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Doğrudan Pazarlama, Pazarda Derinleşme ve Markalaşma Faaliyetlerinin

1.11. Türkiye’de Teşvik Veren Kurumlar

2.1.3. Doğrudan Pazarlama, Pazarda Derinleşme ve Markalaşma Faaliyetlerinin

No exemplo abaixo, Renato nos narra a história sobre a invasão de um moinho que tinha sido fechado pelo governo, por ele e por sua mãe, a fim de moer o trigo para alimentar a família durante o período de guerra.

Fragmento 1:

768 Renato Ma, naquela época?

no caso passou por guerra também, enfim

passou por guerra, mas vou falar pra você eu era um garoto era um garoto novo. O governo fechou tutto que moinho

ahã

duas horas da madrugada eu puxando o burrinho minha mãe carregou o bolo de saco de trigo pra botar ele lá, compreendeu? nós andamos daqui até o batalhão a pé, carregando o burrinho, uma senhora e meu pai ficando aqui.

769 Sandra 770 Renato 771 Sandra 772 Renato

É importante ressaltar que a história aqui relatada se constitui numa micro-narrativa, mas que possui os elementos estruturais fundamentais de narrativa, de acordo com a perspectiva laboviana.

Orientação: “naquela época?”; “eu era um garoto um garoto novo”; “duas horas da

madrugada”

burrinho minha mãe carregou o saco de trigo pra botar ele lá”, “carregando o burrinho” Avaliação: “passou por guerra”, “nós andamos daqui até o batalhão a pé”, “uma senhora e meu pai ficando aqui”.

Durante a entrevista Renato produz outros relatos sobre o fato de seu pai ter deixado sua mãe, uma mulher jovem e bonita, sozinha para cuidar dos filhos.

Renato constrói essa micro-narrativa cujo ponto (vide turno 772), pode ser o de mostrar que sua mãe era “uma senhora e meu pai ficando aqui” (no Brasil) de modo que pode ser interpretado de duas formas: a) o inconformismo de Renato com essa situação, como vemos em outros momentos da entrevista e b) em uma instância mais ampla, o sacrifício que os pais são capazes de fazer por seus filhos.

Afinal, a mãe fazia um enorme trajeto carregando um saco para conseguir alimentar seus filhos, porque os amava e queria assegurar-lhes a subsistência, além do pai ter emigrado para o Brasil para assegurar uma vida mais digna e o dote das filhas.

O conflito experimentado por Renato, no que diz respeito ao pai é gerado por sua ausência e abandono de sua mãe como mulher, mas ele, assim como sua esposa, em alguns momentos da entrevista, afirma seu bom caráter, sua vida de labuta e assinala o fato de seu pai “cumprir com suas obrigações” ao enviar periodicamente dinheiro e sempre que possível passar alguns meses na Itália, bem como o fato de retornar no fim da vida para Itália para viver ao lado da esposa já que sua missão de criar os filhos tinha sido cumprida.

Vittorio também utiliza o contar história durante seu relato. Na sua narrativa podemos perceber uma forte ligação entre ele, seu avô, fundador da fábrica que se tornaria conhecida como Del Fiore, mas que originalmente carregava o nome da família Mandorla, seu tio e a empresa na qual trabalhou por quase toda a vida.

O trecho a seguir esclarece que seu avô emigrou para o Brasil logo nas primeiras levas de imigrantes, no final do século XIX, mesmo período no qual chegou a ferrovia a Barra do Piraí e, em contraste com a agitação que o comércio vivenciava em razão do entroncamento ferroviário, havia as readaptações pelas quais passavam as fazendas de café da região por causa da abolição da escravatura.

113 Alessandro O Mandorla veio pra cá quando?

114 Vittorio O ( ) dele no final do século XIX, ele nasce em mil oitocentos e setenta e dois , me parece e veio pra cá em mil oitocentos e noventa e sete.

115 Alessandro Ele veio então pra Barra do Piraí?

116 Vittorio É ele veio... não veio bem pra Barra do Piraí, acabou vindo com vinte e cinco anos. Viajou no navio e trabalhou nas caldeiras do navio pra chegar com um trocadinho aqui.

