1.2. IĞDIR MÂNİLERİNİN DİĞER ANONİM HALK EDEBİYATI TÜRLERİ
1.2.7. Mâni- Halk Hikâyesi
A questão sobre a liberdade ou determinação da vontade constitui um pro- blema filosófico espinhoso, tanto para o campo da metafísica e da ética. O problema em questão é saber, afinal de contas, em que medida determina-se o fazer? Em que medida pode-se, afirmar tais agentes livres? E ainda, se tudo que fazem é de fato ne- cessário. Cabe também perguntar se a causalidade natural permeia todos os nossos atos? Ou, se a existência do espaço para a liberdade é algo concreto, escolhendo li- vremente entre vários cursos de ação possíveis?
A concepção de liberdade aplicada desde a antiguidade e em particular pelos gregos, que ao diferenciar o cidadão - membro da polis - do escravo, e suas diferentes naturezas, a liberdade oposta a escravidão e, portanto, não possuía ainda o ônus me- tafísico que viria incorporar a noção posteriormente. De acordo com o senso comum, afirma-se que uma ação é realizada livremente quando o agente que a realiza não está sendo coagido ou forçado a realizá-la, ou seja, quando pode escolher entre vários cursos de ação possíveis, sem ser constrangido a tomar nenhum deles em particular. Mas o que significa escolher livremente um curso de ação? Sempre é possível afirmar que a escolha ou o ato do agente, parece livre ao observador mais atento, na verdade
166DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo II: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,
p. 92.
167DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo I: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,
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é determinado por motivações, inclinações e desejos que compelem a agir assim, sig- nificando dizer que não tem controle sobre aquilo faz seu ser (os desejos e motiva- ções), logo, não pode dizer que se age livremente, pois seriam estes escravos de seus próprios impulsos. Em relação à determinação interna, existe também o caso em que estes são forçados a agir em desacordo com sua vontade, ou seja, por coação externa. Toda ação, para ser considerada efetivamente livre, deve envolver os seguintes ele- mentos: controle do agente sobre a ação, algum grau de consciência, ausência de coa- ção interna e externa, possibilidade de escolha. Mas, por outro ângulo, se o ato livre pressupõe ausência total de causalidade ou determinação (interna ou externa), para ser considerado livre, não seria esta uma determinação para o ato livre, recaindo tal
esforço no vazio –conotando que tal formulação não consiga afastar o ato livre do
fantasma do determinismo. É difícil imaginar tal ato livre, sem uma causalidade, con- fusa seria a ação humana sem que a mesma, fosse produto ou efeito de um desejo, motivação ou inclinação do sujeito que a realiza. Mesmo um ato totalmente despro- vido de significado, de emoção ou planejamento é determinado por causas anterio- res. Assim, estaria o homem fadado à prisão dos fatores condicionantes da natureza? Subsequentemente a elaboração temática da alteridade, é um conceito em que se explicita a liberdade como uma característica constitutiva do ser humano, vis- to que, é na ação que ele concretiza o seu projeto, ou seja, o homem está “condenado” ontologicamente a ser livre e responsável. Contudo, para não sofrer tais implicações, ele busca fugir desta armadilha ontologicamente existencial e angustiante. Ao negar que seja livre, abstendo-se de responsabilidade pelo seu existir. Entretanto, ao agir
desta forma, este nega sua própria essência. 168 Segundo Póvoas, a manifestação de
negação interna é o mascaramento do nada de ser e da angústia, definida por Sartre
como atitude de má-fé.169 A má-fé170 revela-se como possibilidade de ser da existência
168DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo I: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,
p. 75.
169 PÓVOAS, Jorge Freire. A má fé na analítica existencial sartriana. 2005. 117f. Dissertação (Mestrado
em Filosofia) - Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, p.2.
170Sartre chamará essa atitude de má-fé, pois é pela má-fé que o homem pode acreditar na possibilida-
de da fuga da angústia e da responsabilidade pela sua existência. Sartre conceitua dessa forma a má- fé: "Aceitemos que má-fé seja mentir a si mesmo, desde que imediatamente se faça distinção entre
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humana, fundamentada no postulado básico do existencialismo sartriano que sen- tencia: “a existência humana precede e condiciona sua essência”. O ponto de partida
do existencialismo evidencia-se justamente nesta sentença ontológica. 171
Portanto, a “existência precede a essência humana”, significando dizer, que primeiro o homem existe para depois escolher “o que vai ser”. Em primeira instância, o homem surge no mundo e só posteriormente se define. Isto acontece, já que é cons- titutivo do para-si ser livre para fazer escolhas. Por conseguinte, o ser humano está condenado a ser responsável por suas opções. É a partir de sua existência que sua es- sência poderá ser definida. Por não ter uma essência pronta, o homem escolhe a partir do seu livre agir, surgindo justamente da questão sobre a liberdade e suas implica- ções, a importância do pensamento de Jean-Paul Sartre para a Filosofia.
