• Sonuç bulunamadı

Konaklama İşletmelerinde Örgütsel Yenileşim

KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE YENİLEŞİM

2.4. KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE YENİLİKÇİ ÖRGÜT KÜLTÜRÜ

2.5.2. Konaklama İşletmelerinde Başlıca Yenileşim Türler

2.5.2.3. Konaklama İşletmelerinde Örgütsel Yenileşim

Esta não é propriamente uma marca de oralidade normal do francês, mas é utilizada nas falas das canadenses que procuram o camping. Nesse caso, o verbo é conjugado na primeira pessoa do plural em vez da primeira do singular. Como trata-se da fala de uma canadense que Cidrolin identifica com uma pele-vermelha, decidimos manter os verbos no infinitivo, reproduzindo um tipo de fala que, graças aos filmes americanos, tornou-se o estereótipo da fala dos pele-vermelhas:

“Je préférons l’eau pure” (21), “Eu preferir água pura”; “Je vous étonnons ?” (38), “Eu espantar você?”;

“Je sommes iroquoise, dit-elle, et je m’en flattons.” (38), “Eu ser iroquesa, disse ela e me orgulhar muito disso.”;

“Je vous avons réveillé ?” (38), “Eu acordar você?”;

“Je vous remercions, dit l’Iroquoise canadienne, et je vous prions de m’excuser” (38), “Eu agradecer, disse a iroquesa canadense, e pedir que me desculpe”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A tradução é um processo que representa sempre um desafio, uma vez que não há a possibilidade de reproduzir numa determinada língua um texto totalmente equivalente ao produzido originalmente em outra. Um texto totalmente equivalente não seria uma tradução, mas uma reprodução do original, como a tradução de Dom Quixote de Menard, no conhecido conto de Jorge Luís Borges. O tradutor, Pierre Menard, decide fazer a mais perfeita tradução do Quixote. Ele não quer escrever um Quixote contemporâneo, nem compor outro Quixote, nem copiar mecanicamente o original. O método que imagina é relativamente simples: conhecer bem o espanhol, recuperar a fé católica, guerrear contra os mouros ou contra o turco, esquecer a história da Europa entre os anos de 1602 e 1918, ser Miguel de Cervantes. Pierre Menard conseguiu o que queria: produzir umas páginas que coincidiam – palavra por palavra e linha por linha – com as de Miguel de Cervantes. 173

Sem pretensão ao trabalho utópico de Menard, cujo resultado não é uma tradução, só podemos pretender, ao traduzir um texto, restituir seu sentido em outra língua. No caso das obras de Queneau, há elementos que tornam ainda maior o desafio do tradutor: a presença da oralidade representada pela inclusão de elementos do francês falado, de níveis de língua diferentes, de arcaísmos e de um grande trabalho sobre o significante, como jogos de palavras, trocadilhos, rimas e aliterações que nem sempre podem ser reproduzidas em português pela tradução sugerida pelo dicionário. Com a crise do discurso, no início do século XX, já não se pode pensar numa correspondência biunívoca entre palavra e objeto do mundo. A ideia do signo como união de significante e significado já não satisfaz, visto que a significação trai, engana. Assim, o significante ganha autonomia e chega a comandar a significância do texto. Passa-se assim da significação à significância, e o significante, os jogos de palavra, os trocadilhos, por mais pobres que pareçam, têm uma função na construção dessa significância.

Se pensarmos no romance Les Fleurs bleues, podemos dizer que é justamente através desse trabalho com o significante e do humor que dele resulta, que Queneau se permite encarar as tragédias da História que, observadas pelo duque de Auge, resistem pouco, uma vez que para ele o que importa na realidade é a sua vida individual e seus interesses particulares que defende sem nenhum questionamento de ordem moral. Do outro lado, a vida de Cidrolin, totalmente inativo, talvez assassino, certamente alcoólico, provavelmente incestuoso, também não sofre nenhum peso moral – pode ser até que ele tenha matado o vigia

do edifício, seu superego. Esses dois destinos entrelaçados pintam um quadro um tantinho melancólico do destino humano, mas Queneau com seu estilo transforma a tragédia em tragicomédia. Não será melhor assim?

