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2.2. IĞDIR MÂNİLERİNİN TASNİFİ

2.2.3. Konularına Göre Mâniler

2.2.3.15. Anne- Çocuk İçin Söylenmiş Mâniler

A crítica ao pensamento filosófico libertacionista de Dussel, é especificamen- te a ética, é perceptível em algumas vozes protagonistas como a de Rafael Plá que discute questão da lógica constitutiva do conceito de universalidade citado por Salus- tiano Alvarez Gómez.

A intenção de Rafael Plá segundo Goméz é decifrar a estrutura do pensa-

mento de homens que de forma consciente encaram um processo de libertação.495 A

questão principal está na estrutura lógica que configura um processo ou de um proje- to de libertação para América latina.496 O interesse de Rafael Plá esta na lógica que orienta este projeto e como é conduzido este pensar cuja universalidade possui uma

491 Ibidem.

492 Expressão filosófica muito utilizada e costuma-se funcionar como código da modernidade e de suas

tendências profundas. (ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Trad. Alfredo Bosi, Ivone Cas- tilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 283.).

493

PERINE, Marcelo. A Sabedoria é uma atitude. In: NOVAES Adauto (org). Vida, Vicio e Virtude. São Paulo: SENAC/SESC, 2009, p.95.

494 Ibidem. 495

GÓMES, Salustiano Alvarez. La Liberación como proyeto ético – Una análisis de la obra de Enrique D.

Dussel. 2006. 409f. Tese de Doutorado em Filosofia – Departamento de Filosofía del derecho, moral y

política II (ética y sociologia), Universidad Complutense de Madrid Facultad de Filosofía. Espanha. Madrid, p.310.

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categoria especial na qual pode-se pensar as questões relacionadas à particularidade e singularidade. 497

O universal pode realizar-se desde o particular e o singular, uma forma con- creta de conseguir formular um processo de libertação. A crítica que Rafael Plá faz a

Dussel remete-se a ideia de libertação como verdade abstrata. 498 Tão abstrato que o

próprio método defendido por Dussel como analético, se entende como algo simbóli-

co, e não como algo real e concreto. 499

No caleidoscópio percebe-se que o desenvolvimento das estruturas comple- xas de significação é devido seu aspecto analógico, o que torna todas as coisas factí- veis. Para Rafael Plá o primeiro momento da realidade tem que ser seu caráter feno- mênico, sua presença material na vida dos seres humanos. Dentro desta realidade o ser humano pretende uma nova construção desde o ideal e o utópico, momentos que colocam o ser humano em uma tensão constante entre a realidade atual e o poder ser futuro. A existência tem uma essência, ou melhor, o ser humano, se apresenta como projeto constante e de luta permanente diante do novo desconhecido, a América lati- na diante do ideal de libertação, fazendo assim uma conjunção da vida entre sua es- sência questionadora e inquieta e a existência que experimenta em cada situação de- terminada. A realidade do momento é uma realidade universal. Para Plá a oposição que Dussel estabelece entre eurocentrismo e periferia não atende autenticamente o momento presente. A libertação é algo concreto, não se pode pensar um projeto uni- versal a partir de particularidades regionalistas, constituindo-se de categorias frag- mentadas de nações, culturas e grupos étnicos. Rafael Plá aceita a universalização, mas não a idéia de Dussel e sua defesa de participação universal com igualdade e direitos. Para Plá a operacionalidade e autenticidade do projeto, aceita suas contradi-

ções dialéticas, sem abdicações próprias de cada projeto. 500

497 Ibidem, 2006, p.311. 498 Ibidem.

499 Ibidem. 500 Ibidem.

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Como todo sistema, possui limitações. Seria uma pretensão construir um sis- tema que atendem as necessidades e as questões humanas e sociais, independentes de tempo e espaço. A primeira questão de risco apresentada por Gomés é:

[...] a redução do conceito de libertação, entendendo-se como conceito da es- trutura política e econômica. Esta atitude separa a prática cultural dos pro- cessos sociais. Esta realidade multicultural do continente latinoamericano pode ser esquecida, pela idéia de libertação e integração das nações que não leve em conta os aspectos culturais. Na verdade este risco se dá quando os movimentos marxistas têm a intenção de explicar a exploração das comuni- dades indígenas a partir do termo proletariado do marxismo dogmático. Na realidade a cultura indígena era oprimida não pela dimensão de seu traba- lho, e sim pela negação de suas crenças e tradições. O conceito de libertação é muito mais amplo do que se imagina, não se pode reduzi-lo ao aspecto po- lítico econômico. A libertação assume dimensões que vão desde a realidade psíquica, afetiva, morais e sociais. Abrange também o pensamento ecológico, entendendo-se que a natureza necessita de libertação dos processos de pro- dução e consumo e dos recursos primários que o oprimem ao homem como individuo e como raça. A Idea de libertação, igualmente presente no pensa- mento cristão, velando a pena recordar de Theilard de Chardin e seu alerta inspirado na carta do apostolo Paulo aos romanos, de que a natureza espera o momento de sua libertação total. Um segundo risco emerge das urgências transformadoras e libertadoras. As justificações de qualquer ação como base de uma libertação social, coloca-se a ação como requisito necessário para a libertação, correndo o risco de conceder a situações e ações pontuais o valor de construções filosóficas, quando na verdade não elemento categóricos da filosofia. Perderam-se momentos importantes, ocasiões que tornaram-se im- produtivas, perdendo-se a oportunidade de se fazer filosofia e ética. Sobre a nova realidade cultural e social do continente, deve-se pensar desde a iden- tidade histórica e suas pretensões futuras, algo que transceda 1492, em re- sumo descobrir o espírito ontológico de uma nova realidade. O terceiro momento o pensamento o desafio intercultural, se faz urgente contextualiza- ção de inculturação, que permita um caminho de integração de reencontro na filosofia e na história do continente. O ultimo momento é entender que pensamento dusseliano é completamente recorrente da escola européia, a idéia de um pensamento genuíno latinoamericano, contrapõe-se e até mes- mo rejeita as formas e métodos de outros continentes, conduzindo ao isola- mento e conseqüentemente negando a possibilidade de novos desenvolvi- mentos.501

