3. YÜZEY PÜRÜZLÜLÜĞÜ
3.5 Kesme Kuvvetlerinin Yüzey Pürüzsüzlüğüne Etkisi
Sobre essas questões de acesso à informação e ao conhecimento e da relação do currículo escolar com as tecnologias, é preciso ter claro que o trabalho educacional está relacionado ao trabalho do professor, aos elementos constitutivos do seu agir em sala de aula, assim como ao trabalho dos gestores educacionais, em diversos contextos educativos, todos eles atrelados a normas e políticas públicas e locais.
Na escola, os professores ajudam seus alunos a adquirirem as informações de que necessitam para o desenvolvimento de um trabalho, e junto com eles, direcionam o processo de aprendizagem com fundamento em um currículo, cujas bases estão em
consonância com as políticas públicas de educação, as quais, por sua vez, contêm diretrizes que são modificadas frequentemente, muitas vezes, antes de o aluno completar um ciclo de estudos. Isto ocorre pelo fato de tais políticas dependerem do grupo que detém o poder para a tomada de decisões na esfera pública estadual, e esse grupo se modifica constantemente.
Essa descontinuidade, além de impedir a concretização de muitos trabalhos educacionais, não permite uma avaliação adequada daquilo que está sendo implementado. O registro de todo esse processo, se realizado em ambientes digitais, tem a possibilidade de permanecer à disposição dos interessados, apresentando um histórico de seu desenvolvimento, bem como servindo de subsídios para projetos afins, evitando um eterno recomeço, o que atrasa a evolução dos procedimentos na área educacional.
Por essa razão, cabe ratificar a importância do Projeto UCA enquanto um projeto que possibilita o registro de todas as informações relativas ao uso de tecnologias na escola, em ambiente virtual e-proinfo6, que dá suporte ao desenvolvimento do curso, e também por meio dos blogs das escolas, dos professores e das universidades envolvidas no projeto.
Durante o curso, as escolas e os professores são estimulados a criarem o seu próprio blog para registro de atividades, comunicados, eventos e temas afins. As três universidades globais localizadas no Estado de São Paulo, além do blog específico, possuem um blog em comum em que são registradas atividades relativas ao curso de formação e outras que dizem respeito à educação com tecnologia, de modo a socializar experiências diversas que possam contribuir com o trabalho de cada escola e de cada professor. No Estado de Tocantins, por exemplo, foi criada uma rede de blogs de modo a facilitar a integração entre as escolas.
Esses registros permitem uma reflexão sobre o contexto onde se dá a busca de informações e de todo o processo no dia a dia de uma sala de aula que pretende introduzir ou não recursos tecnológicos. Desse modo, ainda que o projeto não tenha continuidade, o
6 A formação dos professores prevê ações presenciais e a distância. As ações a distância ocorrem no ambiente desenvolvido pelo MEC, denominado e-proinfo. Este ambiente dispõe de recursos que possibilitam o resgate de informações e elaboração de dados estatísticos.
professor que dele já tenha se apropriado, passa a contar com um espaço do qual pode coletar informações para a continuidade do seu trabalho.
No que se refere à introdução de tecnologias ao trabalho educacional, é preciso ficar claro qual é o produto desse trabalho e que valor ele possui para a sociedade como um todo. O trabalho educacional realizado pelo professor visa alcançar os objetivos da Educação enquanto “um direito inalienável de todos os cidadãos, e condição primeira para o exercício pleno dos direitos humanos, tanto dos direitos sociais e econômicos, quanto dos direitos civis e políticos” (PARECER CNE/CEB nº 7/2010). Para isto, é importante esclarecer que o foco do seu trabalho é a aprendizagem do aluno, a qual implica conhecimentos que deverão ser aprendidos (NÓVOA, 2007, p.6) na relação pedagógica que se estabelece entre alunos e professores, incluindo o conhecimento de novas ferramentas e de novas tecnologias.
