• Sonuç bulunamadı

Kimlik avı sitesi bildirme

Belgede ESET Smart Security Premium (sayfa 132-136)

Quando o arquiteto volta ao Brasil, ele encontra uma realidade bastante diferente, e embora seu nome ainda fosse bastante conhecido, estabelece um novo

parâmetro para a sua carreira, bem diferente dos moldes de dez anos antes. Além de sua experiência com grandes complexos turísticos e urbanísticos, o arquiteto traz uma nova influência em sua arquitetura, por meio do contato com as outras culturas que presenciou, como a portuguesa, a espanhola e a africana. Portanto, seus projetos não poderiam mais obedecer a uma ordem apenas modernista, mas, sim, a influência de uma nova vivência.

Um dos primeiros projetos que realiza na cidade de Curitiba foi para seus amigos portugueses que, assim como ele, estavam fugindo de Portugal em função da Revolução dos Cravos e seus desdobramentos, com a saída de país das pessoas ligadas ao antigo regime.

Esses projetos, embora em um primeiro momento se afastem e pareçam descontextualizados da obra do arquiteto, quando analisados com seus preceitos, - mais aprofundados no capítulo posterior -, demonstram que têm relação com suas antigas obras. Ele tem como princípio, na hora de fazer uma residência, o conforto e a satisfação do morador, logo estas casas se relacionam com sua obra. Os portugueses que deixaram sua terra natal e chegaram em Curitiba, logo, iriam querer casas que representassem sua região de origem. Desta forma, o arquiteto faz alguns projetos que formam um conjunto de casas denominado Vila Camões, situada na avenida Mateus Leme, 2958; e outras duas casas na rua Julia Wanderley, 527 e 535, em Curitiba (Informação Verbal)94. Embora o arquiteto

consiga recordar de ambos os projetos, estes não existem em seu arquivo, assim, a análise de tais obras é feita apenas através de registro fotográfico.

A Vila Camões (Figura 170) mostra evidentemente a influência moura na arquitetura do arquiteto. O conjunto de casas obedece um padrão, porém existem casas de diferentes modelos, as voltadas para o pátio central são maiores (Figura 171), enquanto as que são voltadas para a rua apresentam uma tipologia mais simples (Figura 172).

Figura 170 – Vila Camões

Fonte: Foto da autora, 2016.

Figuras 171 e 172 – Tipologia, casas voltadas para o condomínio e rua lateral

Fonte: Fotos da autora, 2016.

Já as residências da rua Júlia Wanderley (Figuras 173 e 174), além de apresentarem as características de origem moura, possuem semelhanças com a arquitetura modernista anterior do arquiteto, como a adaptação da casa ao terreno, sem a presença de corte nele, semelhante à sua antiga residência, a colocação de pilotis mais grossos, como na Casa Nine Belotti, mesmo que estilizados, além da sobreposição de blocos de forma perpendicular, como nas residências Szlama Kac ou Jayme Guelmann.

Figura 173 - Residência Júlia Wanderley

Fonte: Foto da autora, 2016.

Figura 174 - Residência Júlia Wanderley - adaptação ao terreno

Fonte: Foto da autora, 2016.

No entanto, o que marca a carreira do arquiteto nesta última fase são os diferentes contextos de acordo com os quais enquanto o arquiteto trabalhava na Europa com o turismo, no Brasil o modernismo se consolidava como modelo oficial. Assim, seria facilitado a ele voltar e dar continuidade à sua carreira, construindo casas ou projetos menores que, com certeza, lhe dariam o sustento necessário e talvez até a fama maior. Porém, ele opta por não se acomodar a esta tendência e aposta na modernização dos equipamentos turísticos do Paraná e do Brasil, devido

à sua grande experiência trazida do exterior, pois acreditava que o território brasileiro tinha uma grande potencialidade a ser explorada. Além disso, trabalha em projetos de desenvolvimento do Paraná, sejam estes habitacionais, vilas rurais, projetos de hidrovias e outros.

Grande parte de seus trabalhos mais relevantes se concentra no período em que assume a diretoria de planejamento da SUDESUL, no início da década de 1980, quando realizou uma série de projetos na perspectiva de que amenizassem os problemas da região.

Segundo o site da Fundação Ayrton Lolô Cornelsen (2015), a SUDESUL era um órgão que deveria resolver os problemas emergenciais da região sul, tais como: problemas com enchentes; erosões; carência de moradias; falta de acesso a algumas regiões; problema com transportes; desenvolvimento do turismo; abertura de poços entre outros problemas. Embora o arquiteto tenha traçado ações para unir todos os estados, estas não se concretizaram, portanto ele manteve sua atuação mais forte em seu estado de origem.

Segundo Lins (2004), devido à experiência do arquiteto na condição de ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, seu conhecimento do estado era grande e, para ele, este cargo poderia promover obras que tirassem o Paraná do papel coadjuvante na economia e na política nacional.

