AFYONKARAHİSAR İLİ’NDEKİ ANONİM ŞİRKETLER ÜZERİNE BİR ARAŞTIRMA
5. Verilerin Analiz
6.3. Kurumsal Yönetim Algısına İlişkin Önermelerin Analiz
6.3.2. Kurumsal Yönetim Algısı ve Yatırımcılar için Önem
Toda e qualquer prática social, por mais simples e elementar que seja, não escapa à necessidade de configurar seu campo operatório de ação. Esta atividade assegura a organização espacial segundo a importância dada pelos indivíduos e pelos grupos sociais, produzindo objetos que, na medida em que são erigidos, ganham um arranjo sistêmico a influenciar na realização de novas práticas sociais. O conjunto das relações descritas, ao longo da história, determina a produção espacial.
Esta produção, todavia, permite assegurar o controle sobre o que se quer construir, possuir, distribuir, alocar e negociar. Permite também impor e manter uma ou várias ordens, garantindo que os objetos e suas funções tenham um fim coletivo ou privado. Por fim,
permite definir o conjunto das relações sociais, econômicas e ideológico-culturais como relações de poder. Quando isso acontece, temos a necessidade de enfatizar no espaço o recorte do território.
Este território, assim como o espaço, também suporta e condiciona as práticas sociais, já que é produzido a partir de certas intencionalidades, assumindo novo significado na medida em que o tempo transcorre e os objetos que o compõe se acumulam. O caminho que vai do espaço ao território passa então por um conjunto de relações de poder: poder
político, poder econômico, poder da ideologia18.
Em determinados territórios, sobrepõe-se o poder político sobre o poder econômico.
Em outros, a economia e a política tem uma influência muito maior das ideologias19. Muitas
vezes, é a economia que produz a ideologia para conduzir a política. Mas o importante é que todas essas dimensões sejam consideradas na definição de um território, pois assim como elas são contidas por ele, elas também o contém.
Esta relação do contém e do ser contido implica numa tessitura que, por sua vez, remete a uma noção de limite, um dos componentes gerais mais importantes de toda prática social e espacial (RAFFESTIN, 1993). Falar de tessituras, nesse sentido, é falar de limites, isto é, componentes que exprimem as relações que um grupo mantém com uma porção do espaço, o território. Devemos considerar esses elementos porque as ações dos grupos sociais sempre exigem delimitações e, quando isso não se dá, elas se dissolvem pura e simplesmente.
Mas se as tessituras sempre enquadram um poder, este, por sua vez, vai ganhar um alcance que pode atingir uma ou mais escalas geográficas (RAFFESTIN, 1993). A capacidade de difusão interescalar de um poder nos leva a concluir que os territórios não apresentam limites apenas lineares, ou seja, aqueles limites que abrangem os espaços contíguos. Muitas vezes, os limites de poder de um determinado território alcançam enorme distância e o arranjo reticular, comum nestes tempos de “sociedade em rede” (CASTELLS, 1999), é a forma segundo a qual essas relações são estabelecidas. Como informa Raffestin (1993, p. 154), isso nos conduz a pensarmos “os limites não somente do ponto de vista
18 Aceitamos o conceito de ideologia trabalhado por Terry Eagleton (1997, p. 194/195), para quem o mesmo tem
“como objetivo revelar algo da relação entre uma enunciação e suas condições materiais de possibilidade, quando essas condições de possibilidades são vistas à luz de certas lutas de poder centrais para a reprodução de toda uma forma da vida social”. O autor supera a visão que explica a ideologia como “falsa consciência”, ao informar que ela “nunca é o mero efeito expressivo de interesses sociais objetivos, mas tampouco são todos os significantes ideológicos aleatórios no que diz respeito a tais interesses”. A ideologia nesse sentido, “deve afigurar-se como uma força social organizadora que constitui ativamente sujeitos humanos nas raízes de sua experiência vivida e busca equipá-los com formas de valor e crença relevantes para suas tarefas sociais específicas e para a reprodução geral da ordem social”.
