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2.2. IĞDIR MÂNİLERİNİN TASNİFİ

2.2.3. Konularına Göre Mâniler

2.2.3.1. Sevda Mânileri

2.2.3.1.20. Çapkınlık

O modelo do Outro é certamente um argumento bastante forte na medida em que não só põe em jogo a alteridade, como junta o Mesmo ao Outro. Mas o para- doxo segundo Ricoeur é:

[...] que, ao abolir a diferença entre o outro de hoje e outro de antigamente, oblitera a problemática da distancia temporal e elude a dificuldade especifi- ca vinculada a sobrevivência do passado no presente – dificuldade que esta- belece a diferença entre conhecimento do outro e conhecimento do passado.

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Segundo Ricoeur, a história constitui um obstáculo para a compreensão de projetos de libertação latino-americanos.

É preciso que os europeus confessem que o totalitarismo que afronta os lati- no-americanos, seja de outra natureza, diferente da que nós conhecemos na Europa. É necessário admitir que no Terceiro Mundo possa-se aguardar ain- da um socialismo que nós cessamos de esperar na Europa? Essas questões devem manter em aberto e processo de amadurecimento. Mas as reservas e os silêncios que se impõem não devem impedir que tire-se lições do fracasso da economia administrativa no Leste europeu, nem impedir de lutar para uma liberdade política, como condição inevitável de todo crescimento de produtividade tecnológica e econômica e assim como componente da liber- tação econômica e social. 377

Dussel concorda com a crítica de Ricoeur ao economicismo marxista estandar e defende a importância do papel político. Todavia, em Ricoeur não há desenvolvi- mento de uma economia, pois o aspecto econômico é abstrato, é um subsistema do

político.378 Ricoeur retoma o pensamento nietzschiano que, para fugir do passado

"deve tornar-se capaz de esquecer de novo, mesmo que sob a persistência dos rastros históricos. A reconfiguração do tempo requer" certa iconoclastia dirigida contra a

376Segundo Ricoeur ambos formam muitas vezes aproximadas na filosofia analítica, devido à similitu-

de entre os paradoxos que eles levantam para uma filosofia que faz do conhecimento empírico, por- tanto, da observação presente, o critério último da verificação. As asserções sobre o outro e as asser- ções sobre o passado têm comum o fato de que não são nem verificáveis, nem refutáveis empiricamen- te. Têm também em comum o fato de serem, até certo ponto, intercambiáveis, na medida em que são principalmente as ações de homens como nós que a historia busca encontrar no passado e em que, inversamente, o conhecimento do outro contém, mais que a compreensão de si mesmo, a defasagem entre a experiência vivida e a retrospecção. Mas essas razões não fazem com que o problema seja o mesmo em ambos os casos. (RICOEUR, Paul. Tempo e Narrativa. Vol. 3 O tempo Narrado. 1ª Ed. Trad. Claudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p.250.).

377RICOEUR, Paul. Filosofia e Liberazione. La sfida del pensiero del Terzo-Mondo, Capone Editore, Lecce,

1992, p.9. (Tradução do texto para o português de Melissa Quirino Scanhola).

378APEL, Karl Otto; DUSSEL, Enrique. Ética del Discurso y Ética de la Liberación. Madrid: Trotta, 2005,

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história", a fim de libertar quaisquer potencialidades, constituindo-se assim iniciati- vas e ações do humano.

O paradoxo gramatical da injunção da lembrança constitui parte da me- mória do oprimido, uma tentativa constituir o tempo e espaço, mas Ricoeur diz como é possível afirmar “Você se lembrará”, ou seja, poderá esta memória contar no futu-

ro, fazendo o papel de guardiã do passado?379 Logo, agônica é a tentativa dusseliana

até mesmo sedutora de transformar em uma apologia reivindicadora da memória

contra a história.380 O ataque em regra consiste em julgar a história exercendo um

espirito imparcial sob o signo da condenação, no sentido de dependência, de uma

herança, e principalmente abstrair acusações.381 A memória tem um dever de fazer

justiça, “todo passado deve ser condenado”, pela lembrança, ao outro, que não o si.382

É sobre esse pano de fundo que Ricoeur coloca a discussão hermenêutica-da liberta- ção. Deve-se lembrar que Dussel faz o papel de juiz e historiador, perito em perceber as falsificações, assim, no caleidoscópio da filosofia a libertação, o mesmo, esta sob o manejo da suspeita. A problemática hermenêutica aparece na primeira abordagem bem distanciada do problema da libertação, seja em qual for o sentido. A argumenta- ção pela legitimidade da transição textual, até nas situações que têm por implicação a libertação que segundo Ricoeur inscreve-se da seguinte maneira:

