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Konaklama İşletmelerinde Ürün ve Hizmet Yenileşim

KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE YENİLEŞİM

2.4. KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE YENİLİKÇİ ÖRGÜT KÜLTÜRÜ

2.5.2. Konaklama İşletmelerinde Başlıca Yenileşim Türler

2.5.2.1. Konaklama İşletmelerinde Ürün ve Hizmet Yenileşim

4.9.1 Arcaísmos

Em todo o texto há palavras ou expressões arcaizantes, especialmente durante a “viagem” do duque através da história. Encontramos com frequência os advérbios fort e

moult, exemplos de um nível de língua elevado e com um certo ar arcaizante. Na tradução, procuramos produzir o mesmo efeito com a utilização de “mui”, forma apocopada de “muito”, do pronome “vós” e de algumas mesóclises.

Além dessas expressões que se repetem, há casos específicos de emprego de palavras arcaicas, como em “nous préparons un nouveau croisement” (24), em que “croisement” é empregado no sentido de “croisade”, e que traduzimos por “estamos preparando um novo cruzamento”. Se em português a palavra “cruzamento” não corresponde a um arcaísmo para “cruzada”, de qualquer forma ela produz um estranhamento e o cotexto permite a apreensão do sentido.

Outro exemplo encontramos na frase “On vuide des pintes” (73), em que há “vuider” forma arcaica de “vider”, e “pinte”, antiga unidade de medida. Na tradução, em vez de “esvaziar” usamos a palavra “esvaciar”, que faz alusão à origem da palavra, do latim “vacivus”: “Esvaciam garrafas”.

Há ainda uma discussão metalinguística sobre o desaparecimento das palavras que origina os arcaísmos: Cidrolin usa a palavra “boquillon” e explica que se trata de uma palavra antiga para “bûcheron”. Em seguida há a reflexão de seu interlocutor: “Por que, senhor, existem palavras assim que saem de uso? Eu que estou falando com o senhor, cheguei a ver, durante minha vida, desaparecer algumas debaixo dos meus olhos: cinématographe,

“bosqueador” e “lenhador”. No caso das palavras que desapareceram em uma geração, no entanto, não foi possível manter as mesmas na tradução pois em português “taxímetro” ainda é utilizada e “chef d'îlot” não tem correspondente em português. Nesse caso, procuramos palavras que caíram em desuso em português nas últimas décadas, e traduzimos por “cinematógrafo, vitrola, decalcomania”.

4.9.2 Neologismos

Os neologismos aparecem em quantidade maior que os arcaísmos e podemos classificá-los em diferentes tipos: neologismos criados a partir de palavras existentes com o acréscimo de sufixos, palavras usadas com um novo sentido, e palavras derivadas de siglas. Além disso, há uma discussão que se passa na Idade Média, em que palavras que hoje são de uso corrente e dicionarizadas são tratadas como neologismos: assim como palavras de ontem são os arcaísmos de hoje, palavras de hoje são os neologismos de ontem.

a) palavras criadas

Logo no início, o duque, comentando a construção da catedral usa quatro neologismos criados a partir de nomes de religiões orientais: “- Si on traîne tellement, on

finira par bâtir une mahomerie. - Pourquoi pas un bouddhoir ? un confuciussonnal ? un sanct-lao-tsuaire” (15). Aquí, os neologismos criados a partir de Maomé, Buda, Confúcio e Lao Tsé, fazem ainda trocadilhos com “boudoir” (pequeno aposento para senhoras), “confessionnal” (confessionário) e “sanctuaire” (santuário). Os dois últimos puderam ser mantidos em português e ao primeiro acrescentamos o adjetivo “santo”, fazendo alusão ao santo sudário: “- Se as obras se arrastam desse jeito, vão acabar construindo uma maomeria. - Por que não um santo budário? um confucionário? um santu-lao-tsuário?”.

A partir do substantivo “calembour” é derivado o verbo “calembourder”: “je le

calembourderai de telle façon qu’il en perdra sa morgue.” (147). Usamos o mesmo procedimento na tradução “vou trocadilhá-lo de tal maneira que ele vai perder a pose”.