Les Fleurs bleues é um romance escrito depois da criação do Oulipo e que obedece a regras matemáticas e a contraintes que, embora limitadas, determinam sua estrutura. Apesar disso, como vimos, não se trata de um simples exercício oulipiano, trata-se de um romance em que, embora haja elementos relegados ao acaso do signo e ao trabalho com as palavras, há também uma história em que são tratados assuntos diversos e no qual se pode observar a posição de Queneau com sua simpatia pelo homem comum contra a grande História e seus heróis. As intrigas se desenrolam para chegar a um final melancólico, com a personagem Cidrolin saindo da história e o duque voltando para observar uma situação histórica muito semelhante à que observara no início.

Procuramos, na tradução, dar conta do projeto de Queneau de inclusão do francês falado no romance. Para isso utilizamos elementos da língua portuguesa falada no Brasil, mas sempre com o cuidado de não descaracterizar a obra, pois sua referência externa não é acessória, mas, ao contrário, essencial à construção do sentido e faz parte da poética de Queneau. Uma tradução que modificasse essa referência, situando o enredo no Brasil e não na França, por exemplo, seria um outro romance, mas não a tradução de Les Fleurs bleues.

Tentamos, pela apreensão do significante, perceber os procedimentos da escrita de Queneau, pois seu trabalho com o significante é essencial, e acreditamos que deva ser, na medida do possível, reproduzido em português, sem no entanto se resumir à execução de um exercício oulipiano, esquecendo a história contada. Há casos, como o dos provérbios, em que basta o trabalho com o significante da língua de chegada para construir estruturas semelhantes, mas há outros em que isso não é possível, como por exemplo, no caso dos arcaísmos e de palavras do francês medieval que não encontram correspondentes em português e que remetem a um imaginário que não existe na cultura brasileira. Procuramos dar motivação ao signo, como no caso dos nomes próprios, e fazer uso da recorrência fônica não com um intuito de criar efeitos imitativos ou onomatopaicos, mas de, com jogos sonoros gratuitos, derrubar, como faz Queneau, a pompa da linguagem literária e a possibilidade de se entender seu discurso como portador de um sentido a ser absorvido passivamente pelo leitor.

Entendemos, pois, que a tradução é possível, desde que se levem em consideração as condições da produção do texto, o ambiente em que foi criado e os elementos que o compõem, como a oralidade e o ritmo para que, com os recursos próprios da língua de

chegada, se possa não reproduzir o que o autor fez na língua de partida, mas recriar um texto homólogo que procure manter, na língua de chegada os elementos detectados no original. Dessa forma, teremos um produto que, sem se descolar do original, tenha vida própria na língua/cultura de chegada e permita aos seus leitores a construção de sentidos a partir das marcas textuais observadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, A. M. Bilingüismo e crioulização nos países lusófonos. Palestra proferida em 27/06/2000 e publicada no site da Academia Brasileira de Letras. Disponível em <http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=4287&sid=531>. Acesso em 12/02/2011.

ARBEX, Márcia. Exercícios de estilo com “sotaque tupiniquim”: Luiz Rezende tradutor de

Raymond Queneau. disponível em

<http://www.letras.ufmg.br/poslit/08_publicacoes_pgs/Eixo%20e%20a%20Roda%2018,%20 n1/07-Marcia-Arbex.pdf> . Acesso em 15/06/2011

ARON, Thomas. Le roman comme représentation de langages – Raymond Queneau à la

lumière de Bakgtin. In : Europe – revue littéraire mensuelle – avril 2003.

BARTHES, Roland. Proust et les noms. In: Le degré zéro de l'écriture suivi de Nouveaux

essais critiques. Paris: Éditions du Seuil, 1953, et 1972).

______. Théorie du texte. Disponível em <http://pt.scribd.com/doc/6545354/Roland-Barthes-Theorie- Du-Texte>. Acesso em 15/05/2011.