Para Casales a utopia possível abordada por Dussel necessita, assim, da au- toconsciência das vítimas excluídas da comunicação hegemônica na qual não são chamadas a participar das discussões, e, em um segundo momento, da organização de uma comunidade de dissidentes, este tais lutam pelo reconhecimento. Embora,

501GÓMES, Salustiano Alvarez. La Liberación como proyeto ético – Una análisis de la obra de Enrique D.

Dussel. 2006. 409f. Tese de Doutorado em Filosofia – Departamento de Filosofía del derecho, moral y política II (ética y sociologia), Universidad Complutense de Madrid Facultad de Filosofía. Espanha. Madrid, pp.319-320.

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sem nomear, a formação de um dissenso junto da comunidade dominante é outro modo de falar de resistência, seguindo-se um novo consenso entre a comunidade de

vítimas recém-constituída.502 Normalmente, o dissenso não é escutado, é desprezado,

excluído. Porém é preciso fazer a pergunta qual o papel do intelectual na formação desta comunidade de vítimas? Dussel sugere-o desta forma:

a) A comunidade das vítimas interpela o perito?;

b) Este produz um programa de investigação científica que explica à vítima as causas da sua negatividade?;

c) O perito dá conhecimento dos resultados à comunidade?;

d) A comunidade amadurece o seu sentido crítico estudando o tema?; e) A comunidade modifica o tema?;

f) O perito reformula o programa de modo a adaptá-lo às propostas e correções?503

Segundo Caselas, Dussel apresenta uma proposta inesperadamente ingênua de articulação entre o militante e o intelectual/perito, visto que revela a fragilidade daqueles que se

[...] encontram em uma relação assimétrica e nunca são chamados a partici- par na relação comunicativa, é agora introduzido um elemento mediador com um papel reflexivo no seio da comunidade de comunicação das vítimas que aparentemente facilita a interação no seio da comunidade. Com a intro- dução do intelectual orgânico (noção captada de Gramsci), o equilíbrio simé- trico da relação na comunidade das vítimas é afetado. Se o que Dussel visa é superar a relação assimétrica da razão discursiva consensualista, nota-se que o perito/intelectual pode ascender a uma posição de líder, prejudicando a composição de forças dos que lutam pelo reconhecimento. Desta forma, Dussel parece esquecer que a comunidade das vítimas não é imune à ques- tão do poder, acabando por emergir uma nova relação de forças assimétri- cas. Mais adiante Dussel se dá conta de que essa relação entre um suposto líder/intelectual e a comunidade de vítimas não opera de modo pacífico. Se Dussel pretende evitar a ação unidirecional, propondo uma relação simétrica entre os implicados, o papel desta figura de proa mais não faz do que dese- quilibrar a relação de poder. Os tempos não são propícios para um intelectu- al-profeta que aponte o melhor caminho, e isto por motivos históricos que remontam ao Iluminismo e que desembocou na razão instrumental: os meios

502CASELAS, José Maria Santana. A utopia possível de Enrique Dussel: a arquitetônica da Ética da

Libertação. Caderno Ética e Política, Revista Eletrônica da FFLCH, [online] da Universidade de São Paulo, Nº 15, 2º semestre 2009, p.73. http://www.fflch.usp.br/df/cefp/Cefp15/creditos.html, Dispo- níveis. ISSN: 1517-0128. Acessado em 17/07/2011.

