EXECUTION REGIME SPECIFIC TO REPEATS IN TURKISH LAW
II. TEKERRÜR MÜESSESESİNİN KAVRAMSAL AÇIDAN İNCELENMESİ
A educação formal é responsável por introduzir as pessoas às áreas do conhecimento científico, como matemática, física, biologia, sociologia, entre outras da grade curricular das escolas de ensino fundamental e médio. Após o período escolar, o acesso à ciência está dispo- nível através de canais informais, ou seja, aqueles que não possuem sistematização de ensino e de apresentação de conteúdos. São exemplos museus de ciência e o jornalismo.
O que o jornalismo e os museus fazem não é considerado comunicação científica, cujo conceito está atrelado à troca de informações entre cientistas sobre resultados de pesquisas e ocorre por meio de artigos em periódicos ou apresentação em congressos temáticos voltados para público específico – o acadêmico, ou seja, a comunicação entre pares.
A divulgação científica, por sua vez, é aquela praticada pelos veículos de comunica- ção, museus e exposições e tem o objetivo de levar informações sobre ciência a públicos não especializados, inserindo os cidadãos neste debate. “O compromisso de „divulgar‟ é o de fazer circular informações que atraiam as pessoas para que aprofundem e consolidem seu saber científico e seu conhecimento tecnológico.” (MONTEIRO; BRANDÃO, 2002, p. 92).
O termo divulgação pode ser desdobrado em popularização, vulgarização e informa- ção conjugada ao entretenimento (infotainment), de acordo com sua aplicação. O termo vul- garização foi bastante usado durante o século XIX, principalmente sob a influência de pes- quisadores europeus, que o utilizavam como sinônimo da atual divulgação científica. O info- tainment é um termo típico do final do século XX, sobretudo em países ocidentais. Prevê a circulação de informações através de pacotes, como canais de documentários e programas de entrevistas. A informação é oferecida como produto de lazer e entretenimento. A populariza- ção tem um sentido mais amplo e entende o processo de divulgação como facilitador da de- mocratização e inclusão de grupos sociais ao debate público. A expressão divulgação científi- ca, por ser abrangente e objetiva quanto aos textos publicados em jornais, é adotada nesta pesquisa.
É preciso, contudo, compreender o desenvolvimento e a formação desses processos comunicativos ao logo do próprio desenvolvimento da imprensa no país. Para tanto, discute- se nos próximos parágrafos as estratégias, os atores e as ferramentas disponíveis nos últimos séculos para a divulgação de assuntos relacionados à ciência.
Até o século XVIII, atividades de educação em geral no Brasil eram parcas, baseadas apenas nas experiências dos jesuítas. Aqueles poucos letrados que buscavam especializações tinham de viajar para a Europa, principalmente Portugal, França, Bélgica e Escócia. “As raras
ações do governo português no Brasil, ligadas à ciência, estavam quase sempre restritas a res- postas às necessidades técnicas ou militares de interesse imediato: na astronomia, cartografia, geografia, mineração ou na identificação e uso de produtos naturais” (MOREIRA; MASSA- RANI, 2002, p. 44).
Com a chegada da Corte, abriram-se os portos e surgiram as primeiras instituições de ensino superior, como a Academia Real Militar, em 1810, e as primeiras iniciativas de educa- ção informal, como o Museu Nacional, em 1818. A maior parte do material impresso em solo brasileiro referente à ciência se tratava de manuais de engenharia ou medicina traduzidos de autores franceses. Após o processo de Independência, surgiram periódicos dedicados a temas científicos, como o Miscelanea scientifica, de 1835, o Nictheroy, de 1836, e o Minerva brasi- liense, de 1843.
Com a segunda revolução industrial na Europa na metade do século XIX, houve onda de otimismo quanto aos benefícios da ciência e avanço técnico. Mas a situação geral do país ainda não era propícia para a popularização da ciência: havia poucas instituições de nível su- perior, “o analfabetismo atingia mais de 80% da população e o Brasil era um dos poucos paí- ses em que ainda existia escravidão” (MOREIRA; MASSARANI, 2002, p. 46).