BENJAMIN, W. A Tarefa-Renúncia do Tradutor. In: Clássicos da Teoria da Tradução. Florianópolis: UFSC, 2001.

BENS, Jacques. Queneau. Paris: Gallimard, 1962.

BENVENISTE, E. Problemas de Lingüística Geral I. Campinas: Pontes, 2005, Tradução de Maria da Glória Novak e Maria Luísa Neri.

______. Problèmes de linguistique générale, t. II. Paris : Gallimard, 1974.

BERMAN, Antoine. A tradução e a letra - ou o abergue do longínquo. Rio de Janeiro: Viveiros de Castro, 1985.

BOURDETTE-DONON, Marcel. Queneau et les nouveaux vecteurs d’information. In : Europe – revue littéraire mensuelle – avril 2003.

BOURJEA, Michelle. Traduzir Clarice Lispector assim como ela escreve. In: COSTA, L. A. (Org). Limites da Traduzibilidade. Salvador: EDUFBA, 1996. p. 121-133.

CALVINO, Italo. Palomar, In Romanzi e Racconti II, Milano: Mondadori, 2004, pp. 871-979. _______. Se una notte d’inverno un viaggiatore. In: Romanzi e Racconti II. Milano: Arnoldo Mondadori, 2004. pp. 613-870.

_______. Saggi II, Milano: Mondadori, 1995.

CAMPOS, H. “Da tradução como criação e como crítica”, In: Metalinguagem & outras

CHABANNE, Jean-Charles. En lisant les lecteurs de Queneau: les théories implicites de l'humour dans le discours critique. In: Temps-Mêlés-Documents Queneau 150 + 65-68 et dernier, printemps 1996, actes du Colloque “Pleurire avec Queneau” (Thionville, octobre 1994), p. 295-300. Disponível em

<http://chabanne.jeancharles.perso.neuf.fr/publis/lisant_lecteurs.pdf>. Acesso em: 25 mai. 2011.

______. Rire et philosophie dans l’œuvre de Raymond Queneau, paru dans Humoresques 9, « Rire et littérature », coord. Joë Friedemann, Presses Universitaires de Vincennes, 1998, pages 77-87. Disponível em: <http://chabanne.jeancharles.perso.neuf.fr/publis/rire&phi.pdf>. Acesso em: 01 dez. 2008.

CHARTIER, Roger. Pratiques de la lecture. Paris : Rivages, 1985.

CHISS, Jean-Louis; FILLIOLET, Jacques & MAINGUENEAU, Dominique. Introduction à

la linguistique française – tome 2: syntaxe, communication, poétique. Paris: Hachette, 2001. DAHLET, V. B. L'orthographe française: entre langue et résistences. In: Synergies Brésil

Numéro spécial 1/année 2010 pp. 159-166.

DURAND, André. « Les Fleurs bleues – roman de Raymond Queneau » In: Comptoir

Littéraire. Disponível em <www.comptoirlitteraire.com>. Acesso em 10/12/2010.

ECO, Umberto. Quase a mesma coisa – experiências de tradução. Rio de Janeiro: Record, 2007, Tradução de Eliana Aguiar.

ESPINASSE, Magali. Étude sur Les Fleurs bleues. Paris: Ellipses, 1999.

FIORIN, J. L. L'accord sur l'orthographe: une question de politique linguistique. In:

Synergies Brésil Numéro spécial 1/année 2010 pp. 59-68

FOURCAUT, Laurent. Le texte en perspective. In : Zazie dans le métro. Paris: Gallimard, 2006.

FRANÇOIS, Corinne. Connaissance d’une œuvre : Les Fleurs bleues. Rosny: Bréal, 1999. GIDE, André. Les Faux-Monnayeurs. 226e édition. Paris: Gallimard, 1951.

GODARD, Henry. Queneau et les problèmes de la construction du roman. In : Europe – revue littéraire mensuelle – avril 2003.

