BÖLÜM 1. KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE
1.3. Türkiye’de Koruyucu Aile Hizmeti
1.3.7. Koruyucu Aileye Yapılacak Ödemeler
Por força da Emenda Constitucional nº 20/1998, foi alterado o caput do artigo 201 da Constituição Federal, passando a vigorar com o seguinte teor:
Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...)” – grifos meus.
Também foi introduzido no texto constitucional o artigo 250, verbis:
Art. 250. Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento dos benefícios concedidos pelo regime geral de previdência social, em adição aos recursos de sua arrecadação, a União poderá constituir fundo integrado por bens, direitos e
118 NEVES, José. Privatização da Previdência Social: nove equívocos e uma incógnita. In CÉSAR, Afonso. A
ativos de qualquer natureza, mediante lei que disporá sobre a natureza e administração desse fundo.119
Uma breve análise histórica das finanças públicas dos países, entre os quais o Brasil, demonstra que o equilíbrio orçamentário não é um direito fundamental, mas sim uma forma de gestão do dinheiro público, vale dizer, é uma opção expressa do Poder Público, a ser adotada se e quando entender conveniente.
De acordo com o relato de Aliomar Baleeiro, até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o equilíbrio orçamentário era a “regra de ouro das finanças públicas”. A partir daí, em face dos graves prejuízos advindos, os Estados foram obrigados a gastar mais a fim de se recuperarem dos efeitos da crise. Perderam, então, “o complexo de culpa em relação ao déficit”. Acostumaram-se a esse fato e tiveram provas concretas de que ele, ao invés de consequências catastróficas, poderia gerar, em certas circunstâncias, melhores condições de vida para o País. Conclui, assim, que “o equilíbrio orçamentário é desejável em certos casos. Pode ser impossível e inelutável em outros. E será nocivo em circunstâncias especiais”120 (grifos do Autor).
A análise das finanças públicas brasileiras atesta que no período compreendido entre 1890 e 1973, ou seja, em 83 exercícios, houve superávit em 15 e déficit nos outros 68.121
Tais fatos comprovam que o equilíbrio financeiro pode ou não ser uma meta a ser alcançada, “o problema é de oportunidade e rigor de apreciação da conjuntura”.122
Visando sanear os gastos públicos e corrigir as distorções do regime previdenciário, a opção política tomada pelo Governo consistiu na adoção de um modelo essencialmente contributivo e que deve buscar o equilíbrio financeiro e atuarial.
O atual déficit da Previdência é atribuído por alguns economistas e pelo próprio Governo às aposentadorias rurais. 123
119 O Fundo do Regime Geral de Previdência Social foi regulamentado pela Lei de Responsabilidade Fiscal
(Lei Complementar 101/2000).
120 BALEEIRO, Aliomar. Uma introdução à ciência das finanças. 15. ed., rev. e atual. Rio de Janeiro:
Forense, 1998. p. 425-427.
121 Idem, ibidem, p. 427. 122 Idem, ibidem, p. 428.
123 Na nota de rodapé 194 de seu livro (O orçamento da Seguridade Social e a efetividade dos direitos
sociais. Curitiba: Juruá, 2009. p. 163), Ricardo Pires Calciolari apresenta trecho do artigo escrito por Cristian
Jungblut (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/01/09/levantamento-mostra-que-aposentadorias-rurais-que- nao-contribuem-com-previdencia-representaram-35-dos-benefícios-em-2008-591616298.asp) que bem demonstra o teor das críticas lançadas: “A distorção fica clara ao se verificar os gastos da Previdência: o sistema rural corresponde a apenas 19,7% da despesa total de R$ 182,5 bilhões do setor no ano, mas, em contrapartida, é o maior responsável pelo déficit do sistema geral. A despesa com benefícios rurais chegou a R$ 36,6 bilhões em 2008, com uma arrecadação de apenas R$ 4,6 bilhões, segundo dados fechados em
No entanto, a Constituição Federal de 1988 determinou expressamente que a uniformidade e a equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais é um dos objetivos a serem perseguidos pela Seguridade Social (CFR, artigo 194, parágrafo único, II), como também não é correto afirmar que os trabalhadores rurais nunca contribuíram, vez que, nos termos da legislação anterior (Lei Complementar nº 11/71), era devida contribuição pelo rurícola, incidente sobre a comercialização dos produtos rurais.