O verbo “pénicher” é criado a partir do substantivo “péniche” quando o pretendente de Aamélia pergunta a Cidrolin “où péniche mademoiselle Lamélie Cidrolin?” (77), estabelecendo um trocadilho com o verbo “nicher” (ter seu ninho, morar). Como a palavra “péniche” em todo o romance foi traduzida por “chata”, em vez da criação de uma nova palavra, utilizamos o verbo “chatear” com um sentido que não lhe é próprio: “onde chateia a senhorita Aamélia Cidrolin?”. O contexto permite apreender o sentido de “morar”, mas cria também uma ambiguidade, pois no capítulo anterior, numa discussão sobre o fato de

que Cidrolin não possuía um aparelho de televisão, uma de suas filhas diz que ele deveria comprar uma para que “Aamélia se chateie menos”.

A partir de nomes próprios Pouscaillou et Cidrolin, por sufixação e prefixação, são criados os adjetivos “pouscailloutiennes” (192), “anticidrolinique” (253) e “cidrolinophile” (254). Usando o mesmo procedimento traduzimos respectivamente por “pouscailloucianas”, “anticidrolínico” e “cidrolinófilo”.

A palavra “grottesque”, derivada de “grotte” (gruta) faz um trocadilho com “grotesque” (grotesco), na frase “dans la ténèbre grottesque” (206). O mesmo processo de derivação permitiu a manutenção do trocadilho em português: “na treva grutesca”.

O último exemplo desse tipo de neologismo encontramos no adjetivo “faitdiverse”, derivado da expressão “fait divers”, na frase “cette activité faitdiverse” (270). Nesse caso, na tradução não foi possível manter o neologismo, uma vez que a expressão correspondente, culturalmente importante em francês, não existe em português. Traduzimos por uma palavra existente que mantém o sentido, embora perdendo o neologismo: “essa atividade policialesca”.

b) palavras usadas com sentido novo

Outra forma de criação de neologismos é o uso de uma palavra que pertence à língua, mas dando-lhe um sentido diferente. Queneau utiliza esse procedimento uma única vez no romance quando falando da pesca, um passante pergunta a Cidrolin “ne trouvez-vous

pas l’hameçon plus sournois et vicieusement barbare que l’espadrille?” (30). A palavra “espadrille”, que é um tipo de calçado, aqui é utilizada referindo-se à espada com que se ferem os touros nas touradas, sentido esse explicitado na discussão que se segue entre as duas personagens. Traduzimos por “o senhor não acha o anzol mais traiçoeiro e viciosamente bárbaro do que a espadilha?”, “espadilha” em português refere-se ao sete de espadas num conhecido jogo de baralho.

c) derivação de siglas

Outra forma de criação de neologismos utilizada por Queneau é a derivação a partir de siglas de uso corrente em francês.

Logo depois da discussão citada acima sobre a palavra “espadilha”, concluindo que independentemente do significado os dois se entendiam, o passante exorta Cidrolin a apegar-se “à ces prémices de la compréhension mutuelle et unescale entre les peuples et de la

paix future” (31), em que temos o adjetivo “unescale” derivado de “Unesco”. Em nossa tradução, criamos o mesmo adjetivo: “a essas primícias da compreensão mútua e unescal entre os povos e da paz futura”.

Descrevendo os casais que namoram no terraço do café, o narrador diz que “parmi

les plus acharnés à faire la ventouse se trouvaient Lamélie et un ératépiste, Lamélie surtout, car l’ératépiste n’oubliait pas de regarder sa montre...” (48), frase em que surge pela primeira vez a palavra “ératépiste”, derivada da sigla RATP (Régie Autonome des Transports

Parisiens), que é a companhia que administra os transportes da região parisiense e que é uma sigla conhecida pelos franceses. Como a sigla provavelmente não seria reconhecida por um leitor brasileiro, optamos por incluir uma explicação na primeira vez em que o termo aparece: “entre os que se faziam de ventosa com mais ardor estavam Aamélia e um cobrador da RATP, principalmente Aamélia, pois o erriatepista não se esquecia de olhar o relógio...”. A explicação “um cobrador da RATP”e o contexto permitem que o leitor entenda o neologismo “erriatepista”, repetida ainda 31 vezes.

