KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE YENİLEŞİM
2.1. KONAKLAMA İŞLETMELERİNİN TANIMI VE ÖZELLİKLERİ
2.1.1. Konaklama İşletmelerinin Tarihsel Gelişim
2.1.1.1. Konaklama İşletmelerinin Dünyadaki Tarihi Gelişim
Cada língua possui um certo número de expressões particulares para falar de fenômenos ou de situações do dia-a-dia. Essas expressões não podem ser interpretadas e traduzidas literalmente, pois são criadas segundo diferenças de percepção e representação da realidade próprias das diversas culturas.
A expressão idiomática pode ser definida como uma unidade sintática, lexicológica e semântica. O seu significado não pode ser calculado pelos significados das palavras contidas numa expressão e apresenta uma distribuição única ou muito restrita dos seus elementos lexicais.
A expressão idiomática atualiza-se no discurso, por isso o seu sentido pleno também só se atualiza inteiramente quando a expressão aparece contextualizada numa dada situação. Traduzir expressões idiomáticas é ter em conta a especificidade de cada tipo de texto, mas também a especificidade de cada língua, de cada povo, os seus usos e costumes, a sua expressividade.
Tratando-se de expressões de uso popular, Queneau as utiliza em grande número, algumas vezes com algumas alterações e outras ainda com o uso de metalinguagem para explicá-las.
a) expressões traduzidas pela correspondente em português
Falando do rei, o duque diz que já esperava que ele tomasse medidas antifeudais para “nous rogner les ongles” e “nous mettre au pas” (68), literalmente “aparar nossas unhas” e “nos colocar no passo”, significando diminuir nosso poder, nos controlar. Traduzimos por “nos cortar as asas” e “nos passar a perna”.
Outros exemplos de expressões traduzidas pela correspondente em português são: “c’est de la toute petite bière” (75), literalmente “é cerveja muito pequena”, significando “coisa sem importância”, traduzida por “é café pequeno”;
“serre la pince” (98 e 103), “serrer la pince”, literalmente “apertar a pinça”, significando “apertar a mão”, traduzida por “aperta os ossos”;
“menue voletaille” (129), “pequena ave”, significando “empregados subalternos”, traduzida por “arraia miúda”;
“tout était au poil” (130), “tudo estava no pelo”, significando “tudo estava perfeito”, traduzida por “estava tudo em cima”;
“croit l’affaire cuite” (151), “acha o assunto cozido”, significando “acha que já ganhou”, traduzida por “a vitória estava no papo”;
“mais vous avez apporté de l’eau à mon moulin” (209) “você trouxe água para o meu moinho”, significando “trazer vantagem”, traduzida por “mas o senhor puxou a brasa para minha sardinha”.
b) expressões com adaptações
Referindo-se ao trânsito e seus perigos, observa que “c’était l’heure où les
houatures vont boire” (31), numa referência à expressão “c’est l’heure où les éléphants vont
boire” (é a hora em que os elefantes vão beber). Na expressão correspondente em português “é a hora da onça beber água”, embora perdendo a possibilidade de imaginar que o carro bebe gasolina e não água, traduzimos por “era a hora do carro beber água”, pois a omissão da palavra água tornaria difícil o reconhecimento da expressão.
Reclamando da pouca quantidade de comida, o duque diz que há “à peine de quoi
se mettre sous la grosse dent” (32), adicionando o adjetivo à expressão corrente. Na tradução não adicionamos nenhum termo, o que descaracterizaria a expressão e traduzimos por “não dá nem pra encher a cova do dente”.
Num episódio em que o duque é multado por ter matado algumas pessoas, o valor da multa é calculado “par tête de pipe cassée” (54). A expressão francesa “casser la pipe”, literalmente “quebrar o cachimbo” significa “morrer” e corresponde à expressão portuguesa “bater as botas”. Dessa forma, na tradução, mantendo o passado, dissemos que a multa foi aplicada “para cada par de botas batidas”.
Em outra ocasião, falando de corrida de cavalos, o duque usa a expressão “comme
des chevaus sur la soupe” (257) em que a expressão “comme des cheveux sur la soupe” (como cabelos na sopa) foi alterada, criando um trocadilho com “chevaus” (cavalos), objeto da conversa. Usamos o mesmo procedimento em português, traduzindo por “como um caballo na sopa”.
c) expressões explicadas
Referindo-se à suposta gravidez de Aamélia, seu pretendente diz “qu’elle avait un
polichinelle dans le tiroir” (77) (que ela tinha um polichinelo na gaveta), e acrescenta “comme
disait mon grand-père” (como dizia meu avô) para indicar que se trata de uma expressão um tanto em desuso. Encontramos em português a expressão correspondente, também em desuso, e a mantivemos na tradução “que tinha um bolo no forno como dizia meu avô”.
Quando Cidrolin soube que as filhas e os genros almoçariam num restaurante de luxo para comemorar o casamento de Aamélia, sem tê-lo convidado, ele resmunga “ils font la
noce sans moi” (112). Em seguida, questionado por um passante, ele mesmo reconhece a ambiguidade da expressão e explica seu significado: “deux sens : petit a, se taper la cloche, et
petit b, célébrer un mariage”. Traduzimos por “fazem a festa sem mim” e, como aí se perde a noção de casamento, optamos por um acréscimo na explicação dada por Cidrolin: “dois sentidos: a minúsculo, encher o bucho, e b minúsculo, festejar, no caso, um casamento”.
Há ainda a expressão “Jeter le manche après la cognée” (jogar o cabo depois do machado). Essa expressão significa desistir, algo como “jogar a toalha” em português. No entanto, como ela também vem seguida de uma explicação que era importante manter porque serve para introduzir uma história de lenhador, optamos por traduzi-la ao pé da letra.
d) expressões adaptadas por causa da sintaxe textual
Depois de o duque quebrar um banco nas costas do cozinheiro este lhe suplica que não discuta mais “à bâtons rompus” (69). Essa expressão que literalmente seria “a bastões quebrados”, referência ao banco que foi quebrado em suas costas, significa “falar sem parar, de modo desconexo”. Optamos por traduzir “não quebrar o pau quando discutimos”, que, significando simplesmente discutir, perde o sentido de falar desconexo, mas guarda a referência à agressão ao cozinheiro, caso seja interpretada literalmente.
Duas vezes encontramos a expressão “revenir à ses moutons” (69 e 134), literalmente “voltar a seus carneiros”, que significa voltar ao assunto depois de uma digressão e que corresponde em português a “voltar à vaca fria”, expressão usada na tradução. No
entanto, essa tradução determinou a adaptação de outra expressão, pois quando o duque diz “j’ai d’autres chats à fouetter” (191) (tenho outros gatos para chicotear), significando “tenho outros assuntos a tratar”, tivemos que encontrar uma outra expressão que contivesse um animal, ainda que o sentido não fosse o mesmo, para permitir o diálogo em que a expressão é retomada. Traduzimos por “tenho alguns coelhos para tirar da cartola”. Dessa forma, quando o abade diz “revenons à nos moutons qui sont d’ailleurs des chats” (192), traduzimos por “voltemos às vacas frias que no caso são coelhos”, e quando o duque pergunta “Quels chats ?
- Ceux que vous fouettez, monsieur Hégault”, traduzimos por “Que coelhos? - Os que o senhor vai tirar da cartola, senhor Hegoal”.