• Sonuç bulunamadı

O signo como forma mediadora, adentra pela percepção e expande pelo pensamento/linguagem, que por sua vez tem a propriedade de armazenamento de informações

para um intérprete (que difere de interpretante). Apesar de algumas vezes Peirce empregar o termo intérprete, suas intenções eram referentes ao interpretante do signo, mas aqui, intérprete serve para definir num sentido de quem se apropria do poder cognoscível do signo, de uma operacionalização da mente a partir da semiose. Há nesse sentido um deslocamento da tríade perceptiva explanada anteriormente. Sai do foco dos estímulos-signo para as estruturas receptivas, não às inatas, propostas pela Gestalt ou pelas Neurociências, mas à de cunho social, a superfície mais maleável de observação do efeito da experiência. Tem –se frisado que a Teoria dos Signos de Peirce permite a investigação mais ínfima da percepção, mas também permite observar as camadas que se formam em direção oposta a essa questão ínfima, ou seja, as conjecturas sociais que incidem sobre os fenômenos perceptivos. Essas conjecturas, que se inserem na predominância da categoria da terceiridade, têm maior visibilidade na linguagem.

O limiar entre a linguagem e a percepção se sujeita a uma visão unilateral da questão conceitual e territorial sobre o conceito de linguagem. Numa rápida revisão do conceito em algumas abordagens acadêmicas, tais como: Eccles (1991), Langer (1980), Vigostskii (1991), Piaget (1987), Gardner (1995), foram mobservados traços comuns nos conceitos, tais como: algo exclusivo da humanidade, a atribuição de significados às coisas para serem manipuladas pela mente e a mediadora entre o homem e o meio . Todas convergindo para um traço singular, ou seja, a linguagem como a forma de mediação entre o homem e o mundo,. Porém tomam a concepção de linguagem sob um prisma verbal e antropocentrista, comparado ao tratamento do conceito pela viés peirciano.

Bakhtin (1992) também está incluído no âmbito “verbocentrista” da conceituação da linguagem, mas tem características mais claras sobre uma visão sígnica da linguagem. A linguagem, sob ótica do signo, adquire maior aprofundamento na sua estrutura quando dissemina a idéia de signo como fato externo ao indivíduo, que leva a uma aproximação da dualidade relacional da percepção: exterioridade e interioridade, o signo que reflete e refrata, mas que provavelmente, trata-se de um signo genuíno, aquele que pertence a semiose da linguagem, enquanto a percepção está na formação do signo, aquele que está para a semiose perceptiva. O papel socializante do signo, a preocupação “bakhtinina”, refere-se ao signo como veículo de linguagem indivíduo e sociedade. Outra relevância comparacional com a base nos conceitos peirciano é a idéia de que a apreensão de um signo se dá ela aproximação de outros signos conhecidos, uma concepção de semiose, mas uma semiose que se baseia em signos verbais na condição de legisignos e deflagra um critério de associação para a

A proeminência do estudo da linguagem, antes de tudo como fenômeno social, nasce de uma questão mais palpável para os objetos de estudo, assim como sua valoração verbal, a causa e o efeito aparente do percurso evolutivo do homem, portanto a linguagem verbal, indiscutivelmente, tem sua geratriz na necessidade social da palavra, nasce sob forte intuito comunicativo. Esta consciência permite atingir a frágil distinção entre linguagem e comunicação. A primeira tem a função de mediar e tornar cognoscível o mundo para um sujeito e, portanto ainda está restrita a um universo unilateral, mas ao ser operacionalizada para atingir um outro elemento com fins de transmitir informações e, até mesmo, de alterar a conduta deste outro, estabelece um vínculo comunicacional. A linguagem não se inicia na comunicação, mas a comunicação se inicia na linguagem, que, por sua, vez se inicia no signo. Essa seqüência de observações leva a revisão da primeira idéia, o verbo como causa de percursos evolutivos estruturados pela relação comunicacional, ou seja, não se trata da forma apenas verbal da linguagem, mas a condição de terceiridade do signo (símbolo, legisigno, argumento) que também podem estar presentes nas linguagens classificadas, inconsistentemente, de não verbais. A articulação de símbolos, que são passiveis de memória rígida e apontamento futuro, é o ponto fundamental do desenvolvimento de uma espécie, seja através do seu acumulo genético como no social.

A extensão da linguagem para outras formas tem sido caminhos muitas vezes falaciosos: primeiro a expansão do termo além das fronteiras verbal e depois uma classificação sob a expressão “não-verbal”, que encerra uma totalidade de manifestações da linguagem. Essa denominação parte de uma negação daquela que é considerada preferencialmente linguagem – a verbal. Entres essas ditas não verbais, encontram-se complexos sistemas de signos que são, geralmente, postos numa hierarquia inferior ou classificados sob vã tentativas baseadas na produção da linguagem, sem reconhecer de fato a linguagem humana na sua base – o signo.

Se a percepção e linguagem são zonas intrínsecas, associadas ainda à cognição, o pensamento também está implícito na idéia de linguagem. Como se observa em Santaella (2001 p.56): “Para que a ponte de ligação entre o pensamento e linguagem fique mais visível, é preciso considerar que os signos podem ser internos ou externos, ou seja, podem se manifestar sob a forma de pensamentos interiores ou se alojar em suportes ou meios externos materiais.” O signo, que é anterior ao pensamento e a linguagem, torna-se mais concreto a partir dessas faculdades da mente que são simultâneas e interativas entre si.

interpretante e para o representamen, esta consideração leva a compreender que a percepção está para o objeto assim como o pensamento está para o interpretante e a linguagem para a representação, lembrando que dada a unicidade do signo, esses três aspectos se interagem. Reforça-se a distinção que foi assinalada anteriormente entre as fronteiras da linguagem e da comunicação, ou seja, a linguagem enquanto capacidade do cognoscível, produz signos para uma mente em si mesma, define o pensamento e tem na produção social a sua manifestação mais concreta. Diante destas observações, a colocação da cognição não está excluída da relação percepção e linguagem, e muito menos o pensamento constituirá uma quarta parte. O pensamento-linguagem é um fenômeno único, apenas diferenciado pelas áreas de propagação.

Dada a capacidade cognoscível que caracteriza o fenômeno da linguagem, é evidente que a mesma está sobre o predomínio da terceira categoria, isto implica que a percepção a antecede e anterior a ambas está um universo de ações propondo reações, neste caso o mundo visual.

Benzer Belgeler