EXECUTION REGIME SPECIFIC TO REPEATS IN TURKISH LAW
C. Süre Koşulu
V. MÜKERRİRLER AÇISINDAN HAPİS CEZALARININ İNFAZI
Propõe-se nesta tese analisar dois temas em profundidade: um científico e um tecnoló- gico, caracterizando a incipiente divulgação da ciência e da tecnologia do final do século XIX no jornal “A Província de São Paulo”.
Antes de aprofundar a análise de cada tema, é necessário apresentar os assuntos trata- dos no período delimitado, caracterizar a linguagem utilizada, as formas de apresentação de conteúdos, identificar os autores, relacioná-los ao contexto social da época e apresentar dados que propiciem visão ampla daquilo que era selecionado para as proto-editorias de ciência e tecnologia.
Este capítulo se estrutura da seguinte maneira, objetivando atingir esta caracterização ampla e análise qualitativa de seus conteúdos: parte da caracterização geral das publicações nas duas seções selecionadas: científica e industrial, apresentando o jornal, apontando princi- pais temas, espaços utilizados e existência de séries a respeito destes assuntos. Depois, são apresentadas as controvérsias selecionadas para análise em profundidade, observando os re- cursos linguísticos, as linhas editoriais, as séries, as referências e citações dos redatores, os próprios autores para compreender seus posicionamentos e os grupos de influência que repre- sentam, finalizando com análise qualitativa.
5.1 Ciência e tecnologia no século XIX: publicações da “Província de São Paulo”
Desde as primeiras edições, a “Província” reservou espaço de destaque para divulgar informações a respeito da ciência e da tecnologia da época. Antes de adentrar às controvér- sias, propõe-se mapear estes conteúdos para melhor visualizar as séries elaboradas pelo jornal, os principais assuntos discutidos, o espaço reservado para cada tema e a frequência de publi- cação.
A circulação destes conteúdos nestes anos iniciais de desenvolvimento de pesquisas científicas no Brasil pode ter influenciado o entendimento sobre ciência dos leitores e do pró- prio jornal nos anos subsequentes, bem como políticas públicas, legislação e organização so- cial. A cobertura jornalística desta época ainda não havia estrutura fundamentada da divulga- ção científica com objetivo levar o conhecimento especializado até o público leigo através da mídia, com recursos como linguagem acessível, explicação de conceitos, a dimensão compa- rativa e exemplos. Não havia, portanto, preocupação de acessibilidade aos conteúdos especia- lizados. Os redatores não necessariamente explicavam termos técnicos ou contextualizavam suas argumentações e fundamentações científicas. Ainda assim, sendo esta uma iniciativa de apresentação de conteúdos especializados, sua análise torna-se relevante para compreender os
processos sociais que influenciaram a apresentação dos acontecimentos que envolvem a ciên- cia, a tecnologia e sua utilização na sociedade.
A partir de uma leitura das edições do jornal “A Província de São Paulo”, constatou-se sua organização em proto-editorias, assim chamadas porque precederam as padronizações decorrentes da profissionalização da profissão no século XX. Há seções que tratam de temas específicos, como Polícia, Províncias, Legislação, Rio de Janeiro e A Província de São Pau- lo. Há também seções abrangentes, que abordam temas variados, como Noticiario, Secção Livre, Secção Avulsa, Avisos, Variedade, Correspondências, Exterior, entre outras.
Entre as proto-editorias do jornal, foram selecionadas para esta análise as mais recor- rentes e emblemáticas sobre os temas tratados nesta tese: Secção Scientifica, que traz indica- ção clara a respeito daquilo que pretende publicar, e Secção Industrial, que aborda assuntos tecnológicos. Há também, eventualmente, conteúdos de divulgação científica em outras se- ções, como Noticiário, Instrucção Publica, Secção Agrícola e Sciencias Sociaes. Para fins de recorte metodológico, foram selecionadas apenas as duas seções supracitadas por conterem uma proposta explícita de incipuiente divulgação científica e tecnológica e conteúdos que não fogem a sua proposta. A partir do ano de 1886, a Secção Scientifica e a Miscellanea Scientifi- ca passaram a dividir os conteúdos sobre ciência, prevalescendo esta segunda a partir do ano seguinte e extinguindo-se a primeira. Assim, como o objetivo de cobrir a análise dos conteú- dos até o ano de 1889, incorporou-se à seleção a Miscellanea Scientifica.
