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KOBİ'lere Yönelik İhracat Desteklerinin Etkinliği

1.11. Türkiye’de Teşvik Veren Kurumlar

2.1.4. İhracat'ın Finansmanı Amacıyla Verilen Destekler

2.1.4.4. KOBİ'lere Yönelik İhracat Desteklerinin Etkinliği

Renato imprime dramaticidade no seu discurso utilizando o recurso denominado diálogo construído, termo proposto por Tannen (1989) para marcar a criatividade do falante ao utilizar-se da fala de uma outra pessoas ou de sua própria fala em um outro momento, como no caso anteriormente apresentado. Para a autora a conceituação tradicional de fala relatada, discurso direto/indireto ou citação não demonstram esta importante característica.

No exemplo a seguir Renato nos conta como eram as habitações por onde morou no início de sua vida no Brasil

Fragmento 15

632 Renato Lá sabia da vida dos outros, sabia de tudo. tinha o banheiro coletivo. tinha que fazer fila, espera que vou io. O primeiro saia espera mais um mocadinho 633 Maria Ele comeu o pão que o diabo amassou nessa época

634 Renato Bom, isso passou porque eu não vou fazer isso não “eu vou arranjar outro,

outro negócio”. Um dia um sujeito ordinário trouxe uma mundana, uma

vagabunda que todo mundo ali escutou ahhh. O patrício, o outro compadre falou “ela quer fazer xixi leva ela porta afora”, eles brigaram com o outro Patrício então aconteceu uma coisa, lá no Catumbi em frente a S. tinha uma igreja bonita ( ) Nazaré então disse a S.o. minha mãe tinha batizado uma filha dele. Casou por correspondência Sem conhecer o marido, por retrato, ho

detto “compadre tu pode dormir aqui que te arranjo uma casa, uma

vaga” nos primeiros anos do lado da minha cama tinha um português “e o banheiro compadre?” “O banheiro é um sacrifício” ha detto. “tem só, um só banheiro se você quiser ir e outra pessoa também”. Saí de um inferno e

caí em outro inferno (risos) mas não falou isso. Falou Assim: “tem que

apanhar acqua, no balde, na caçamba”. Falou Assim o português: “lá

embaixo tem uma escada, tem que jogar água quando fizer a

necessidade, senão outro reclama”. Se estiver falando mentira que Deus me

cegue. Tinha que ficar assim ó, era só um duto de cimento. chegava lá e bla bla bla.

um bonito dia de noite escutei um sujeito que tossia: “cof cof.” do meu lado tinha um rapaz que dormia quando de manhã. Esse camarada com uma folha de jornal toda cheia de sangue

635 Sandra Tuberculose?

636 Renato Tuberculose. Quando cheguei um compadre disse “tem um trinta e três”, não sabia o que era esse trinta e três ha ha ha

637 Sandra Trinta e três era tuberculoso?

638 Renato “Un po’ di tísica” ha detto. Eu disse: “compadre amanhã vou sair daqui”.

“Não”, disse “que te arranjo um lugar perto da janela”, mas eu saí e fui

morar no grajaú, na rua Dona A. ( )

Quartos sem privacidade, pois na verdade alugava-se uma vaga em um quarto cujas camas eram dispostas lado a lado; um único banheiro para todos os ocupantes da pensão, sem descarga, um companheiro com tuberculose. Diante dessas condições Renato decide mudar-se para o Grajaú outro bairro no qual durante a década de cinqüenta os italianos se instalaram.

No fragmento quinze podemos notar que Renato utiliza amplamente o recurso denominado por Tannen de diálogo construído, assinalados em negrito e dispostos entre aspas, ora para citar uma frase sua como, por exemplo, em:

(15.1)

Eu disse: “compadre amanhã vou sair daqui”

Ora referindo-se a fala do amigo que arrumara-lhe a vaga:

(15.2)

“Não”, disse “que te arranjo um lugar perto da janela”

Também Vittorio se vale do diálogo construído ao relatar sua história de vida e, talvez por ter tido uma das maiores empresas de Barra do Piraí e ter o nome de sua família ligado a essa empresa, em grande parte de seu relato nos conta fatos relativos a seu trabalho. Trabalho e família se fundem a ponto de ele concordar comigo na metáfora de que a Del Fiore era uma grande família, como veremos a seguir.

Fragmento 16

457 Vittorio Depois ( ) virou pra mim e disse: “Doutor Vittorio o senhor não tem

juízo”. E eu; “Por quê?” Ele: “Porque enquanto o senhor tinha Del

Fiore, nem aparecia na rua, agora o senhor vive pelas esquinas, o

senhor se arrisca”. E falei: “Não meu filho, quem não deve não teme”.

que me marcaram gente com lágrimas nos olhos: “se voltar eu trabalho de

graça pro senhor no início”. Coisa bonita, né.

Sandra [Bonita... Era uma família] 458 Vittorio A Del Fiore era uma grande família.

Interessante notar, que em um dos diálogos construídos, Vittorio cita o provérbio “quem não deve não teme”. Tanto ele como Renato, ao utilizarem o diálogo construído citam provérbios, que são expressões de visão cultural de uma sociedade, alguns dos provérbios citados são em língua portuguesa, outros em italiano e há também a tradução, por parte de Renato, de um provérbio italiano para o português.

Fragmento 17

489 Vittorio E os provérbios italianos, são maravilhosos. Quantos... tem um então que é fantástico! Papai sempre gostava... Um dizia assim: “se ognuno in fronte

scritto portasse i propri affanni ahimé quanti, che invidia fan, farebbero

pietà”. É difícil até de Traduzir. Se ognuno in fronte scritto portasse i propri

affanni,na própria cara, ahimé quanti, quando... Olha que bonito isso. Muita gente que nos faz inveja...

490 Sandra É aquela coisa, todo mundo tem seus problemas, alguns não demonstram...

Vitório diz ser um apaixonado pela língua portuguesa, mas nem por isso deixa de admirar a língua italiana, como nos relata, transita muito bem pelos dois mundos, na Itália, mimetiza-se aos outros italianos, no Brasil, não teria nem sotaque ao falar português, ou melhor, revendica para si um sotaque carioca.

Enquanto Vittorio declara seu amor à língua portuguesa e às suas duas pátrias, Renato nos fala de um ditado sobre o amor que lhe dizia sua avó, provavelmente em calabrês e por ele traduzido.

Fragmento 18

465 Renato Não ( ) mas pra me casar tem que ser com uma pessoa que eu gosto. Meu

avô dizia, a mãe de minha mãe de noventa e poucos anos “ama quem te

ama. Responda a quem te chama

Vimos que o diálogo construído serve para referir-se a fala de si mesmo ou de outrem, no caso dos provérbios se refeririam à fala de uma comunidade, pois, como dito

anteriormente, espelham a identidade sócio-cultural de uma comunidade. Afinal, assim como as identidades nos discursos são construídas, a partir de recursos como os vistos nesse capítulo os provérbios servem como exemplos de visão de mundo dos integrantes de determinada comunidade.

Além dos recursos até o momento exemplificados, temos no fragmento dois exemplo do recurso denominado por Falk (1979) dueto conversacional, como veremos a seguir.