a zero. A situação seria revertida somente nos anos 1990, quando a ciência ofereceu melhores condições de diagnóstico e tratamento da enfermidade.

A década de 1990 é o momento também da explosão ou boom do mercado GLS46. De novas discussões e reivindicações dos LGBT, entre as quais o reconhecimento de direitos

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Este aspecto é retratado por Jorge Caê Rodrigues, quando assevera que: “Por muito tempo, grande parte da sociedade tinha em seu imaginário a ideia de que os homossexuais eram pessoas mais refinadas, mais sensíveis, e estavam sempre ligados ao bom gosto e ao estilo. Crenças que eram fruto do preconceito e da intolerância. Tais características sempre foram, ao longo da história, atribuídas às mulheres, ao feminino. Desta forma, todo homem que fosse mais gentil ou demonstrasse sua sensibilidade era imediatamente visto como homossexual” (RODRIGUES, 2010, p. 502).

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Utilizamos aqui o conceito de gueto na assertiva de Júlio Assis Simões e Isadora Lins França (2005, p. 309- 310), quando afirmam que: “Gueto homossexual’ refere-se a espaços urbanos públicos ou comerciais – parques, praças, calçadas, quarteirões, estacionamentos, bares, restaurantes, casas noturnas, saunas – onde as pessoas que compartilham uma vivência homossexual podem se encontrar [...]”, para encontrar parceiros sexuais ou interagir com outros sem a costumeira reprovação social.

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Em relação aos homossexuais é pertinente o texto de Edward MacRae (2005), sobre o gueto em São Paulo, no período que se entende entre as décadas de 1960 e 1980. Gueto compreendido aqui como espaço de frequência homossexual, como bares, boates, discotecas e saunas localizados na zona central da cidade de São Paulo, que adquirem maior projeção a partir do processo de redemocratização do país, no fim da década de 1970. É um texto ilustrativo para se compreender os diversos aspectos que marcam a formação de uma cultura gay no país, desde os shows de travestis na década de 1950, a androgenia marcada pelos Secos e Molhados (Ney Matogrosso) e Dzi Croquetes, ao mercado gay. O gueto termina sendo revisto, não apenas como espaço de segregação, mas o quanto a visibilidade foi sendo constituída nestes espaços, como elemento de firmamento da identidade e das bandeiras de luta deste segmento social. Em parte, o gueto também simboliza o espaço de segurança e anonimato em relação a uma sociedade ainda fortemente marcada pela reprovação as práticas homossexuais. É um espaço em que o homossexual consegue encontrar condições para ir construindo sua identidade.

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Na década de 1990, o mercado voltado para os LGBT era denominado de GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), expressão que aludia a espaços e serviços voltados exclusivamente para atender a este público, como boates, saunas, livrarias, editoras (Edições GLS – Grupo Summus), emergiu nos debates acerca do poder de compra de compra deste segmento. No Brasil, este mercado esteve por muito tempo restrito às cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (ASSUMPÇÃO, 2004).

civis, a exemplo da união estável, a adoção de crianças, a partilha de bens. O debate público foi acompanhado de reação de segmentos religiosos que rebatiam a argumentação com a premissa de que se tratava de pessoas “anormais”, ou imorais.

O embate se manteve de forma mais nítida entre militantes LGBT e pessoas ligadas a religiões protestantes, especialmente deputados federais contrários à aprovação de legislação (PLC 122/2006) que visa penalizar atos de discriminação contra homossexuais, equiparando ao crime de racismo e, entre os argumentos dos defensores da nova legislação está à questão da baixa autoestima dos ofendidos e, segundo os defensores da aprovação deste dispositivo legal, a mesma servirá como sustentáculo da afirmação da identidade e ao mesmo tempo seria um elemento para frear os atos hostis, aos quais podem ser sistematizados no conceito de

homofobia.

Benzer Belgeler