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EMLAK KONUT SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK ÇALIŞMALARI

Hopper (1991) se preocupou com dados sincrônicos e com a forma de analisar a gramaticalização como um processo. Hopper (1991, p.22-23) propõe cinco princípios de gramaticalização para a caracterização de um processo inicial de gramaticalização: Estratificação, Divergência, Especialização, Persistência, Decategorização. Os princípios de Hopper (1991) sugerem que, com o surgimento de novas camadas dentro de um domínio funcional, as camadas (ou formas) velhas não são necessariamente descartadas, podem coexistir e interagir com as camadas novas, que retêm vestígios de um sentido lexical antigo. A forma lexical original permanece autônoma e sofre as mesmas mudanças que outros itens lexicais. E o morfema ou a construção que sofre gramaticalização migra de uma categoria menos gramatical para outra, mais gramatical. Hopper (op.cit.) ressalta que esses princípios são gerais e aplicáveis a qualquer processo de mudança.

Esses princípios auxiliam a identificação de tendências de gramaticalização, ativadas nas situações de uso e servem para diagnosticar diferentes graus de gramaticalização, já que conferem aos elementos analisados o grau de “mais” ou “menos” gramaticalizados, partindo do pressuposto de que o processo já ocorre. Ao aplicar tais princípios, o pesquisador será capaz de dizer se uma forma está mais gramaticalizada ou não. Utilizamos como ilustração os mesmos exemplos apontados por Hopper (1991) para descrever cada um desses princípios.

a) Estratificação: dentro de um domínio funcional amplo, novas formas estão continuamente surgindo. Quando uma nova forma surge, as antigas não são necessariamente descartadas, podendo permanecer e co-existir com as mais recentes. Hopper (1991, p.23) exemplifica a estratificação com as formas de marcação de tempo passado em inglês, por alternância vocálica em drive/ drove – take/took. Outros exemplos de estratificação são mistress, mrs, miss e ms, que constituem as camadas de termos de tratamento.

b) Divergência: quando uma forma lexical se gramaticaliza, a forma fonte original pode permanecer como um elemento autônomo e pode sofrer as mesmas mudanças a que estão submetidos os itens lexicais que integram sua classe. Hopper (1991, p. 25) exemplifica a divergência com o verbo lexical no latim, habere, que continua como verbo lexical no francês e no português (J’ai/Eu tenho), passando também a auxiliar do particípio nas duas línguas (J’avais chanté/Eu tinha cantado), e o verbo habere da construção latina cantare habeo, que se tornou um afixo (Je chanterai/-ai; Eu cantarei). Hopper (1991, p.32) identifica a divergência como um caso particular de estratificação, já que implica coexistência de formas como, por exemplo, as formas mrs, miss e ms que se separam do substantivo original mistress, mas o nome permanece, com significado semelhante ao original.

c) Especialização: refere-se ao estreitamento das opções para se codificar uma determinada categoria, à medida que uma dessas opções começa a ocupar mais espaço porque é mais gramaticalizada. Uma consequência, indício desta especialização, é o aumento na frequência de uso da forma mais adiantada no processo de gramaticalização. Hopper (1991, p.26) exemplifica a especialização com o caso da negação em francês moderno (Il ne boit pas de vin/Ele não bebe vinho). A forma negativa em francês era constituída pelas partículas ne e pas, “passo” em francês. No século XVI, apenas pas e point predominaram. Depois, somente pas se tornou uma partícula negativa. Esse verbo foi selecionado para especializar-se como partícula negativa. Hopper (1991, p.32) exemplifica por meio da forma mistress que, em algum tempo, foi apenas uma dentro de um conjunto de denominações possíveis para mulheres; outras formas incluiriam termos de parentesco como mother, termos de status como widow e termos familiares como gossip.

d) Persistência: diz respeito à manutenção, por parte da forma em processo de gramaticalização, de alguns traços semânticos da forma fonte. A preservação dos traços, perceptível nos estágios iniciais e intermediários da gramaticalização, pode se diluir nas etapas mais avançadas. Todavia, mesmo imperceptível aos olhos leigos em linguística, é a persistência que, em muitos casos, explica certas restrições experimentadas por um dos estratos. Hopper (1991, p.29) explica a persistência com um exemplo de Bybee e Pagliuca (I think the bulk of this year's students will go into industry/Eu acho que a maioria dos estudantes deste ano entrará no mercado de trabalho). A forma will comportava o significado modal de disposição ou intenção. Tornou-se um futuro quando inanimados passaram a ser usados como sujeitos. Hopper (1991, p.33) cita que a restrição da denominação mrs a

mulheres adultas reflete a história do substantivo mistress, como uma forma feminina da designação mister.

e) Decategorização: remete à perda por parte da forma em processo de gramaticalização dos marcadores opcionais de categorialidade e de autonomia discursiva. Os nomes deixam de identificar participantes no discurso e os verbos, de reportar novos eventos. Hopper (1991, p.31) explica a decategorização com os exemplos: Ils se sont éloignés de trente pas/Eles afastaram-se trinta passos; Ils ne fument pas/Eles não fumam; *Ils ne fument un pas. Como se vê, a forma pas perde marca morfológica e privilégios sintáticos característicos da categoria lexical de nome e assume atributos característicos da categoria secundária de advérbio, como no esquema nome > advérbio. Para Hopper (1991, p.33) miss, mrs e ms são nomes descategorizados. Eles não têm a capacidade de receber acessórios morfossintáticos opcionais como artigos, demonstrativos e possessivos e não podem referir-se sozinhos a um participante do discurso.

Os princípios de Hopper, dada sua natureza de combinação entre aspectos sincrônicos e diacrônicos, podem auxiliar a compreensão da evolução do verbo tomar no português e controlar o processo de modo mais eficiente.