O conceito de trabalho é amplo e inclui uma articulação entre diferentes dimensões, tais quais a social, a política e a econômica entre outras, e pode ser abordado a partir de diversos enfoques. No caso em questão refere-se somente às atividades pedagógicas realizadas pelos professores e seus alunos visando à aprendizagem destes.
Pesquisas realizadas no exterior e no Brasil, como a investigação da Fundação Victor Civita (2009), têm mostrado que apenas investir em tecnologias não conduz a resultados educativos imediatos, especialmente no processo de ensino e o de aprendizagem. As tecnologias, por si só, não agregam valor à educação e aos processos democráticos.
Um computador certamente é um investimento, mas desligado não se transforma em resultados educacionais. Tampouco, ligado, ele agrega valor se o seu uso não dinamizar o fluxo de informações na escola ou no sistema de ensino, de modo a garantir melhorias nos processos educativos. Portanto, é de pouca ou de nenhuma valia analisar a informatização de uma escola ou de outro local de aprendizagem, sem considerar os aspectos associados ao efetivo uso da tecnologia nos processos de trabalho relacionados a essas áreas, assim como avaliar a apropriação do conhecimento decorrente desses processos.
Um conjunto de fatores, tais quais, planejamento, gestão de tecnologias, participação dos agentes educacionais, propositores do uso e usuários, merece cada vez mais importância e constitui o foco de atenção da governança de tecnologias. Em se tratando de questões
educacionais, essa governança está condicionada às políticas públicas para a área, e por essa razão, analisar projetos que envolvem o uso de tecnologias na escola requer investigar a política que sustenta o sistema de ensino responsável por essas escolas.
Neste trabalho, conhecer a política para uso de tecnologias no Estado de São Paulo passa a ser um viés importante, a fim de verificar de que modo está sendo pensada a relação da tecnologia com o currículo e a do professor com os recursos tecnológicos, relações que interferirão no resultado do trabalho educacional, conforme colocado. Essas relações serão abordadas no Capítulo III desta tese.
O processo educacional para ser concretizado deve, portanto, partir de uma análise crítica da realidade e, se possível, de uma reflexão filosófica, reconhecendo o poder da comunidade e o poder institucional. Severino (2007), ao discorrer sobre a Filosofia, sua função e características, enfatiza a importância da totalidade, do rigor e da profundidade durante um processo de análise. Esta profundidade durante um processo de análise possibilita a conscientização do sujeito sobre determinada situação, tal qual está sendo posta nesta tese.
Assim, após essa análise, construir o currículo ou transformá-lo, se for o caso, visando não só transmitir os valores de uma geração para outra, mas transformar e desenvolver o que for necessário.
Essa tarefa exige situar o conhecimento, selecionar e proceder aos recortes que atenderão aos objetivos postos no currículo, lembrando que tal ação requer mediações para se chegar a um consenso e explicitá-lo, a fim de evitar conflitos entre os grupos envolvidos.
Levando em consideração as ponderações postas e comparando-as com os pressupostos do Projeto UCA, que inclui a formação de redes de aprendizagem e significados, vislumbra-se a possibilidade de o professor utilizar o espaço virtual para incentivar a troca de experiências e de conhecimentos entre alunos e entre alunos e professores, de diferentes espaços, promovendo em paralelo a apropriação tecnológica e pedagógica dos sujeitos envolvidos, construindo uma ação que poderá propiciar contornos inovadores ao currículo escolar.
Assim sendo, o trabalho educacional sob a responsabilidade do professor, desenvolvido com base nos pressupostos do Projeto UCA pode favorecer a integração das tecnologias ao currículo escolar, conforme será visto no tópico a seguir que apresentará o potencial da tecnologia para a criação de espaços democráticos na escola e na comunidade.
1.6 Redes de Aprendizagem: Tecnologias na Escola e a Criação de Espaços