Ele era analfabeto... você vê que coisa bonita o avô que era analfabeto que montou a Del Fiore o outro que era que falava latim, então tem os dois extremos,uma coisa bonita, né.

E que ano, que ano que ele veio?

Ele veio em mil oitocentos e noventa e sete, mil oitocentos e noventa e sete

117 118

Alessandro Vittorio

119 Alessandro Desceu aonde?

120 Vittorio Ele desceu no Rio de Janeiro e trazia no bolso um papel com o endereço de uma pessoa conhecida, de uma tia dele.

121 Sandra Hum-hum.

122 Vittorio Aí ele desembarcou no cais, não sabia falar português nem nada, tinha um padeiro, italiano que ele pediu informação, se conheceram

no cais do porto, e ele disse: “Eu não posso te levar lá, mas eu tenho

que trabalhar, mas no final do meu trabalho”... Então ele passou o dia todo entregando pão junto com ele...

Notem que é Alessandro, o filho primogênito que introduz a questão de quando o avô teria vindo para cá, durante o breve tempo em que participa da entrevista, Alessandro dá sinais de conhecer essa histórias, as histórias de família, como apontado na introdução, muitas vezes o primogênito age como um griot, um mantenedor das histórias de família, assim como Alessandro, Vittorio, o pai, também é primogênito e além disso, foi durante muito tempo o diretor de marketing da empresa, que era “uma grande família”. Portanto, a história acima relatada não é apenas a história da família Mandorla, nome fictício como todos nessa pesquisa, a exceção do meu, mas da empresa Mandorla S.A. que se torna Del Fiore e cujo nome, é referência na cidade de Barra do Piraí, onde os habitantes pronunciam o nome Mandorla com certa intimidade, como se fizessem parte dessa família que projetou o nome da cidade pelo Brasil por meio de seus produtos e da propaganda em torno desses.

Outra estratégia utilizada mais por Renato do que por Vittorio é a repetição, sendo assim, a seguir, analiso possíveis funções para o uso de repetição.

Tannen (1989) também nos mostra que a fala oral possui muitos elementos da poesia. Renato e Vittorio, em suas falas confirmam a tese da autora, pois, em vários momentos de seu relato, podemos notar uma organização, por meio de estratégias de envolvimento, que evocam uma estética poética. Além, de em um olhar sutil, na fala, a repetição pode se fazer presente, de um modo mais amplo, na memória, por pessoas que utilizam o ritmo, como no caso dos músicos ou o raciocínio matemático, como no de comerciantes.

Tannen (1989), por sua vez, ao focalizar o caráter criativo da repetição, a considera uma das estratégias mais importantes para criar envolvimento por possuir diversas formas e funções, dentre as quais:

a) intensificação do significado - ao repetir um padrão rítmico o ouvinte poderá, além de ecoar o padrão proferido pelo falante, transformar o significado deste padrão, pois ao repetir, ele estará utilizando este recurso segundo sua própria criatividade;

b) esclarecimento de significado - quando o falante usa a repetição como recurso para diminuir o ritmo da interação, a fim de ganhar tempo para formular melhor um enunciado ou resolver uma questão;

c) manutenção da interlocução - a interlocução pode ser mantida pelos interlocutores quanto estes constroem uma interlocução longa com poucas palavras ou idéias conectadas por meio da repetição;

d) ratificação do ouvinte - o ouvinte confirma a argumentação do falante repetindo uma palavra ou um enunciado proferido anteriormente pelo falante;

e) Humor - a repetição com uma pequena variação torna-se um grande recurso para obter- se humor em uma interação.

Renato ao contar-nos sobre sua trajetória de vida utiliza algumas estratégias de envolvimento porém, no momento, me aterei à análise das repetições, dos seguintes fragmentos, destacadas em negrito.

a) Intensificação do significado

642 Renato Do Paula Mattos ai arranjei um amigo meu que se chama A. Naquela época trabalhava de alfaiate, o A., tinha o A.o. um cozinhava, um lavava os pratos, um apanhava a água na bica de noite

No fragmento 3, o narrador faz uso da repetição do artigo indefinido um, que reforça a idéia de divisão de tarefas entre os amigos que dividiam o quarto onde moravam na rua Paula Matos, segundo palavras do entrevistado e de sua esposa, o local era reconhecido como reduto dos italianos na década de ´50.

