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2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.4 İletişim ve Nitelikler

2.4.4 Etkili İletişim

Figura 10 – Registro de Performance do Despertar (Awakening Performance) em estreia internacional na LASALLE College of the Arts (Singapura). Agosto 2015. Fonte: divulgação LASALLE College of the Arts.

Com a revisão de detalhes de diferentes teorias voltadas à compreensão da própria corporalidade, bem como a partir de participação como criadores e observadores de performances de Live Cinema e multimídia, chegamos à fundação do conceito de primeira modalidade presença através da compreensão da relevância da expressão mente-corporificada (Embodied Mind).

Primeiro, então, o performer deve compreender como corporificar suas premissas nos seus gestos e na relação de sua corporalidade com o dispositivo técnico por ele organizado. Ele deve estar percebendo, vendo, concebendo e gerando para si mesmo afeto visível e sensível em relação a sua corporalidade e as suas emoções. A partir deste afeto, desta experiência de voltar-se para para si mesmo, o artista adquire a capacidade de expressão de uma poética possível através da colocação de sua corporalidade na obra. Seja a corporalidade recurso expressivo em gestos significantes – no caso da performance multimídia que envolva dança ou atuação, ou simplesmente como meio de execução de propriedades sonorovisuais a partir de uma estrutura de hardware e software por ele organizada e manipulada em tempo real, diante do público – no caso da performance audiovisual. Seja qual for a forma expressiva desde a qual o performer concebe sua corporalidade, ele deve ser o primeiro a perceber e a agir na fundação deste vínculo consigo mesmo.

Por fim, vale lembrar ainda que o conceito de performance para autores como Renato Cohen94 expande esta concepção de expressão cênica para espaço e

tempo. Para o autor, que também concebeu e dirigiu performances, o meio externo ao qual nos referimos é uma combinação espaço-temporal. É necessário haver um atuante – que aqui é o “si mesmo”, um texto, em local dado, apresentando um trabalho com artifícios específicos para um público presente e que, fundamentalmente, deve acontecer “naquele instante”. Cohen também soma a performance diferencia-se de outras artes presenciais a partir de sua característica sensorial e com o latente risco do evento ao vivo, relacionando o imprevisto do ato performático com a própria realidade, emanando um sentido de “ritualização do instante presente”.

Performar aqui vai além de uma capacidade operativa de materializar através do corpo as ideias de um dramaturgo. Não consideramos o universo expressivo das artes da performance um terreno no qual haja necessidade de uma narrativa, uma dramaturgia e de técnicas específicas, ligadas a alguma escola ou método teatral. E sim uma série de esforços motivados por um propósito poético que surge da compreensão do que podemos transformar na “geleia amorfa”, um mundo de ilusões no qual a condição humana é moldada.

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94 COHEN, Renato. Performance como linguagem e criação de um tempo: espaço de experimentação. São Paulo: Editora Perspectiva, 1989. p. 28.

O que nos interessa, neste ponto, é fortalecer a discussão em relação ao performer como criador de sentidos através da sua capacidade de interpretação e ação do que ele mesmo pode conceber sobre sua presença na realidade promovida pela forma de sua obra.

Sua capacidade de corporificar seus processos mentais através dos artifícios fundantes de sua poética constrói a potência da corporalidade como presença que magnetiza e traz o público para o universo significante de sua performance.

A primeira modalidade de presença manifesta-se em um processo primeiramente de contato e percepção do próprio corpo em sua relação com os espaços de seus movimentos carregados de intenção e poética. A base da potencialidade expressiva desta presença é o contato com o “si mesmo” e a fertilidade que surge da experiência lapidada para alcançar uma ou mais aptidões específicas. Parte de um silêncio e de uma espécie de autoetnografia ou observação de “si mesmo” motivada pela compreensão de nossas capacidades de empatia, entrega e ação cujos resultados serão expressividade e precisão no uso dos artifícios.

Do conjunto de recursos expressivos próprios do corpo, a mente corporificada torna-se o foco. Logo, passa por etapas de reconhecimento e formulação das extensões do próprio corpo cujas nervuras serão edificantes do próprio estado cênico, seja ele mediado por meios tecnológicos ou não.

Sendo assim, entendemos a mente corporificada como efeito de um processo de contato e experiência com a primeira forma de presença, geralmente exposta como premissa das artes do corpo. É um conceito que consideramos aglutinador de sentido fundante que serve para diferentes práticas da performance.

Percebemos tal princípio ao longo de processo de revisão de teorias de autores de diferentes campos de investicação da condição humana e da expressão corporal nas artes que expressam ideias semelhantes sem necessariamente voltar- se a mesma palavra. Também observamos sua manifestação em obras de performance e na prática de instauração de #LiveLivingPerformanceProject, a partir da qual conclusões subjetivas surgiram, durante o processo que demonstrou, em um primeiro nível, que performar construir ações baseadas em códigos para logo desconstruí-las.

A partir dos artifícios articulados na própria obra, percebemos ser possível gerar com a expressão corporal a intenção de conectar o público às premissas de sua poética.

Ser performer é, antes, tornar-se performer a cada obra e a cada novo estado subjetivo e intersubjetivo – portanto coletivo - realizado de si mesmo para produzir uma presença instransferível mas não menos interconectada com a forma como o outro a percebe. Ser performer, além de agir em uma circunstância específica, é “existir-se” e “tornar-se” a cada experiência de troca por novas dimensões corporais e condições do “si mesmo” articulada e em si mesmo fundada.

Ao mesmo tempo, ao considerarmos o saber e a técnica sobre os objetos manipulados pelo corpo, pensamos haver na primeira modalidade de presença uma relação do indivíduo com os artefatos que já manifesta uma processualidade baseada na repetição que formará a capacidade. E conseguir realizar esta presença será o princípio de destreza necessário para a instauração da poética de qualquer trabalho artístico.

|2.3|

Segunda Modalidade de Presença