Em outro exemplo, “À l’horizon apparut un détachement des compagnies royales

de sécurité (...) - Les céhéresses arrivent, dit le duc en se frottant les mains.” (53), o próprio autor sentiu a necessidade de explicar a sigla CRS porque atualmente ela designa uma espécie de tropa de choque, as “Compagnies Républicaines de Sécurité”, mas no texto, na época do duque de Auge o adjetivo não poderia ser “républicaines”. Na tradução, mantivemos o procedimento, embora perdendo a referência ao significado atual: “No horizonte apareceu um destacamento das companhias reais de segurança (...) - Os ceerriesses estão chegando, disse o duque esfregando as mãos”. A explicação inicial permite o reconhecimento da palavra nas outra 8 vezes em que é repetida.

Outra sigla utilizada é HLM (Habitation à Loyer Modéré), que designa habitações populares. A partir dela foi criada a palavra “achélème” (78), usada ainda mais duas vezes. Como a sigla, de uso corrente na França, não seria reconhecida por um leitor brasileiro, optamos por uma adaptação, fazendo referência ao BNH (Banco Nacional de Habitação) que, embora já extinto no Brasil, pode ainda ser reconhecido pelos brasileiros. A partir dessa sigla, criamos a palavra “beeneagá”.

A outra sigla utilizada SS, talvez uma alusão à polícia nazista, também é explicada pelo autor no próprio texto: “... le déficit de la Sécurité Sociale. (...) Monsieur ne

leitor brasileiro: “... o déficit da Seguridade Social. (...) o senhor não contribui para a essiesse?”.

d) pseudo-neologismos

Aqui, trata-se de um episódio em que o duque conta a seu capelão os sonhos em que vê objetos do século XX cujos nomes são desconhecidos do capelão. Não se trata de neologismos, mas na Idade Média são entendidos como tal. Há discussão metalinguística em que o capelão faz uma referência explícita a neologismo usando, ele mesmo, uma palavra que só surgiria em 1787:

- Sieste... mouchoir... péniche... qu’est-ce que c’est que tous ces mots-là ? Je ne les entrave point.

- Ce sont des mots que j’ai inventés pour désigner des choses que je vois dans mes rêves.

- Vous pratiqueriez donc le néologisme, messire ?

- Ne néologise pas toi-même : c’est là privilège de duc. Aussi de l’espagnol pinaça je tire pinasse puis péniche, du latin sexta hora l’espagnol siesta puis sieste et, à la place de mouchenez que je trouve vulgaire, je dérive du bas-latin mucare un vocable bien françoué selon les règles les plus acceptées et les plus diachroniques. (42).

A explicação sobre a origem e evolução das palavras “sieste”, “mouchoir” e “péniche” trouxe alguns problemas para a tradução. Primeiramente porque traduzimos “péniche” por “chata”, mas principalmente porque a evolução da palavra “lenço”, do latim “linteum” (pano de linho) é muito simples e não permitiria o comentário final do duque. Assim, substituímos “lenço” por “espreguiçadeira”, outro objeto que o duque vê em sonho, de modo a criar uma explicação etimológica aceitável. O resultado foi:

- Sesta... espreguiçadeira... chata... o que é que são todas essas palavras? Eu não as estou sacando.

- São palavras que inventei para designar as coisas que vejo nos meus sonhos. - Então praticaríeis neologismo, senhor?

- Não neologize você: isso é privilégio de duque. Assim, do italiano chiatta eu tiro chiata e depois chata, do latim sexta hora o espanhol siesta depois sesta e, do latim pigritia, pigriça, priguiça e, depois, de preguiça eu derivo um vocábulo de nossa língua tudo de acordo com as regras mais aceitas e mais diacrônicas.