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Komisyonun Önerilerinin, ABD ve AB Üye Ülke Örnekleriyle

Como já dito, para as novas unidades definiram-se dois tipos de material construtivo. Das 49 famílias do grupo das casas, 26 optaram em construir suas casas com tijolo cerâmico e 16 famílias, com tijolo de adobe. Dois importantes fatores se somaram para a definição pelo tijolo de adobe: primeiro, para viabilizar a pesquisa da universidade, no quesito inovação quanto ao produto, considerando que o adobe é um recurso renovável e ambientalmente sustentável, uma vez que a sua principal matéria prima, que é a terrra, é retirada do próprio local de trabalho, e segundo, pelo menor custo financeiro, visto o limitado subsídio destinado pelo orçamento do programa.

A justificativa pela escolha era o apoio à pesquisa implementada pela universidade para experimentar o uso de técnicas alternativas e sustentáveis na produção habitacional de interesse social. As famílias deveriam “honrar” o compromisso estabelecido, sem saber ainda o esforço físico que isso demandaria, porém conscientes de que, se migrassem para a opção de tijolo cerâmico, inviabilizariam os resultados da pesquisa. Com isso a permanência quase que obrigatória foi conduzida pelos princípios de honra do camponês.

[Calixto]: estamos escolhendo adobe pra respeitar o projeto de vocês, em respeito a vocês (Assembléia Geral, 24 de janeiro de 2004).

Durante a atividade de produção dos tijolos de adobe, houve uma grande resistência por parte das famílias. Isso culminou no firme posicionamento do grupo do adobe

em alterar a técnica construtiva definida anteriormente, passando para tijolo convencional. Ao fim, quinze famílias que haviam optado pelo uso do adobe, migraram para o cerâmico, e apenas uma permaneceu.

Houveram longas e tensas reuniões entre os pesquisadores e as famílias, na tentativa, num primeiro momento, de dar continuidade na produção do adobe e, em seguida, de buscar alterar o financiamento junto ao INCRA para viabilizar a compra de tijolos cerâmicos, o que anteriormente não estava previsto no orçamento.

Muitas dificuldades contribuíram para que as famílias optassem por essa mudança, como o excesso de trabalho, a falta de mão-de-obra no canteiro, a concorrência do tempo no canteiro e do tempo no trabalho da lavoura, o custo social e o esforço físico necessário para a produção – muitos idosos ou pessoas com problemas de saúde -, a urgência de se construir a casa, até o deboche dos companheiros.

Somavam-se ainda a esses pontos, a ausência de aprimoramento tecnológico para impulsionar a produção dos tijolos, tendo esses de ser produzidos manualmente, e a forte presença de materiais industrializados vendidos pelas lojas de material de construção da região.

Todos esses fatores influíram na argumentação das famílias para que se efetivasse a mudança. A principal delas era o esforço desprendido durante o trabalho para a produção do tijolo, como mostram os depoimentos dos assentados em reunião ocorrida no dia 14 de maio

de 2004.

[Calixto]: o mais problema aí é fazer o adobe. Se não tiver uma máquina, não vai ter gente pra fazer essas casas.

[...]

[Augusto]: nós fizemos a reunião aqui e o que decidimos foi não querer mais o adobe. Porque estamos fazendo muito sacrifício e queremos fazer valer o mesmo direito dos outros que mudaram e têm a mesma assessoria.

[...]

[Célia]: o Paulão perguntou do que seria minha casa. Falei que era de barro e ele falou, vai pagar barro? Vai pagar barro?

[Pedrão]: eu tenho minha filosofia. Não sou João-de-barro para morar em casa de barro, e não sou pica-pau para morar em casa de madeira. Não tiro sarro de ninguém.

[...]

[Augusto]: o último acordo foi pela pesquisa. E essa pesquisa tem que ser muito valorizada. Agora faça as contas: R$ 1100,0. 50% de abatimento, R$ 550,00, dividido por 6 anos quanto dá? A pesquisa vale muito mais que isso.