Além de trabalhadores os italianos, no Brasil, são conhecidos por pela ligação com a cultura, teatro, literatura e bel canto. No fragmento abaixo, o seu gosto por cantar é enfatizado por Vittorio por meio da repetição do verbo cantar no imperfeito.

Fragmento 4

195 Vittorio E o pessoal começava, cantoria e eu gostava de cantar, cantava Trazia o microfone e cantava aquelas coisas bonitas...

O uso do verbo no imperfeito serve para criar uma imagem relacional, com os personagens do tempo passado, cria uma atmosfera para o ouvinte, fazendo com que ele monte uma imagem, um cenário na cabeça. A repetição enfatiza o gosto com o qual Vittorio executa a ação. O fato de se referir à ação no passado não significa que ele não mais a execute. Ele continua cantando em eventos, como pude presenciar no casamento de seu filho, que seguiu os passos de seu pai também nesse aspecto, só não canta mais com aquelas pessoas que pertenciam à esfera de sua vida empresarial.

b) Esclarecimento de significado

Fragmento 5

461 Renato cabeça no lugar. o amor existe. engano existe também, tristeza existe

também, então olha aqui

Fragmento 6

487 Renato mesma coisa. Existe O amor, existe a sinceridade, existe ( ) hoje não

chapéu,compreendeu? não é a briga a discussão. Nunca briguei Nunca

discuti, nem um Nem outro. Nunca bati no meu filho

A repetição na fala de Renato geralmente ocorre grupos de três, como podemos observar acima, tanto nas construções com o verbo existir na terceira pessoa do presente do indicativo como nas com o advérbio nunca.

A fim de facilitar a análise dispus um após o outro os fragmentos 5 e 6, que se referem respectivamente aos turnos 461 e 487.

Se adotarmos a diagramação baseada em Tannen (1989) e Bastos (1992 e 1993) para a apresentação da transcrição poderemos visualizar melhor a repetições e a aproximação de um padrão rítmico que se apresenta na fala de Renato.

(5.1)

461 o amor existe engano existe também tristeza existe também

(6.1)

487 O amor existe,

existe a sinceridade, existe ( )

hoje não podemos comprar isso aqui,

hoje não podemos esse chapéu, compreendeu?

Segundo Labov, a avaliação marca ponto importante na fala, dá força, valoriza a colocação (apud: Cabral:1992). Os enunciados “hoje não podemos comprar isso aqui” e “hoje não podemos comprar esse chapéu, compreendeu” integra uma avaliação e funciona como explicação para o vocábulo intelegível que compõe a repetição estruturada com o verbo existir que, a partir desses enunciados e do contexto que se refere ao casamento podemos preencher esse espaço com vocábulos tais como: compreensão, acordo, diálogo. Assim como, seguida da asserção “não é briga, a discussão”, e intercalada pela conjunção nem, surge a repetição do advérbio nunca que, por meio de repetição de formas de negação ou exclusão, reforça e esclarece o fato de Renato não brigar com a mulher nem bater nos

filhos. (6.2) 487 não é a briga a discussão nunca briguei nunca discuti,

nem um nem outro

nunca bati no meu filho

Talvez um exemplo mais claro do uso da repetição como explicação esteja no próximo fragmento da fala de Vittorio, no qual ele esclarece o ano de falecimento de seu avô e sua idade, ao elaborar uma conta. Vejamos:

Fragmento 7

156 Vittorio Foi representante da Brahma e era correspondente do Banco do Brasil, ele era

uma pessoa muito respeitada e tal, e era correspondente do Banco do Brasil,

até a primeira agência passou pelas mãos dele. E aí o tem pó foi passando, chegamos aí aos anos cinqüenta. Eu já cheguei em quarenta e nove, convivi com meu avô por dois anos, ele faleceu no dia vinte e um de abril de mil

novecentos e cinqüenta e um, ele tinha nascido em setenta e dois, então ele estava com setenta e nove Anos. Vinte e oito com cinqüenta e um, é setenta e nove anos, faleceu em cinqüenta e um. Ele faleceu o Cesar tinha vinte e tantos

anos na época, assumindo as empresas ( )era fim de ano, eu estava estudando um bocado de coisas, fazendo o terceiro ano ginasial na escola Nilo Peçanha, fui pro Rio fiz ( ) São José, na Usina...

Nesse fragmento, em um primeiro momento Vittorio usa a repetição para enfatizar a importância do avô para a comunidade e para ele, afinal ele teve a oportunidade de conviver por alguns anos com esse homem mítico.

Em um segundo momento a repetição da data e da idade do avô como é feita sugere uma explicação baseada no cálculo elaborado por meu entrevistado.

Além das funções já vistas, a repetição também serve para a manutenção da interlocução como veremos a seguir.

Fragmento 8

157 Renato O filho de patrício, eles lá não tem muita Não tem muita ( ) Muita

ligação com as coisas

No trecho acima, Renato para não perder o turno acrescenta o advérbio de ligação não à primeira proposição e retoma o advérbio de intensidade muita, utilizado na segunda proposição para manter a conversação e ganhar tempo para estruturar a frase que lhe fugia “muita ligação com as coisas”.

Este recurso é muito utilizado quando queremos falar algo que não nos vem a mente e queremos manter a conexão com nosso interlocutor, pois uma pausa poderia fazer com que nosso interlocutor tomasse o turno e mudasse o argumento.

Interessante notar o vocábulo patrício, empregado por Renato, posto que esse vocábulo é característico do falar lusitano, o que indica o contato de Renato e seu aprendizado da língua portuguesa em contato com imigrantes portugueses. Como apontado pelo próprio entrevistado, ele teve poucos anos de instrução formal na Itália e não continuou seus estudos no Brasil, diferentemente de Vitorio, como podemos ver no próximo trecho.

Fragmento 9:

207 Vittorio Pra eu poder estudar aqui no Brasil, temos que voltar aos anos cinqüenta, eu tive que fazer o que chamava na época exame de adaptação. Todo estrangeiro pra poder continuar os estudos aqui tinha que fazer exame de

geografia do Brasil, história do Brasil e português, é... eu tinha estudado

geografia, estudava geografia mundial, tudo bem. Estudava história mundial, mas você tem história do país, geografia do país...

Hum-hum.

Então tinha que fazer essas três matérias: geografia, história e

português. Tinha que fazer exame de adaptação pra passar e continuar e eu fui pro Rio fazer, mas minha avó tinha vindo pra Barra, o alto da Boa Vista estava fechado ali, então eu tinha que ficar na casa do sogro do meu tio, fiquei uns quinze dias na casa dele pra fazer o exame.

208 Sandra 209 Vittorio

Notem que após minha manifestação de estar-lhe seguindo, Vittorio retoma o assunto ressumindo o tópico tratado no turno 203, exames necessários para continuaçãode seus estudos no Brasil, ao repetir os vocábulos geografia e história, garantindo a

manutenção de seu turno, além de enfatizar as matérias necessárias para o exame de adaptação.

d) Ratificação do ouvinte

Ao retomarmos o Fragmento 1, podemos também notar que eu e Renato co- construímos, por meio de uma repetição, a coda, tendo esta, segundo uma perspectiva laboviana, função avaliativa. Vejamos em negrito:

(1.1)

769 Sandra no caso passou por guerra também, enfim

770 Renato passou por guerra, mas vou falar pra você eu era um garoto

Notem que nesta co-construção, ao retomar minha fala, Renato ratifica a minha asserção estabelecendo deste modo uma outra função para esta repetição, a saber: a função de ratificação do ouvinte (Tannen:1989). Note-se ainda que a concordância em relação à avaliação é condição para a continuação da interação (Linde, 1997).