GOULEMOT, Jean Marie. De la lecture comme production de sens. In: CHARTIER, Roger (Org) Pratiques de la lecture. Paris : Rivages, 1985.

JAFFRÉ, Jean-Pierre. “Pourquoi distinguer les homophones?” disponível em <www.cairn.info/load_pdf.php?ID_ARTICLE=LF_151_0025>. Acesso em 16/05/2011. JATON, Anne Marie. Les Fleurs Bleues – Bilan Provisoire. In : Europe – revue littéraire mensuelle – avril 2003.

JOUVE, Vincent. A Leitura. São Paulo:Unesp, 2003.

JOUY, Bruno. Voyage au bout de la nuit – Étude d'une réception. Disponível em: <http://louisferdinandceline.free.fr/index2.htm>. Acesso em 24/01/2011.

LARANJEIRA, Mário. Poética da Tradução. São Paulo: Edusp, 1993.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 3. ed. São Paulo : Brasiliense, 1984.

MESCHONNIC, Henri & DESSONS, Gérard. Traité du rythme: Des vers et des proses. Paris: Armand Colin, 2005.

MESCHONNIC, Henri. Le Signe et le poème, Paris, Gallimard, 1975.

______. Critique du rythme. Anthropologie historique du langage, Lagrasse, Verdier, 1982. ______..La rime et la vie. Paris: Verdier. 1989.

OULIPO. La Littérature potentielle. Paris: Gallimard, 1973. PEREC, Georges. La disparition. Paris: Denoël, 1969

______. El sequestro. Tradução de Marisol Arbués, Mercè Burrel, Marc Parayre, Hermes Salceda e Regina veja. Barcelona: Anagrama, 1997

PINO, Claudia Amigo. A ressignificação do mundo, Cult 52, novembro de 2001. p. 46-53. PIMENTEL PINTO, Edith. A Gramatiquinha de Mário de Andrade. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

POSLANIEC, Christian. De la Lecture à la Littérature. Paris : Sorbier, 1992.

POUILLOUX, Jean-Yves. Les fleurs bleues de Raymond Queneau. Paris: Gallimard, 1991. QUENEAU, Raymond. Exercices de style. Paris: Gallimard, 1947.

______. Bâtons, chiffres et lettres. Ed. revue et augmentée. Paris: Gallimard, 1965. ______. Les fleurs bleues. Paris: Gallimard, 1965.

______. I fiori blù, tradução de Italo Calvino. Torino: Einaudi, 1967.

______. Exercícios de Estilo. Tradução de Luiz Rezende. Rio de Janeiro: Imago, 1995

REISS, Katharina. Type, kind and individuality of text – Decision making in translation. In: VENUTI, Lawrence. The Translation Studies Reader. New York: Routledge.

REY-DEBOVE, J. À la Recherche de la Distinction Oral/Écrit. In: CATACH, N. Pour une

Theorie de la Langue Écrite. Paris: CNRS, 1990.

ROUSSIN, Philippe. Misère de la littérature, terreur de l’histoire. Paris: Gallimard, 2005. SARRAUTE, Nathalie. L’ère du soupçon. Paris: Gallimard, 1956.

SARTRE, Jean-Paul. Que é literatura?. São Paulo: Ática, 1989.

SCHLEIERMACHER, Friedrich. Sobre os diferentes métodos de tradução. In: HEIDERMANN, Werner (org). Clássicos da teoria da tradução. Florianópolis: UFSC, 2001.

SCHNAIDERMAN, Boris. Os Limites da Traduzibilidade. In: COSTA, Luiz Angélico (Org.)

Limites da Traduzibilidade. Salvador: EDUFBA, 1996.

SUCHET, Myriam. Outils pour une traduction postcoloniale. Paris: Éditions des archives contemporaines, 2009.

THIMONNIER, René & DESMEUZES, Jean. Lês 30 problèmes de l’orthographe. Paris: Hachette, 1979.