Além de elaborar vários projetos de habitação de interesse social em diversas cidades do Paraná e de Santa Catarina, ele cria as chamadas “vilas rurais”, que estabelecem projetos próprios que trazem condições para os trabalhadores permanecerem no campo, ao invés de irem para as cidades, um grave problema enfrentado pelos estados na época.

Contudo, os projetos de maior repercussão foram as implantações de hidrovias: tanto a do Iguaçu, quanto a do Ivaí (Figura 176). A primeira faria a ligação do Rio Iguaçu, Rio Paraná e Rio Uruguai, na Argentina, com extensão de mais de 5 mil quilômetros, que ligam os países e fazem uma via de escoamento de produtos, o que potencializa o turismo da região que havia perdido sua navegabilidade devido à construção das usinas hidroelétricas nas últimas décadas do século XX. Assim ocorreu com a Hidrovia do Ivaí, que tinha como objetivo o escoamento da produção do norte do Paraná, além de explorar o potencial turístico da região, como pode ser observado no quadro elaborado pelo arquiteto que mostra a vantagem da

construção de hidrovias, comparando a quantidade de caminhões necessárias para transportar a mesma quantidade de carga (Figura 175).

Figura 175 - Projeto hidrovia rios Iguaçu e Ivaí

Fonte: Lins, 2004, p. 121.

Figura 176 - Quadro elaborado pelo arquiteto – vantagem de hidrovias

Fonte: Lins, 2004, p. 120.

O arquiteto elaborou também projetos de transporte rápido, como: o transporte metroviário que liga diversas cidades do interior, além de criar um sistema para a Região Metropolitana de Curitiba e diversos projetos curiosos como: Projeto Piloto de assentamento dos Boias Frias, Projeto de destilaria de álcool a partir da mandioca e Projeto Modelo para Construção da Unidade Geradora de Alevinos (FUNDAÇÂO..., 2015).

Outros projetos elaborados surgiram a partir da experiência do arquiteto no exterior em relação ao turismo, como a revitalização da Baía de Guaratuba (Figura 177), da praia de Matinhos, e o polêmico projeto turístico para a Ilha do Mel.

Figura 177 – Plano revitalização Baía de Guaratuba

Fonte: Arquivo de Cornelsen, 2016.

Assim como sua experiência com o complexo turístico de Villa Moura, em Portugal, em 1970, que recebeu a certificação ISO1400195 anos mais tarde,

Cornelsen também fez uma proposta de complexo turístico para a região da Ilha do Mel. Mesmo que o projeto adotasse medidas de proteção ambiental (até rigorosas para a época) o projeto criou muita polêmica e, sobretudo, ambientalistas conseguiram barrar sua implementação. Hoje, a região ainda continua coma infraestrutura de turismo muito precária, que não gera nenhuma receita considerável ao estado e também não há uma política de meio ambiente que resguarde o patrimônio da Ilha. Lins (2004) se posiciona que esta foi uma grande perda para o estado do Paraná:

95ABNT NBR ISO 14001 é aplicável a qualquer tipo de organização que tem por objetivo obter um desempenho ambiental correto, tem como buscar sua certificação por uma organização externa competente. A norma visa orientar a implementação de sistemas de gestão ambiental nas organizações para a sua conformidade com a realidade do empreendimento e ainda servir de subsídio para uma análise intra ou externamente da conformidade entre esta certificação e uma autodeclaração de um empreendimento, e, por fim, mas não menos importante, tem como objetivo dar as diretrizes para a confirmação de sua conformidade frente a algum requisito pré-estabelecido por algum cliente.

O Paraná poderia estar na vanguarda do turismo nacional se tivesse acreditado na seriedade do projeto (muito rigoroso ambientalmente para os padrões nacionais da época) em desenvolver paralelamente o turismo e a preservação da natureza. (2004, p. 124).

Importante ressaltar que a SUDESUL na gestão do arquiteto era um local para estabelecer convênios entre o setor público e os investidores do setor privado, por meio de agências de desenvolvimento. O papel do arquiteto se concentrou-se, sobretudo, em apoio técnico e apresentação de projetos para uma futura parceria público privada. Sua permanência no cargo foi até 1987 (FUNDAÇÂO ..., 2015).

Paralelo a isso e nas décadas seguintes, o arquiteto também criou alguns projetos particulares que também realizavam essas parcerias com investidores nas quais ele gerava o projeto e o apoio técnico, com uma série de estudos espalhados por todo o país. São complexos turísticos semelhantes à infraestrutura dos que o arquiteto realizou no exterior, porém de porte menor: com rede hoteleira, loteamentos, complexo de lazer, centro comercial e outras.

No Paraná, ele teve propostas espalhadas por diversas regiões, que julgava estratégicas para o desenvolvimento do turismo regional. Elaborou outro complexo no litoral, na cidade de Paranaguá, chamado Marina Guaçu, além do “Loloville” na região de Pontal do Sul, próxima a Ilha do Mel (Figura 178).

