• Sonuç bulunamadı

3.3. Sosyal Hayat

3.3.2. Komşuluk İlişkileri

Para uma análise da qualidade, podemos considerar a existência de quatro pilares básicos da ficção: a produção, emissoras, produção, escritores, roteiristas, etc; a crítica midiática, jornalistas, colunistas, comentaristas, etc; o campo acadêmico ou intelectual, que pesquisa e argumenta sobre a ficção e suas diversas facetas; e a audiência, que forma um público crítico e participativo, no qual deságuam, afinal, todos os outros campos relacionados à ficção. Estes campos sedispõem horizontalmente, cada qual com sua relevância, e não hierarquicamente.

Esta pesquisa, que pretende analisar o conceito de qualidade pela crítica, aborda três desses campos, não se aproximando apenas da produção pelo foco principal na crítica externa, e também por questões de delimitação da amostra. No entanto, não deixamos de considerar a importância da produção, não só por ser a responsável pela existência dos programas, mas também por participar do ciclo de críticas, à medida que responde ao público e às críticas especializadas, que com ela dialogam, numa espécie de comensalismo. A crítica não vive sem a ficção que, por sua vez, não vive sem a produção e muito menos sem o público. A academia não vive sem as produções e sem o público, freqüentes objetos de análise. Desse comensalismo, no entanto, parece que o campo acadêmico é, infelizmente, o que menos consegue dialogar com os outros pilares. Dialoga, sim, com o público, a fim de conhecê-lo em seus diversos perfis e alimenta-se da crítica jornalística e, com obviedade, da produção. Todavia, essas duas últimas não muito se apropriam dos feitos da academia, distorcendo o possível comensalismo entre os campos, dos quais os acadêmicos bebem, mas não se

171 alimentam. Seria imensamente satisfatório se esta pesquisa, como intenta, conseguisse mesmo que levemente rescindir esse quadro.

Com base nessas premissas, antes de iniciarmos a análise dos dados levantados na pesquisa empírica é importante conhecermos o cenário da crítica televisiva no Brasil. Como vimos, o julgamento da qualidade depende da crítica especializada. Essa dependência incorre em um problema, pois no caso da ficção televisiva essa crítica não é muito forte no País. Enquanto o cinema e o teatro têm críticos especializados com ferramentas discursivas e narrativas suficientes para produzir ensaios ricos e bem construídos, amplamente divulgados nos diversos veículos de comunicação, a telenovela não possui crítica que atinja a especificidade ideal para este formato. Os críticos são normalmente colunistas de jornais que escrevem sobre a televisão em toda diversidade de sua grade de programação, não se atentando, muitas vezes, às várias nuanças presentes na teledramaturgia. Exprimir opinião sobre um telejornal exige diferente nível de conhecimento e base em diferentes princípios ou critérios, como velocidade e confiabilidade da informação ou, às vezes, imparcialidade. No caso de um reality show, o crítico avalia a repercussão na recepção e os índices de audiência, o que se assemelha aos comentários sobre as telenovelas, mas não representa uma crítica, porque normalmente manifestam pouca opinião.

Ao falarem sobre a ficção televisiva, os temas mais comuns recorrentes nas pautas dos colunistas ou críticos têm ligação com a tendência da moda ou algum assunto ilustrado como merchandising social ou ação educativa que causa repercussão na sociedade. Ademais, as colunas giram em torno do índice de audiência e da competição entre as emissoras. Quando há alguma crítica sólida sobre a ficção brasileira, muitas vezes ela peca por um excesso de subjetivismos que não se pautam em critérios pré-estabelecidos, esvaziando a crítica de seus princípios éticos e estéticos.

Na mídia, a história da crítica de TV no Brasil provavelmente se inicia com o Jornal de letras, criado em 1949 no RJ, que noticiava, desde a época de seu surgimento, notícias breves sobre a TV. Debatia-se na ocasião, a possibilidade de criação da mais nova expressão artística, seu papel na difusão do livro e a consolidação como novo mercado de trabalho para o literato. Empenhava-se em tornar proveitosa a linguagem da TV. A maior esperança do jornal era ade que a ―oitava arte‖ (com seus teleteatros, suas conferências e seus debates literários) pudesse exercer influência positiva sobre o rádio, o cinema e o teatro nacional; da rivalidade entre as

172 formas de expressão cultural decorreria, acreditava-se, uma elevação generalizada do padrão artístico.

No início dos anos 60, o Jornal de Letras começou a admitir a decepção com a programação levada ao ar por nossas emissoras. Hábeis em capitalizar em cima do congenial mau gosto popular, os influentes patrocinadores, os publicitários e as cúpulas administrativas das TVs não se mostravam inclinados a fomentar a função esclarecedora da televisão; criavam programas cada vez piores que, por seu turno, cooperavam para rebaixar ainda mais o padrão do gosto. Enquanto em todos os países do mundo a TV arregimentara diretores, roteiristas e produtores de cinema, lastimava-se que a nossa se conservava desgraçadamente fiel ao rádio (FREIRE FILHO, 2005). Ambos eram veículos, não formas de arte; só tinham valor quando utilizavam uma das ―artes verdadeiras‖: a música, o teatro, o cinema, o ballet e a pantomima. Começam então os fortes ataques ao conteúdo televisivo nos jornais e nas universidades, consolidando o forte preconceito já discutido no primeiro capítulo. Mas não apenas o Jornal de Letras representava a crítica. Desde que a TV chegou ao Brasil seus programas eram comentados nos jornais ou em algumas revistas, assim como surgiram cerimônias de premiação dos destaques da TV, como veremos adiante.