THOMAS, Réjean. La molle page – littérature & imaginaire. v.8, n. 0.02, jan. 2009. Disponível em: <http://www.ed4web.collegeem.qc.ca/prof/rthomas/textes/existentia.htm>. Acesso em: 03 dez. 2008.

URBANO, Hudinilson. Oralidade na Literatura (O caso Ruben Fonseca). São Paulo: Cortez, 2000.

______. Da fala para a escrita: o caso de provérbios e expressões populares. In Investigações: Linguística e Teoria Literária. Recife, v. 21, n. 2, p. 31-56, jul. 2008, disponível em: <http://www.ufpe.br/pgletras/Investigacoes/Volumes/Vol.21.2/Hudinilson_Urbano.pdf>. Acesso em: 25/04/2011.

VARELA, Luís Maia. A Tradução Traduz o Tradutor. In: COSTA, Luiz Angélico (Org.)

Limites da Traduzibilidade. Salvador: EDUFBA, 1996.

VENUTI, LAWRENCE. O escândalo da tradução. In: Tradterm 3, São Paulo, 1996.

______. The Scandals of Translation: Towards an Ethics of Difference, New York: Routledge, 1998.

APÊNDICE

Apresentamos a seguir a íntegra de nossa tradução do romance Les Fleurs bleues, em duas colunas, original e tradução. Na margem esquerda, entre colchetes, estão os números de página do original, na edição constante das Referências Bibliográficas.

[7]

Les Fleurs bleues

Raymond Queneau

On connaît le célèbre apologue chinois : Tchouang-tseu rêve qu'il est un papillon, mais n'est-ce point le papillon qui rêve qu'il est Tchouang-tseu ? De même dans ce roman, est-ce le duc d'Auge qui rêve qu'il est Cidrolin ou Cidrolin qui rêve qu'il est le duc d'Auge ?

On suit le duc d'Auge à travers l'histoire, un intervalle de cent soixante-quinze années séparant chacune de ses apparitions. En 1264, il rencontre Saint Louis; en 1439, il s'achète des canons. en 1614, il découvre un alchimiste; en 1789, il se livre à une curieuse activité dans les cavernes du Périgord. En 1964 enfin, il retrouve Cidrolin qu'il a vu dans ses songes se consacrer à une inactivité totale sur une péniche amarrée à demeure. Cidrolin, de son côté, rêve... Sa seule occupation semble être de repeindre la clôture de son jardin qu'un inconnu souille d'inscriptions injurieuses.

Tout comme dans un vrai roman policier, on découvrira qui est cet inconnu. Quant aux fleurs bleues...

As Flores Azuis

Raymond Queneau Tradução: Roberto de Abreu

Conhecemos o célebre apólogo chinês: Chuang-Tzu sonha que é uma borboleta, mais não seria a borboleta que sonha que é Tsuang-tsé? Acontece o mesmo neste romance, é o duque de Auge que sonha que é Cidrolin ou Cidrolin que sonha que é o duque de Auge?

Seguimos o duque de Auge ao longo da história, com um intervalo de cento e setenta e cinco anos separando cada uma de suas aparições. Em 1264, ele encontra São Luís; em 1439, compra canhões; em 1614, descobre um alquimista; em 1789 dedica-se a uma curiosa atividade nas cavernas do Périgord. Em 1964 finalmente, ele encontra Cidrolin que ele tinha visto em sonho dedicar-se a uma inatividade total numa chata amarrada como moradia. Cidrolin, por seu lado, sonha... Sua única ocupação parece ser pintar a cerca de seu jardim que um desconhecido macula com inscrições injuriosas.

Como num verdadeiro romance policial, descobriremos quem é esse desconhecido. Quanto às flores azuis...

[13]

[14]

I

Le vingt-cinq septembre douze cent soixante-quatre, au petit jour, le duc d’Auge se pointa sur le sommet du donjon de son château pour y considérer, un tantinet soit peu, la situation historique. Elle était plutôt floue. Des restes du passé traînaient encore çà et là, en vrac. Sur les bords du ru voisin, campaient deux Huns; non loin d’eux un Gaulois, Eduen peut-être, trempait audacieusement ses pieds dans l’eau courante et fraîche. Sur l’horizon se dessinaient les silhouettes molles de Romains fatigués, de Sarrasins de Corinthe, de Francs anciens, d’Alains seuls. Quelques Normands buvaient du calva.