Ainda cabe citar uma proposta para o interior do estado, o chamado Healthcenter Termas São João, na região de Prudentópolis, que, posteriormente, faria parte de um projeto maior e que englobaria um tripé turístico para o Paraná denominado “Foz do Iguaçu – Prudentópolis – Ilha do Mel”, que aproveitaria todos os antigos projetos do arquiteto nos tempos da sua diretoria na SUDESUL (Figura 179).

Figura 178 - “Loloville” e Material de divulgação

Fonte: Arquivo de Cornelsen, 2016.

Figura 179 - Documentos projeto Foz do Iguaçu – Prudentópolis – Ilha do Mel

Fonte: Arquivo de Cornelsen, 2016.

No estado de Santa Catarina, ele realizou projetos em diversas cidades, entre eles estão: Privê das Flores, Privê dos Lagos ou Marinas do Sol, Privê de São Francisco, todos na região norte do Estado; além de outros em regiões diversas do estado como o Três Figueiras, o Tijucas e o Jardim Grün Berg.

Além disso, ele produziu uma série de outros empreendimentos pelo país, como o: Condado Ecológico de Camocín, no Ceará; Salinas Aldeia do Sal, em São Pedro D’Aldeia, no Rio de Janeiro; Mambucaba Turismo, em Angra dos Reis, Club Lagoa, em Maricá, Rio de Janeiro; Condado de Cocais, em Goiás; e um complexo em Poços de Caldas, Minas Gerais.

Mesmo após seu retorno ao Brasil, ele também foi chamado a realizar projetos em Portugal, como o Jardim Esperança, na Região do Portimão, com seus antigos parceiros da década de 1970 (FUNDAÇÂO..., 2015).

Porém, grande parte desses projetos foram vetados, sobretudo, os projetos no estado do Paraná que, como Lins (2004) acredita: “Desde seu retorno definitivo ao país levantou a bandeira de que era preciso profissionalizar e modernizar a política turística local, mas sempre teve seus planos interpretados como artimanhas para se auto-beneficiar” (2004, p. 125).

Ao se analisar a carreira do arquiteto como um todo, é possível perceber que ele atuou em diversos lugares além dos aqui citados - é importante ressaltar que existem em seu arquivo projetos e construções, em países como Suíça, Bélgica, Canadá, Nigéria, etc. Trabalhou em quase todo o tipo de construção, pois existem muitos outros projetos para serem estudados no seu arquivo, como quartéis, escolas, hospitais, cozinhas industriais, desenhos da área de engenharia, de design, etc., assim acaba sendo objeto de estudo para a arquitetura modernista, sendo esquecida a obra dele como um todo, que possui uma dimensão mais especifica que será trabalhada no capitulo posterior.

Ao contrário do que poderia imaginar, Cornelsen ao voltar ao Brasil, em meados da década de 1970 poderia usufruir de uma fama já conquistada como arquiteto modernista, pois suas obras, mais especificamente suas residências, eram consagradas e bem requisitadas na região.

Mas em função de um objetivo maior, não se sabe qual seja, o arquiteto sempre buscou investir em uma carreira alternativa, principalmente através de cargos públicos, e sempre ligado ao estado, pois acredita predominantemente no desenvolvimento dele. Embora hoje se observa que ele não se sente à vontade de viver no Paraná, é possível perceber que sempre esteve ligado à sua terra natal, sempre em busca de fazer algo por ela.

Lins (2004, p.125) acredita que este pode ter sido um dos grandes diferenciais do arquiteto: “nunca se deixou seduzir pelo simbolismo da arquitetura moderna e pela criação de marcos arquitetônicos que chamariam mais atenção pelo seu formato do que pela sua utilidade”. Ainda acrescenta que o arquiteto sempre buscou “valorizar a funcionalidade e a viabilidade de seus projetos – todos calcados em pesquisas ou alternativas de sustentabilidade”.

Para ele, a criatividade foi mais bem aproveitada na função do que na forma, ampliando, assim, seu campo de trabalho, mas afastando-o do arquétipo tradicional de arquiteto modernista. Diante disso, um aspecto que merece destaque é a utilização de ‘marcas registradas’ de Lolô Cornelsen, onde, por exemplo, há a presença das araucárias96 em várias de suas obras (Figuras 180,181,182 e 183),

bem como a curiosidade desta presença no projeto, na França, da década de 1970, entre outras marcas.

Figura 180 e 181 - Araucária na obra de Lolô

Fonte: Arquivo de Cornelsen, 2016.

96 Araucária com nome científico Araucária angustifolia é tida como a árvore símbolo do estado do Paraná.

Figuras 182 e 183 - Araucária

Fonte: Arquivo de Cornelsen, 2016.

Com base nas informações obtidas da história do arquiteto, o próximo capítulo busca consolidar suas obras com a questão da imaterialidade, a fim de concluir o estudo.

5 A DIMENSÃO IMATERIAL NA BUSCA DE SENTIDO NA ARQUITETURA DE

Belgede ESET Smart Security Premium (sayfa 132-136)