2. İŞLENEBİLİRLİK
2.5 Kesici Takım Aşınması ve Kesici Takım Ömrü
Os pressupostos teóricos que conduzem à verificação que se pretende desenvolver neste trabalho, bem como os indicadores sociais, econômicos e tecnológicos já descritos, demandam um posicionamento da área educacional, compreendendo-se a Educação como direito do cidadão e, portanto, de responsabilidade do governo, dentro de uma perspectiva específica que se refere às políticas públicas educacionais, para uso de tecnologias implementadas nas últimas décadas. Assim também, tais pressupostos e indicadores possibilitam observar o papel da escola e a natureza política do currículo, a utilização das tecnologias que estrutura o modo de pensar e de organizar este currículo.
Nesse sentido, questiona-se o impacto de tais tecnologias não só para a sociedade, de modo geral, mas, sobretudo para a escola, em especial para educadores e pesquisadores cujos focos de estudos estejam voltados a temas que relacionam a tecnologia ao currículo escolar e às metodologias de formação de professores para uso de dispositivos móveis.
Diante do que já foi colocado, fica evidente o desafio a ser enfrentado pela escola contemporânea, instituição reconhecida como sendo o espaço destinado ao processo de ensino e o de aprendizagem, organizado por meio de políticas estabelecidas por um sistema de ensino que faz parte de uma sociedade que hoje contém e reflete as marcas de um contexto urbano, violento, desprovido de vínculos, do espetáculo, visual, organizado em redes, sem fronteiras, onde tudo é temporário e, sobretudo, midiático.
Tendo como objetivo a realização das demandas de conhecimento, a escola vive o conflito oriundo dessas escolhas e recortes do conhecimento a ser ensinado, pois sendo uma instituição de um campo político, torna-se um espaço fértil para a manutenção do poder (APPLE, 2006, p.7).
O currículo da escola contém a seleção do que deve ou não ser ensinado e como deve ser ensinado, definindo os caminhos, as possibilidades e o tipo de formação a ser oferecida aos alunos. E, a depender do que é definido, tem-se um cidadão mais ou menos reflexivo, mais ou menos participativo, mais ou menos capacitado a enfrentar os desafios contemporâneos.
Nesse sentido, é importante esclarecer que o conceito de currículo aqui adotado considera-o como uma área de conhecimento que resulta da ação do sujeito com um objeto (SEVERINO, 2007), um artefato social e cultural como enfatizam Moreira e Silva (2002, p. 7 - 8), sendo “uma seleção de uma cultura social mais ampla” (GIROUX, 1997, p. 47-48). Trata-se de um currículo flexível que possibilita a ação reflexiva e o desenvolvimento de atividades envolvendo os alunos, os professores e as tecnologias, por meio de uma abordagem que valoriza interesses e motivações do coletivo, conforme explicita Smith (1996), ao enfatizar que “no modelo de currículo como uma práxis”, a ação humana, que se constitui na prática, não é apenas fundamentada numa teoria, mas é empenhada em função de valores políticos, econômicos e sociais, se constituindo em uma verdadeira práxis.
Esta concepção de currículo vai ao encontro do Parecer CEB/CNE nº 07/2010, que discorre sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, quando traz em seu texto preocupações semelhantes e afirma que “há necessidade de aproximação da lógica dos discursos normativos com a lógica social, ou seja, a dos papéis e das funções sociais em seu dinamismo”. Para corroborar as ideias postas no Parecer, os autores do texto normativo fundamentam-se em Arroyo (1999) e afirmam que é preciso preparar os professores antecipadamente para a implementação de novas propostas. Segundo Arroyo (1999, p. 151):
não se implantarão propostas inovadoras listando o que teremos de inovar, listando as competências que os educadores devem aprender e montando cursos de treinamento para formá-los. É (...) no campo da formação de profissionais de Educação Básica onde mais abundam as leis e os pareceres dos conselhos, os palpites fáceis de cada novo governante, das equipes técnicas, e até das agências de financiamento, nacionais e internacionais. Além disso, ao longo do texto que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, fica evidente que a base nacional comum e a parte diversificada do currículo devem ser organicamente planejadas, que as tecnologias de informação e comunicação devem perpassar transversalmente a proposta curricular, imprimindo direção aos projetos político-pedagógicos, que os programas de formação de professores “devem prepará- los para o desempenho de suas atribuições, considerando necessário: [...] compreender, interpretar e aplicar a linguagem e os instrumentos produzidos ao longo da evolução tecnológica, econômica e organizativa”, além de assegurar na organização do percurso formativo “o estímulo à criação de métodos didático-pedagógicos, utilizando-se e recursos tecnológicos de informação e comunicação”, visando superar a distância entre alunos e professores no que diz respeito à apropriação e utilização da linguagem digital.