Le duc d’Auge soupira mais n’en continua pas moins d’examiner attentivement ces phénomènes usés.

Les Huns préparaient des stèques tartares, le Gaulois fumait une gitane, les Romains dessinaient des grecques, les Sarrasins fauchaient de l’avoine, les Francs cherchaient des sols et les Alains regardaient cinq Ossètes. Les Normands buvaient du calva.

- Tant d’histoire, dit le duc d’Auge au duc d’Auge, tant d’histoire pour quelques calembours, pour quelques anachronismes. Je trouve cela misérable. On n’en sortira donc jamais?

Fasciné, il ne cessa pendant quelques heures de surveiller ces déchets se refusant à l’émiettage; puis, sans cause extérieure décelable, il quitta son poste de guet pour les étages inférieurs du château en se livrant au passage à son humeur qui était de battre.

I

Aos vinte e cinco de setembro de mil duzentos e sessenta e quatro, de manhãzinha, o duque de Auge plantou-se no alto do torreão de seu castelo para considerar, um tantinho que fosse, a situação histórica. Ela estava meio embaçada. Restos do passado se espalhavam ainda cá e acolá, ao léu. Às margens do riozinho vizinho, acampavam dois hunos; não longe dos dois um gaulês, eduano talvez, molhava os pés audaciosamente na água corrente e fresca. No horizonte desenhavam- se as silhuetas moles de romanos cansados, de sarracenos de Mans, de francos antigos, de ossetas velozes. Alguns normandos bebiam calvados.

O duque de Auge suspirou mas nem por isso deixou de examinar atentamente esses fenômenos repetitivos.

Os hunos preparavam bifes tártaros, o gaulês cantava de galo, os romanos desenhavam gregas, os sarracenos ceifavam cevada, os francos procuravam vinténs e os ossetas apontavam dois alanos. Os normandos bebiam calvados.

- Tanta história, disse o duque de Auge para o duque de Auge, tanta história para alguns trocadilhos, para alguns anacronismos. Acho isso miserável. Será que nunca vamos sair disso?

Fascinado, durante algumas horas não parou de observar esses dejetos que se recusavam a se esmigalhar; depois, sem causa exterior aparente, deixou seu posto de observação e foi para os andares inferiores do castelo, deixando-se levar de passagem por seu humor

[15]

Il ne battit point sa femme parce que défunte, mais il battit ses filles au nombre de trois; il battit des serviteurs, des servantes, des tapis, quelques fers encore chauds, la campagne, monnaie et, en fin de compte, ses flancs. Tout de suite après, il décida de faire un court voyage et de se rendre dans la ville capitale en petit arroi, accompagné seulement de son page Mouscaillot.

Parmi ses palefrois, il choisit son percheron favori nommé Démosthène parce qu’il parlait, même avec le mors entre les dents.

- Ah ! mon brave Démo, dit le duc d’Auge d’une voix plaintive, me voici bien triste et bien mérancolieux.

- Toujours l’histoire ? demanda Sthène.

- Elle flétrit en moi tout ébaudissement, répondit le duc.

- Courage, messire ! Courage ! Mettez-vous donc en selle que nous allions promener.

- C’était bien là mon intention et même plus encore.

- Quoi donc ?

- Partir pendant quelques jours.

- Voilà qui me réjouit fort. Où, messire, voulez-vous que je vous emmène ?

- Loin ! Loin ! Ici la boue est faite de nos fleurs.

- ... bleues, je le sais. Mais encore?

- Choisis.

Le duc d’Auge monta sur le dos de Sthène qui fit la proposition suivante:

- Que diriez-vous d’aller voir où en sont les travaux à l’église Notre-Dame ?

- Comment ! s’écria le duc,

que estava para bater.