Com ou sem recursos que possibilitasse a compra de tijolos convencionais, as famílias se viram obrigadas a mudar do adobe para o cerâmico, pois, ao alterar a técnica construtiva, estavam optando por outra que demandava menos esforço físico por parte dos mutirantes.

Durante o andamento do canteiro de obras, o INCRA alterou o valor do crédito de instalação, referente à produção da unidade habitacional, de R$ 3.000,00 para R$ 5.000,00. Esse fato foi decisivo para a concretização da mudança. Assim as famílias se organizaram e negociaram junto à CEF e ao INCRA a possibilidade de o grupo receber a complementação desse recurso, aumentando mais R$ 2.000,00 no orçamento das unidades, possibilitando uma margem maior e mais segura no seu novo delineamento.

A proposta de construir a casa com o tijolo de adobe fazia parte da pesquisa da universidade no que diz respeito à análise do conceito de sustentabilidade com relação ao

produto. No entanto, a partir da experiência no processo de construção das casas, cabe-nos

questionar o conceito de sustentabilidade tanto na sua dimensão ambiental quanto na sua dimensão social.

Não nos restam dúvidas no que diz respeito às qualidades inerentes ao produto adobe, qualidades de conforto térmico, de resistência física, de custo financeiro, cabe aqui salientar a sustentabilidade social no processo produtivo, ou seja, a força de trabalho da família para a efetivação da técnica, com as próprias mãos, pés, amassando o barro, tijolo por tijolo, produzindo o número de tijolos necessários para a construção das unidades.

Soma-se ainda o fato de estar inserido em uma política pública que já se apresenta precarizada ao usar a mão-de-obra do trabalhador para a produção em mutirão, quer dizer, a família, além de construir a sua próprioa casa, teria ainda que construir tijolo por tijolo que, somados, totalizam 5.100 para a construção da tipologia adotada.

Considerando ainda o tempo para desprendimento da força trabalho, se uma pessoa produz 33 tijolos por hora, trabalhando 8 horas, totalizaria uma produção diária de 264 tijolos/dia. Agora, se já é difícil comungar as atividades do canteiro com a lavoura, imagine se cada família tiver que fabricar 5.100 tijolos para a sua casa, a lavoura nesse caso fica insustentável.

O uso de materiais locais e renováveis é uma técnica que na realidade está presente na vida de camponeses há séculos, como mostrou o trabalho de campo de alguns

autores apresentados no capítulo 3, ainda na década de 50. O problema não está na técnica, mas sim no modo de produção da mesma.

Tanto se fala em uso de materiais alternativos para a produão de moradias para a população de baixa renda, de modo a desenvolver a mais inovadora técnica da construção, melhor e mais barata, algo que se coloque como modelo, de fácil uso para moradias populares, suprindo assim o déficit habitacional. Oras bolas, mas do que estamos falando? De técnicas alternativas, que há muito já utilizavam os moradores de comunidades antigas - serão métodos inovadores ou já tradicionais desse tipo de população?

A inovação tecnológica deve ser a alternativa nesse caso. A produção das unidades habitacionais e, ainda, o esforço físico que isso requer, devem acompanhar o avanço da tecnologia, e não se negar a ela. Não cabe inserir nesse debate a produção de adobe a partir do método tradicional - amassado por pés e mãos de trabalhadores - apenas para baratear o custo da casa, é preciso incluir nesse orçamento o custo social do trabalhador, caso contrário precariza-se a própria política pública. Incoerente.

Ainda assim, a definição das técnicas construtivas para a produção da moradia nunca deve ser feita a priori, o produto deve ser uma conseqüência do processo, não só no processo de decisão coletiva dos materiais a serem utilizados no canteiro, mas também na avaliação constante do processo de elaboração desse produto, podendo por vezes, alterá-lo, porque não?

Portanto, será que a inovação não deveria ser a partir da formulação e efetivação de políticas públicas consistentes, com recursos suficientes para produção dignia das unidades habitacionais, seja usando materiais que o mercado já oferece, seja aprimorando a técnica alternativa para diminuir o esforço do mutirante no canteiro de obras?