2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.6 İlgili Araştırmalar
Indo além do uso narcisista do vídeo, consideramos trabalhos referentes nos quais o corpo é colocado como recurso expressivo vinculado a aspectos filosóficos em situações de repetição e contemplação. É o caso do trabalho de Bill Viola, que imprime nos atos do corpo investigações das relações formais contemplativas sobre recursos como o som, o tempo e o espaço.
Sua presença em videos como Migration (1976) demonstra mais o fato de o vídeo ser meio para criação solitária e transcedente, voltada à compreensão de elementos como escala representacional-corporal e detalhe na imagem videográfica. Sua presença no tempo e no espaço, em uma atmosfera sonora que dilata a temporalidade da duração, significa mais um momento de observação extendida, configurando a potencialidade contemplativa na duração do registro com fita magnética. O foco não é a autoexposição e sim o estudo do detalhe, da medida, da resolução ou da acuidade, pensada em termos visuais.
Como o próprio artista escreve em suas notas “(…) toda parte de um espaço contém conhecimento de todo outro”145. Do plano geral, ao detalhe, Viola promove um estudo do meio aliado à capacidade humana de perspicácia e vigilância.
Figuras 40 e 41 - Frames de Migration (1976), de Bill Viola.146
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145 Sua nota original é: Every part of space contains knowledge of every other. Em VIOLA, Bill. Reasons for Knocking at an Empty House: writings 1973-1994. The MIT Press: Massachusetts Institute of Technology. Cambridge Massachusetts, 1995. p. 45
Em suas notas, ele descreve Migration como
“(…) uma lenta e continua jornada através mudanças na escala, pontuada pelo som de um gongo. A peça relaciona-se com a natureza do detalhe em uma imagem. Em termos visuais, isto é conhecido como acuidade, e está relacionado com o número de fotoreceptores em uma dada área da superfície da retina. Em termos televisivos, o detalhe refere-se à “resolução”, à medida do número de elementos nas direções horizontais e verticais do frame de vídeo. A realidade, diferentemente da imagem na retina ou no tubo da televisão, é infinitamente divisível: “resolução” e “acuidade” são propriedades somente de imagens. O trabalho envolve a exploração de propriedades óticas de uma gota de água, revelando nesta uma qualidade da ordem do individual e a sugestão da natureza impermanente do mundo que ela possui.”
O interesse no estudo das estruturas acústicas, temporais e visuais, manifesta-se em outros trabalhos de Viola como The Space Between the Teeth (1976), no qual o artista autoregistra seu experimento com o fenômeno acústico resultante de seu ato de gritar em um corredor industrial.
Com um travelling out, na primeira parte do vídeo, entendemos por quê ele orquestra elementos visuais e espacialidade sonora. Efeitos visuais de pós-produção são adicionados, demonstrando os vários planos sonorovisuais de uma ação pensada em termos de espaço acústico.
Figura 42 a 44 - The Space Between the Teeth (1976)147, de Bill Viola
Sua autoexposição, em plano sequencia, e logo com efeitos de pósprodução, serve ao estudo de propriedades que a ele interessa aprofundar para poética do vídeo. A repetição do grito, o travelling out e a reverberação de um som interno em um espaço abismal exemplificam uma possível ressonância dos recursos da tecnologia electrônica no corpo do artista.
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147 The Space between the Teeth (1976). Printscreen de vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ux0NMWDpiXw
A mente corporificada, ou a dupla inseparável corpo-mente de alguém com interesse e necessidade de experimentar estados internos através de recursos tecnológicos de um sistema que descobre tem visibilidade através da poética. Sente- se uma mutual vibração do interno ao externo, e do externo ao si mesmo, ao aparecer, na obra, a forma que parece emanar a tradução do sair de si para articular uma volta a si.
Outro trabalho de Bill Viola que explora o potencial do vídeo como dispositivo para performance é Reasons for Knocking at an Empty House (1983). O vídeo é usado como ferramenta para exploração do Self, em um estado de isolamento. O efeito da duração do meio é levado ao extremo. Em uma casa vazia, privado do sono durante três dias, Viola performa em uma situação de isolamento e confinamento. Como usual, ele usa o meio como testemunho de seu experimento, agora voltado à compreensão de diferentes estados psicológicos, em uma situação específica. O espaço torna-se uma extensão de sua subjetividade e à medida que o tempo passa, a brutalidade da situação torna a câmera um testemunho de um rígido processo de tomada de consciência de si mesmo em uma situação de privação.
A presença contemplativa é forçada ao extremo. Só há o espaço, um corpo sujeito à um tempo ininterrupto e a partir do qual a capacidade de resistência mental do artista é testada diante da câmera. O corpo do autor, que podemos pensar como parte da linhagem de um cinema “autocorporal”, é testado. Suas capacidades de concentração e silêncio são testadas ao extremo e o domínio do autor sobre seu filme não só concerne mais ao corpo que ele expõe, mas ao pensamento e ao experimento que ele executa. Implica, além do investimento corporal em sua própria encenação, em um experimento com os recursos da arte que ele põe à prova.
“Não há nada que esperar além de viver o próximo momento. Só viver. O tempo do isolamento. Os efeitos da duração. Tédio. Cansaço. Desorientação. Ciclos de irritação. A psicologia do isolamento e a privação do sono são aqui apresentadas de duas formas: primeiro, o extremo plano aberto cobre todo o cômodo que nunca muda. Um plano fixo. (…) prisão e segurança. Somente o movimento da figura e suas manipulações físicas são visíveis como mudança. Isto torna-se uma visão de uma situação claustrofóbica. Segundo – as situações halucinatórias comuns do som nestas situações são apresentadas por um microgone lavalier – trazendo o áudio mais próximo da pessoa que está no quarto, frequentemente em relação com a imagem visual, for a de proporção e em oposição uma situação normal em um auditório. Em situações de privação do sono, até mesmo os sons do ponteiro de um relógio podem parecer ensurdecedoras.”148
"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""" 148 VIOLA, 1995, p. 97.
A presença compõe-se do artifício de colocar a mente corporificada à prova diante do aparato-espelho. Não há como separar a presença real do resultado audiovisual, pois é o experimento com o meio que funda a modalidade de presença. A capacidade humana de resistir e orientar-se em uma situação extrema é performada diante e para o resultdado audiovisual. Os recursos do meio servem para criar as ambiguidades dos estados mentais da situação e relativizar nossa capacidade de distinção de realidade e imaginação. É o que viola evoca como “existence for ‘existence sake’. Beyond wainting”149. Ilusão e realidade diluem-se através do uso efeitos de som, imagem e luz. É como a criação de duas faces de nossa mente, como um enfrentamento dos “outros” que podemos ser ao utilizar o espelhamento do meio. Não haverá esta forma de presença sem o uso da ferramenta, das condições técnicas do aparato.