Assim, levando-se em consideração a concepção de currículo adotada, endossada pelas diretrizes nacionais e associada aos propósitos desta tese no que diz respeito à formação de professores para uso de laptops, com consequências na formação dos alunos, torna-se importante um estudo que avalie o potencial das tecnologias existentes, a fim de que estas sejam contempladas por ocasião da revisão curricular. Uma vez integradas ao currículo da escola, estudos voltados ao desenvolvimento de competências pedagógico-digitais tornam-se
uma exigência, a fim de que professores e alunos usem as tecnologias de modo consciente, visando alcançar os objetivos postos no projeto político-pedagógico da escola.
Além disso, quando o assunto diz respeito ao currículo, cabe lembrar a importância em se incluir tanto os conhecimentos universais quanto os conhecimentos específicos, bem como saber compreender as contradições e questões levantadas pela globalização e a ideia de uma cultura global. O currículo admite, também, as influências internacionais, do mercado e das políticas sociais e econômicas vigentes. Assim sendo, ao considerar a importância da cultura para o currículo escolar, é necessário levar em conta a existência de uma cultura local e de uma cultura global.
Igualmente importante, é observar que a escola se constitui como instituição no processo de conscientização, sendo uma das poucas instituições capaz de influir tão severamente no cotidiano da vida em sociedade. Isso significa que a escola tem possibilidade de incluir o aluno nessa nova dinâmica para que ele atue de maneira a melhorar sua qualidade de vida e de seu meio, hoje cada vez mais prejudicado por ações do próprio homem e instituições que degradam o ambiente, tal qual cenário apresentado por Sevcenko (2009).
A melhoria na qualidade de vida do aluno inclui, ainda, a possibilidade de inserção no mercado de trabalho e acesso aos bens culturais e materiais, entre outros fatores, levando-o a realizar sua vida à medida que se instrumentaliza podendo interagir com o mundo local e global. A educação é vital no sentido de desenvolver competências – habilidades, conhecimentos e atitudes - e o senso crítico dos indivíduos para que ele tenha condição não só de realizar, mas de manter a sua vida, por suas realizações pessoais e produtos advindos de seu trabalho.
Isto significa dizer que o currículo deverá incluir temas que possibilitem ao aluno o desenvolvimento de competências que o levem a manipular as tecnologias existentes com o objetivo de interagir com o grupo local e global visando discutir temas que possam ampliar a sua compreensão sobre os problemas que afetam o seu desenvolvimento e o de sua comunidade, identificando soluções viáveis e pertinentes.
Nesse sentido, vale destacar o que o Grupo de Trabalho de Assessoramento Pedagógico – GTUCA incluiu nos Princípios Orientadores do Projeto UCA (MEC/SEED, 2007, p. 10), sobre o potencial do Projeto para os sujeitos que dele participam:
A nova iniciativa do governo de disponibilizar laptop educacional e acesso à Internet integrada com os demais projetos de uso de tecnologias nas escolas públicas potencializa a compreensão de fatos e fenômenos da realidade, valoriza os diferentes sujeitos e a própria democratização dos saberes, abrindo novas possibilidades de relação com o mundo das ciências, da cultura e do trabalho.
No mesmo documento, o GTUCA enfatiza a importância do Projeto em relação às possibilidades de desenvolvimento de novas competências exigidas pela sociedade atual, de acesso às informações e estabelecimento de relações via redes sociais e comunidades de aprendizagem (MEC/SEED, 2007, p. 10).
Todo este quadro assume uma proporção ainda maior se associado ao fato de que ano após ano, novas tecnologias móveis invadem a sociedade, potencializando as transformações apontadas. Ainda sobre a Era da Conexão, cabe lembrar que Weinberg (2003) afirma que “quanto maior e melhor forem essas conexões, mais forte serão nossos governos, negócios, ciência, cultura, educação”, provocando nos pesquisadores uma postura de análise profunda sobre as relações no cotidiano escolar, por onde, afinal, circulam os sujeitos que vivem no espaço “urbano”, influenciado pelas políticas públicas de diferentes instâncias governamentais, pelas oscilações econômicas, pelos avanços da ciência, pela cultura e pelas ações emanadas dos sistemas educacionais.
Sobre essas questões, ressalta-se:
Um dos elementos essenciais da proposição do Projeto UCA é o desenvolvimento científico e tecnológico, dirigido para o progresso e a expansão do conhecimento, a fim de permitir a emancipação individual e coletiva, a consolidação da democracia, a melhoria da qualidade de vida e a equidade social amparada em valores éticos, estéticos e solidários. (MEC/SEED, 2007, p. 11)
Sobre a criação dos espaços democráticos na escola e a relação desses com o Projeto UCA, cabe ressaltar que esse projeto merece destaque, pois está possibilitando a criação de ambientes dentro das unidades escolares que permitirão maior interação entre os
sujeitos da escola e a comunidade, pelo acesso à internet. Esse tema será abordado no item 1.6 que trata de redes de aprendizagem.