A postura do imperador D. Pedro II como entusiasta da ciência favoreceu sua divulga- ção. Dos sete mil periódicos criados nesta época no Brasil, cerca de 300 estavam relacionados à divulgação científica, em sua maioria circulante no Rio de Janeiro. Foi criada em 1857 a Revista Brazileira – Jornal de Sciencias, Letras e Artes, que publicava tanto artigos dos pró- prios redatores quanto traduções de artigos internacionais. “A partir de 1874, com a ligação telegráfica do Brasil com a Europa por meio do cabo submarino, os jornais começaram tam- bém a divulgar notícias mais atualizadas sobre novas teorias ou descobertas científicas” (MOREIRA; MASSARANI, 2002, p. 47).
Em 1873, ganharam destaque na imprensa brasileira as Conferências Populares da Glória, que tratavam de assuntos como glaciação, clima, origem da Terra, doenças e educa- ção. Entre os jornais que deram visibilidade aos encontros estão o “Jornal do Commercio”, “Gazeta de Notícias” e “Diário do Rio de Janeiro”. Alguns publicavam resumos ou comentá- rios sobre as palestras, outros apresentavam conteúdos na íntegra.
Ainda no século XIX, contribuíram para a divulgação de informações de ciência os museus de história natural, que, além das exposições, ofereciam cursos públicos. Para o dire- tor do Museu Nacional, Ladislau Netto, a instituição “tinha duas finalidades essenciais: cole- cionar as riquezas do Brasil e instruir o povo, inoculando nos jovens o gosto pelas pesquisas científicas.” (MOREIRA; MASSARANI, 2002, p. 50). Os cursos eram oferecidos pelos pró-
prios pesquisadores do Museu e abrangiam áreas da botânica, agricultura, zoologia, geologia e antropologia.
Duas características gerais emanam das observações feitas sobre a divulgação da ciên- cia nesse período. Em primeiro lugar, os principais divulgadores são homens ligados à ciência por sua prática profissional como professores, engenheiros ou médicos ou por suas atividades científicas, como naturalistas, por exemplo. Não parece ter sido rele- vante a atuação de jornalistas ou escritores interessados em ciência. O segundo aspec- to se refere ao caráter predominante do interesse pelas aplicações práticas de ciência. (MOREIRA; MASSARANI, 2002, p. 52).
Em síntese, embora jornais publicassem materiais sobre ciência, estes eram produzi- dos, principalmente, pelos próprios pesquisadores. Era comum e fazia parte das atribuições dos cientistas apresentar os resultados de suas pesquisas também ao público leigo.
Era notável nesta época a determinação com que cientistas participavam das vias de comunicação pública da ciência. Eles sentiam que tinham conhecimento útil para di- vulgar, necessidade de amparo público e prontamente empregavam os canais midiáti- cos para compartilhar suas histórias de descobertas4. (DUNWOODY, 2008, p. 16).
No final do século XIX, algumas iniciativas de divulgação científica já estavam pre- sentes nos Estados Unidos, como as revistas Scientific American (fundada em 1845) e Popu- lar Science Monthly (fundada em 1872), além de jornais. De acordo com Oliveira (2010, p. 20), “a literatura sobre jornalismo científico na Europa e nos EUA [...] mostra que esta área recebe grande impulso a partir da segunda metade do século XIX”. Para a autora, houve in- fluência direta da grande guerra. “Tanto que após a Primeira Guerra Mundial, jornalistas dos dois continentes, ávidos por reunir informação e conhecimento para interpretar as novas tec- nologias bélicas, criaram as primeiras associações de jornalismo científico.” (OLIVEIRA, 2010, p. 20).
No início do século XX, os cientistas que eram engajados na divulgação do conheci- mento especializado através dos jornais se afastaram: este tipo de comunicação passou a ser visto com desconfiança pelos pares conforme aumentava a especialização em cada área cientí- fica. Bucchi (2008) explica que a ideia de que a ciência é muito complicada para o público não especializado surgiu no início da década de 1900, com os grandes avanços no campo da Física, em especial aqueles proporcionados pelos estudos de Einstein. Este conceito ainda legitimava duas posições sociais quanto à comunicação da ciência: a do jornalista científico, que pertencia à classe de mediadores especializados para contar o que é “relevante” sobre cada assunto, e a do cientista, que se eximia da responsabilidade de comunicar aos leigos os
resultados de suas pesquisas e se posicionava fora da comunicação jornalística, podendo criti- car erros e excessos.