503DUSSEL, Enrique. Ética da Libertação - Na idade da globalização e da exclusão. Trad. Ephraim Fer-

165 desligados dos fins. Neste caso, a sua utopia reproduz o lado negativo já cri- ticado no projeto da modernidade que nasceu com o Iluminismo e que pre- tendeu edificar uma sociedade perfeita educando as massas ignorantes. As- sim, a utopia de Dussel aproxima-se rapidamente da construção de uma quimera.504

A utopia aponta claramente para uma responsabilidade ética sem reciproci- dade (por influência de Lévinas). Esta posição levinasiana apresenta uma amplitude e um alcance maior do que o consenso de Habermas e a eqüidade e o princípio de justiça de Rawls. Com efeito, como esperar reciprocidade de gerações futuras ou mesmo as populações sem voz precisamente os implicados-excluídos? Isto porque a responsabilidade em Lévinas não é um encurtamento das distâncias, é a supressão das distâncias e não exige a reciprocidade. A relação assimétrica como propõe o pen- samento Levinasiano se constitui da relação EU & TU:

A relação intersubjetiva não é simétrica. Neste sentido, sou responsável por outrem sem esperar reciprocidade, ainda que isso me viesse a custar a vida. A reciprocidade é assunto dele. (...) sou responsável de uma responsabilidade total, que responde por todos os outros e por tudo o que é dos outros, mes- mo pela sua responsabilidade. O eu tem sempre uma responsabilidade a mais do que todos os outros.505

Para Caselas existe a ausência em Dussel de um sentido cosmopolita de inte- gração da comunidade das vítimas:

A sociedade civil deve assumir o papel de um contra- poder que supere o parlamentarismo (princípio de integração diferenciada); aceitam-se os postu- lados de Lévinas sem os questionar. Produzir uma ética comunitária homo- gênea fora do Estado-nação (comunidade moral), com a obrigação de erigir princípios identitários é uma tarefa quase inviável em uma época de mundi- alização. A sociedade civil deve assumir o papel de um contra-poder que supere o parlamentarismo (princípio de integração diferenciada); aceitam-se os postulados de Lévinas sem os questionar. Produzir uma ética comunitária homogênea fora do Estado-nação (comunidade moral), com a obrigação de erigir princípios identitários é uma tarefa quase inviável em uma época de mundialização onde as fronteiras entre o interior e o exterior se esbateram.506

504Ibidem, 2009, p.74.

505 LÉVINAS, E. Ética e Infinito. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 82.

506CASELAS, José Maria Santana. A utopia possível de Enrique Dussel: a arquitetônica da Ética da

Libertação. Caderno Ética e Política, Revista Eletrônica da FFLCH, [online] da Universidade de São Paulo, Nº 15, 2º semestre 2009, p.78. http: //www.fflch.usp.br/DF/cefp/cefp15/creditos.html, Dis- poníveis. ISSN: 1517-0128. Acessado em 17/07/2011.

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Pergunta-se então: se a ética depende da constituição de uma comunidade, como evitar o comunitarismo? Na verdade, não é possível a imposição de um mode- lo cultural universal, sendo que a vivência particular de uma comunidade de vítimas é ainda mais improvável, a tentativa de alargá-la em um mundo globalizado. A ética de Dussel intenta encontrar um princípio material irrecusável e se encontra envolvi- da em impasses teóricos, por outro lado, coloca questões que não podem ser adiadas em uma época em que os riscos são eminentes. Daí o tom aparentemente dramático do seu apelo veementemente vitalista, mas, profundamente atual. Uma filosofia li- bertadora que possua uma visão, intenção de conscientizar, promover e acompanhar criticamente a práxis de libertação, sendo a ética o ultimo recurso de uma humanida- de em perigo de auto extinção. Tal validade intersubjetiva, não se pode deixar de analisar as novas tendências que surgem como essenciais na nova realidade da civili- zação universal propondo sistemas que avancem em um humanismo global. Assim como equilibristas diante do abismo, concentramo-nos na limitação da noção históri- ca ordinária de tempo: a cada momento do tempo, há múltiplas possibilidades à es- pera de realizar-se; assim que uma delas se realiza, outras são eliminadas. Deve-se repensar a noção histórica de temporalidade? Ou fazer como Dupuy citado por Zizek encarar à catástrofe que é eminente, bastando-se de toda crendice que aparenta estar

do nosso lado.507 Segundo Pansarelli o pensamento dusseliano fornece subsídios para

negar o momento fatídico escatológico, recorrente a uma leitura, tradicional, fetichi-

zada do passado. 508 Entretanto, diz Barber sua filosofia, mantem-se recorrente a tra-

dição ratio-européia e até que prove o contrário, Dussel terá que rever sua via crítica em relação à escola européia, pois toda sua argumentação é embasada na mesma, mesmo que tenha lhe oferecido uma particularidade latina. Sendo assim, a libertação

507ZIZEK, Slavoj. Em defesa das causas perdidas. 1ª Ed. Trad. Maria Beatriz de Medina. São Paulo:

Boitempo, 2011, p. 454.

508PANSARELLI, Daniel. Filosofia e práxis na América latina: Contribuições à filosofia contemporânea

a partir de Enrique Dussel. 2010. 251f. (Tese de Doutorado em Educação. Área de concentração: Filo- sofia e Educação.) – Programa de Pós Graduação em Educação. Faculdade de Educação da Universi- dade de São Paulo, p. 40.

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necessita repensar suas posições e manter diálogos que possibilitem contemplar ou-

tras vias, porém isto não lhe retira o mérito de analise sobre a América Latina.509

4. Uma política crítica possível: arquitetando uma mediação de liberta-