A crítica, escrita por jornalistas, professores ou estudantes universitários, ou até mesmo produtores da própria TV ou do teatro expunham suas opiniões para avaliar seu desenvolvimento. Hoje, a crítica presente nos jornais, revistas ou portas da internet apresenta nomes cujo papel funcional é basicamente criticar a TV, mas, como salientado anteriormente, com um nível de especialização talvez amplo demais. Os mesmos escritores devem não apenas comentar uma grande variedade de programas como também, muitas vezes, as ficções internacionais acabam por ocupar as páginas do jornal. Ao folhearmos os principais meios impressos no Brasil, é comum depararmo-nos com grandes colunas sobre as séries americanas exibidas na TV paga, inúmeras vezes ocupando um espaço que seria de debate nacional. Como exemplo é possível citar as revistas semanais Veja e Época, que de julho a agosto de 2010 publicaram apenas três colunas sobre a ficção nacional, o que significa a média de uma por mês, enquanto a primeira publicou, no mesmo período, cinco sobre séries internacionais. Cabe ainda ressaltar que a própria sessão sobre TV não é fixa, podendo aparecer ou não, de maneira aparentemente aleatória.

173 É interessante também destacar ou observar que os comentários sobre as produções internacionais são majoritariamente elogiosos, apresentando-se as séries americanas como um exemplo a ser seguido, enquanto as ficções nacionais podem aparecer, sem nenhum estranhamento, sob forte rechaça. Claro que essa ainda é a função dos críticos e não há nada de errado em criticar negativamente, mas é pertinente refletir sobre a perfeição a que se colocam as ficções internacionais, em detrimento da nossa.

Em relação aos jornais, os principais diários do Brasil contam com um colunista específico para escrever sobre TV, em coluna normalmente semanal, o que não impede que sejam publicados comentários de outros jornalistas em outras reportagens ao longo da semana. Além disso, grande parte dos colunistas responsáveis possui blogs oficiais do próprio veículo, nos quais podem postar outros textos em qualquer dia da semana.40 Pela constante atualização dos textos, é comum encontrar posts que destacam a estreia de um novo programa ou o término de outro, festas de lançamento, informações sobre os índices de audiência, ou notícias dos atores, diretores e dos bastidores da trama. Talvez esses assuntos sejam a maioria das pautas, com pouco teor propriamente crítico, ou que envolvam emissão de opinião. Desse modo, é possível questionar se os jornalistas ao quais chamamos de críticos de TV, no Brasil, não seriam telespectadores comuns, com a diferença de que possuem voz nas mídias mais abrangentes. Questionamento para o qual é possível que não haja resposta, uma vez que, conforme dito por Wolton, o telespectador brasileiro é grande conhecedor da TV, adquirindo um sentimento de especialização.

Podemos afirmar então que a crítica televisiva especializada brasileira ainda tem muito o que crescer, se especializar e se desvincular das antigas ideias sobre a televisão e tentar compará- la com outras formas de arte como cinema ou teatro. Bucci afirma impressionar-se com a pouca quantidade de estudos críticos sobre a TV.

Nós precisamos de mais crítica, de mais estudo, de mais teoria sobre o que é a imagem sobre o que é a televisão em sentido amplo. Precisamos de mais método. Isso nos falta. É inacreditável como o Brasil possui a televisão que produziu e quase não produziu teoria sobre televisão.41

40 Como é o caso de Patrícia Kogut (O Globo), Cristina Padiglione (O Estado de São Paulo), Fabíola Reipert e Daniel Castro (R7), entre outros.

174 Bucci defende ainda a importância da crítica televisiva no Brasil, justamente por ser esse um meio popular e de extremo impacto social. O pesquisador alega que o que o impeliu a criticar a TV foi justamente a importância que ela tem dentro do cenário brasileiro, em contraposição à ínfima relevância que uma crítica de cinema americano pode atingir. Nas palavras do autor, a televisão tem alguma coisa de produção viva, é quente, um pouco mais instantânea como uma imensa abertura para ser permeável a reações do publico, inclinações da historia, entrada de interesses às vezes ate estranhos, às vezes ate impelidos (...) – e isso em contraste ao cinema.42

Pela necessidade de um acompanhamento assíduo dos principais jornais e revistas nacionais para um debate mais aprofundado sobre a crítica impressa de TV torna-se difícil muitas afirmações ou conclusões a esse respeito em tão breve tópico. Mas podemos afirmar que, mesmo com as falhas da crítica brasileira, há campo para que se escreva periodicamente sobre as ficções, que não cessam de apresentar novidades; sejam sucessos ou fracassos. A abertura a críticas negativas é necessária, quando convier, assim como a discussão sobre o cenário da ficção internacional, para fins de informação e debate. Maior conhecimento sobre as opiniões de alguns dos representantes desta crítica da mídia impressa poderão ser vistos na análise dos questionários aplicados, nos próximos capítulos.

Antes disso, outro campo da crítica no Brasil se apresenta nas cerimônias de premiação, que também merecem uma introdução para que haja conhecimento sobre um dos objetos dessa pesquisa. As premiações foram escolhidas por representarem tanto a crítica especializada quanto a popular. Nesse sentido, elas funcionam como representações diretas da opinião do público votante. Serão aqui apresentadas as principais premiações nacionais, e as internacionais em que o Brasil já esteve presente. Buscamos aqui traçar um panorama geral das premiações ao longo da história e as principais cerimônias atuais, para conhecimento do contexto e visualização do cenário das ficções brasileiras no âmbito dessas cerimônias.