Diante destas implicações, a existência humana passa a ser angustiante, ao in- vestigar os aspectos da consciência humana, tais como sua individualidade, seu en- gajamento e sua responsabilidade ontológica, torna-se evidente que o homem está
condenado a buscar no absurdo da existência um sentido para seu agir. 172 O pensa-
mento dusseliano, puramente chega à alteridade gratuita, entendendo-se que a mes- ma só constitui-se como tal, a partir de uma obliteração da Totalidade, é que se al-
cança a liberdade total173; que de forma correlata o pensamento sartriano descreve:
mentir a si mesmo e simplesmente mentir". A despeito disso, o ser humano deve se haver com seu cotidiano, ou seja, indiferente aos acontecimentos do mundo, o homem deve fazer seus projetos rumo ao ser e se haver com sua existência, enfim. Isso fica claro nas palavras de Sartre: Fugir da angústia e ser angústia, todavia, não podem ser exatamente a mesma coisa: se sou minha angústia para dela fu- gir, isso pressupõe que sou capaz de me desconcentrar com relação ao que sou, posso ser angústia sob a forma de ‘não sê-la’, posso dispor de um poder nadificador no bojo da própria angústia. Esse poder nadifica a angústia enquanto dela fujo e nadifica a si enquanto sou angústia para dela fugir. É o que se chama de má-fé. (SARTRE, Jean Paul. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 93,89.).
171Ibidem.
172DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo I: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,
p.75.
173AMES, José Luiz. Liberdade e Libertação na Ética de Dussel. 1987. 205f. Dissertação (Mestrado em
Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Pós Graduação em Filosofia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande Sul. Porto Alegre, p. 51.
76 [...] é por uma escolha fundamental ou originariamente livre que o homem põe diante de si o fim ou o projeto ontológico (...). A alteridade é simples- mente fático, escolha fundamental, primeira e incondicional. 174
A escolha é absurda diz Sartre, não porque embasadamente esteja em alguma
razão, mas sim por impossibilitar o contrário, ou seja, não há como não escolher.
Dussel denomina isto de esgotamento metafísico subjetivo sartriano,175 devido ao
fato de ter fundamentado no próprio sujeito individual, o que contrariamente diz: “Se
o fundamento é o ser na qual se abre pela compreensão o homem (que não é sujeito), tal ser já não é livremente eleito, nem sequer por uma eleição fundamental ou origi- nal.”176
O ser não é conceituável uma vez que sua adveniência futurística é essenci- almente poder-ser. Para Dussel a escolha constitui-se como algo absurdo no pensa- mento sartriano, não porque esteja embasada na razão, mas por não possibilitar o contrário – a não escolha. A tese sartriana de que “a existência precede a essência” é
contraditório, o homem não produz o ser do homem. Ao contrário, “o ser se impõe
ao homem, o ser do homem é a priori”.177 O homem poderá ser mais do que aquilo
que ao nascer recebeu como seu ser, mas nunca poderá deixar de ser o que é como também não poderá ser radicalmente outro. Mesmo ocorrendo variações o homem será o mesmo ente. O homem é um ser relacional, estabelece, modifica e acresce algo ao seu ser.
Nesta atmosfera o homem jamais poderá produzir seu ser, nem tampouco
deixar de ser o que é ao nascer.178 Não se pode enquadrar o homem a tais determina-
ções, o que significa dizer aquele que não se determina totalmente, como sugere Wat- son, Freud, nem se pode afirmar o incondicionamento pleno como pretende o pen- samento Sartriano. A liberdade desloca-se entre duas extremidades, sem ser uma e
174DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo I: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,
p.75.
175DUSSEL, Enrique. Para una de-strucción de la historia de la ética. Buenos Aires: Ser Y Tiempo. 1973, p.
159.
176DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo I: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,
p. 76.
177 Ibidem. 178 Ibidem.
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outra; aproxima-se ora mais da Totalidade e sua determinação, e em outro momento mais da alteridade incondicional. Na esquematização sobre o processo de passagem explicita-se da seguinte forma:
Quando o homem acede à liberdade (Y), abrem-se possibilidades de realizar a liberdade do Outro (A, A¹, A²) para ser livre, ou fechar-se na Totalidade, negando o Outro (B, B¹, B²). O progresso histórico da humanidade (passa- gem de Y a Y³) não nega a liberdade e sim amplia sua margem (AB é menor que A¹ B¹). Mas ao mesmo tempo o homem pode ser mais livre ou alterativo, (já que A² se aproxima mais de a do que de A) ou mais bestial e totalitário (porque B² se aproxima mais de t do que B). A totalização (t) e a naturaliza- ção do homem (e paradoxalmente sua autodivinização); a Alteridade ou o “serviço” (a) é a libertação do homem e sua plena humanização. Na história, contudo, jamais A² Y B² tocará em t (é um infinitésimo), e quem pretendesse ter tocado ou cumprido ao divinizar-se se totalizaria e tocaria na verdade t.179