BÖLÜM I: İMAM BİRGİVÎ VE KİTÂBU’L-ÎMÂN
1.2. Kitâbu’l-Îmân
1.2.2. Kitâbu’l-Îmân’ın Yazmaları
Próximo ao seu 40º aniversário, Muhammad15 ouviu o chamado do anjo Gabriel, que lhe ordenou que recitasse que havia apenas um Deus, Allah, criador de todas as coisas, generoso e onisciente. Muhammad levou estas palavras até Meca, terra onde nasceu, e incitou as pessoas a abandonarem a idolatria e adorarem um único e universal Deus. Tal atitude lhe valeu a oposição das famílias líderes da cidade, que viram no profeta uma ameaça a seus interesses e sua fé.
Diversos tipos de pressões e ameaças foram sofridas por Muhammad e seus seguidores, até que, no ano de 622, trinta anos após o chamado, o profeta fez um acordo com emissários de Yathrib, uma cidade ao norte de Meca. A população desta cidade o
14 Este tópico é baseado na obra The World of Islam, organizada por Bernard Lewis (1997).
15 Jamil Almansur Haddad (1981) alerta para o fato de que a palavra Maomé é depreciativa e racista, motivo
aceitou como seu árbitro e fez um acordo segundo o qual esta população protegeria Muhammad e seus seguidores e estes defenderiam a população da cidade. Assim, foram trazidas cerca de 60 famílias de Meca para Yathrib, a qual tornou-se o centro da nova fé e comunidade, passando a chamar-se Medina. Esta migração recebeu o nome de hijra e é considerada como um momento decisivo na religião muçulmana, estabelecido como o ponto inicial do calendário islâmico.
Em Medina, Muhammad tornou-se um chefe e depois um governante que exerceu tanto a autoridade política e militar quanto a religiosa. Enquanto os capítulos do Corão escritos em Meca falam sobre ética e doutrina, os capítulos de Medina tratam de problemas políticos e legais. A influência do profeta estendeu-se, conquistando Meca no ano de 630. Muhammad morreu cerca de dois anos depois, deixando entre outras realizações, o estabelecimento de um novo tipo de estado, o Estado Islâmico.
Através das atividades de Muhammad, seu fundador, o Islã esteve desde cedo envolvido com o poder político. A comunidade muçulmana de Medina constituía um Estado que posteriormente veio a se tornar o centro de um império. Um império cuja soberania vinha de Deus, do qual o profeta derivava sua autoridade e sua lei. Enquanto Jesus disse aos cristãos para darem à César o que era de César e a Deus o que era de Deus, Muhammad era o profeta, o portador da revelação divina e o governante.
Três séculos de perseguição fizeram com que fosse estabelecida uma firme diferenciação entre os domínios do Estado e os domínios da Igreja. A Igreja Cristã criou ela mesma uma estrutura institucional (lei e hierarquia) separada do Estado. Uma grande mudança ocorreu com a conversão do imperador Constantino ao Cristianismo e o começo de uma difícil era de vinculação entre Igreja e Estado. A diferenciação entre esses dois poderes não existe no Islã e nem mesmo na língua árabe clássica: “This dichotomy between
the two powers does not exist in Islam at all; and indeed, such pairs of worlds as ‘secular and religious’, ‘spiritual and temporal’, have no equivalents in classical Arabic”. “God is Caesar, and the head of the Muslim community is the viceregent on earth”. (Lewis, 1997, p.12)
Quando o profeta faleceu já havia cumprido sua missão espiritual de apresentar as revelações divinas, mas a função da religião permaneceu, diz Lewis; dessa forma, vem sendo conservada e defendida a lei divina e os fiéis têm procurado levá-la para o resto da humanidade. Para cumprir esta função, é requerido o exercício do poder político e militar num estado.
Com a morte do profeta, surgiu uma situação de dúvida a respeito de quem deveria sucedê-lo. Uma parcela dos fiéis acreditava que deveria ser alguém com parentesco com o profeta, Ali, mais especificamente, seu primo e genro. Mas o que ocorreu, na verdade, foi a sucessão pelo califa Uthman, o que gerou um cisma na religião existente até hoje. Os fiéis que aceitaram a sucessão passaram a ser chamados de sunitas enquanto que os defensores de Ali foram denominados xiitas. No Ocidente, costuma-se pensar no Xiismo como a vertente radical do Islã. Tal concepção é equivocada e foi gerada na época da Revolução Iraniana, em 1979, quando ocorreram diversos atos de radicalismo, propagandeados pela mídia ocidental; e como no Irã, a população é xiita, a mídia acabou por relacionar o Xiismo ao radicalismo.
Continuando a descrição histórica da expansão do Islã, no ano de 661 surgiu o primeiro califado dinástico: os Umayyads. Sob seu domínio, o império islâmico estendeu- se ao leste, até as fronteiras da Índia e da China e, ao oeste, até o Atlântico e os Pirineus. Em 750 foi derrotado pelos Abbãsids que reinaram até o ano de 1258, no entanto, só foram
governantes efetivos no primeiro século. Dinastias locais se sobressaíram tanto no leste quanto no oeste, ajudando a expandir o império.
Os turcos, conduzidos pela família de Seldjuq estabeleceram uma nova instituição, o sultanato universal, converteram mais pessoas na Ásia Central e criaram um novo império no sub-continente indiano. Dinastias como a Fãtimid, a Ayyubids e o sultanato de Mamluks, sucederam o califado Abbasid. No décimo terceiro século, os Mongóis conquistaram todo o sudoeste da Ásia e, posteriormente, converteram-se ao Islã, gerando vários novos estados islâmicos com um forte “caráter turco-mongol”.
Cinco centros políticos definiram-se no "mundo muçulmano” após a invasão mongol. O primeiro foi o Otomano. Com a captura de Constantinopla no ano de 1453 tornou-se o maior império islâmico. O segundo foi o sultanato Mamluk no Egito, Palestina e Síria, incorporado pelo Império Otomano por volta do ano de 1516. No Irã encontrava-se o terceiro centro político islâmico. Criado pelos Safávidas, uma dinastia originária do noroeste. Tal dinastia era xiita e fez do Xiismo a vertente da religião islâmica lá predominante até hoje. A Índia representava o quarto centro. Lá uma dinastia turca que governava o norte, foi substituída pelo Império Mughul, o qual persistiu do século XVII até a chegado dos britânicos. O quinto centro de poder islâmico estava nas estepes da Eurásia, no sul da Rússia e no centro da Ásia, todas essas regiões foram incorporadas pelo império russo, e com a Revolução Russa, incorporadas pelo Socialismo Soviético. Do século XVI em diante, a reconquista da Rússia e da Espanha abalou o poderio islâmico16.
16 A expansão do Islã para o interior dos países ocidentais será discutida no capítulo V, onde apresento um