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I. BÖLÜM

1.2. KİMLİK YAKLAŞIMLARI

O Município de Jundiaí está próximo a metrópole de São Paulo, sendo um dos eixos de expansão urbana e industrial da macrometrópole. As décadas de 1950 a 1970 marcaram um período de consolidação do eixo urbano-industrial na direção Norte do Estado, ao longo da Rodovia Anhanguera.

Esse processo de interiorização do desenvolvimento, especialmente em Campinas e região, foi induzido por políticas governamentais. Implementadas durante o Programa de Metas (1956-1960), ampliaram os investimentos públicos produtivos em infra-estrutura de transportes, comunicações, ciência e tecnologia no interior do Estado de São Paulo (IPEA, 2002).

As cidades de Jundiaí e Campinas e suas respectivas microrregiões formam o mais importante corredor industrial, o que provoca também, a canalização de considerável parcela de contingente migratório e um elevado crescimento populacional, bem como a manifestação de sinais de perda de qualidade de vida da população e crescimento urbano não planejado. Segundo dados do IBGE (60 e 70),

houve um crescimento relativo populacional de 58,6% em Jundiaí, contra 55,8% na Baixada Santista, 44,2% no Vale do Paraíba e 37,7% no eixo em direção a Sorocaba.

Jundiaí contava com um grande número de indústrias, que de início se localizavam em meio à área urbana do município. Em 1980, as indústrias ocupam 21% da área urbana, sendo que a média brasileira de ocupação do solo urbano pelas indústrias é de 15%. Em termos espaciais, as indústrias em Jundiaí se distribuíram pela área urbana sem controle, e em pouco tempo ficaram rodeadas de residências, o que inviabilizou a expansão de suas atividades dentro do município (CLAUDINO, 1994).

Assim, o Município de Jundiaí, como outros do Estado, com o acelerado processo de urbanização brasileira, e em seguida, a desconcentração industrial e o processo de interiorização no período de 1970-1980, passa a sofrer os efeitos negativos, sociais e ambientais de uma expansão urbano-industrial rápida e desordenada.

Como coloca Negri (1988, p.21),

na ânsia de atrair indústrias, governantes de outros Estado e prefeitos do interior de São Paulo, tomaram decisões irresponsáveis, permanecendo na impunidade (...) Junto com as indústrias chegaram imigrantes trabalhadores engrossando mais ainda o contingente populacional desses centros urbanos, fazendo com que as demandas públicas passassem a ter duplo sentido: atender às necessidades de infra-estrutura, à instalação do capital e às novas e maiores necessidades decorrentes do aumento populacional.

Tendo em vista o incremento da atividade industrial no período 1950-1960, o poder público municipal demonstrou preocupação quanto ao crescimento desordenado, no sentido de evitar a continuidade do processo em andamento. Para tanto foi elaborado o Plano Diretor do Município (1969), visando disciplinar a localização de indústrias, através da implantação do Distrito Industrial (Plano de Incentivo e Desenvolvimento Industrial – PLANIDIL) com 240 ha, localizado a 8km da Rodovia Anhanguera, 6km da Via Radial de Itu e a 8km do centro urbano

O município de Jundiaí participou intensamente do desenvolvimento industrial paulista no período de estruturação da indústria pesada, na década de 50 e 60, expressando assim, uma especificidade do seu desenvolvimento industrial e urbano dentro do desenvolvimento do Estado.

Tabela 13 - Evolução da população e da taxa de urbanização, comparada a da região e do estado 1960-1970

1960 1970 Localidade População Urbana Taxa Urbanização Taxa Geom. 50/60 População Urbana Taxa Urbanização Taxa Geom. 60/70 Jundiaí 84.010 70,7% 7,9% 145.740 86,2% 5,6% Região 923.519 59,8% 5,7% 1.532.696 73,0% 5,2% Estado 8.151.632 62,8% 5,4% 14.276.239 80,3% 5,7% Fonte: CLAUDINO, 1994

Tabela 14 - Crescimento populacional da sub-região de Campinas 1950/1960 Crescimento total Crescimento devido à migração

Sub-região de Campinas 1950/60 1960/70 Campinas 42,37 31,80 Piracicaba 39,97 16,61 Limeira 32,67 5,21 Jundiaí 63,80 51,67 Fonte: CLAUDINO, 1994

Como mostram as tabelas 3 e 4 o Município de Jundiaí apresentou, no período de 1950/1970, um crescimento populacional muito maior do que das regiões do seu entorno e maior do que o Estado. Este rápido crescimento nesse período de sua história, trouxe problemas, que ainda, são evidenciados nos dias atuais, principalmente no que se refere à moradia.

Embora o crescimento industrial em Jundiaí tenha diminuído seu ritmo nas últimas décadas, a população continuou a crescer. Isso se deve, entre outros, pelo fato de Jundiaí se localizar entre duas metrópoles, sendo que muitos moram na cidade, na tentativa de fugir do caos das grandes cidades, mas trabalha fora (principalmente em São Paulo e Campinas), o que a caracteriza como uma cidade dormitório.

Desta forma, pudemos observar que o Município passou por um rápido crescimento populacional, em quatro décadas, de 1950 a 1980, a sua população total cresceu muito, sendo que quase quadruplica de tamanho, como mostra a tabela abaixo.

Tabela 15 – População Total e Urbana no Município de Jundiaí

1950 1960 1970 1980 1990 2000

População Total 69.165 117.932 167.772 258.328 285.706 323.056 População Urbana 45.122 84.010 145.740 221.490 261.289 299.890

Tabela 16- Taxa Geométrica de Crescimento Anual da População de Jundiaí

Ano Taxa de Crescimento

1950/60 1960/70 1970/80 1980/91 1991/2000 2000/2004 7,9 % 5,6% 4,27% 1% 1,28% 1,39%

Fonte: Prefeitura de Jundiaí (2003) e SEADE (2007)

Os problemas urbanos no município são muitos e expressam as conseqüências do intenso crescimento industrial e populacional das décadas anteriores, o que configurou uma estrutura urbana que se desenvolve de forma desordenada e intensa, provocando déficit nos serviços gerais de atendimento à população , principalmente com relação a habitação, favorecendo ao processo de produção de periferias no município.

Gráfico 4 - Déficit Habitacional Acumulado em Jundiaí na Década de 1970

0 954 2449 3751 4974 6226 7984 9543 11387 13058 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 1970 1972 1974 1976 1978 1980 Fonte: CLAUDINO (1994)

Gráfico 5 – Confronto entre o déficit habitacional e o número de famílias faveladas na década de 19 70 954 1495 1302 1223 1252 1758 1559 1844 1671 7 13 20 42 81 182 328 583 695 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 déficit habitacional n. de famílias faveladas Fonte: CLAUDINO (1994)

Os gráficos 4 e 5 evidenciam o problema da habitação em Jundiaí, como conseqüência do seu rápido crescimento. Os problemas existentes na década de 1970 se agravam nos dias atuais. A falta de intervenção do Poder Público nas décadas anteriores, são sentidas na configuração espacial de agora. O Município de Jundiaí apresenta várias favelas e inúmeros loteamentos irregulares e clandestinos, isto tem afetado o desenvolvimento da cidade, a qualidade de vida da população e o equilíbrio do meio ambiente.