19 Neste caso, como informa Moraes (2005, p. 44), poder-se-ia dizer “ideologias territoriais ou geográficas”, ou
seja, quando as ideologias “alimentam tanto as concepções que regem as políticas territoriais dos Estados, quanto à autoconsciência que os diferentes grupos sociais constroem a respeito de seu espaço e da sua relação com ele”. Ou, então, pensar na “idéologie espatiale”, nos termos em que Anne Gilbert (apud LÉVY e LASSAULT, 2003, p. 482) o emprega, isto é, como um “système d’idées et de jugements, organisé et autonome, qui sert à décrire, expliquer, interpréter ou justifier la situation d’un groupe ou d’une collectivité dans l’espace”.
linear”, mas também do ponto de vista das zonas e das redes. Tal fato se dá porque muitos limites são zonais e reticulares,
na medida em que a área delimitada não é, necessariamente, a sede de uma soberania fixada de forma rígida, mas a sede de uma atividade econômica ou cultural que não se esgota bruscamente no território, mas de maneira progressiva (RAFFESTIN, 1993, p. 154).
Às vezes um território tem um limite político-administrativo e outro econômico. Da mesma forma, os limites de influência de uma ideologia produzida num território podem ultrapassar as redes que a sua influência econômica estabelece, fazendo com que as tessituras se superponham, se cortem e se recortem sem cessar (RAFFESTIN, 1993). Organizado a partir do arranjo de várias malhas, um mesmo território apresenta vários limites de influência, em função das dimensões as quais se queiram considerar. Mas como não há como pensar o território sem o arranjo relacional das dimensões que o compõe, essa superposição de influências é exatamente aquilo que vai lhe caracterizar.
Não conseguiríamos encontrar o arranjo multidimensional do território cearense sem levar em consideração esses pontos levantados por Raffestin. No Ceará, assim como em qualquer outro território, o arranjo sistêmico das ações e dos objetos foram minuciosamente produzidos a partir de relações de poder. Mas essas relações sofreram larga influência de mecanismos exógenos ao território, e na composição dos grupos diretamente relacionados com as transformações mais recentes, as relações definidas dentro do Ceará também influenciaram grupos e ideias fora do território. Têm-se um arranjo interescalar estabelecido, rico em elementos de influência recíproca em que, tanto o estado se abre aos ditames provenientes de outros territórios, como direciona certos encaminhamentos produzidos dentro das suas fronteiras. As influências dadas e recebidas passam pelas dimensões políticas, econômicas e pela imagem de modernidade largamente difundida como ideologia, servida a quem possa interessar.
Ao tentar entender a produção do Ceará levando em consideração esses preceitos, discorreremos neste item sobre as características econômicas e político-ideológicas que firmaram as particularidades territoriais deste estado nos últimos trinta anos. Ao realizar esta atividade, também tentaremos apontar os limites (RAFFESTIN, 1993) cearenses que qualificam sua influência territorial. Ao fim da seção procuraremos realizar a síntese do territorial, apresentando a sua organização interescalar a partir de um conjunto sistemático de objetos e ações que demarcam o Ceará como território da acumulação privada, no seio de uma nova configuração de acumulação capitalista.
1.3.1. O CEARÁ DA DIMENSÃO ECONÔMICA
Iniciamos a discussão sobre a dimensão econômica que configura o território cearense procurando quebrar um mito. A introdução dos objetos e das ações para a construção de uma economia de mercado, pautada na acumulação industrial como referência de modernização da sociedade cearense, não foi realizada pelos empresários- políticos provenientes do CIC. A inversão da axiomática causa/efeito é produto da imagem mítica largamente difunda pela nova elite dirigente cearense, especializada na produção da arte publicitária.
Na verdade a manifestação da intencionalidade e das ações que asseguraram as mudanças de um Ceará agrícola para um Ceará dinamizado pelas atividades econômicas industriais e urbanas, já se dava desde a década de 1960, ampliando-se principalmente dez anos depois. Os empresários do CIC já são o produto de uma transformação econômica processual, dada desde os tempos em que o BNB e a SUDENE financiavam investimentos na indústria local e incentivavam médios produtores a redefinirem suas produções e seus mercados, na busca de superar as dificuldades impostas, entre outros, pelos problemas climáticos crônicos do estado. Além disso, nos anos de 1970, o FINOR contribuiu deveras para aparelhar muitas empresas locais, introduzindo nova tecnologia e uma mentalidade de maior difusão dos produtos cearenses no mercado nacional (FERREIRA, 1995).