Houve crescimento exacerbado da profissionalização científica, em que os cientistas passaram a se ver como indivíduos mais capacitados e distintos de pessoas comuns. Como desenvolveram suas próprias linguagens, seus próprios regimes de treinamento e seus próprios sistemas de recompensas, a comunicação com os „outros‟ se tornou menos prioritária. (DUNWOODY, 2008, p. 16).
O próprio sistema de recompensas da ciência desvalorizava o compromisso com a popularização do conhecimento. Em alguns casos, cientistas corriam o risco de perda de pres- tígio ao adotarem postura de diálogo com não especialistas. Por outro lado, com a debandada dos especialistas, os jornais e revistas buscaram aprimorar suas técnicas de cobertura desta editoria e desenvolveram sua própria especialização dentro da comunicação, dando vida ao jornalismo científico. Foi neste período, que compreende a última década do século XIX e a primeira do XX, que jornalistas assumiram o papel de divulgar os conteúdos científicos.
Os jornalistas elegeram temas considerados mais atraentes para a cobertura midiática, como tecnologias de guerra, astronomia e avanços na medicina, porque tinham maior impacto junto à audiência. O interesse pela divulgação científica (do ponto de vista do cientista) só começaria a ser renovado após a Segunda Guerra Mundial.
“O primeiro serviço de notícias científicas dos Estados Unidos foi criado em 1921 por E.W.Scripps [...]. Assim, Scripps fundamentou a criação do Serviço de Ciência (Science Ser- vice).” (OLIVEIRA, 2010, p. 22). Ele acreditava que a imprensa era responsável por oferecer às pessoas informação e instrução, de forma rápida e com qualidade. Esta agência de notícias ainda existe.
Em 1916, foi criada a Sociedade Brasileira de Ciências, que passou a se chamar em 1922 de Academia Brasileira de Ciências (ABC). Em 1923, a instituição fundou a Rádio So- ciedade do Rio de Janeiro, a primeira emissora de radiodifusão do país. “Ela foi criada por um conjunto de cientistas, professores e intelectuais [...] e tinha como objetivo a difusão de in- formações e de temas educacionais, culturais e científicos.” (MOREIRA; MASSARANI, 2002, p. 53). Entre os grandes nomes por trás da Rádio Sociedade estava Roquette-Pinto5, um dos maiores defensores da utilização do rádio de maneira educativa no país, que teria dito: “Eis uma máquina importante para educar nosso povo”.
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Roquette-Pinto atuou como médico legista, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta. Nasceu no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1884 e faleceu na mesma cidade em 18 de outubro de 1954. Atuou fortemente pela divulgação do conhecimento especializado.
Os ouvintes eram sócios da rádio e a quantidade de receptores era pequena. Na pro- gramação, além de músicas, havia cursos de inglês, francês, história do Brasil, literatura por- tuguesa e francesa. Também havia palestras com abordagens científicas, como explicações sobre a origem dos rios, sobre as marés, aulas de química, física e fisiologia do sono (MO- REIRA; MASSARANI, 2002).
Quando Einstein esteve no Brasil em 1925, passou pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro e fez um pronunciamento, que foi traduzido logo em seguida:
[...] não posso deixar de, mais uma vez, admirar os esplêndidos resultados a que che- garam a ciência aliada à técnica, permitindo aos que vivem isolados os melhores fru- tos da civilização. É verdade que o livro também o poderia fazer e o tem feito, mas não com a simplicidade e a segurança de uma exposição cuidada e ouvida de viva voz. A rádio foi incorporada pelo governo federal em 1936, pouco antes da implantação do Estado Novo por Getúlio Vargas. A pedido de Roquette-Pinto, ela foi vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) para manter a linha educativa. A Rádio MEC, como passou a ser denominada, existe até hoje e, com as devidas alterações com o tempo, mantém a linha editorial educativa proposta por seu idealizador.
4. QUADRO TEÓRICO E METODOLÓGICO: ANÁLISE DE CONTROVÉR-