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2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.5 Kültürlerarası İletişim

2.5.2 Kültürlerarası İletişimde Temel Öğeler ve İletişim Biçimler

2.5.2.3 Ekstrasözel Öğeler

2.5.2.3.3 Kişilerarası Uzaklık (Mesafe)

Em 1895, Louis Lumière presencia seu irmão Auguste Lumière tomando café da manhã com sua esposa e sua filha, ainda um bebê. Um momento como esse seria uma cena cotidiana efêmera, se a mesma não fosse registrada com o equipamento que os conhecidos empreendedores da fotografia acabaram de inventar. Captada pela tecnologia desenvolvida pelos seus criadores, cujo resultado é a projeção de 16 fotografias em preto e branco a cada segundo, tal acontecimento deixou de ser um trivial instante cotidiano.

As imagens em movimento compõem Le repas de bébé (1895), registro cinematográfico com duração aproximada de um minuto, tornaram-se um documento histórico do modo de vida burguês. Registradas pelos próprios criadores do cinematógrafo, a máquina que captava e logo projetava o movimento, naquele então era geralmente atração em cafés, vaudevilles e outros espaços nos quais uma quantidade de pessoas desconhecidas juntava-se para celebrar diferentes formas de encontro e diversão.

O cinematógrafo era uma entre tantas outras tecnologias inventadas no contexto de industrialização da época para produzir ilusões óticas de movimento. Por ter a projeção de imagens visível em maior escala para um diverso e numeroso público presente, de acordo com cada espaço, esse sistema ganha visibilidade e prospera a ponto de tornar-se o que hoje conhecemos como o cinema.

Há um aspecto em Le repas de bébé que se sobressai de uma prática hoje incorporada na vida cotidiana e na qual o uso das máquinas geradoras de imagens técnicas é parte da experiência humana. Com um dispositivo técnico de base de suporte material, na projeção lumínica e na identificação do público com os personagens, a força do cinematógrafo vem de como o público entra em contado com o registro do movimento.

Como todos os filmes rodados pelos irmãos Lumière, tal instante era parte de uma série de registros domésticos e pessoais da vida burguesa, uma exibição de um modo de vida de seus criadores, em uma espécie de performance deliberada que funda um dos gêneros mais difundidos do cinema: o home movie ou cinema familiar, que irá originar o cinema experimental pessoal, praticado por comunidades de artistas com aparatos semi profissionais ou caseiros.

Neste trivial momento cotidiano registrado pelo cinematógrafo, o enunciador compõe seu duplo: é o sujeito que articula o discurso e quem se prepara para ser filmado. Aquele que articula o registro é também quem prepara a encenação, neste caso Auguste Lumière.

Juntamente com a antecedente prática da fotografia familiar, o curto filme em preto e branco transforma-se em uma expressão da performatividade produzida por aparatos de captura e reprodução do movimento. Esta performatividade da cena acontece na relação entre os sujeitos filmados e quem registra. Tal encenação com aparência de improviso cotidiano, inclui enquadramento, ação, disposição dos objetos e duração, determinada pela limitação da tecnologia utilizada.

Para Comolli, esse filme é a prova de que desde o nascimento do ato cinematográfico há o que ele chama de um “duplo processo de individuação” ou seja, de “subjetivação do sujeito filmado”, o que iremos interpretar como uma modalidade de presença na qual a performatividade já compõe um duplo de visibilidade vinculada poeticamente e ideologicamente à linguagem do dispositivo. Para Comolli, quem é filmado transforma-se em um personagem do filme, através desta parte de si mesmo que pousa e adota uma postura, se presta e se oferece ao olhar do outro.

Essa forma de analisar este duplo processo de individuação pode ser relacionada com o conceito de performatividade nos campos do estudo da performance e do teatro, nos quais a experiência com a gestualidade do corpo, ou a abordagem mais diretamente focada na ação, enfatiza os aspectos espaço- temporais do termo."

Salter121 define a performatividade como elemento constituinte de práticas que envolvem não somente performance como um sistema em investigação poética, baseada no tempo real, no espaço compartilhado entre público e performer e no """"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""

121 Em SALTER, Chris. Entangled: technology and the transformation of performance. London: The MIT Press, 2010.

improviso, mas também como uma estratégia geral de criar interfaces públicas entre ciência e arte. A performatividade engloba, portanto, o termo performance como prática e método de comunicação de um ponto de vista da realidade. A projeção do movimento transporta a ideia de tempo real, e as situações reforçam uma presença ativa com o movimento da vida cotidiana.

A performatividade é uma criação ativa na e da realidade. É uma forma de ser e agir no mundo radicalmente diferente das formas representacionais de conhecimento.

Há uma tradução mais próxima de seu efeito na imitação ou “mimese”. Salter122 igualmente identifica que o uso do termo “mimese” por Aristóteles, em

Poética, já sugere que há uma identificação do público, uma empatia, com os atores – performers. Essa empatia torna-se o princípio principal da modalidade de presença orquestrada no dispositivo técnico cinematográfico, principalmente em trabalhos nos quais a ênfase dá-se no gesto, na potência revelada pela imagem da ação do performer.

Com o movimento e a temporalidade da imagem técnica cinematográfica pode-se ter contato com o conhecimento performativo que compõe-se de práticas com a materialidade, de como as coisas são feitas mais do que descritas, marcando a diferença entre performatividade e representação.

O corpo do inventor em ação visualizado e logo as autorepresentações dos cineastas na “subjetivação do sujeito filmado” interpretada por Comolli, carrega uma performatividade que unifica agir para criar e para comunicar seu invento. Há a dupla afirmação de uma experiência ativa que recria aspectos da realidade não só pelo registro mas pela composição do sistema.

A invenção do objeto técnico como prática com a materialidade e personificação visual do agente que a concebeu o aparato como prática com a gestualidade corporal formam uma intersecção performativa, um sistema entre invenção como resultado e a técnica de voltar seus recursos para a representação de si mesmo.

"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""" 122 Ibid, p.

|2.4.b|

Invenção e criação: consolidação do meio associado e as “comunidades de