E primeiro lugar através de uma inscrição, cuja escrita é a expressão mais notável, que a experiência passada de nossos predecessores nos vem sob a forma de heranças recebidas, da transmissão de tradições; é, em seguida ainda sob a forma textual que se fundam as grandes trocas entre o passado das tradições e o futuro das nossas esperanças mais vivas, entre as quais é necessário falar de nossas utopias. Acrescento ainda que a hermenêutica consiste nela mesma numa luta contra o fechamento textual. Nesse aspecto, Domenico Jervolino marcou bem a importância da função de refiguração exercida pelos textos no plano do agir humano efetivo. É através desse pro- cesso de refiguração que a crítica textual vem se inscrever no cerne mesmo da filosofia da ação, que considero, também, como o grande envelope de to- da investigação de linguagem. O que acabamos de dizer sobre o intercâmbio entre tradição e utopia (no texto e por ele) encontra seu equivalente na filo- sofia da história sob a forma de troca entre o que Koselleck chama de espaço de experiência e horizonte de espera. Enfim, não saberíamos falar de herme-

379RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. La memoire, I’ histoire, I’ oubli. Campi-

nas, SP: Unicamp, 2007, p.41

380Ibidem, 2007, p.100. 381 Ibidem, 2007, p. 301. 382 Ibidem, 2007, p. 101.

129 nêutica se não recolocássemos o processo de interpretação dentro da relação entre texto e leitor. Nesse aspecto uma crítica da leitura fornece um elemento de resposta à objeção maior de Dussel, segundo a qual a relação produ- tor/produto envolve a relação autor/texto. Esquece-se nesse curto-circuito o confronto que atravessa um leitor crítico suscetível de questionar a pertinên- cia da equação precedente e de denunciar a relação de dominação dissimu- lada no processo de transmissão e de tradição. O fenômeno mais importante nesse aspecto não é tanto a inscrição na escrita, ou seja, o tornar-se texto a partir da ação, mas a relação crítica de leitura, que torna possível o tornar-se ação do texto. Esse tornar-se ação do texto reconduz a hermenêutica à ética, especialmente a uma ética que coloca num lugar central o fenômeno de alte- ridade. Permito-me assinalar que há lugar para várias filosofias da alterida- de: assimétrica para Lévinas, recíproca para Hegel. Há igualmente lugar pa- ra várias figuras da alteridade: a corporalidade, o encontro com o próximo, a escuta da consciência moral interiorizada. Há também várias figuras do ou- tro383: o outro como rosto do cara-a-cara, o outro como o cada um da relação

de justiça. Eu estou plenamente de acordo que essas figuras do outro vêm se resumir e culminar no momento de alteridade em que o outro é o pobre. É aqui que eu escuto e me encontro com as filosofias e as teologias da liberta- ção. 384

Para Dussel não é o passado que por si mesmo tem alguma coisa de valor, e

sim o que continua a ser ponderada pelas memórias.385 Dussel está entre a lembrança

e o não esquecer, utiliza-se das potencialidades para a melhoria futura do ser liber- tado, o Outro, a vítima, aquele que vive na periferia do sistema-mundo está esmaga-

do sob peso existencial.386 Esta será sempre a fonte de revolução, o integrante do es-

paço, que não chama para uma iconoclastia de esquecimento, mas para chamar e ou-

vir aqueles que interpelam.387 Em relação aos que interpelam, há testemunhas que

jamais encontram a audiência capaz de escutá-las e entende-las. Como diria Ricoeur - na trágica solidão das testemunhas históricas, cuja experiência extraordinária de-

monstra as limitações da capacidade de compreensão mediana, comum.388 A traves-

sia histórica das libertações deixaram rastros, cuja memória permanece viva, devido a teimosa resistência que insiste em revisita-la.

383 Do francês “autrui”: o outro como próximo.

384RICOEUR, Paul. Filosofia e Liberazione. La sfida del pensiero del Terzo-Mondo, Capone Editore, Lecce,

1992, pp.9,10 (Tradução do texto para o português de Melissa Quirino Scanhola).

385 DUSSEL, Enrique. Hacia una filosofía política. Espanha/Bilbao: Desclée de Brouwer, 2001, p.91. 386 Ibidem.

387 Ibidem.

388RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. La memoire, I’ histoire, I’ oubli. Campi-

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3. Uma ética anti-hegemônica: os problemas constitutivos de uma ética