EKSPERTİZ RAPOR ÖZETLERİ devamı
DİPNOT 2 – KONSOLİDE FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR (Devamı)
Verificamos também expressões com o verbo “tomar” com certo grau de cristalização e idiomaticidade, que revelam não só aspectos culturais do léxico da Língua Portuguesa, mas também atestam a dinamicidade da língua. São as expressões cristalizadas. Essas expressões constituem conjuntos fechados, visto que fazem parte do falar globalizado do usuário da língua. Nelas, o verbo “tomar” serve para marcar noções de categorias verbais, como tempo, modo, aspecto, número e pessoa. Quanto ao aspecto sintático, as expressões cristalizadas são frases que apresentam estrutura semelhante a de um verbo predicador pleno. Quanto ao aspecto semântico, elas são, em geral, interpretadas pelos falantes com seu significado idiomático, e não pela soma dos sentidos literais das palavras que as compõem
(cf. VALE, 2001, p. 3-4). Nessas expressões, o verbo é esvaziado semântica e lexicalmente60, também são conhecidas como “idiomáticas”, “formas fixas”, “unidades fraseológicas” e “fraseologias”. Ao referir-se a essas expressões, Neves (2002, p.190) chama-as de “expressões verbais” com extrema soldadura e acrescenta que formam um bloco cristalizado com significado único. Neves (2002, p.190) considera, para a possibilidade de comparação, apenas as expressões fixas que têm a mesma organização sintática das construções com verbo-suporte, ou seja, as que tem verbo + SN. No entanto, admite que são inúmeras as expressões fixas com estrutura diferente de verbo + SN. A autora apresenta alguns exemplos, como: ter em mente, dar à luz, dar de cara, ser de amargar e um exemplo com o verbo tomar, que é tomar na cabeça.
Xatara (1998, p. 2) define que a “expressão idiomática é uma lexia complexa indecomponível, conotativa e cristalizada em um idioma pela tradição cultural”. Segundo essa autora, para identificarmos uma expressão idiomática, é necessário considerar três características: a indecomponibilidade da unidade fraseológica (quase não existindo possibilidade de substituição por associações paradigmáticas), a conotação (sua interpretação semântica não pode ser feita com base nos significados individuais de seus elementos) e a cristalização (consagração de um significado estável) (cf. XATARA et al, 2002, p. 184). Essas características estão presentes nas definições apresentadas por Neves (2002) e outros autores, como Langacker (1972, p.90) e Lakoff e Johnson (2002): retomando o teste 2, adaptado por Neves (2002), que serve como parâmetro para a distinção entre as construções com verbo-suporte e as expressões cristalizadas, notamos que, nas expressões cristalizadas, não há possibilidade de substituição do SN (Exemplo: Valéria tomou partido [tomou...?...] da tia; são construções de significado unitário, ou seja, seu significado não pode ser inferido através dos significados de suas partes e, em sua maioria, demonstram uma invariabilidade de unidades cristalizadas.
É notável a relação existente entre cultura e expressão idiomática, pois a expressão idiomática revela características da linguagem dos homens nas suas relações. A partir do conceito teórico de Xatara (1998), é possível compreender que as expressões idiomáticas são unidades fraseológicas que os falantes utilizam para se comunicar e revelam significados conotativos, bem como uma subjetividade e abstração da língua.
60 O verbo na expressão é esvaziado semântica e lexicalmente, mas a expressão não é esvaziada. Em uma
Como as expressões cristalizadas são herança cultural, ocorrem em nosso meio social e não estão inseridas em uma regra linguística. Biderman (2011, p. 756) postula que: “...as expressões idiomáticas são aprendidas de cor como se aprende o vocabulário do idioma e elas fazem parte do acervo da cultura e não do sistema linguístico”. A afirmação de Biderman (2011) nos chamou atenção quando diz “fazem parte do acervo da cultura e não do sistema linguístico”. Consideramos que o sistema linguístico é um conjunto formado pelas unidades da língua em uso e a serem usadas, e que se relacionam segundo regras determinadas. O sistema é uma entidade abstrata, coletiva e geral, memorizada na mente de todos os falantes de um grupo linguístico. Assim, acreditamos que não há como as expressões idiomáticas fazerem parte da cultura e não do sistema linguístico.
Langacker (1972, p.90) assim define: “uma expressão idiomática [unidade lexical complexa] é uma locução cujo significado não pode ser predito a partir dos significados individuais dos morfemas que a compõem”. Lakoff e Johnson (2002, p.119) chamam-nas de “palavras únicas”, pois o verbo, junto com outros itens lexicais ou gramaticais apresenta um grau de fixidez que não permite que a expressão seja entendida isoladamente, mas como um todo. Langacker (1972), assim como Lakoff e Johnson (2002), reconhecem que as características semânticas das expressões cristalizadas estão relacionadas com as características sintáticas das construções.
Para Langacker (1972, p.90-91), as expressões idiomáticas e as metáforas padronizadas apresentam semelhanças e são construções elaboradas pelo uso da língua.
As expressões idiomáticas em muitos casos são semelhantes a metáforas padronizadas como Stir up trouble[causar confusão] ou The heart of the matter[o
coração da matéria]. Na realidade, a origem metafórica de muitas expressões
idiomáticas é bastante evidente, e não há motivos para se tentar traçar uma linha divisória. Mas nem todas as expressões começam como metáforas. Se Kickthe bucket[bater as botas = morrer] teve uma origem metafórica, a natureza dessa metáfora já não é evidente para os falantes do inglês (LANGACKER, 1972, p. 90- 91)
Na tentativa de explicar diferenças entre as expressões idiomáticas “Bater as botas”, “Abanar o capacete” em relação à metáfora, consideramos que as expressões idiomáticas normalmente têm um significado preciso, o que não ocorre em geral com as metáforas; além disso, para compreender o significado de uma expressão idiomática, normalmente não se tem em conta o significado literal da frase. De acordo com Basílio (2004), uma expressão cristalizada, não pode ser interpretada por relações de significados, visto que a soma dos elementos que a compõe é constituída por uma combinação lexical metafórica. Assim, concordamos com as definições de Langacker (1972) e Basílio (2004),
para quem muitas expressões idiomáticas apresentam uma origem metafórica como em “botar o pé na estrada”, já que a expressão como um todo equivale a “viajar”. Os exemplos (7) a (9) mostram o uso do verbo tomar como parte de expressão cristalizada:
Português Arcaico:
(7) “chegou a essa comarca e leixou passar todo esse tempo e o inverno que nõ
tomou com elles guerra.” (CP-13:CIPM:CGEsp) Português Moderno:
(8) “Confesso a V. S. que não sei tomar pé nestas implicações.” (CP- 16:Vieira:Cartas)
Português contemporâneo:
(9) “Depois de tomar posse sozinho com o presidente em o Palácio da Alvorada, o ministro patrocinou uma...” tomar posse = assumir cargo∕função] (CP-19:N:Br:Folha)
“Depois de tomar posse sozinho com o presidente...” deve ser interpretado como: “Depois de assumir o cargo∕função sozinho com o presidente...”. Chegamos a esse entendimento porque o significado da unidade lexical tomar posse não foi deduzido da soma dos valores das palavras que compõem tal unidade, constituindo, assim, uma expressão cristalizada.