Uma análise pormenorizada revela que parte das receitas do orçamento da Seguridade Social é utilizada para pagamento de benefícios devidos a servidores inativos da União, bem como a salários dos servidores ativos da União. Ora, por força da própria Constituição Federal os servidores públicos – ativos e inativos – estão submetidos a um regime próprio de Previdência Social (artigo 40), sendo indevido o pagamento de benefícios com recursos arrecadados pelo regime geral, como adverte Ricardo Pires Calciolari:
O regime de previdência próprio dos servidores é exposto pelo art. 40 da Constituição de 1988, deixando claro que as disposições relativas ao Regime Geral de Previdência Social serão aplicadas aos servidores públicos apenas subsidiariamente (art. 40, § 12, da Constituição, com a redação dada pela Emenda 20, de 15.12.1998). Assim, verificamos que o regime jurídico da previdência do regime próprio e do regime geral são diversos. Desse modo, devemos concluir que o sistema de Seguridade Social não abrange a previdência dos regimes próprios dos diversos Estados-membros, Municípios, Distrito Federal e União. Sendo assim, não poderia ser computado como despesa da Seguridade Social o custeio dos benéficos previdenciários dos inativos da União, pois, além de atacar a boa hermenêutica dos dispositivos constitucionais citados, ofende a lógica do federalismo cooperativo (...).124
Parte da doutrina aponta como causa do déficit o financiamento intergeracional125, sendo de rigor obstar a inércia dos poderes competentes, incitando-os a tomar as medidas necessárias e adequadas para resolver a questão, especialmente, a observância da vinculação determinada constitucionalmente.126 Confira-se:
novembro. Em 2008, de todos os tipos de benefícios concedidos pela Previdência, os rurais representaram quase um terço: foram 4,11 milhões de benefícios, sendo 3,15 milhões urbanos e 965,8 mil rurais. O rombo tem origem em 1988, quando a Constituição criou regras especiais para as aposentadorias rurais, sem exigir contribuição direta, como no caso do trabalhador urbano. Para obter o benefício, basta o trabalhador ou agricultor demonstrar que está exercendo a atividade rural na data de entrada do requerimento. E mais: a aposentadoria rural é concedida aos 60 anos, para os homens, e aos 55 para as mulheres, cinco anos a menos do que na regra geral”.
124 CALCIOLARI, Ricardo Pires. Op. cit., 2009, p. 154-155.
125 Cite-se, por exemplo, Ricardo Pires Calciolari, Fábio Adriano Miessi Sanches, entre outros. 126 CALCIOLARI, Ricardo. Op. cit., 2009, p. 166.
Os números utilizados para avaliar a situação financeira da Previdência são normalmente enganosos e alarmistas. Divulga-se que o déficit previdenciário, em 2005, foi de R$ 37,6 bilhões e, em 2006, de R$ 42 bilhões. O que tem sido chamado de déficit da Previdência é, entretanto, o saldo previdenciário negativo, ou seja, a soma de receitas das contribuições ao INSS sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho deduzidas dos benefícios previdenciários do RGPS. Esse cálculo não leva em consideração todas as receitas que devem ser alocadas para a Previdência Social, conforme estabelece o artigo 195 da Constituição Federal de 1988, que versa sobre o orçamento próprio e exclusivo da seguridade social. Deixam-se de computar recursos significativos provenientes da Cofins, CPMF, CSLL e receita de concursos de prognóstico. Essas receitas financiam a saúde, assistência social e também a Previdência. Sem incluí-las no cálculo, o resultado fere os princípios constitucionais e resulta num déficit irreal. Se computada a totalidade das fontes de recurso que cabem à Previdência, conforme disposto na Carta Magna, e deduzida a despesa total inclusive com pessoal, custeio, dívida do setor e gastos não previdenciários, o resultado apurado será um superávit de R$ 921 milhões em 2005 e R$ 1,2 bilhão em 2006 (...). Houve superávit em todos os últimos sete anos, com exceção de 2003. Esse superávit, denominado superávit operacional, uma informação favorável ao sistema público de previdência, não é, entretanto, divulgado para a população como sendo o resultado da Previdência Social.127
Ao apresentar seu voto no julgamento da ADIN nº 3.105-8/DF128, o Ministro Carlos Britto aponta para a mesma direção:
Agora, do ângulo do Poder Público, exclusivamente, o dispositivo constitucional em causa (art. 40, caput) estabeleceu que a Previdência Social deverá ser organizada com observância de critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. É deduzir: cabe ao Poder Público, enquanto exclusivo gestor das verbas arrecadadas, fazê-las render o suficiente para assegurar a continuidade vitalícia dos benefícios que são próprios do sistema; estabelecendo, para tanto, uma política de número de funcionários, fixação de base de cálculo e de percentual de descontos previdenciários o bastante para o alcance perene daquele patamar de autossuficiência financeira.
Ou seja, a questão do equilíbrio atuarial e financeiro não diz respeito ao servidor, diz respeito ao gerente. Compete ao gerente administrar a arrecadação de recursos para fazê-los render o suficiente para a autossustentação financeira do sistema. Não interessa ao servidor, mas, sim, ao gerente. Quero dizer que, muitas vezes, a questão da Previdência, quando se fala em déficit, Sra. Relatora, não é uma questão de Previdência, porém de providência, providência gerencial do Poder Público. Tanto assim, o sistema é teoricamente rentável e autossuficiente que o mercado previdenciário privado experimenta o maior assanhamento para abocanhar uma fatia desse mercado promissor.
E os fundos de pensão, que nadam em dinheiro, evidenciam que o sistema é rentável, é autossustentável.
127 GENTIL, Denise Lobato. A política fiscal e a falsa crise do sistema de seguridade social no Brasil: análise
financeira do período recente. In SICSÚ, João (org.). Arrecadação (de onde vem?) e gastos públicos (para
onde vão?). São Paulo: Boitempo, 2007. p. 30.