Fragmento 10

181 Vittorio A gente tinha casa em Angra dos Reis e o gerente da TV Globo muito meu amigo...

182 Helena Gerente comercial.

183 Vittorio É gerente comercial, ia lá pra passar o final de semana,

Nesse fragmento, Helena por meio da repetição do vocábulo gerente, seguida da extensão comercial, explica e ratifica Vittorio, que por sua vez ratifica a fala da esposa repetindo, após interjeição é, toda a denominação gerente comercial.

Talvez uma das funções mais criativas do uso da repetição, seja a de imprimir humor, muitas vezes estabelecendo a ironia.

e) Imprimindo Humor

Fragmento 11

então falou: - desce aqui que tem família em São Cristóvão. Ele falou nãaao o destino me mandou ir pra Argentina eu tenho que ir pra Argentina e

ficou seis meses na Argentina e voltou pro Brasil.

414 Sandra Que o irmão dele já tava no Rio ( risos) 415 Renato Já tava aqui.

Por sabermos que seu pai “fez a América” no Brasil, primeiro o relato de ele ter ido a Argentina, nos causa espanto. Para reforçar a insistência do pai em seguir seu destino, ou seja, ir para o país que inicialmente lhe foi designado, Renato repete por três vezes, somente no turno 413, o vocábulo Argentina.

O humor estabelece-se por meio da resistência do pai de Renato em seguir os conselhos do irmão e descer no Brasil e o fato de após tanto insistir no destino Argentina, lá permanecer por apenas seis meses, retornando ao Brasil, onde se estabelece e consegue prover o sustento da família.

A seguir, mais uma vez Renato estabelece a função de humor para Repetição, dessa vez com o vocábulo América.

Fragmento 12

583 Renato Então a mulher esperava três ou quatro anos ele chegar da América,

América América! Alguns botavam dente de ouro

A grandiosidade do feito de emigrar, alimentada pela ilusão de “fare la Merica”, é desmontada por Renato por meio da repetição do vocábulo América por três vezes, como se desse vivas, estabelecendo a ironia ao inseri-la logo após a proposição iniciada pelo advérbio então e na qual aponta a longa espera das esposas pelo retorno de seus maridos e o longo período pelo qual elas deveriam desempenhar os papéis de homem e mulher da casa.

Interessante notar que além de estabelecer o humor, imprimir ritmo a narrativa, a repetição também evoca uma imagem formada pelo ideal de fare la Merica, imagem essa construída e desconstruída pelo narrador ao longo de sua entrevista, pois que apresenta não só as maravilhas do Brasil, mas também o sofrimento do imigrante ao se deparar com novos costumes e afastar-se da família.

Já Vittorio, utiliza-se da repetição para estabelecer o humor com seu próprio tio que, segundo ele, por ser químico, tratava-se de uma pessoa muito metódica e no afã de organizar o espaço de trabalho acaba por inutilizar todo o maquinário para a fabricação de macarrão, carro-chefe da fábrica.

Fragmento 13

146 Vittorio O Cesar era perfeccionista, aí ele chegou e começou a mexer uma porção de coisas, chegou ao macarrão ( ) o piso tinha cedido, o concreto, então ele resolveu fazer uma coisa bem Feita. Tirou as máquinas, botou o piso no nível, botou as máquinas no prumo, arrumou tudo direitinho, ligou e

nunca mais a fábrica de massas funcionou nunca mais conseguiu fazer macarrão, porque as máquinas tinham ganho as formas do piso que foi cedendo, e elas foram se acomodando quando botou tudo no prumo não

teve jeito, e ficou pra trás a fábrica de macarrão.

Além de imprimir ritmo, no fragmento acima a repetição estabelece humor, quando após várias ações descritas no pretérito perfeito referindo-se a algo positivo, ligar, arrumar seguem-se as duas frases:

(13)

e nunca mais a fábrica de massas funcionou

nunca mais conseguiu fazer macarrão

Imaginem uma fábrica de massas que não consegue mais fabricar macarrão, na repetição e hipérbole jaz a ironia dessa asserção.