O jornal foi inaugurado em quatro de janeiro de 1875. Teria sido lançado no dia pri- meiro, porém, a prensa que rodaria a edição quebrou. Em uma São Paulo com cerca de 30 mil habitantes, a primeira tiragem foi de 2025 exemplares. Naquele ano, produziu 286 edições. O veículo não circulava às segundas-feiras e, eventualmente, não era publicado por um ou dois dias seguidos devido a problemas para impressão, o que justifica a quantidade de edições. Era organizado em quatro páginas de cinco colunas cada. Os conteúdos das colunas eram dispos- tos de cima a baixo com poucos recursos gráficos. Nesta época, as condições de diagramação dependiam das máquinas tipográficas, portanto, a organização visual favorecia o pragmatismo do trabalho de impressão em detrimento da visualização mais amistosa e agradável, que só viria com o desenvolvimento tecnológico das décadas seguintes. Também não havia a tecno- logia de meio tom, impedindo a impressão de fotografias. Apenas algumas ilustrações em tons inteiros estavam presentes nas edições do jornal, em especial, na seção de anúncios.
A figura 1 reproduz a capa da edição de nove de novembro de 1875, ilustrando a pri- meira composição visual criada, em formato standard.
Figura 1. Reprodução da capa da “Província de São Paulo” de 09/11/1875
Fonte: Jornal A Província de São Paulo – ed. 243
A linguagem visual passou por várias mudanças durante o período que cobre esta aná- lise. Algumas trouxeram impactos maiores, como a alteração da fonte do nome do jornal e da quantidade de colunas para disposição dos textos. Outras foram menos impactantes, como a alteração do grafismo que indicava o nome das proto-editorias.
Figura 2. Reprodução da capa da “Província de São Paulo” de 19/10/1878
Fonte: Jornal A Província de São Paulo – ed. 1100
Esta nova marca do jornal, de fonte gótica, ficou mais conhecida entre as edições his- tóricas. Depois de sete anos de fundação, a “Província” era um jornal forte em São Paulo. O acréscimo de uma coluna à diagramação, a partir de julho de 1882, também alterou o visual do jornal.
Figura 3. Reprodução da edição da “Província de São Paulo” de 23/12/1882
Fonte: Jornal A Província de São Paulo – ed. 2332
Em janeiro de 1888, jornal passaria a ter oito colunas, mantendo outros elementos de composição visual similares aos dos anos anteriores. No período analisado nesta tese, foram publicados 556 textos na Secção Scientifica (incluindo a Miscellanea Scientifica a partir de 1886) e 139 na Secção Industrial. O gráfico 1 apresenta a distribuição destas publicações pe- los anos pesquisados.
Fonte: elaboração própria. Total de publicações: Secção Scientifica: 556; Secção Industrial: 139.
A quantidade de publicações diminuiu após o ano de lançamento do jornal. Há dois formatos de textos principais nestas publicações: aqueles que estão ligados a séries, em que o autor trata do mesmo assunto durante semanas ou meses; e as publicações eventuais e isola- das, sem continuações ou que não pertencem a séries. A justificativa para a redução da quan- tidade de publicações deve-se à redução das séries. Os textos isolados sobre ciência e tecnolo- gia se mantiveram constantes nestes períodos – com poucas exceções, como entre os anos de 1882 e 1883. Observa-se também que a Secção industrial deixou de ser publicada a partir do ano de 1886.
As tabelas 2 e 3 trazem mapa dos principais temas tratados pelo jornal nestas proto- editorias e indicam a presença de séries e discussões, aprofundando a informação apresentada no gráfico anterior.
Percebe-se que alguns temas são recorrentes, como Astronomia, porém não há longas séries de textos dedicados a este assunto no período. A cobertura desta área é marcada por textos esparsos que noticiam acontecimentos ou curiosidades científicas e tecnológicas sobre a área.
Por outro lado, a Geologia é tratada em longas séries nos seis primeiros anos da “Pro- víncia”. Neste caso, alguns autores se debruçaram sobre temas proeminentes da época. João Tebyriçá Piratininga, fazendeiro e estudioso de geologia, é um destes autores, que explora os terrenos da província de São Paulo, suas características para a agricultura, a rentabilidade das
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