Desse modo, é durante os governos do chamado ciclo dos “coronéis”20 que as mais
tradicionais características da economia cearense começaram a mudar. Muitos projetos estruturantes foram idealizados e a participação ativa de governadores como Virgílio Távora frente aos programas federais de financiamento da acumulação privada e industrial, como o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), elaborado pelo governo da ditadura militar, expandiu o papel da indústria e dos serviços modernos na geração de riquezas do estado, em detrimento da participação da agricultura tradicional de sequeiro. Com os dois governos de Virgílio (1962-1966 e 1979-1982), por exemplo, deu-se a arrancada da industrialização, abriram-se estradas cortando todo o território cearense e construiu-se o projeto de tornar o Ceará o terceiro Pólo Industrial do Nordeste, atrás de Bahia e Pernambuco.
Uma das mais importantes obras desse período, associada também ao governador Virgílio Távora, foi trazer para o Ceará a energia da usina hidrelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, que superaram as dificuldades estruturais do estado no âmbito das demandas
empresariais e domésticas por energia elétrica21. Após a garantia da ligação da hidrelétrica
20 Segundo Gondim (1998) o ciclo dos “governos dos coronéis” no Ceará inclui as administrações de Virgílio
Távora (1962-1966); Plácido Castelo (1967-1970); César Cals (1971-1974); Adauto Bezerra (1975-1978); Virgílio Távora (1979-1982) e Gonzaga Mota (1983-1986).
21
“Antes de 1961, toda energia consumida no Estado era fornecida por grupos geradores termoelétricos, com fornecimento precário e caro, apesar da Companhia Hidroelétrica do Vale do São Francisco (CHESF) e da geração de energia hidráulica no Nordeste já serem realidade desde 1949” (AMARAL FILHO, 2004).
de Paulo Afonso até Fortaleza, em 1965, realizou-se também uma nova ligação com a usina
hidrelétrica de Boa Esperança22, na divisa do Piauí com o Maranhão (Rio Parnaíba),
inserindo o Ceará no sistema de abastecimento elétrico completo do Nordeste. Com isso, articulou-se à demanda e a distribuição cearense à distribuição dos estados mais dinâmicos da região, criando uma estrutura de rede de abastecimento que se mantém muito próxima da atual, apresentada no cartograma 02.
Ao observarmos mais detalhadamente o cartograma 02 e percebermos que as redes elétricas montadas dentro do Ceará cobrem principalmente o Norte (distribuição para a região de Sobral vinda da usina de Boa Esperança) e o Sul (que abastece a região do Cariri vinda do sistema Paulo Afonso, Sobradinho, Xingó e Petrolândia) do estado, as duas se dirigindo em seguida para Fortaleza, percebemos que a estrutura atual de abastecimento foi delineada nas décadas de 1960 e 1970, quando se decidiu sobre quais seriam os pólos econômicos mais relevantes para receber os grandes fixos de distribuição elétrica.
No final dos anos de 1970, após a concretização das infraestruturas de distribuição elétrica e dos transportes, muitas ações priorizaram consolidar o processo de industrialização no Ceará, entre elas o empenho para a aprovação de projetos privados financiados pela SUDENE, a montagem de uma estrutura habitacional e de circulação nos municípios vizinhos da capital do estado e a instalação do Distrito Industrial de Fortaleza, localizado em Maracanaú, na fronteira sul da cidade.
Finalmente, como uma das ações mais relevantes, precursora das políticas implementadas nos governos seguintes, estimulou-se a instalação de empresas industriais provenientes do Sudeste do Brasil, em especial aquelas dos ramos tradicionais, identificadas com a produção local, como o Grupo Gerdau, a Vicunha Têxtil, a Têxtil
Machado, entre outras (CEARÁ, 1980)23.
22
Esse fato deu-se em 1973, no Governo de César Cals, quando também se encerrou a geração de energia elétrica pelos grupos geradores termelétricos.
Linha 1
Brasil