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2. KAYNAK ÖZETLERİ

2.5 Linyitin Su İçeren İkili Sıvı Karışımlarıyla Şişirilmesi

Nos idos anos da década de 1920 e 1930 havia uma intensa produção artística no Pará. Seja através do mundo das artes plásticas, da literatura erudita ou popular existiam grupos intelectualizados que fomentavam o plano cultural da cidade. Nesse toada encontra-se o artista popular Lindolfo Mesquita.

Lindolfo Mesquita, o Zé Vicente, como ficou conhecido, nasceu em Belém em 11 de Janeiro de 1898. Possuía origem modesta, filho de migrantes cearenses e “profundo conhecedor do cotidiano popular nas feiras da cidade, junto aos caixeiros portugueses, os comerciantes libaneses, os ribeirinhos da região das ilhas próximas a Belém e principalmente dos cordelistas e cantadores nordestinos que fizeram fama no Pará”218. Fez carreira no

jornalismo. Ainda jovem, na década de 1920, foi repórter do matutino Folha do Norte, escrevia crônicas humorísticas em coluna intitulada “Na Polícia e nas Ruas”, naquele momento já assinava com o pseudônimo que o consagraria como poeta popular219.

Ainda na década de 1920, entre 1925 e 1926, surge do grupo de Belém Nova o jornal Jazz Brando que acompanhava a revista. Era uma espécie “faceta lúdica e divertida dos começos da revista”220. Seu diretor era Lindolfo Mesquita que já mostrava seu envolvimento

com a cultura e também o elemento satírico que irá permear ao longo de sua vasta obra.

217 MENEZES NETO, 2008. Op. Cit. p.24

218 FIGUEIREDO, Aldrin. Os Vandalos do Apocalipse e outras historias: arte e literatura no Pará dos anos 20. Belém: IAP, 2012, p.79

219 SALLES, Vicente. Repente e cordel, literatura popular em versos na Amazônia. Rio de Janeiro: FUNARTE/Instituto Nacional do Folclore, 1985. p.188

Na década de 1930, perde emprego no jornal por ser funcionário público e identificar- se com o regime que havia sido deposto pelo movimento de 30. Contudo, anos depois volta ao Pará defendendo os ideais do grupo do governador Joaquim Magalhães Barata. Além de poeta, Lindolfo Mesquita também atuou como homem público em cargos do governo como, por exemplo, foi diretor do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP), em 1943; diretor da Biblioteca e Arquivo Público, de 1944 a 1947; deputado estadual de 1947 a 1950; juiz do Tribunal de Contas do Estado do Pará (1951) e seu presidente por dois mandatos (1957/1958 e 1967), ocupando ainda, no período 1965 a 1966, o cargo de vice- presidente. Aposentou-se no dia 8 de fevereiro de 1968221.

Para além da mera poesia é necessário perceber que existe um sujeito que a escreve e, evidentemente, esse artista possuía uma trajetória social, uma história e bagagem que, querendo ou não, influenciam diretamente na maneira como produz. O momento em que estoura a Segunda Guerra Mundial e é publicado o folheto O Brasil rompeu com eles, Zé Vicente fazia parte do governo do então Interventor Magalhães Barata e tem claramente sinais do Estado que defendia, as bandeiras nacionalistas são hasteadas e é clara uma defesa acerca do elemento nacional em sua poesia.

Uma característica da Literatura do Cordel no Pará é sua relação com os jornais da época. Lindolfo Mesquita, que era oriundo do meio, lia as notícias da Guerra propaladas cotidianamente na capital. É possível perceber como o cordel conseguia captar o que estava ocorrendo naquele momento e fazer uma espécie de tradução para um público diferenciado, expondo seu conteúdo com linguajar menos rebuscado. Franciane Lacerda, afirma que a literatura de Cordel possui uma escrita mais simples, uma linguagem que seja mais acessível de histórias destacadas na imprensa ou construídas pela tradição oral222. Esse linguajar justifica-se quando se percebe que grande parte da população paraense/ brasileira (na década de 1940) era analfabeta e, além disso, a poesia seria falada, cantada, portanto, deveria levar em conta os seus leitores/ouvintes.

Exemplo disso pode ser percebido quando, em terras amazônicas, as notícias chegavam de outras capitais e eram propaladas nas páginas dos jornais. Com a tomada de decisão do governo brasileiro de romper relações com os países que formavam o Eixo Roma- Berlim-Tóquio, os jornais em Belém exibiram manchetes como a de 28 de Janeiro de 1942 quando em A Vanguarda que “O Brasil rompeu com o eixo!”223

221 GASPAR, Lúcia. Zé Vicente. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Online. 222 LACERDA, Op. Cit. p.3

Com o fim das relações diplomáticas, o governo lança uma série de medidas de austeridade que passaram a cercear a vida e o cotidiano de alemães, japoneses e italianos no país. Em Belém, essa realidade não será diferente. Os estrangeiros provenientes dos países do eixo terão clubes fechados, escolas extintas, sujeitos enviados para campos de concentração no interior. Enfim, após a mudança de perspectiva do governo em relação a esses países, haverá também uma mudança na imprensa, e inclusive, em outros meios como no cinema, na literatura e até mesmo peça de teatro será encenada para criar uma imagem dos inimigos do Brasil na guerra.

A essas informações, Zé Vicente, mostrou-se atento e, no cordel, já demonstra seu tom crítico revelando seus interesses. O autor enfatiza o rompimento das relações do país com os países eixistas que podem ser evidenciadas nos versos:

“Rompemos as relações Com japonês e alemão Italiano também

Vem de carrinho de mão Amisade só existe

Com paiz que for irmão”.224

É bom lembrar que, por trás da poesia, há sempre um contexto em que está circunscrita. Neste caso, essa foi escrita em Junho de 1943. Durante esse período fora criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão governamental que controlava os meios midiáticos de todo o país. Lindolfo Mesquita havia sido recentemente nomeado para a função de Diretor Estadual do referido órgão e, ele como responsável pelo controle de publicações, como exemplo dos interesses do governo, legitima seu discurso através da literatura do cordel. Havia uma posição clara do Estado em criar um clima hostil contra os estrangeiros ascendentes dos países do eixo, a literatura popular foi meio encontrado para alcançar ou reforçar ideia para grupos letrados e iletrados ou que possuíam contato com o Cordel.

Com o inimigo sendo descoberto e desvelado, a poesia vai progressivamente construindo e reproduzindo uma imagem daqueles que representariam um elemento perigoso a nação.

Benzer Belgeler